México-2015: Hulkenberg dita o ritmo no quintal de Pérez

Hulkenberg, à frente de Pérez: alemão terminou em 7º no Hermanos Rodríguez, ofuscando ídolo local

Hulkenberg, à frente de Pérez: alemão terminou em 7º no Hermanos Rodríguez, ofuscando ídolo local

Os fãs mexicanos estavam em êxtase no último domingo. Também pudera: após 23 anos, a Fórmula 1 voltava a desfilar no Autódromo Hermanos Rodríguez, palco do GP do México de 2015. Desde 1992, os aficionados astecas não acompanhavam de perto a categoria máxima do automobilismo. Porém, havia um motivo a mais lotar as arquibancadas do remodelado circuito mexicano: Sergio Pérez. Pela primeira vez em 45 anos, o público local teria um piloto para torcer – desde Pedro Rodríguez (BRM), na etapa mexicana de 1970, um anfitrião não atuava diante de seus compatriotas. Apesar do alto grau sentimental, o latino da Force India queria mostrar serviço. Até teve um desempenho razoável, ao terminar em oitavo com pneus desgastados. Entretanto, teve que amargar o dissabor de ver seu companheiro de escuderia, Nico Hulkenberg (Force India), alcançar um bom sétimo lugar na Cidade do México.

Apesar de ter sido superado por Hulkenberg no quintal de casa, Pérez saiu satisfeito do Hermanos Rodríguez. Com o top 8, o mexicano se consolidou na nona posição do Mundial, com 68 pontos – 24 a mais que o alemão, 12º na classificação, com 44. Independentemente disso, quem mais celebrou o desempenho da dupla foi a Force India. Com os 10 pontos obtidos na Cidade do México, a escuderia de Vijay Mallya praticamente assegurou o quinto lugar no Mundial de Construtores – o time indiano tem 112 pontos, 41 a mais que a Lotus, sexta colocada. Faltando duas provas para o término da temporada (Brasil e Abu Dhabi), dificilmente a equipe de Hulk e Checo perde a posição.

Nico exaltou a impressionante atmosfera criada no circuito mexicano: evento bem-sucedido

Nico exaltou a impressionante atmosfera criada pelo público mexicano: evento bem-sucedido

O ambiente da Cidade do México foi, literalmente, único na temporada. Além da calorosa recepção ao ‘circo’ da Fórmula 1, os 2.250 metros da altitude da capital mexicana interferiram na obtenção de arrasto aerodinâmico no Autódromo Hermanos Rodríguez. Com menor resistência do ar, as velocidades máximas bateram recordes ao final da reta dos boxes – para se ter uma ideia, Sebastian Vettel (Ferrari) atingiu incríveis 366,2 km/h na corrida. Todavia, no setor sinuoso, downforce se fazia necessário. Encontrar o equilíbrio nesse cenário foi o principal desafio dos times na sexta-feira, dia dos primeiros treinos para o GP do México. Ao final das sessões livres, Hulkenberg anotou o 11º melhor tempo do dia, com 1m23s290, ficando a 1s759 de Nico Rosberg (Mercedes), o melhor da sexta com 1m21s531. Já Pérez foi o 15º, com 1m23s597 – 0s307 atrás de Hulk.

Ao fim da sexta, o germânico da Force India teceu elogios ao traçado do Hermanos Rodríguez. “O circuito é definitivamente um grande desafio, mas é bom para pilotar. É muito técnico e bastante complicado fazê-lo direito. Os setores 1 e 2, após a reta, são muito sinuosos e de baixa velocidade: os níveis de aderência são muito baixos, devido ao novo asfalto, e é fácil cometer um erro. Ainda há muito a ser feito para encontrar mais algum desempenho, mas estamos em um bom ponto de partida, e estou certo que analisando os dados nos ajudarão a progredir. Fomos capazes de dar muitas voltas, usando ambos os compostos de pneus, e acho que temos um bom entendimento de onde estamos antes da classificação de amanhã (sábado)”, observou Nico.

Na classificação, os dois carros da Force India avançaram para o Q3: Hulk ficou em 10º

Na classificação, os dois carros da Force India avançaram para o Q3: Hulk ficou em 10º

Diante das observações de sexta, havia uma boa expectativa sobre os dois carros da Force India. Com otimismo, partiram para o treino que definiria o grid de largada da etapa mexicana. Pérez e Hulkenberg travaram um duelo à parte nos qualificatórios. No fim, ambos avançaram para o Q3. Na única volta dada pela dupla na fase final do treino, o mexicano levou a melhor, cravando o nono tempo, com 1m20s716. Em contrapartida, o alemão foi o 10º, com 1m20s788 – a apenas 0s072 de Sergio, e a 1s308 de Nico Rosberg (Mercedes), que assegurou a pole position para o GP do México.

“Creio que extraímos tudo o que era possível desta sessão. Não me senti totalmente confiante no carro, mas, nessas condições, a última volta que fiz foi realmente boa. Nosso ritmo em volta única é bom o suficiente para entrar na Q3, mas estou me sentindo melhor em relação aos trechos longos”, avaliou Hulk. “Esta é uma pista nova, então não temos muitas informações comparado aos outros circuitos, o que deixa alguns pontos de interrogação, mas espero que seja um final feliz para nós. Seria uma boa recompensa para os fãs, pois você pode sentir o amor e a atenção que estamos recebendo deste público incrível. Posso não ser o herói local aqui, mas ainda estou tendo muita torcida, o que é um impulso extra”.

Na largada do GP do México, Hulk e Checo ganharam a posição de Vettel, que teve pneu furado

Na largada do GP do México, Hulk e Checo ganharam a posição de Vettel, que teve pneu furado

A corrida

Mais de 100 mil pessoas superlotavam as dependências do Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México. Todos estavam ávidos para ver Pérez em ação em solo mexicano. Entretanto, o animado público presente no circuito asteca não viu um espetáculo de encher os olhos. Após o apagar das luzes vermelhas, Checo e Hulkenberg ganharam a posição de Sebastian Vettel (Ferrari) – o alemão sofreu um furo no pneu traseiro direito e caiu para o fim do pelotão. Assim, Sergio passou a volta 1 em oitavo, seguido por Nico, o nono. Na volta 4, Hulk não resistiu à melhor performance de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso) com pneus macios, caindo para a 10ª posição.

Com o baixo rendimento do alemão, a Force India decidiu adotar táticas distintas para seus pilotos. A escuderia anteciparia a parada de Hulkenberg, enquanto manteria Pérez para a tática de apenas um pit stop. Na volta 9, o germânico foi aos boxes, trocando os pneus macios pelos compostos médios. No retorno à pista, Nico se viu em 16º. Com a ida aos boxes de Pastor Maldonado (Lotus) e Marcus Ericsson (Sauber), na volta 11, o alemão assumiu o 14º lugar. Na passagem seguinte, Hulk subiu para 12º, depois dos pit stops de Romain Grosjean (Lotus) e Felipe Nasr (Sauber). A ascensão do alemão prosseguiu na volta 14. Com a parada de Sainz Jr e a ultrapassagem sobre Jenson Button (McLaren), Nico recuperou um lugar no top 10.

Germânico da Force India recuperou um lugar no top 10 ao superar Jenson Button

Germânico da Force India recuperou um lugar no top 10 ao superar Jenson Button

Andando em um bom ritmo, Hulkenberg ganhou a posição de Pérez na volta 19. Com a parada do mexicano, que estendeu ao máximo seu tempo na pista, o alemão alcançou a nona posição. Três voltas depois, Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Williams) vivenciaram um déjà vu do GP da Rússia, em Sochi. Se no circuito russo, Bottas ficou pelo caminho após choque com Raikkonen, na pista mexicana, Valtteri deu o troco. Com o impacto, Kimi abandonou a disputa, fazendo com que Hulk herdasse o oitavo lugar. Na volta 26, Max Verstappen (Toro Rosso) foi para os boxes. Dessa forma, Nico passava a ocupar a sétima colocação.

A partir daí, Hulkenberg não tinha muito mais a fazer. Atrás das duplas de Mercedes, Williams e Red Bull, o alemão não encontrava ritmo. O máximo que poderia fazer era administrar o sétimo lugar, à frente de Verstappen e Pérez. Porém, o cenário mudaria na volta 52, quando Vettel, em um erro infantil, destruiu seu Ferrari. Com isso, a direção de prova decidiu pela entrada do safety car. Imediatamente, a Force India chamou Hulk para os boxes. Na troca, o time colocou novos pneus médios no carro do alemão. No retorno, Nico se manteve em sétimo.

Nico ganhou a posição de Sergio na volta 19, depois da parada do mexicano nos boxes

Nico ganhou a posição de Sergio na volta 19, depois da primeira parada do mexicano nos boxes

A relargada foi dada na volta 58. Apesar do desejo de Pérez, o oitavo, em superá-lo, Hulkenberg tinha um trunfo: enquanto seus compostos eram novos, os de Checo estavam bem usados, uma vez que o mexicano não foi aos boxes durante a bandeira amarela. À Sergio, restava somente segurar Verstappen para consolidar a oitava colocação. Já Hulk se esforçava, mas não tinha equipamento capaz de superar Felipe Massa (Williams), o sexto colocado. No fim, o jeito foi se contentar com a sétima posição A vitória no GP do México ficou com Nico Rosberg (Mercedes), seguido pelo tricampeão Lewis Hamilton (Mercedes) e por Valtteri Bottas.

Hulkenberg reconheceu que foi beneficiado pela entrada do safety car na volta 52, selando seu sétimo lugar. “Não poderíamos ter conseguido mais do que isso, então me sinto feliz com o resultado. O safety car acabou me favorecendo, mas nosso ritmo estava forte. Estou realmente feliz com esta performance e por finalmente voltar aos pontos depois de um período ligeiramente difícil para mim. Foi uma corrida limpa de minha parte, sem erros ou problemas. Um pouco de gerenciamento foi necessário, já que as temperaturas estavam altas e também tivemos de cuidar dos freios, então foi exigente dessa perspectiva. A corrida foi ótima e os fãs nos receberam de braços abertos – sinto que fui adotado como mexicano agora”, brincou Nico, após derrotar justamente Pérez, o herói local.

Apesar de ter batido Pérez, Hulkenberg disse ter se sentido mexicano após atuar no Hermanos Rodríguez

Apesar de ter batido Pérez, Hulk disse ter se sentido mexicano após atuar no Hermanos Rodríguez

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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