Itália-1980: Rosberg ignora problemas e põe Fittipaldi em 5º

Keke Rosberg (Fittipaldi) lidera pelotão no GP da Itália de 1980, em Imola: top 5 inesperado

Keke Rosberg lidera pelotão no fim de semana do GP da Itália de 1980, em Imola: heroico top 5

Keke Rosberg estava esgotado quando cruzou a linha de chegada do GP da Itália de 1980, disputado em Imola. Também pudera: o finlandês teve que trabalhar muito. A bordo de seu Fittipaldi F8, precisou ignorar os problemas de embreagem que o fizeram despencar para a última colocação da prova italiana. Aos poucos, ganhou posições. Com o passar das voltas, viu adversários deixarem a etapa. No fim, de forma impressionante, superou Didier Pironi (Ligier), levando o carro brasileiro à quinta posição. Foi um resultado expressivo e repleto de simbologia. Os dois pontos em Imola-1980 foram os únicos do F8 em sua trajetória na Fórmula 1, e os últimos de Keke na Fittipaldi.

Após um início promissor de temporada, em que conquistou dois pódios nas quatro primeiras corridas – Rosberg foi terceiro no GP da Argentina, em Buenos Aires, e Emerson Fittipaldi terminou em terceiro no GP dos Estados Unidos-Oeste, em Long Beach -, a Fittipaldi se viu numa encruzilhada. Ao desembarcar em Imola, somava nove pontos – além dos dois top 3, obteve um sexto lugar, com o bicampeão, no GP de Mônaco. Nas três vezes em que figurou na zona de pontuação, a equipe utilizava o modelo F7. A partir do GP da Inglaterra, em Brands Hatch, oitava prova do ano, Emerson e Keke passaram a utilizar o F8, concebido por Harvey Postlethwaite.

Durante a temporada, Rosberg se impôs diante de Emerson: bicampeão se retirou ao fim de 1980

Rosberg enfrentou dificuldades na Fittipaldi em 1980: rendimento do F8 preocupava o finlandês

Apesar dos esforços e do investimento, o repaginado modelo não representou uma evolução ao seu antecessor, e Fittipaldi e Rosberg tiveram desempenho discretíssimo nos GPs da Alemanha, Áustria e Holanda. O melhor desempenho da dupla veio em Osterreichring – o brasileiro terminou em 11º, e o finlandês, em 16º. Em Imola, palco da 12ª etapa do Mundial, a escuderia brasileira apostava nas características do traçado italiano para retomar o rumo da zona de pontos.

Na sexta-feira, primeiro dia de treinos oficiais, a Fittipaldi vibrou com o bom desempenho de Rosberg. O finlandês marcou 1m37s136, anotando o 14º melhor tempo do dia, 1s026 mais rápido do que Emerson – 23º tempo, com 1m38s162. Keke ficou a 2s797 de Jean-Pierre Jabouille (Renault), o mais veloz do dia, com 1m34s339. No sábado, Rosberg melhorou ainda mais seu rendimento, levando o F8 à 11ª posição, com 1m36s091. O finlandês foi 0s667 mais veloz que Emerson, 15º no grid com 1m36s758, e ficou 2s093 acima da marca de René Arnoux (Renault), pole do GP da Itália com 1m33s998.

Largada do GP da Itália de 1980, em Imola: com problemas na embreagem, Rosberg ficou inerte no grid

Largada do GP da Itália de 1980: com problemas na embreagem, Rosberg perdeu diversas posições

A corrida

Domingo, 14 de setembro de 1980. O sol brilhava sobre o Autódromo de Imola, palco do GP da Itália. Com os dois carros entre os 15 primeiros lugares do grid, a Fittipaldi estava confiante em um bom resultado para a corrida. As esperanças recaíam mais sobre Keke do que sobre o bicampeão Emerson. Porém, quando a largada foi dada, a situação se inverteu: com problemas na embreagem, o finlandês viu todos os adversários ultrapassá-lo. Quando conseguiu sair da inércia, já estava no fim do pelotão. A 11ª posição no grid havia se tornado 23º lugar na volta 1. Atrás de Rosberg, apenas Carlos Reutemann (Williams) – assim como o finlandês, o argentino sofreu com a embreagem de seu carro na largada.

Na volta 2, Keke superou Vittorio Brambilla (Alfa Romeo), alcançando o 22º lugar. Entretanto, na 3, o finlandês acabou sendo ultrapassado por Reutemann e Brambilla, despencando para a 24ª e última posição em Imola. Era o fim de uma corrida que prometia para Rosberg? Ledo engano. Do fundo do poço, o escandinavo da Fittipaldi acelerou ao máximo. Na volta 4, Keke novamente superou Brambilla, passando para 23º. Na passagem seguinte, ganhou a posição de Eddie Cheever (Osella), subindo para 22º. Na volta 6, superou Reutemann. Com os abandonos de Gilles Villeneuve (Ferrari) e Bruno Giacomelli (Alfa Romeo), naquela mesma passagem, se viu em 19º.

Após cair para último, Rosberg realizou algumas ultrapassagens e ascendeu na classificação

Após cair para último, Rosberg realizou algumas ultrapassagens e ascendeu na classificação

A reação de Rosberg prosseguiu na volta 7, quando ultrapassou Derek Daly (Tyrrell) para assumir a 18ª posição. Na passagem seguinte, Jacques Lafitte (Ligier), com problemas em seu bólido, despencou na classificação, fazendo com que o finlandês da Fittipaldi herdasse o 17º lugar.  Na volta 9, Keke superou Alain Prost (McLaren), alcançando o 16º posto. Na 11, foi a vez de Elio de Angelis (Lotus) ser vítima da fúria do escandinavo, chegando à 15ª posição. Na passagem seguinte, Rosberg ignorou Marc Surer (ATS) e assumiu o 14º lugar. A partir dali, Keke teria Emerson à sua frente. Porém, o brasileiro sofreria um acidente na volta 18, fazendo com que o finlandês herdasse o 13º posto.

Na volta 19, Hector Rebaque (Brabham), com problemas de suspensão, deixou a corrida, Rosberg ascendeu ao 12º lugar. Na passagem seguinte, o finlandês da Fittipaldi ultrapassou Rupert Keegan (Williams), atingindo o 11º posto. Na 20, John Watson (McLaren) abandonou devido a falha no sistema de freio de seu bólido, abrindo caminho para Keke ingressar no top 10 de Imola. Aos poucos, o piloto do time brasileiro passou a tirar diferença em relação a Jody Scheckter (Ferrari). Rosberg ignorou o fato de o sul-africano, campeão de 1979, correr diante dos ‘tifosi’ ferraristas e partiu para o ataque. Na volta 32, Rosberg ultrapassou Scheckter, assumindo o nono lugar.

Keke chegou a escapar da pista durante a corrida. Ainda assim, manteve-se firme

Keke chegou a escapar da pista durante a corrida. Ainda assim, manteve-se firme na disputa

Após a remontada, Keke se deparou com a queda de ritmo de seu F8. Com isso, não resistiu ao ataque de dois pilotos que contavam com equipamento superior. Na volta 37, foi superado por Reutemann, da Williams. Na passagem seguinte, foi ignorado por De Angelis, da Lotus. Assim, caiu para 11º. A partir dali, o avanço de Rosberg só seria possível com azares dos adversários. Para a sorte de Keke, os rivais foram tombando, um a um. Na volta 39, assumiu o 10º lugar, após a quebra do motor Ford do carro de Riccardo Patrese (Arrows). Na passagem seguinte, outro propulsor Ford deixaria Mario Andretti (Lotus) na mão, fazendo com que o finlandês da Fittipaldi recuperasse a nona colocação.

A situação parecia definida para Rosberg. Distante de Didier Pironi (Ligier), o oitavo colocado, ele não tinha muito a fazer, a não ser gerenciar seu F8, com o único objetivo de receber a bandeirada em Imola. Contudo, a oito voltas do final, uma revolução na classificação conduziu Keke à zona de pontos. René Arnoux (Renault), o pole da etapa italiana, via seu motor turbo perder potência. Assim, na volta 52, Rosberg ultrapassou o francês, assumindo a oitava posição. Na 54, o companheiro de Arnoux, Jean-Pierre Jabouille (Renault), abandonou com problema na caixa de câmbio. A seis voltas do fim, Keke estava em sétimo.

Rosberg atingiu o quinto lugar após superar Didier Pironi (Ligier)

Rosberg atingiu o 5º lugar após superar Didier Pironi (Ligier): recuperação festejada pela Fittipaldi

Na volta 55, Rosberg e a Fittipaldi herdaram um lugar no top 6 graças ao abandono de Jean-Pierre Jarier (Tyrrell). Com problemas nos freios, o francês deixou a disputa, abrindo caminho para um inesperado ponto. Todavia, o melhor estava por vir no fim. Na volta 57, Pironi estava ao alcance de Keke. Com astúcia, o finlandês superou o francês, assumindo o quinto lugar para não mais perdê-lo. A vitória em Imola ficou com Nelson Piquet (Brabham), seguido por Alan Jones (Williams) e Reutemann. Porém, quem mais ganhou posições na prova italiana foi Rosberg – de último, o piloto da Fittipaldi arrancou para um inesperado top 5.

Com o quinto lugar em Imola, Keke alcançou seis pontos na temporada, ficando um ponto à frente de seu companheiro Emerson Fittipaldi. Com 11 pontos, a Fittipaldi encerrou sua participação na 7ª posição do Mundial de Construtores, ao lado da Arrows, e à frente de McLaren e Ferrari. Como o veterano bicampeão se retirou da Fórmula 1 ao fim de 1980, Rosberg assumiria a condição de primeiro piloto no ano seguinte. Todavia, a escuderia brasileira entrou num declínio sem volta, e Keke não pontuou em 1981. Insatisfeito, Rosberg deixou a Fittipaldi e partiu para a Williams em 1982, onde, impressionantemente, conquistou o título da temporada.

Após cair para último, Rosberg realizou algumas ultrapassagens e ascendeu na classificação

Após defender a Fittipaldi por dois anos, Rosberg seguiu para a Williams, onde foi campeão em 1982

Apesar dos diversos problemas enfrentados por Rosberg na Fittipaldi, o finlandês deveu muito sua conquista ao time brasileiro. Afinal, apresentações como as de Buenos Aires e de Imola impressionaram o ‘circo’. Sem a escuderia dos irmãos Fittipaldi, dificilmente Keke atingiria o topo da categoria máxima do automobilismo em 1982.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Alfa Romeo, Arrows, ATS, Bruno Giacomelli, Derek Daly, Eddie Cheever, Emerson Fittipaldi, Fittipaldi, Hector Rebaque, Imola, Itália, Jean-Pierre Jarier, Keke Rosberg, Marc Surer, Osella, Riccardo Patrese, Rupert Keegan, Tyrrell, Vittorio Brambilla. ligação permanente.

Uma resposta a Itália-1980: Rosberg ignora problemas e põe Fittipaldi em 5º

  1. fabehr diz:

    esse post foi mto legal, vlw!

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