Mônaco-2015: avanço de Nasr rende nono lugar no Principado

Após largar em 14º, Felipe Nasr mostrou regularidade e conquistou dois pontos no GP de Mônaco

Após largar em 14º, Felipe Nasr mostrou regularidade e conquistou dois pontos no GP de Mônaco

O início da carreira de Felipe Nasr na Fórmula 1 tem sido promissor. Após a espetacular estreia no GP da Austrália de 2015 – quando conquistou o quinto lugar em Melbourne -, o brasileiro da Sauber obteve um convincente oitavo lugar no GP da China, em Xangai, terceira etapa do Mundial. Porém, nas duas provas seguintes – Bahrein e Espanha -, o brasiliense não pontuou. Quando desembarcou no Principado de Mônaco, Felipe esperava acabar com o breve jejum. No travado circuito, a esperança de Nasr era a de que seu C34 pudesse estar em condições parecidas às dos adversários. Apesar de alinhar num tímido 14º lugar no grid, o piloto de 22 anos se mostrou consistente durante a prova, disputada em 24 de maio. O brasileiro ganhou cinco posições para alcançar a zona de pontos, sendo premiado com um bom nono lugar. Com o resultado, o brasileiro prosseguiu na nona colocação do campeonato, com 16 pontos.

Os dois pontos obtidos em Mônaco foram o desfecho de uma etapa repleta de expectativas para Nasr. Pela primeira vez, ele correu num F1 no Principado. Diante disso, a ansiedade era evidente antes de pisar em solo monegasco. “Mônaco tem uma das pistas mais bonitas do calendário e, ao mesmo tempo, é uma etapa muito tradicional. É um circuito que exige muito em todos os setores. Estou ansioso para correr rodeado por esse ótimo clima”, observou Felipe, enumerando as principais características do circuito de rua. “O piloto precisa se sentir confiante no carro para levá-lo ao limite. Há alguns fatores que são importantes para obter um bom tempo de volta: boa resposta de frenagem, tração e um carro estável de forma geral. Ao longo dos treinos, também precisamos observar a evolução da aderência”.

Apesar de andar próximo do guard-rail, Nasr viu seu C34 sofrer com a falta de equilíbrio no Principado

Apesar de andar próximo do guard-rail, Nasr não conseguiu arrancar bons tempos com o C34 nos treinos

Quando foi para a pista, na quinta-feira, o brasileiro viu seu Sauber desequilibrado em Mônaco. Nasr assinalou 1m20s263, o que lhe deu um preocupante 17º lugar, à frente somente de Roberto Merhi e Will Stevens, da Manor – o companheiro de Felipe, Marcus Ericsson, sequer anotou tempo na segunda sessão livre. Além disso, a chuva que caiu no Principado atrapalhou o desenvolvimento do C34. “Não foi um dia fácil para nós. Pela manhã, foi difícil fazer os pneus dianteiros funcionarem de forma adequada. Isso foi influenciado pelas baixas temperaturas e também pela falta de downforce. À tarde fizemos algumas voltas antes de a chuva começar. Nós identificamos que a nossa principal limitação é falta de tração. Precisamos melhorar isso para sábado”, observou o brasiliense, que ficou a 3s071 de Lewis Hamilton (Mercedes), o melhor com 1m17s192.

No treino classificatório de sábado, entretanto, Nasr e a Sauber evidenciaram não ter encontrado um acerto ideal para o desafiador circuito de rua. Tanto Felipe quanto Ericsson pararam no Q1 em Mônaco. O brasileiro anotou 1m18s101 e ficou em 16º lugar, enquanto o sueco fez 1m18s513 e obteve o 18º posto. O tempo do brasiliense foi 3s003 mais lento que o de Hamilton, pole com 1m15s098. Nasr revelou frustração com o desempenho de seu C34. “Estamos obviamente desapontados por estar próximos ao fim do grid de largada. Olhando para as sessões de treinos livres, sabíamos que seria difícil para nós aqui. No momento, temos que fazer o melhor com o nosso pacote atual. Amanhã (domingo) precisamos de um pouco de sorte. Mas estamos em Mônaco, e sabemos, devido a corridas anteriores, que qualquer coisa pode acontecer aqui”, vislumbrou.

Na largada do GP de Mônaco, Felipe Nasr herdou posições de Hulkenberg e Massa, assumindo o 12º lugar

Na largada do GP de Mônaco, Nasr herdou posições de Hulkenberg e Massa, assumindo o 12º lugar

A corrida

O sol predominava em Mônaco naquele 24 de maio de 2015. O cenário era perfeito para a disputa de uma das mais tradicionais corridas automobilísticas do mundo. Antes da largada, Nasr acabou herdando duas posições no grid – Romain Grosjean (Lotus), 11º no sábado, trocou a caixa de câmbio de seu bólido e foi punido com a perda de cinco posições, e Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), 8º no dia anterior, largou dos boxes após infringir o regulamento na sessão classificatória. Com a 14ª posição, Felipe viu aumentar suas chances de pontuar. Para seu objetivo se tornar possível, sobreviver à largada seria fundamental para o brasileiro da Sauber. Nasr sabia que a prova era longa, e que nada se decidiria no início de uma corrida com 78 voltas.

No apagar das luzes vermelhas, o brasiliense foi cauteloso e manteve sua posição. Ainda na volta 1, viu Nico Hulkenberg (Force India) se enroscar com Fernando Alonso (McLaren) e bater na Mirabeau, e assistiu à queda de Felipe Massa (Williams) para o fim do pelotão, após se chocar com o mesmo Hulkenberg na subida para o Cassino. Sem Hulk e Massa, Felipe completou a primeira volta em 12º. Na volta 6, subiu para 11º, após o abandono de Pastor Maldonado (Lotus). A partir dali, o brasileiro se colocou atrás de Alonso e à frente de Grosjean. Porém, voltas depois, a direção da prova anunciou que Fernando seria punido pelo acidente com Hulkenberg – o espanhol teria 5s a cumprir em seu primeiro pit stop.

Felipe Nasr perseguiu Fernando Alonso na primeira parte da corrida monegasca: duelo só teve fim com o abandono do espanhol

Nasr perseguiu Alonso na primeira parte da prova monegasca: duelo só teve fim com o abandono do espanhol

Apesar de estar calçado com pneus supermacios, Felipe não conseguia seguir Alonso, que usava macios. Por outro lado, não permitia a aproximação de Grosjean. Quando Romain decidiu trocar seus compostos supermacios por macios, na volta 17, a Sauber chamou Nasr para os boxes na volta seguinte. A intenção do time suíço era impedir que o francês superasse o brasileiro na base da estratégia. A tática surtiu efeito, e Felipe saiu à frente do adversário da Lotus, mantendo-se em 11º. Todavia, estava distante de Alonso, que adotara uma outra estratégia para a corrida.

Nasr só ingressou na zona de pontuação do GP de Mônaco na volta 29. Naquela passagem, Max Verstappen (Toro Rosso) realizou seu primeiro pit stop. Na parada, os mecânicos que faziam a troca de pneus do holandês se atrapalharam, e Verstappen ficou mais de 30s inerte. Assim, Felipe assumiu a 10ª posição. Na 32, Alonso foi aos boxes, pagou sua punição e trocou os pneus. No retorno, ainda saiu à frente do brasileiro da Sauber. Nasr só assumiria a nona colocação com o abandono de Fernando, na volta 42, com problemas de superaquecimento em seu McLaren. A partir dali, o jovem piloto se via distante de Jenson Button (McLaren), o oitavo, mas tinha Grosjean em seus calcanhares.

O brasileiro da Sauber sofreu com a pressão de Romain Grosjean: batida de Verstappen tirou francês da Lotus da cola de Felipe

O brasileiro sofreu com a pressão de Grosjean: assédio só terminou após francês ser abalroado por Verstappen

Aos poucos, Felipe ganhou fôlego na luta contra Romain, conseguindo uma diferença razoável em relação ao francês da Lotus. O motivo era um só: Grosjean passava a sofrer com as investidas de Verstappen. Em prova de recuperação, o holandês sonhava em alcançar a zona de pontos. Arrojado, Max partiu para cima de Romain. Na volta 64, o garoto de 17 anos freou tarde demais e acertou em cheio a traseira do carro do gaulês. Resultado: Verstappen sofreu um espetacular acidente na Saint Devote, obrigando a entrada do safety car. Com o acidente, Grosjean acabou perdendo contato com Nasr.

A bandeira amarela fez com que alguns pilotos entrassem nos boxes. Líder da prova, Hamilton decidiu trocar os pneus, mas perdeu a liderança para Nico Rosberg (Mercedes) e o segundo lugar para Sebastian Vettel (Ferrari) – os alemães não fizeram pit stop. O brasileiro, por sua vez, aproveitou a bandeira amarela para fazer sua segunda e definitiva parada. Novamente com pneus supermacios, Felipe voltou à pista na mesma nona posição. Quando a relargada foi dada, Nasr percebeu que seria impossível superar Button, preferindo segurar Sainz Jr. para garantir mais dois pontos no Mundial.

Após a saída do safety car, Nasr se preocupou apenas em manter o nono lugar

Após a saída do safety car, Felipe Nasr se preocupou apenas em manter o nono lugar

A vitória do GP de Mônaco ficou, pela terceira vez consecutiva, com Rosberg, que foi seguido por Vettel e Hamilton. Mas a Sauber celebrou o feito de Nasr como se o brasileiro tivesse atingido o ponto mais alto do pódio. Felipe festejou o resultado, e dividiu os méritos com a equipe suíça. “É uma sensação incrível ser recompensado depois de um final de semana tão difícil. Foi uma corrida desgastante e eu dei o meu melhor para extrair o máximo do carro. A equipe fez um trabalho muito ao escolher a estratégia correta e me chamar para as paradas nos momentos certos. Os pontos são para todos na equipe”, enalteceu o brasiliense.

Felipe foi bastante festejado pelo fundador da Sauber, Peter Sauber (foto), e pela chefe da equipe, Monisha Kaltenborn

Nasr foi saudado pelo fundador da Sauber, Peter Sauber (foto), e pela chefe do time, Monisha Kaltenborn

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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