Rússia-2015: tática e sorte colocam Pérez no pódio de Sochi

Sergio Pérez celebra a conquista do terceiro lugar no GP da Rússia de 2015, em Sochi: pódio veio na última volta

Pérez celebra o 3º lugar no GP da Rússia de 2015, em Sochi: pódio graças a Bottas e Raikkonen

Sergio Pérez (Force India) não foi somente competente ao conduzir seu VJM08 no GP da Rússia de 2015, disputado no último domingo, em Sochi. O mexicano também mostrou ser um sujeito de sorte. Graças à estratégia da equipe indiana, o latino ascendeu à terceira colocação da etapa russa. Contudo, na penúltima volta, Checo acabou não só perdendo um lugar no pódio para Valtteri Bottas (Williams), como também o quarto lugar para Kimi Raikkonen (Ferrari). Os pneus de seu bólido estavam totalmente deteriorados. Para a tristeza dos membros da Force India, era o fim do sonho do top 3 e… ops, pera. A realidade surgiu como a melhor amiga de Sergio na última volta. Inesperadamente, um acidente bizarro tirou Bottas e Raikkonen da sua frente. A confusão finlandesa rendeu a terceira posição para Pérez, levando os mecânicos do time indiano ao delírio.

Foi um resultado justo. Checo lutou do início ao fim por um lugar no pódio. Seria muito cruel se o mexicano perdesse a terceira posição, depois de tanto batalhar. No fim, veio a celebração. O top 3 de Sochi foi o quinto obtido por Pérez na Fórmula 1. Os três primeiros pódios do latino foram conquistados nos tempos de Sauber, em 2012 – foi segundo nos GPs da Malásia, em Sepang, e da Itália, em Monza; e terceiro no GP do Canadá, em Montreal. O quarto top 3 veio já com as cores da Force India, em 2014 – foi terceiro no GP do Bahrein, em Sakhir. A escuderia indiana, por sua vez, comemorou o terceiro pódio de sua história – antes dos dois obtidos por Pérez (Sakhir-2014 e Sochi-2015), o time havia figurado no top 3 uma única vez, graças a Giancarlo Fisichella, segundo no GP da Bélgica de 2009, em Spa-Francorchamps.

Apesar da chuva de sexta-feira, a Force India mostrou rápida adaptação à pista de Sochi

Apesar da chuva prejudicar os testes de sexta, o VJM08 se adaptou rapidamente à pista de Sochi

Pérez desembarcou em Sochi determinado a se manter à frente de Nico Hulkenberg no duelo interno da Force India. Após a sexta posição do alemão no GP do Japão, em Suzuka, a diferença entre eles havia caído para apenas um ponto (39 a 38, a favor do mexicano). Para isso, confiava no conhecimento obtido na pista russa, no ano anterior – na primeira edição da história do GP da Rússia, Sergio obteve alcançou o top 10. A experiência de 2014 se tornou ainda mais importante após uma sexta-feira: no primeiro treino livre, problemas de vazamento de combustível no traçado abreviaram a sessão, e no segundo, a chuva foi personagem central em Sochi.

Apesar do pouco tempo de pista, Hulkenberg e Pérez aproveitaram para deixar uma boa impressão. O alemão anotou o melhor tempo do dia, com 1m44s355, enquanto o mexicano fez 1m45s146, ficando a 0s791 do companheiro de equipe. “O trabalho que fizemos hoje (sexta) foi limitado. As condições da pista pela manhã eram muito ruins, então fizemos um programa reduzido. Não foi fácil avaliar as mudanças de ajustes, então não podíamos aprender muito. À tarde, a chuva chegou e só fizemos algumas voltas. Significa que o último treino amanhã (sábado) de manhã vai ser a sessão mais importante de todas. Eu ainda me sinto otimista para o fim de semana e acho que nós temos o potencial para sermos competitivos aqui”, analisou o latino.

Apenas 32 milésimos separaram Pérez de Hulkenberg no grid de Sochi: disputa acirrada

Apenas 32 milésimos separaram Pérez de Hulkenberg no grid de Sochi: disputa acirrada

No sábado, a Force India voltou a mostrar boa forma em Sochi. Tanto Nico quanto Sergio avançaram para o Q3. No fim, Hulk foi o sexto, com 1m38s659, apenas 0s032 à frente de Checo, sétimo com 1m38s691. Pérez ficou a 1s578 de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m37s113. “Este foi um bom resultado para a equipe, e acredito que extraímos o máximo possível da sessão. Marquei minha melhor volta com pneus usados, o que mostra que os supermacios demoram bastante tempo para chegar ao seu melhor. Ainda há alguns pontos de interrogação em relação à performance dos pneus durante os trechos longos, o que tornará tudo interessante amanhã (domingo), mas não espero uma degradação muito grande. Temos uma ótima chance de sermos competitivos na corrida. Ela vai ser dura, mas estou confiante de que podemos sair com um bom número de pontos”, disse o mexicano.

Largada do GP da Rússia de 2015: acidente na sequência tirou Hulkenberg da etapa

Largada em Sochi: logo na curva 2, acidente tirou Hulkenberg e provocou a entrada do safety car

A corrida

Havia muita confiança nos boxes da Force India quando Hulkenberg e Pérez alinharam seus VJM08 no grid do GP da Rússia, disputado num ensolarado domingo, 10 de outubro de 2015. Com os dois pilotos entre os sete primeiros colocados, o time indiano esperava somar bons pontos na classificação do Mundial. Todavia, a esperança se tornou lamentação logo após a largada em Sochi. Logo na curva 2, Nico perdeu o controle de seu bólido e rodou. Na sequência, o alemão acabou sendo atingido em cheio por Marcus Ericsson (Sauber). Sergio evitou um dano pior à escuderia de Vijay Mallya, ao desviar do germânico e do sueco, assumindo o sexto lugar. O acidente provocou a entrada do safety car.

Após a limpeza da pista e a retirada dos carros de Hulkenberg e Ericsson, veio a relargada na volta 4. Pérez se manteve em sexto, à frente de Daniil Kvyat (Red Bull). Todavia, não conseguia acompanhar o ritmo de Sebastian Vettel (Ferrari), o quinto. Na volta 7, um problema com o acelerador do líder Nico Rosberg (Mercedes) fez com que o alemão abandonasse em Sochi. Sem Rosberg, Checo ascendeu ao quinto lugar. A partir dali, o mexicano teria dificuldades em ganhar posições. Também pudera: à frente dele, estavam pilotos com equipamentos superiores ao dele – Lewis Hamilton (Mercedes), Valtteri Bottas (Williams), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Vettel.

Com a bandeira amarela em decorrência do acidente de Grosjean, Pérez foi aos boxes: tática ousada e eficiente

Com a bandeira amarela após o acidente de Grosjean, Pérez foi aos boxes: tática ousada e eficiente

Apenas um fato fora do comum poderia alterar a ordem da corrida em Sochi. O acontecimento que selaria o destino do GP da Rússia veio na volta 12. Romain Grosjean (Lotus) pressionava Jenson Button (McLaren) na disputa pelo 12º lugar, quando perdeu o controle de seu bólido e bateu violentamente contra a barreira de proteção. O francês nada sofreu. Todavia, mais uma vez, o safety car foi acionado. Com a bandeira amarela, a Force India chamou Pérez para os boxes. O mexicano, que calçava pneus supermacios, passou a usar compostos macios – mais resistentes. O objetivo da escuderia era um só: a partir dali, Sergio não pararia mais nos boxes. Quando retornou à pista, o latino ocupava o nono lugar.

A tática da equipe indiana era ousada. Ao se colocar ainda entre os 10 primeiros, esperava-se que Pérez ganhasse posições quando os adversários realizassem seus pit stops. Porém, Checo nem quis aguardar. Assim que a relargada foi dada, na volta 17, Sergio superou Pastor Maldonado (Lotus) e assumiu o oitavo lugar. O mexicano se manteve no top 8 até a volta 26, quando os primeiros carros se encaminharam para os boxes. Com a parada de Bottas, Sergio passou para sétimo. Três voltas depois, foi a vez de Felipe Massa (Williams) fazer seu pit stop. Assim, o latino retomou a sexta posição.

Checo superou Maldonado e assumiu o oitavo lugar: ascensão começaria com a parada dos primeiros colocados

Checo superou Maldonado e assumiu o 8º lugar: ascensão começou com a parada dos líderes

Na volta 31, Vettel fez sua parada, e Pérez alcançou o quinto lugar. Todavia, o alemão saiu colado no mexicano, recuperando sua posição ainda na mesma passagem. Apesar de ter sido superado por Seb, Checo se manteria em quinto, graças ao pit stop de Raikkonen, na volta 32. Na volta 34, com a parada de Kvyat, Sergio assumiu o quarto lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Felipe Nasr (Sauber) ir aos boxes. Dessa forma, Pérez estava em terceiro, atrás somente de Hamilton e Vettel. Melhor: o latino da Force India tinha uma boa vantagem com relação a Daniel Ricciardo (Red Bull), quarto colocado – e que havia adotado a mesma tática do asteca.

Com o passar das voltas, os pneus macios de Pérez e Ricciardo começaram a se desgastar. Dessa forma, os pilotos que haviam parado mais tarde partiram para o ataque. Após muito pressionar Daniel pelo quarto lugar, Bottas ultrapassou o australiano na volta 44. Com a pista livre, Valtteri passou a reduzir a diferença existente entre ele e Sergio. Na volta 48, com o abandono de Ricciardo, Raikkonen subiu para quinto. Enquanto os finlandeses voavam, o mexicano da Force India fazia de tudo para manter seu lugar no pódio. Apesar de todos os esforços de Pérez, era inevitável a aproximação de Bottas e Raikkonen.

No pitwall, Pérez é reverenciado pelos mecânicos e engenheiros da Force India: façanha em Sochi

No pitwall, Pérez é reverenciado pelos mecânicos e engenheiros da Force India: façanha em Sochi

Na volta 52, a duas da bandeira quadriculada, Valtteri e Kimi chegaram definitivamente em Checo. O latino bem que tentou, mas, sem pneus, acabou sendo presa fácil. Bottas e Raikkonen ultrapassaram Pérez na mesma passagem. Na 53ª e última volta, os finlandeses de Williams e Ferrari travariam um definitivo duelo sobre quem ocuparia o último lugar no pódio. À Sergio, restava a resignação da quinta posição. Porém, havia um fio de esperança. Vai que os dois se enroscam?! Com mais ação, Raikkonen foi decidido a superar Bottas. Porém, escolheu o lugar errado. O toque foi inevitável: Valtteri ficou pelo caminho, enquanto Kimi, com a suspensão quebrada, se arrastava pela pista.

No fim, Raikkonen acabou levando uma punição de 20s por ter ‘atropelado’ Bottas na última volta. Assim, perdeu a quinta posição, caindo para oitavo. Bom para Kvyat, o quinto; Nasr, o sexto; e Maldonado, o sétimo. Lá na frente, Hamilton comemorava a vitória no GP da Rússia de 2015 – a 42ª da carreira do inglês, igualando Vettel como terceiro maior vencedor da história da Fórmula 1, ficando atrás apenas de Alain Prost (51) e Michael Schumacher (91). Sebastian recebeu a bandeirada em segundo e assumiu a vice-liderança do Mundial. Porém, quem fez festa na mureta do pitlane de Sochi foi a Force India. Em peso, os mecânicos celebravam o incrível terceiro lugar de Pérez. Um desfecho apoteótico para Sergio e para a escuderia indiana.

Checo recebe o troféu do terceiro lugar em Sochi: ao fundo, o presidente russo, Vladimir Putin

Checo recebe o troféu do terceiro lugar em Sochi: ao fundo, o presidente russo, Vladimir Putin

“É ótimo voltar ao pódio e poder comemorar com minha equipe. Estou me divertindo bastante aqui, e esta é uma grande recompensa por todo o trabalho que fizemos juntos. A decisão de parar com o safety car (na volta 12) acabou sendo boa. Restando uma volta, quando Valtteri (Bottas) e Kimi (Raikkonen) me passaram, senti que o resultado havia sido tirado de nós. Obviamente, fiquei desapontado, mas também soube que havia dado tudo durante a prova. Eu não podia fazer mais, porque estava com os mesmos pneus há mais de 40 voltas. Quando finalmente consegui voltar ao terceiro lugar, foi uma sensação incrível. Estou feliz por poder compartilhar este segundo pódio com minha equipe”, ressaltou Pérez, após a bela apresentação em Sochi.

Mexicano comemora com a Force India: quinto pódio da carreira de Pérez, e terceiro da história do time

Mexicano comemora com a Force India: 5º pódio da carreira de Pérez, e terceiro da história do time

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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