Cingapura-2015: Verstappen, um ‘não’ a todos os obstáculos

Max Verstappen viu de tudo em Marina Bay: de inerte no grid ao 8º lugar

Max Verstappen foi uma das sensações de Marina Bay: após ficar em último e tomar volta, foi o 8º

Max Verstappen (Toro Rosso) foi o piloto mais festejado do GP de Cingapura de 2015, disputado em 20 de setembro, em Marina Bay. Bem ao estilo “missão dada, missão cumprida”, o holandês deu um show à parte. Max simplesmente não se moveu no grid, e acabou tomando uma volta. A prova parecia ter acabado para ele. Entretanto, suas esperanças renasceram quando uma bandeira amarela foi acionada em razão do choque envolvendo Felipe Massa (Williams) e Nico Hulkenberg (Force India). Verstappen recuperou a volta perdida. Ao ingressar no pelotão, passou a superar seus rivais, um a um. Após uma arrancada que causou furor no ‘circo’ da Fórmula 1, o estreante encontrou dificuldades para ultrapassar Sergio Pérez (Force India). Diante do impasse, a cúpula da Toro Rosso não teve dúvida: pediu para Max ceder sua posição para seu companheiro de time, Carlos Sainz Jr.. Imediatamente, o garoto respondeu um sonoro “não”. Max terminou atrás de Pérez, na oitava posição. Contudo, ganhou o respeito de toda a categoria.

Os quatro pontos obtidos por Verstappen o colocaram na 11ª posição do Mundial de Pilotos, com 30 pontos – empatado com o talentoso Hulkenberg. A colocação na tabela demonstrou que, apesar da polêmica, a decisão tomada por Max valeu a pena. Em sua primeira experiência em Marina Bay, o holandês de 17 anos apresentou destreza e concentração a bordo de seu Toro Rosso. Desde o momento em que ingressou na pista, o estreante mostrou ao que veio. Verstappen utilizou os dois treinos livres de sexta-feira para assimilar os macetes do circuito. No fim da tarde, veio o resultado do aprendizado – com 1m47s427, Max anotou o 10º tempo do dia. O tempo do holandês foi 0s585 mais veloz que o de Sainz Jr. – 15º, com 1m48s012 -, e 1s285 inferior ao de Daniil Kvyat (Red Bull), o melhor da sexta com 1m46s142.

Os treinos na pista de Cingapura encheram o jovem holandês de confiança para a corrida

Os treinos na pista de Cingapura encheram o jovem holandês de confiança para a corrida

“Foi a minha primeira vez pilotando aqui (em Marina Bay). No primeiro treino livre, tive que aprender a pista e foi fácil. Eu melhorei muito e estou feliz com o progresso de hoje (sexta). Eu não bati no muro, consegui ficar fora de problemas e fui capaz de ficar muito tempo de pista, o que é sempre importante. Esta manhã também validamos todas as novas atualizações no carro. O segundo treino livre também começou bem, e o desempenho foi positivo, especialmente com pneu macio. Nós ainda precisamos trabalhar um pouco sobre o equilíbrio do carro com os supermacios, e isso vamos fazê-lo na noite de hoje (sexta), com os engenheiros. Fisicamente, esta é a pista mais difícil até agora este ano, mas estou lidando bem com isto, já que treinamos muito duro antes de chegar em Cingapura”, observou Max.

O otimismo revelado na sexta-feira virou realidade no sábado, dia da sessão que definiria o grid para a corrida em Marina Bay. Com um bom equilíbrio do STR10 no seletivo circuito de rua, Verstappen assegurou um excelente oitavo lugar na qualificação, com 1m45s798. Novamente, Max superou Carlos no duelo da Toro Rosso – o espanhol ficou apenas em 14º, com 1m46s894, 0s996 atrás do holandês. A marca do piloto de 17 anos foi 1s913 inferior à de Sebastian Vettel (Ferrari), pole em Cingapura com 1m43s885.

Para Max, o oitavo lugar no grid

O 8º lugar na classificação deixou Max otimista: mal sabia ele dos obstáculos que estavam por vir

“Estou satisfeito com o oitavo lugar. O mais importante é que estamos na frente de nossos principais competidores – Lotus e Force India. Tenho de dizer que fiquei realmente feliz com minha volta, principalmente após o terceiro treino livre, pela manhã, onde enfrentamos algumas dificuldades com os pneus, mas conseguimos nos recuperar rapidamente e tivemos uma ótima classificação. Realmente maximizamos o resultado de hoje (sábado). Agora, estou ansioso pela corrida. Definitivamente, haverá algumas boas disputas”, vislumbrou o jovem piloto, sem imaginar quanto trabalho teria na corrida noturna.

Largada do GP de Cingapura de 2015: ao fundo, Verstappen parado no grid

Largada do GP de Cingapura de 2015, em Marina Bay: ao fundo, Max Verstappen parado no grid

A corrida

Quando alinhou para a largada do GP de Cingapura, Verstappen era tido com um dos principais postulantes a um lugar na zona de pontos. Todavia, no apagar das luzes vermelhas, o Toro Rosso do holandês ficou estático no grid. Max contou com a sorte, pois os carros que estavam atrás conseguiram desviar dele. Os mecânicos da escuderia italiana correram atrás do STR10 do adolescente e o recolheram para os boxes. Porém, o tempo perdido para colocar Verstappen na pista fez com que perdesse uma volta em relação aos adversários. Era o fim da possibilidade de pontuar em Marina Bay, certo? Max nem pensou nisso. Tratou de acelerar. O que viesse era lucro. E quando menos se esperava, a chance surgiu para o holandês.

Na volta 12, Felipe Massa (Williams) fez seu primeiro pit stop. No retorno à pista, o brasileiro não pôde evitar um choque com Nico Hulkenberg (Force India). Hulk abandonou a corrida, e Massa despencou na classificação. O acidente fez com que fosse acionado o safety car virtual. Na passagem seguinte, Verstappen, então em 20º e com uma volta de desvantagem, foi aos boxes para trocar os pneus supermacios pelos macios. Na volta 15, o safety car ingressou no circuito para limpar a pista. Logo depois, a direção de prova autorizou Max a recuperar a volta perdida.

Verstappen contou com uma bandeira amarela para recuperar volta perdida e retornar ao pelotão

Verstappen contou com uma bandeira amarela para recuperar volta perdida e retornar ao pelotão

Quando a relargada foi dada, na volta 19, Verstappen estava em 19º. Apenas na volta 24, Max superou seu primeiro adversário: Will Stevens (Manor). Na passagem seguinte, ultrapassou o companheiro do britânico, o norte-americano Alexander Rossi (Manor), que estreava na Fórmula 1 em Marina Bay. Na volta 27, com a parada de Romain Grosjean (Lotus), assumiu o 16º lugar. Na passagem seguinte, o companheiro do francês, Pastor Maldonado (Lotus), foi aos boxes, e o holandês ganhou mais uma posição. Com as paradas de Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), Marcus Ericsson (Sauber) e Massa, Verstappen assumiu a 12ª colocação na volta 29. Na passagem seguinte, viu Lewis Hamilton (Mercedes), com problemas, se rastejar pela pista. O inglês não ofereceu resistência, e Max passou a figurar em 11º.

Em 11 voltas, o adolescente da Toro Rosso subiu oito posições. Porém, estava a uma de ingressar na zona de pontuação. Na volta 34, Fernando Alonso (McLaren), com problemas de câmbio, foi obrigado a abandonar em Marina Bay. Sem o espanhol, Verstappen alcançou um improvável 10º lugar. Na passagem seguinte, com a ida de Sergio Pérez (Force India) e Felipe Nasr (Sauber) aos boxes, Max assumiu a oitava colocação. Contudo, era uma posição momentânea. A Toro Rosso chamou o holandês para seu segundo e definitivo pit stop na volta 36. No retorno à pista, calçando pneus supermacios, o jovem piloto se viu em 13º. Porém, novamente, a sorte sorriu para Verstappen. Naquela passagem, um cidadão invadiu a pista de Marina Bay. Diante da inesperada situação, o safety car foi mais uma vez acionado, e todos os pilotos foram para os boxes.

Adotando uma tática ousada, a Toro Rosso fez com que Max calçasse pneus supermacios no stint final

Adotando uma tática ousada, a Toro Rosso fez com que Max calçasse pneus supermacios no stint final

O invasor circulou pela pista e saiu sem que ninguém percebesse. Enquanto isso, Max ganhava a posição de Sainz Jr. devido ao pit stop do espanhol. Assim, assumiu a 12ª colocação. Naquele momento, a Toro Rosso era a única a calçar pneus supermacios no GP de Cingapura. A estratégia foi pensada para que, tanto Max quanto Carlos, partissem para o ataque na parte final da corrida. Quando a relargada foi dada, na volta 41, Verstappen esbanjava velocidade. O holandês superou Nasr e ganhou a posição de Jenson Button (McLaren) – o inglês tocou em Maldonado e caiu na classificação. Assim, o adolescente era o 10º. Na passagem seguinte, Max superou o venezuelano da Lotus, e assumiu o nono lugar.

Rapidamente, Verstappen alcançou Grosjean. Na volta 46, o holandês da Toro Rosso ultrapassou o francês da Lotus, tomando-lhe a oitava colocação. A partir dali, Max iniciava perseguição a Pérez. Em pouco mais de cinco voltas, Verstappen chegava no mexicano da Force India. Todavia, diferentemente das disputas contra Maldonado e Grosjean, encontrou forte resistência de Sergio. Apesar de estar mais lento que o holandês, o latino conseguia manter intacta sua posição. Com o ritmo limitado ao de Pérez, Verstappen viu a aproximação de Sainz Jr.. Como Carlos parou uma volta depois, e como Max estava sem ação contra Checo, a Toro Rosso interveio e pediu para que o holandês cedesse sua posição para o espanhol. A transmissão da FOM revelou o pedido da escuderia italiana via rádio. A resposta foi um alto e sonoro “não” de Verstappen.

Depois de negar pedido para que cedesse sua posição a Sainz Jr., Verstappen confirmou 8º lugar

Depois de negar pedido para que cedesse sua posição a Sainz Jr., Verstappen confirmou 8º lugar

A vitória no GP de Cingapura foi de Sebastian Vettel (Ferrari) – a 41ª da carreira do tetracampeão, igualando Ayrton Senna. Ao lado de Vettel, Daniel Ricciardo (Red Bull), o segundo, e Kimi Raikkonen (Ferrari), o terceiro, formaram o pódio em Marina Bay. Entretanto, ao negar o pedido da Toro Rosso, Max Verstappen se tornou um dos personagens mais festejados daquele fim de semana. Não só pela recuperação e pelo inesperado oitavo lugar, mas, sobretudo, pela atitude diante da interferência de sua equipe.

“Foi uma corrida incrível, me diverti muito! Depois de ficar parado na largada, pensei que estava acabado, pois fui empurrado para o pit lane e retornei uma volta atrás. Mas continuei forçando, e terminar em oitavo foi simplesmente fantástico! Meu ritmo estava ótimo e eu me diverti bastante em todas as ultrapassagens! Não creio que havia alguma razão para eu ceder minha posição depois de recuperar uma volta e entrar nos pontos, acho que eu merecia este oitavo lugar”, afirmou Max após a etapa, defendendo sua postura.

A Toro Rosso celebrou a conquista de seis pontos em Marina Bay, graças a Max (8º) e Carlos (9º)

A Toro Rosso celebrou a conquista de seis pontos em Marina Bay, graças a Max (8º) e Carlos (9º)

“Eu não vi uma razão para abrir passagem, e se fosse o contrário, ele (Sainz Jr.) também não teria me deixado passar. Além disso, se tivesse deixado, meu pai (Jos Verstappen) teria chutado minhas bolas”, declarou o holandês, ao jornal De Telegraaf. Após a prova de Cingapura, o chefe da Toro Rosso, Franz Tost, apoiou a postura de Verstappen. “Carlos tinha pneus novos, por isso pensamos que poderíamos trocar de posições. Mas Carlos estava muito lento, muito atrás, e então nós dissemos, ‘não, Max estava certo’, porque vimos que Carlos não estava perto o suficiente e não poderia ter alcançado Perez”, afirmou o dirigente, concordando com o ‘não’ mais positivo para a escuderia em 2015.

Verstappen afirmou que, se cedesse 8º lugar a Sainz Jr., seu pai, Jos, "lhe chutaria as bolas"

Verstappen afirmou que, se cedesse 8º lugar a Sainz Jr., seu pai, Jos, “lhe chutaria as bolas”

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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