Hungria-2015: Max Verstappen, um histórico quarto lugar

Max Verstappen celebra 4º lugar com mecânicos da Toro Rosso: melhor resultado da equipe em sete anos

Max Verstappen celebra 4º lugar com mecânicos da Toro Rosso: melhor resultado da equipe em sete anos

Quando recebeu a bandeira quadriculada em Hungaroring, em 26 de julho de 2015, Max Verstappen (Toro Rosso) deixou boquiaberto o ‘circo’ da Fórmula 1. Ao completar o GP da Hungria em quarto lugar, o jovem de 17 anos agregou marcas impressionantes ao seu cartel na categoria máxima do automobilismo. Max conquistou o melhor resultado da escuderia italiana em quase sete anos – desde a quarta posição de Sebastian Vettel no GP do Brasil de 2008, em Interlagos, o time de Faenza não obtinha tal façanha. Além disso, igualou a melhor classificação de um holandês em 15 anos – desde a quarta colocação de seu pai, Jos Verstappen, com um Arrows, no GP da Itália de 2000, em Monza, um piloto de seu país não figurava em um posto tão destacado.

Apesar de separadas por uma década e meia, as proezas do clã Verstappen tiveram algo em comum. Monza-2000 e Hungaroring-2015 viram um alemão, numa Ferrari, alcançar as 41 vitórias de Ayrton Senna – se no circuito italiano, o vitorioso foi Michael Schumacher, na pista húngara o ganhador foi Vettel. Passado à parte, o resultado do GP da Hungria também mirou o futuro: os quatro melhores colocados foram revelados pelo Programa de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull – pela ordem, Sebastian, Daniil Kvyat (Red Bull), Daniel Ricciardo (Red Bull) e Max.

O jovem holandês desenvolveu sua carreira na Equipe de Jovens da Red Bull, capitaneada pelo ex-piloto austríaco Helmut Marko

Verstappen é fruto do Programa de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull, capitaneada por Helmut Marko

Pelas mãos de Helmut Marko, ex-piloto austríaco e consultor técnico da equipe rubro-taurina, talentos nasceram na Toro Rosso e desabrocharam na Red Bull. A começar por Vettel, que deixou a Toro Rosso em 2008 e passou a fazer história. Depois foi a vez de Ricciardo, que saiu de Faenza em 2013 e venceu três corridas em 2014. Na sequência, veio Kvyat, que se transferiu para a Red Bull em 2015 e obteve, na Hungria, seu primeiro pódio na carreira e o segundo da Rússia na F1 – antes, apenas Vitaly Petrov (Renault), no GP da Austrália de 2011, em Melbourne, havia colocado a bandeira russa no top 3.

Com o ótimo desempenho demonstrado por Max Verstappen em Hungaroring, um novo campeão estaria em formação? Segundo Marko, tudo leva a crer que sim. “Max foi perfeito na Hungria. Ele não cometeu erros. Com certeza não será só isso que veremos dele na pista”, disse o austríaco, que elogiou o trabalho que a Toro Rosso tem feito com o holandês. “Ele está num ambiente fantástico, e tem aprendido muito. Quanto mais pressão sobre ele, menos fácil é desenvolver. Mas os resultados até aqui tem sido fantásticos. Quem pensaria que ele teria um quarto lugar antes da metade da temporada?”, indagou o consultor.

Max, nos boxes de Hungaroring: após altos e baixos durante sua temporada de estreia

Max, nos boxes de Hungaroring: jovem holandês teve altos e baixos durante a primeira metade de 2015

Até o quarto lugar do GP da Hungria de 2015, Verstappen tinha disputado somente nove GPs. Após se tornar o mais jovem piloto a correr na Fórmula 1, no GP da Austrália, em Melbourne, o holandês se destacou ao obter o sétimo lugar no GP da Malásia, em Sepang. Depois, encarou críticas ao protagonizar um impressionante acidente no GP de Mônaco. O episódio no circuito monegasco só cairia no esquecimento após Max terminar em oitavo no GP da Áustria, em Spielberg.

Ao desembarcar em Hungaroring, o adolescente tinha 10 pontos no Mundial, contra nove de seu companheiro de Toro Rosso, o também novato Carlos Sainz Jr.. Quando ingressaram na pista húngara, ambos tinham como principal desafio se ambientar ao travado circuito. Afinal, era a estreia da dupla naquele traçado com um F1. Porém, quando foram à pista para os treinos livres, na sexta-feira, o espanhol levou a melhor sobre o holandês. Sainz Jr. anotou um promissor sexto tempo, com 1m25s599, 0s336 mais veloz que Verstappen, 11º com 1m25s935. No fim do dia, Max admitiu ter enfrentado problemas com seu STR10, o que impediu uma melhor performance no duelo particular contra Carlos.

Na sexta, Verstappen foi superado por Sainz Jr.: problemas nos treinos livres

Na sexta, Verstappen foi superado por Sainz Jr.: problemas elétricos e forte calor foram obstáculos

“Começamos o dia bem, levando tudo com calma, aprendendo a pista e acertando o carro. À tarde, minha primeira volta lançada não foi perfeita… Estava quente demais! E depois, na volta aos boxes, eu comecei a sentir que tinha algo errado com o carro. Infelizmente, foi um problema elétrico que me custou muito tempo de pista. Pude sair novamente, mas não por muito tempo, pois ainda houve uma bandeira vermelha. Então não foi a melhor das sextas para um novato”, avaliou o holandês, que ficou a 1s986 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor do dia com 1m23s949.

No sábado, o forte calor voltou a ser o principal ator em Hungaroring. Na pista, tanto Verstappen quanto Sainz Jr. tinham um equilibrado STR10 em mãos. Assim, os jovens pilotos sonhavam em flertar com o Q3 da sessão oficial húngara. Todavia, o espanhol falhou em sua tentativa, caindo no Q2 ao anotar o 12º tempo, com 1m23s869. Para consolo da escuderia italiana, o holandês atingiu a meta. No treino final, Max tirou o máximo da Toro Rosso, mas teve que se contentar com o nono lugar no grid, com 1m23s679, a 1s659 de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m22s020.

No sábado, Max avançou para o Q3, ficando à frente de Carlos Sainz Jr.: um satisfatório nono lugar no grid

No sábado, Max avançou para o Q3, ficando à frente de Carlos Sainz Jr.: um satisfatório nono lugar no grid

“Estou feliz por me classificar na nona colocação hoje (sábado), especialmente depois de ter tido alguns problemas no treino desta manhã, onde, como ontem (sexta), tive um pouco de dificuldades com a alta temperatura da pista. Nós conseguimos ficar calmos e foi uma boa volta de classificação. Acho que o resultado do Q3 é o máximo que poderíamos ter conseguido e eu aproveitei nesta tarde! Nosso objetivo para amanhã (domingo) é claramente pontuar e vou dar o meu melhor para fazer isso acontecer”, afirmou Verstappen, após a classificação.

Antes da largada, pilotos fizeram um tributo a Jules Bianchi: francês morreu em 17 de julho, em decorrência do acidente de Suzuka-2014

Antes do GP, pilotos fizeram tributo a Jules Bianchi, falecido em 17 de julho, após acidente em Suzuka-2014

A corrida

Domingo, 26 de julho de 2015. A Fórmula 1 daria sua primeira largada após a morte de Jules Bianchi. O francês não resistiu às lesões sofridas no terrível acidente do GP do Japão de 2014, em Suzuka, e faleceu em 17 de julho – mais de nove meses após o impacto. Foi a primeira morte de um piloto em decorrência de um acidente no século 21 – a última havia sido a de Ayrton Senna, no GP de San Marino de 1994, em Imola. A morte era um acontecimento desconhecido para esta geração. Assim, o impacto foi imenso em todos os membros do grid. Antes do apagar das luzes vermelhas, os pilotos e os familiares de Jules se reuniram em círculo e colocaram seus capacetes junto ao de Bianchi.

Ainda sob a emoção do tributo ao francês, 20 pilotos partiram para a disputa da etapa húngara. A corrida tinha programação para ser realizada em 70 voltas. Porém, a largada foi abortada em razão de um erro de Felipe Massa (Williams) – o brasileiro estava fora do colchete do grid -, fazendo com que a prova fosse realizada em 69 voltas. Com todo mundo no lugar certo, foi iniciada a disputa em Hungaroring. Saindo em nono, Verstappen saltou mal e foi superado por Nico Hulkenberg (Force India), Sergio Pérez (Force India), Fernando Alonso (McLaren) e Sainz Jr., caindo para a 13ª colocação.

Verstappen persegue Alonso após a largada: holandês despencou de nono para 13º após saltar mal

Verstappen persegue Alonso após a largada: depois de saltar mal, holandês despencou de nono para 13º

A recuperação do holandês não seria fácil. Logo, iniciou perseguição a Alonso. Na volta 6, conseguiu ultrapassar o bicampeão, assumindo a 12ª posição. Após superar o espanhol da McLaren, Max partiu para cima de Sainz Jr.. Contudo, o ritmo de Verstappen estava sendo determinado pelo companheiro de Toro Rosso. Em um circuito onde ultrapassar é missão quase impossível, o jovem de 17 anos precisou aguardar a primeira sessão de pit stops para tentar ascender na prova. Na volta 14, a escuderia italiana chamou o holandês para os boxes. O time trocou os pneus macios do STR10 de Max por um outro jogo do mesmo composto. No retorno à pista, Verstappen se viu em 14º.

Com as paradas de Sainz Jr. e Alonso, na volta 15, o holandês retomou o 12º lugar. Na passagem seguinte, assumiu a 11ª posição, graças ao pit stop de Marcus Ericsson (Sauber). Na volta 19, Max ingressou na zona de pontuação, beneficiado pelo incidente que envolveu Pérez e Pastor Maldonado (Lotus) – os latinos se tocaram, provocando a rodada do mexicano, que despencou na classificação. Uma volta depois do toque, Verstappen partiu decidido e ultrapassou Maldonado, alcançando o nono lugar.

Estratégia de pit stop e incidentes com adversários beneficiaram Verstappen em Hungaroring

Estratégia de pit stop e incidentes com adversários beneficiaram Verstappen em Hungaroring

A partir de então, não havia muito a fazer. Max estava próximo de Daniil Kvyat (Red Bull), mas sem condição de tirar a posição do russo. Somente com o segundo pit stop de Kvyat, na volta 33, Verstappen assumiu a oitava colocação. Após a parada de Hulkenberg, na 37, o holandês da Toro Rosso se viu em sétimo. Porém, era hora de ir aos boxes. No pit, o time italiano tirou os macios e colocou os compostos médios. No retorno à pista, Max voltava ao nono lugar, atrás de Hulkenberg e Kvyat.

O cenário parecia definitivo. Pois bem: parecia. Na volta 42, a asa dianteira do Force India de Hulkenberg se desprendeu, parando embaixo do bólido do alemão. Nico se tornou passageiro de um carro sem controle, e a batida foi inevitável. Diante do acidente, o safety car foi acionado. Sem Hulk, Verstappen herdou a oitava colocação. Durante a bandeira amarela, na volta 46, a Toro Rosso chamou Max para os boxes. A estratégia foi de tirar os pneus médios e recolocar os macios, que tinham apresentado melhor desempenho. Na volta à pista, ainda sob SC, manteve-se em oitavo.

Apesar de sofrer punição por exceder velocidade no pit lane, Max não perdeu posições na pista

Apesar de sofrer punição por exceder velocidade no pit lane, Max não perdeu posições na pista

Quando a relargada foi dada, na volta 49, as disputas pelas posições se acirraram. Verstappen superou Valtteri Bottas (Williams), alcançando a sétima posição. Lá na frente, Lewis Hamilton (Mercedes) colocou Daniel Ricciardo (Red Bull) para fora da pista. A direção de prova considerou Hamilton culpado pelo incidente, sendo punido com um drive through. Lewis pagou a punição na volta 51, fazendo com que Max assumisse o sexto lugar. Duas voltas depois, o holandês se deparou com um lento Kimi Raikkonen (Ferrari). O finlandês agonizava na pista devido a problemas no ERS de seu bólido, perdendo um segundo lugar certo. Verstappen superou Raikkonen e se viu em quinto.

Na sequência, Max teve que pagar um drive through por excesso de velocidade nos boxes, após sua terceira parada. Ainda assim, retornou em quinto, à frente de Alonso. Enquanto isso, Sebastian Vettel (Ferrari), Nico Rosberg (Mercedes) e Daniel Ricciardo (Red Bull) disputavam o triunfo em Hungaroring. O australiano queria repetir a vitória de 2014, e partiu com tudo para superar Rosberg. Ricciardo atrasou a freada o quanto pôde, mas levou o ‘x’. Quando Nico se colocou à frente do adversário, viu seu pneu traseiro esquerdo furado por um toque da asa dianteira do Red Bull de Daniel. O alemão da Mercedes foi obrigado a parar nos boxes, fazendo com que Verstappen herdasse o quarto lugar.

Com o quarto lugar em Hungaroring, Verstappen assumiu o 11º lugar no Mundial, com 22 pontos

Com o quarto lugar em Hungaroring, Verstappen assumiu o 11º lugar no Mundial, com 22 pontos

No fim da corrida, festa para todos os gostos, em diversos boxes: Vettel conquistava a 41ª vitória de sua carreira – a primeira em Hungaroring -, para delírio da Ferrari, enquanto Kvyat e Ricciardo completavam o pódio, para satisfação da Red Bull. Já na Toro Rosso, celebração para o prodígio holandês. Max mostrou personalidade para terminar entre os quatro primeiros na Hungria. “Não esperava nada disso depois de ter feito uma largada um pouco ruim. No entanto, consegui ficar de fora dos problemas e, durante meu segundo stint, tudo estava indo bem. Me senti confortável no carro e os caras atrás de mim não conseguiram me alcançar”, afirmou.

Verstappen reconheceu que a relargada após o acidente de Hulkenberg foi determinante para o resultado da prova. “Quando a corrida recomeçou após o safety car, aconteceu muita coisa com os carros à minha frente. Minha asa dianteira ficou um pouco danificada e tive um drive-through”, relatou. “Gostaria de agradecer à equipe, eles me deram um grande apoio e merecem esse grande resultado. Não poderia alcançar isso sem eles”, comemorou o garoto, que ascendeu para a 11ª posição no Mundial de Pilotos, com 22 pontos, e ajudou a Toro Rosso a alcançar o sétimo lugar dos Construtores, com 31 pontos.

Mecânicos da Toro Rosso se abraçam para celebrar feito de Verstappen: time entra na luta pelo 5º lugar dos Construtores

Mecânicos da Toro Rosso celebram feito de Verstappen: time entra na luta pelo 5º lugar dos Construtores

Após o quarto lugar no GP da Hungria, Max foi curtir as férias da Fórmula 1. Um dos compromissos seria (pasmem) fazer aulas de direção, a fim de acumular tempo necessário no volante para obter a carteira de habilitação de motorista. “Você precisa ter um mínimo de seis ou sete horas de direção de acordo com as leis da Bélgica, onde vivo. Em seguida, terei meu teste por volta do meu aniversário, em setembro”, declarou ao diário britânico ‘The Guardian’. Depois dos feitos de Hungaroring-2015, essa missão se tornou quase uma brincadeira de criança…

Nas férias da F1, Max aproveitará o tempo livre para... tirar sua carteira de motorista

Nas férias da F1, Max aproveitará o tempo livre para… tirar sua carteira de motorista. Coisa de garoto…

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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