Bahrein-2016: tática ousada coloca Grosjean e a Haas no top 5

Romain Grosjean deixou a Haas em êxtase ao chegar em quinto lugar no GP do Bahrein de 2016

Romain Grosjean deixou a Haas em êxtase ao chegar em quinto lugar no GP do Bahrein de 2016

Romain Grosjean está vivendo intensamente o “sonho americano” na Fórmula 1. Em sua segunda corrida pela estreante Haas, o francês terminou pela segunda vez na zona de pontuação. Depois do sexto lugar no GP da Austrália de 2016, em Melbourne, Grosjean conquistou a quinta posição no GP do Bahrein, em Sakhir, no último domingo. Diferentemente da prova australiana – na qual uma bandeira vermelha possibilitou que o francês ascendesse na classificação -, a etapa barenita viu um Romain combativo e consistente durante as 57 voltas percorridas. Aliado ao desempenho de seu piloto, a escuderia de Gene Haas provou que, para tomar boas decisões, não precisa de ‘tempo no circo’: com uma estratégia de utilizar pneus supermacios em três trechos distintos da corrida, o time ianque se impôs diante de Williams, Red Bull e Toro Rosso. Em suma: Sakhir-2016 foi palco de uma performance perfeita do conjunto Grosjean-Haas.

O top 5 no GP do Bahrein colocou Romain na quinta posição do Mundial de Pilotos, com 18 pontos – empatado com o quarto colocado Kimi Raikkonen (Ferrari), que leva vantagem no critério de desempate. Além disso, manteve a Haas no quinto lugar do Mundial de Construtores – a escuderia norte-americana está a apenas dois pontos da Williams. Um quadro acima das expectativas para o francês e sua equipe, que desembarcaram em solo barenita satisfeitos com o que fizeram na Austrália. Em Sakhir, a expectativa era a de que Grosjean e seu companheiro de equipe, o mexicano Esteban Gutiérrez, conquistassem novamente um lugar na zona de pontos de uma etapa do Mundial.

Durante a sexta, a Haas testou intensivamente com os diversos tipos de pneus: fórmula surtiu resultado

Na sexta, a Haas testou intensivamente com os diversos tipos de pneus: fórmula surtiu resultado

Quando o VF-16 entrou na pista, na sexta-feira, o francês e o asteca trataram de testar os compostos oferecidos pela Pirelli. Dessa forma, a Haas pôde entender melhor qual seria o melhor set de pneus para a corrida. No fim do dia, Romain anotou o 14º melhor tempo, com 1m33s384, a 2s383 de Nico Rosberg (Mercedes), o mais rápido com 1m31s001, e a 0s255 de Esteban, o 12º, com 1m33s129. Apesar de ter sido superado por Gutiérrez, Grosjean estava satisfeito com seu bólido. “Corremos com pneus diferentes, médios e supermacios. Tivemos algum problema com a asa dianteira, mas no geral foi um bom dia. Fizemos todas as alterações visando ao treino de amanhã (sábado). Não acho que seja impossível estar em algum lugar próximo do top 10”, analisou o francês.

Os testes realizados trouxeram efeito imediato para Romain. No terceiro treino livre, Grosjean obteve um promissor sexto tempo, com 1m33s082, a 1s399 de Sebastian Vettel (Ferrari), o melhor com 1m31s683. No qualificatório, o francês levou a Haas à beira do Q3. Todavia, acabou sendo desbancado por Nico Hulkenberg (Force India). Ainda assim, Grosjean assegurou o nono lugar no grid, com 1m31s756 – a 2s263 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m29s493. A marca de Romain foi 0s189 mais veloz que a obtida por Gutiérrez, que ficou com a 13ª posição.

Por pouco, Grosjean não avançou para o Q3: no fim, comemorou o nono lugar no grid de Sakhir

Por pouco, Grosjean não avançou para o Q3: no fim, comemorou o nono lugar no grid de Sakhir

“(A nona posição) foi melhor do que a gente esperava. Todos trabalharam de forma brilhante. Eu estava falando com Gunther (Steiner, chefe da Haas) antes da classificação e ele disse que esta sessão seria um grande teste para nós. Cada vez que vamos para a pista, estamos aprendendo mais. Estou muito orgulhoso dos meus mecânicos”, observou Grosjean, que demonstrou otimismo em relação a um bom resultado no Bahrein. “Amanhã (domingo) teremos uma corrida longa. Será uma prova difícil, em razão das escolhas de pneus, mas acho possível um bom resultado. Estamos esperando fazer mais pontos. Estou ansioso para correr”, afirmou Romain, cuja ansiedade só deveria ser menor que a do jovem belga Stoffel Vandoorne – o piloto de 23 anos desembarcou em Sakhir para substituir Fernando Alonso (impedido de correr pela FIA, por problemas na costela) na McLaren.

Toque envolvendo Hamilton e Bottas beneficiou Grosjean

Toque envolvendo Hamilton e Bottas, logo após a largada do GP do Bahrein, beneficiou Grosjean

A corrida

O pôr do sol em Sakhir era o sinal de que a largada do GP do Bahrein estava se aproximando. No fim da tarde de domingo, 3 de abril de 2016, 20 carros se encaminharam para a volta de apresentação. Porém, nem todos chegaram ao grid. No meio do circuito, o motor de Sebastian Vettel (Ferrari) explodiu subitamente, deixando o alemão, terceiro no grid, a pé. Além do tetracampeão, Jolyon Palmer (Renault), com problemas hidráulicos, não foi para o grid. O companheiro do inglês, Kevin Magnussen, alinhou na saída dos boxes – o dinamarquês foi punido durante os treinos por não realizar pesagem de seu bólido. Quando as luzes vermelhas foram acesas, 17 carros estavam no grid. Com o abandono de Vettel, Grosjean já saltou em oitavo quando a largada foi autorizada.

A situação melhoraria para o francês logo após o contorno da curva 1: pole em Sakhir, Lewis Hamilton (Mercedes) saiu mal e foi superado por Nico Rosberg (Mercedes). Atrás, Valtteri Bottas (Williams) tentou superar o tricampeão. Todavia, o finlandês acertou a lateral do inglês. Romain se aproveitou do enrosco para superar Hamilton e Nico Hulkenberg (Force India), completando a volta 1 num incrível sexto lugar. Quem também foi beneficiado pelo incidente foi Gutiérrez, que pulou de 13º para oitavo. Apesar de ocupar o sexto lugar, o francês da Haas tinha ciência de que seria questão de tempo para Hamilton superá-lo. Na volta 4, o tricampeão ultrapassou Grosjean sem maiores dificuldades.

Bom ritmo da Haas em Sakhir impressionou o 'circo' da F1: Grosjean esteve preciso em Sakhir

Bom ritmo da novata Haas impressionou o ‘circo’ da F1: Grosjean esteve preciso em Sakhir

Romain permaneceu em sétimo até a volta 6, quando teve início a primeira janela de parada de boxes. Daniel Ricciardo (Red Bull) fez seu pit stop, fazendo com que o francês fosse reconduzido ao sexto lugar. Com a parada de Felipe Massa (Williams), na passagem seguinte, Grosjean subiu para quinto. Na 8, Bottas realizou seu pit stop, o que colocou Romain numa impensável quarta posição, atrás somente de Rosberg, o líder, Kimi Raikkonen (Ferrari), o segundo, e Hamilton, o terceiro. Enquanto o francês galgava posições, a Haas via, também na volta 8, Gutiérrez abandonar com problemas de freios. Na volta 11, a equipe de Gene Haas chamou Romain para sua primeira troca de pneus. Após ter largado com supermacios, a escuderia norte-americana colocou novo jogo do mesmo tipo de compostos no VF-16 do francês.

Na volta à pista, na volta 12, Grosjean se viu em oitavo. Com a parada de Marcus Ericsson (Sauber), na 13, o piloto da Haas subiu para sétimo. Na volta 16, Romain reassumiu o sexto lugar após o pit stop de Daniil Kvyat (Red Bull). A manutenção dos pneus supermacios foi fundamental para a consolidação do francês na corrida. Tanto que Grosjean se aproximou de Massa. O brasileiro, que chegou a ocupar o segundo lugar, viu seu ritmo despencar em razão da Williams insistir em permanecer com pneus médios. O resultado veio na volta 17: Romain superou Felipe e assumiu a quinta colocação. Após ultrapassar Massa, o piloto da Haas abriu vantagem e ratificou um lugar no top 5.

Após ultrapassar Massa, Grosjean assumiu o quinto lugar em Sakhir: tática ousada e eficiente da Haas

Após ultrapassar Massa, Grosjean assumiu o quinto lugar em Sakhir: tática ousada e eficiente da Haas

Grosjean seguiu em quinto até a abertura da segunda janela de pit stop. Na volta 24, Ricciardo foi para os boxes, e o francês alcançou o quarto lugar. Todavia, era uma posição virtual, uma vez que os pneus supermacios de seu VF-16 começavam a dar sinais de desgaste. Na volta 28, Romain fez sua segunda parada. Mais uma vez, a Haas colocou um jogo de compostos supermacios. No retorno à pista, estava novamente em oitavo. Com o pit stop de Bottas, na 29, Grosjean subiu para sétimo. Na 30, Massa foi aos boxes, e o francês passou para a sexta posição. Quando Kvyat fez sua parada, na 33, o piloto da Haas reassumiu o quinto lugar.

A partir dali, Grosjean passava a se preocupar com a ascensão de Max Verstappen (Toro Rosso) em Sakhir. O holandês superou Massa e ocupava a sexta colocação. Com pneus médios, Verstappen iria fazer um longo stint e colocar pneus supermacios no último trecho da corrida. Diante disso, Romain imprimiu um forte ritmo até sua terceira e definitiva parada, na volta 40. Desta vez, a Haas tiraria seus pneus supermacios e colocaria os compostos macios. Na troca, porém, o mecânico que fazia a troca do pneu traseiro esquerdo se atrapalhou, e Grosjean perdeu tempo no pit stop. Apesar disso, o francês voltou à pista em oitavo, com condições de se manter no top 5.

Mesmo após erro na 3ª troca, Grosjean conseguiu se manter à frente de Verstappen: top 5 confirmado

Mesmo após erro na 3ª troca, Grosjean conseguiu se manter à frente de Verstappen: top 5 confirmado

Com a última parada de Kvyat, na volta 44, Romain passou para sétimo. Na 46, o piloto da Haas ultrapassou Massa, que se arrastava na pista com pneus médios, assumindo a sexta posição. Na passagem seguinte, Grosjean viu Verstappen entrar nos boxes. Com isso, retomou a quinta colocação. Distante de Ricciardo, o quarto, restou ao francês administrar qualquer possibilidade de ataque do holandês da Toro Rosso. Max chegou a ameaçar Romain, mas não obteve êxito. A vitória no GP do Bahrein ficou com Rosberg, seguido por Raikkonen e Hamilton. Mas quem celebrou bastante foi Grosjean, que, com perícia, conduziu seu VF-16 pela segunda vez à zona de pontos.

“Foi um desempenho incrível de todos nós. No sexto lugar na Austrália, tivemos um pouco de sorte. Ser quinto em uma corrida sem percalços é muito louco. Nós tínhamos uma estratégia agressiva de pneus, sabíamos que o supermacio era o melhor para nós. Tivemos uma boa gestão da degradação dos supermacios. Por isso, fizemos três paradas. Toda a estratégia foi em torno disso. Foi divertido ser capaz de ultrapassar Williams, Toro Rosso, Red Bull e ter algumas boas disputas. Nós temos que manter nossos pés no chão e perceber que haverá dias em que as coisas serão mais difíceis. É uma estreia dos sonhos e temos que usá-la como um impulso moral”, comemorou o francês da Haas.

"É um início de sonho e temos que usar isso como moral"

“É uma estreia de sonhos e temos que usá-la como impulso moral”, afirmou Romain Grosjean

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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