Mônaco-2016: Sergio Pérez alcança o pódio no Principado

Sergio Pérez (Force India) celebra com sua equipe um inesperado terceiro lugar no GP de Mônaco de 2016: condução precisa do mexicano

Sergio Pérez celebra com a Force India um inesperado terceiro lugar no GP de Mônaco de 2016

Sergio Pérez (Force India) deu um show à parte no GP de Mônaco de 2016. A bordo de seu VJM09, o mexicano foi constante na pista molhada e, na base da estratégia, assumiu o terceiro lugar no Principado. Calçando pneus macios na parte final da corrida, Checo conduziu de forma firme, no mesmo ritmo do líder Lewis Hamilton (Mercedes) e do vice Daniel Ricciardo (Red Bull). Assim, acabou não sendo incomodado por Sebastian Vettel (Ferrari), o quarto colocado. No fim, Pérez foi coroado com o pódio na prova monegasca. Foi o sexto top 3 de sua carreira – antes, participou da cerimônia nos GPs da Malásia de 2012, em Sepang, do Canadá de 2012, em Montreal, e da Itália de 2012, em Monza (todos pela Sauber); e nos GPs do Bahrein de 2014, em Sakhir, e da Rússia de 2015, em Sochi (já pela Force India).

O pódio de Pérez em Mônaco-2016 foi o quarto da escuderia indiana na Fórmula 1. Além dos top 3 de Sergio em Sakhir-2014 e em Sochi-2015, o time de Vijay Mallya conquistou, com Giancarlo Fisichella, o segundo lugar no GP da Bélgica de 2009, em Spa-Francorchamps. O terceiro lugar de Checo no Principado somou-se à sexta colocação de Nico Hulkenberg, que superou Nico Rosberg (Mercedes) na reta final da etapa. Com esses resultados, a Force India obteve 23 pontos na prova monegasca, só sendo superada pela Mercedes (que, com Hamilton e Rosberg, somou 31 pontos). O bom desempenho fez com que a equipe saltasse do sétimo para o quinto lugar no Mundial de Construtores, com 37 pontos (dos quais 23 de Pérez e 14 de Hulkenberg). De uma só vez, a escuderia indiana superou Toro Rosso e Haas.

Na quinta-feira de treinos, Pérez anotou um bom oitavo lugar: desempenho positivo

Na quinta-feira de treinos, Pérez anotou um bom oitavo lugar: desempenho positivo

Tradicionalmente, os projetos da Force India privilegiam pistas de média e alta velocidade. Por isso, a performance positiva da escuderia indiana em Mônaco chegou a ser surpreendente – os melhores desempenhos da equipe no Principado haviam sido os quintos lugares de Adrian Sutil em 2013, e de Hulkenberg em 2014. Também pesava o fato de que, em 2016, o VJM09 não havia alcançado grandes resultados – os melhores foram dois sétimos lugares (um com Hulkenberg no GP da Austrália, em Melbourne, e outro com Pérez no GP da Espanha, em Montmeló). Contudo, o que se viu nos treinos livres de quinta encheu a equipe de confiança. Pérez foi o oitavo, com 1m16s120. O mexicano ficou a 1s513 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o mais rápido com 1m14s607. Por outro lado, Checo foi 0s367 mais veloz que Hulk, 11º com 1m16s487.

“Pilotar em Mônaco é sempre um grande desafio. Aqui, você tem que encontrar o seu ritmo rapidamente, e ganhar velocidade a cada volta. Foi um dia sem problemas, e coletamos as informações que precisamos sobre os três compostos de pneus (ultramacios, supermacios e macios). Ainda não estou completamente satisfeito com o carro. Assim, acho que há mais por vir. É isso que precisamos olhar esta noite (quinta) e amanhã (sexta), para estar totalmente confiante com o carro, o que é especialmente importante aqui”, analisou Pérez após o primeiro dia de treinos.

No sábado, Checo andou no mesmo ritmo de Hulkenberg. Contudo, o alemão foi mais veloz que o mexicano no Q3

No sábado, Checo andou no mesmo ritmo de Hulkenberg. Contudo, o alemão bateu o mexicano no Q3

Após a folga de sexta, os pilotos voltaram a acelerar no Principado no sábado. Novamente, os carros indianos mostraram um ritmo promissor pelas ruas monegascas. No qualifying, a dupla da Force India andou sistematicamente no mesmo ritmo. Tanto no Q1 quanto no Q2, a diferença entre Pérez e Hulkenberg ficou na casa dos centésimos. Contudo, no Q3, o alemão foi mais feliz em sua volta. Hulk fez 1m14s726, assegurando o quinto lugar. Já Checo marcou 1m14s902, o que lhe rendeu o oitavo posto. Porém, como Kimi Raikkonen (Ferrari), sexto no Q3, havia sido punido com a perda de cinco posições por ter trocado a caixa de câmbio de seu bólido, o mexicano alinharia em sétimo.

A marca de Sergio foi 1s280 mais lenta que a de Daniel Ricciardo (Red Bull), que, com 1m13s622, bateu as Mercedes de Nico Rosberg e Lewis Hamilton, anotando sua primeira pole na carreira. Apesar de ter sido superado por Hulkenberg na disputa interna da Force India, Perez considerou positivo o treino. “Tivemos um bom ritmo hoje (sábado), mas enfrentei dificuldades para aquecer os pneus no qualifying. Por isso, sinto que uma posição melhor era possível. De qualquer modo, é um bom lugar para largar, e estamos visando um grande resultado. Mônaco tem provavelmente a classificação mais importante do ano, portanto é bom largar entre os dez primeiros”, analisou Checo.

Pérez estava ciente de que tudo poderia acontecer no GP de Mônaco: profecia concretizada no domingo

Pérez estava ciente de que tudo poderia acontecer no GP de Mônaco: profecia concretizada na corrida

Para a etapa, o mexicano fez uma leitura que mais parecia uma profecia. “Sabemos como esta corrida pode ser imprevisível. Tudo pode acontecer – como períodos de safety car ou chuva -, e você precisa reagir rapidamente e tomar as decisões corretas. Um pouco de sorte também não faz mal. Será crucial largar bem, pois sabemos que o que realmente importa em Mônaco é a posição na pista. Amanhã (domingo) será uma história diferente, e estou ansioso pelo desafio”, afirmou Pérez, sem saber que o destino lhe reservaria uma saborosa conquista nas ruas monegascas.

A chuva imperou no domingo. Com isso, a largada do GP de Mônaco de 2016 foi feita sob a liderança do safety car

A chuva imperou no domingo: largada do GP de Mônaco de 2016 foi feita sob a liderança do safety car

A corrida

Após dias ensolarados, a Fórmula 1 se deparou com um desafio e tanto para a disputa do GP de Mônaco. Logo no amanhecer do domingo, 29 de maio de 2016, a chuva imperava no Principado. Com o passar das horas, ela se foi. Porém, meia hora antes da largada, a intensidade da precipitação aumentou. O circuito de rua estava encharcado. Diante disso, Charlie Whiting, diretor de provas da FIA, sacramentou: a largada para a corrida monegasca seria feita em fila indiana, atrás do safety car. Todos os pilotos estavam com pneus para chuva intensa. Assim, Pérez seguia em sétimo, atrás de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) e à frente de Fernando Alonso (McLaren) – o bicampeão herdou a oitava posição após Daniil Kvyat (Toro Rosso) parar nos boxes para trocar seu volante.

Na volta 4, a chuva já havia parado. A pista começava a se secar, enquanto os pilotos continuavam na fila indiana. Apenas na volta 8, a direção de prova retirou o safety car do circuito: enfim, era dada a largada para o GP de Mônaco. Entretanto, por pouco tempo: Jolyon Palmer (Renault) se estatelou no guard rail logo após a linha de chegada. O bólido do inglês pararia na Saint Devote. Com o acidente, o safety car retornou para limpeza da pista. Na volta 11, a relargada foi dada. Pérez manteve-se em sétimo, atrás de Sainz Jr. e à frente de Alonso. Na volta 13, Sebastian Vettel (Ferrari) foi o primeiro a colocar pneus intermediários. Com isso, Checo subiu para sexto. Na volta 15, Hulkenberg, que ocupava um bom quarto lugar, decidiu fazer a troca. Assim, Sergio ascendeu para quinto.

Ao antecipar a segunda parada, Checo conseguiu superar Vettel: terceiro lugar na base da estratégia

Ao antecipar a segunda parada, Checo conseguiu superar Vettel: terceiro lugar na base da estratégia

Na volta 16, o mexicano da Force India estava a 19s7 de Daniel Ricciardo (Red Bull), o líder em Mônaco. O asteca tinha seu ritmo ditado por Nico Rosberg (Mercedes). Em terceiro após ceder a vice-liderança para Lewis Hamilton (Mercedes), o alemão segurava Sainz Jr. e Pérez. Com a parada de Rosberg, na volta 20, Pérez assumiu o quarto lugar. Na passagem seguinte, com o pit stop do espanhol da Toro Rosso, Sergio alcançou a terceira posição. Ao estender o uso dos jogos para chuva intensa, Pérez ganhou terreno na prova – o que foi fundamental para a conquista do pódio. Quando foi aos boxes pela primeira vez, na volta 22, o mexicano calçou pneus intermediários. No retorno à pista, se viu em quarto, logo atrás de Rosberg, mas à frente de Vettel.

Dando sinais de estar com problemas de freios, Rosberg segurava Pérez, Vettel, Hulkenberg, Sainz e Alonso, formando um pelotão na luta pelo terceiro lugar. Barrado pelo alemão da Mercedes, a Force India deu o ‘pulo do gato’: na volta 30, a equipe de Vijay Mallya chamou Checo para os boxes. O mexicano foi o primeiro dos líderes a calçar pneus para pista seca. Sergio optou pelos pneus macios (os mais resistentes do fim de semana). No retorno, estava em 10º. Pérez pisou fundo, com o intuito de superar Nico e de não perder posições. Na volta 31, Hulkenberg e Max Verstappen (Red Bull) fizeram suas paradas, e Checo figurou em oitavo. Na 32, todos à frente de Sergio foram aos boxes. Após os pit stops de Felipe Massa (Williams), Esteban Gutiérrez (Haas), Rosberg, Alonso e Vettel, Pérez se viu em terceiro lugar.

Andando num excelente ritmo, o mexicano da Force India não foi ameaçado por Vettel

Andando num excelente ritmo, o mexicano da Force India não foi ameaçado por Vettel

Com a pista seca e calçando os compostos mais resistentes, Checo pôde acelerar. Atrás dele, estava Vettel, Alonso e Rosberg – com problemas nos boxes, o alemão despencou para o sexto lugar. À frente, apenas Hamilton e Ricciardo – Lewis assumiria a ponta após bobagem da Red Bull (o time simplesmente esqueceu os pneus para a troca do australiano). Na volta 34, Sergio estava a 13s1 de Lewis e a 12s7 de Daniel. Na passagem seguinte, Verstappen bateu no guard rail da subida da curva do Cassino. O Virtual Safety Car (VSC) foi acionado pela direção de prova. Após o fim do procedimento, na volta 37, Ricciardo atacou Hamilton na luta pela ponta. Lewis chegou a cortar o caminho na chicane do Porto, mas segurou a liderança, para desespero de Daniel.

Com o duelo entre Hamilton e Ricciardo, Pérez acabou sendo beneficiado. Na volta 39, o mexicano estava a 9s5 do inglês da Mercedes. Na 44, a diferença para o líder havia subido para 11s2. Enquanto isso, Sergio lidava com a pressão de Vettel – o alemão da Ferrari encontrava-se a 1s6 do asteca da Force India. Porém, os pneus macios do VJM09 começavam a ficar mais aquecidos, e, com melhor aderência, Checo se tornou o piloto mais veloz da pista. Na volta 51, a dupla da Sauber protagonizou uma cena pastelão – Marcus Ericsson tentou uma ultrapassagem insana sobre Felipe Nasr na Rascasse, na disputa pelo 15º lugar. O acidente bizarro provocou a adoção do VSC por uma volta.

No fim, Pérez conquistou o terceiro lugar: terceiro top 3 do mexicano na escuderia indiana

No fim, Pérez conquistou o terceiro lugar: terceiro top 3 do mexicano na escuderia indiana

Ainda assim, o ritmo de Pérez não caiu. Na volta 60, o mexicano estava a 7s9 de Ricciardo e a 9s2 de Hamilton. Além disso, colocava 3s2 de vantagem sobre Vettel. Apesar do excelente desempenho, Checo teve de controlar uma última investida de Seb. Na volta 64, o alemão tirou boa parte da diferença para o mexicano. Entretanto, o ferrarista cometeu um erro antes do Cassino, quase repetindo o acidente de Verstappen. Com isso, Vettel teve que se conformar com o quarto posto. No fim, a vitória no GP de Mônaco de 2016 ficou com Hamilton. Ricciardo terminou em segundo, e Checo cruzou a linha de chegada na terceira posição, a 13s8 de Lewis.

A festa foi imensa nos boxes da Force India. Também pudera: foi o primeiro pódio do time em 2016. O sorriso estampado no rosto de Sergio contrastava com a face aliviada de Hamilton – que alcançou sua primeira vitória no ano (a 44ª na carreira) – e com o rosto fechado de Ricciardo – que lamentou o triunfo perdido. A alegria de Pérez contagiou a todos no Principado. “Um pódio em Mônaco é um momento muito especial. Uma das minhas melhores corridas, principalmente vendo como as condições foram difíceis hoje (domingo). A chave para minha corrida foi a estratégia, e nós fizemos as coisas de forma perfeita”, observou o mexicano.

A alegria de Pérez no pódio contrastava com o alívio do vencedor Hamilton e com a frustração de Ricciardo

A alegria de Pérez no pódio contrastava com o alívio de Hamilton e com a frustração de Ricciardo

Para Checo, duas definições durante a prova renderam o pódio no Principado. “A primeira decisão difícil foi quando colocar o pneu intermediário, e nós adiamos pelo maior tempo possível. A equipe disse que a decisão a respeito do momento de entrar era minha, e deu certo, porque conseguimos superar alguns carros, incluindo meu companheiro. A troca para os compostos lisos foi outro momento-chave, porque eu parei cedo, uma volta antes de Rosberg e Vettel, e consegui deixá-los para trás. Os pneus macios funcionaram bem, mas eu sabia que precisava cuidar deles e não foi fácil, porque fui pressionado por Vettel durante a maior parte da prova. Todos na equipe merecem este resultado, e quero dedicar o pódio a Vijay Mallya em particular”.

Pérez enalteceu a Force India, e dedicou o terceiro lugar a Vijay Mallya, dono do time

Pérez enalteceu a Force India, e dedicou o terceiro lugar a Vijay Mallya, dono do time

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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