Rússia-2016: confusão na largada coloca Grosjean nos pontos

Romain Grosjean (Haas) se livrou dos incidentes na Curva 1 para alcançar o oitavo lugar em Sochi

Romain Grosjean (Haas) se livrou dos incidentes na Curva 1 para alcançar o oitavo lugar em Sochi

O início de trajetória da Haas na Fórmula 1 tem sido promissor. Após obter o sexto lugar no GP da Austrália de 2016, em Melbourne, e o quinto no GP do Bahrein, em Sakhir – ambos com o francês Romain Grosjean -, a escuderia norte-americana se viu envolta de problemas no GP da China, em Xangai. Depois de ficar de fora do top 10 na etapa chinesa, a equipe de Gene Haas reencontrou o caminho dos pontos em Sochi, palco do GP da Rússia deste ano. Novamente pelas mãos de Grosjean, o time ianque terminou na zona de pontuação. Desta vez, Romain recebeu a bandeirada em oitavo. Para alcançar os quatro pontos na etapa russa, o francês contou com um incidente na largada, que alavancou-o na classificação. Apesar de ter sido superado por Kevin Magnussen (Renault) na base da estratégia, perdendo a possibilidade de conquistar a sétima posição, Grosjean voltou a mostrar boa forma a bordo do VF-16.

O resultado em Sochi conduziu Romain para o sétimo lugar do Mundial de Pilotos, com 22 pontos. Na tabela, o francês vem figurando à frente de pilotos com melhores equipamentos – casos de Daniil Kvyat (Red Bull), 21 pontos, e de Valtteri Bottas (Williams), 19. Graças a Grosjean, a Haas deixou a Rússia na quinta posição do Mundial de Construtores, atrás somente das quatro principais equipes da temporada – Mercedes, Ferrari, Red Bull e Williams. É bem verdade que apenas quatro corridas foram disputadas em 2016. De toda forma, o desempenho de Romain e do time de Gene Haas vem merecendo elogios. Afinal, das quatro primeiras participações da equipe ianque na categoria, em três delas esteve na zona de pontuação.

Após um difícil fim de semana na China, clima era de desconfiança na Haas

Após um difícil fim de semana na China, a Haas estava receosa quanto ao seu desempenho na Rússia

Ao desembarcar na Rússia, as expectativas da Haas eram conflitantes. Após um péssimo fim de semana na China, onde Grosjean e Esteban Gutiérrez se viram no fim do pelotão – o francês foi apenas o 19º, enquanto o mexicano obteve o 14º lugar -, o time estava receoso. Repetir os feitos de Melbourne e de Xangai em solo russo parecia algo distante para a equipe norte-americana. Na sexta-feira, primeiro dia de treinos em Sochi, Romain e Esteban voltaram a estar longe dos melhores em Sochi. Grosjean foi o 16º mais rápido, com 1m40s260, enquanto Gutiérrez ficou em 17º, com 1m40s508 – a 0s248 de seu companheiro. A marca de Romain ficou a distantes 2s677 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m37s583.

“Foi bom estar de volta ao carro. Sochi é uma pista que gosto bastante. Não tivemos um dia muito fácil, pois tentamos avaliar como fazer funcionar os pneus e o carro. Podemos melhorar e tornar o carro melhor. Felizmente, podemos encontrar essas respostas amanhã (sábado), já que o nosso desempenho não está exatamente onde queremos. Novamente, é tudo sobre trabalhar e aprender tudo. Tivemos um pouco de dificuldade hoje (sexta), mas tenho certeza que o pessoal vai reagir bem”, analisou Grosjean após as sessões.

Mesmo tendo avançado para o Q2, Grosjean não se mostrou satisfeito com seu VF-16: tímido 15º lugar no grid

Mesmo tendo avançado para o Q2, Grosjean não estava satisfeito com seu VF-16: 15º lugar no grid

Apesar do otimismo de Romain, a Haas não conseguiu reagir no sábado, dia da definição do grid de largada para o GP da Rússia. Mesmo avançando para o Q2, Grosjean e Gutiérrez não foram além da 15ª e 16ª posições, respectivamente. A dupla superou apenas Sauber, Manor e Renault no qualifying. O francês anotou 1m38s055, enquanto o mexicano fez 1m38s115 – apenas 0s060 separaram os dois. Romain ficou a 2s638 de Nico Rosberg (Mercedes), que obteve a pole em Sochi com 1m35s417. Grosjean revelou preocupação com seu bólido, após o desempenho no treino.

“Tem sido um fim de semana complicado até agora. Tive dificuldades com a aderência e com o carro. É difícil fazer o pneu funcionar em um asfalto tão liso. Ainda não tenho a sensação que costumava ter no início da temporada com o carro. Realmente precisamos analisar isso. Amanhã (domingo) vai ser uma corrida longa, com muita economia de combustível. Os pneus estão difíceis de manterem na janela, por isso vai ser um desafio para todos. Talvez possamos tentar ser um pouco mais inteligentes. Vamos fazer o nosso melhor, vamos analisar e colher alguns dados interessantes. Depois da corrida, vamos ver o nosso nível”, comentou.

Largada do GP da Rússia de 2016: nova confusão entre Vettel e Kvyat provocou a entrada do safety car

Largada do GP da Rússia de 2016: confusão entre Vettel e Kvyat provocou a entrada do safety car

A corrida

Grosjean estava desconfiado do que poderia fazer em Sochi ao alinhar seu VF-16, com pneus macios, para a disputa do GP da Rússia. Naquele domingo, 1º de maio de 2016, o sol brilhava sobre o grid. Porém, parecia haver uma nuvem negra sobre os capacetes de Sebastian Vettel (Ferrari) e Daniil Kvyat (Red Bull). Assim como em Xangai, o alemão e o russo se estranharam após o apagar das luzes vermelhas. Correndo em casa, Kvyat atropelou Vettel na freada da curva 1. A partir daí, veio um efeito dominó: diversos toques e carros para fora da pista. Depois, Daniil voltou a abalroar Sebastian. Conclusão: o tetracampeão ficou estatelado no muro, e o safety car foi acionado.

Após largar em 15º, Romain completou a volta 1 em oitavo. Além de ganhar posições com os abandonos de Vettel e de Nico Hulkenberg (Force India), o francês se aproveitou das paradas dos boxes de Kvyat, Sergio Pérez (Force India) e Daniel Ricciardo (Red Bull), e das escorregadas de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) e de Jenson Button (McLaren), para figurar no top 10 logo no início da etapa russa. Quando a relargada foi dada, na volta 4, Grosjean tentava acompanhar o ritmo de Fernando Alonso (McLaren), o sétimo. Por outro lado, era perseguido por Kevin Magnussen (Renault), o nono.

Romain Grosjean, à frente de Kevin Magnussen (Renault) e Jolyon Palmer (Renault): tática colocou dinamarquês em 7º

Grosjean, à frente de Kevin Magnussen e Jolyon Palmer: tática da Renault pôs dinamarquês em 7º

Por não possuir grandes pontos de ultrapassagens, e pelo baixo consumo de pneus no circuito russo, as posições seriam consolidadas no único pit stop previsto para o GP da Rússia. Parar no momento certo era crucial para os pilotos. Na volta 16, Magnussen foi aos boxes. Para se manter à frente do dinamarquês da Renault, o francês da Haas se encaminhou aos boxes na passagem seguinte. Romain trocou os compostos macios pelos médios. Entretanto, ao retornar para a pista, se viu atrás de Kevin, em 13º.

Com a parada de Button, na volta 21, Grosjean subiu para 12º. Ali permaneceu até a volta 27. Após os pit stops de Marcus Ericsson (Sauber) e de Pérez, o francês retornou à zona de pontuação da prova russa. Após a parada de Ricciardo, na volta 29, Romain se viu em nono. Era o máximo que poderia fazer. Atrás de Magnussen, Grosjean era perseguido por Pérez, Sainz Jr. e Button. Os cinco andavam no ritmo imposto pelo dinamarquês. Na volta 34, Max Verstappen (Toro Rosso), que ocupava um excelente sexto lugar, viu a quebra do motor Ferrari de seu bólido. Sem o holandês, o francês da Haas recuperou o oitavo posto.

Apesar de pressionar Magnussen, Grosjean não conseguiu tirar o sétimo lugar do dinamarquês

Apesar de pressionar Magnussen, Grosjean não conseguiu tirar o sétimo lugar do dinamarquês

No fim, mais uma vez, Nico Rosberg (Mercedes) venceu o GP da Rússia. Foi o quarto triunfo em quatro provas de 2016, o sétimo consecutivo e o 18º na carreira do alemão, líder destacado do Mundial. Lewis Hamilton (Mercedes) terminou em segundo, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari). Já Grosjean comemorou o fato de voltar à zona de pontos em Sochi. “É ótimo pontuar novamente, especialmente depois de um fim de semana muito difícil, onde nunca ficamos satisfeitos com o carro. Fiz uma boa primeira volta, conseguindo evitar todos os incidentes, e então eu mantive (Sergio) Pérez atrás. Ainda há muitas coisas que podemos melhorar no carro, não estou 100% satisfeito com o comportamento. Mas é muito positivo saber que temos algo que vai se tornar melhor”, concluiu.

Grosjean, com Gunther XXXX e Gene Haas: escuderia norte-americana está em quinto no Mundial, com os 22 pontos do francês

Grosjean, com Gunther Steiner e Gene Haas: time está em 5º no Mundial, graças ao francês

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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