Mônaco-1997: Barrichello conduz Stewart ao primeiro pódio

Barrichello celebra o incrível segundo lugar  no GP de Mônaco de 1997: início promissor na Stewart

Barrichello celebra o incrível segundo lugar no GP de Mônaco de 1997: início promissor na Stewart

Após quatro temporadas vivendo (alguns) bons e (muitos) maus momentos na Jordan, Rubens Barrichello decidiu recomeçar sua carreira na Fórmula 1 em 1997. Naquela temporada, o brasileiro se transferiu para a Stewart, time capitaneado pelo tricampeão Jackie Stewart. Apesar da credibilidade do escocês, era impossível prever resultados imediatos para uma escuderia recém-criada. Rubens precisaria ter muita paciência para flertar com os pontos. Mesmo com a sombria perspectiva, Barrichello se manteve otimista e seguiu seu trabalho. Porém, o prêmio pela mudança de rumo na categoria logo viria: na sexta corrida da história da equipe de Jackie, Rubens fez o que parecia improvável – levou seu SF01 ao segundo lugar no GP de Mônaco de 1997.

É bem verdade que a chuva beneficiou o paulistano e prejudicou alguns dos principais favoritos na pista monegasca. Contudo, o desempenho de Barrichello impressionou, a ponto de lembrar Ayrton Senna, que, 13 anos antes, ficou em segundo com Toleman no Principado. Nascido em 23 de maio de 1972, Rubens tinha 24 anos quando foi ao pódio em Mônaco-1997 – como Ayrton, em 1984. Entretanto, diferentemente de Senna na Toleman, o feito de Barrichello na Stewart seria circunstancial. Tanto que os seis pontos obtidos pelo brasileiro foram seus únicos naquele ano.

Barrichello enfrentou diversos problemas no início de 1997 - no GP da Argentina, em Buenos Aires, ele abandonou ainda na largada

Barrichello encarou dificuldades no início de 1997 – no GP da Argentina, acidente na largada e abandono

Apesar dos pesares, Barrichello contagiou a todos com seu segundo lugar no Principado. Afinal, o resultado foi inesperado – nem Rubens, tampouco os mecânicos da Stewart, esperavam alcançar o top 3 depois das inúmeras dificuldades encaradas no início da trajetória da escuderia britânica. Nas quatro primeiras corridas de 1997 – Austrália, Brasil, Argentina e San Marino -, tanto o brasileiro como seu companheiro de equipe, o dinamarquês Jan Magnussen, não viram a bandeira quadriculada. Assim, o desafio da escuderia era transformá-lo em um carro confiável.

Porém, quando o SF1 entrou no circuito monegasco, na quinta-feira, Barrichello viu o motor Ford de seu bólido quebrar, o que atrapalhou suas pretensões. No fim, o brasileiro terminou o dia em 13º, após anotar 1m22s370, a 1s182 de Johnny Herbert (Sauber), o mais veloz com 1m21s188. Herbert foi a sensação da quinta, uma vez que
ficou à frente dos principais concorrentes ao título, Michael Schumacher (Ferrari) e Jacques Villeneuve (Williams). Apesar de estar longe dos holofotes, Rubens estava confiante. O piloto apostava que o equilíbrio da Stewart no Principado lhe permitiria alcançar uma boa posição no grid.

Barrichello, entre o tricampeão Jackie Stewart e o filho dele, Paul Stewart: time novo, vida nova e muitos problemas

Rubens, entre Jackie Stewart e o filho dele, Paul Stewart: time novo, vida nova e muitos problemas

Na classificação, no sábado, Barrichello teve uma performance satisfatória. O brasileiro anotou 1m19s295, o que lhe garantiu o 10º lugar no grid – o primeiro piloto entre os que calçavam pneus Bridgestone. O tempo de Rubens foi 1s079 inferior ao obtido por Heinz-Harald Frentzen (Williams), pole em Mônaco, com 1m18s216. Por outro lado, sua marca foi 1s221 mais veloz que a anotada por Magnussen, 19º com 1m20s516. Apesar de estar entre os 10 primeiros, Barrichello estava consciente de que seria muito difícil pontuar no GP de Mônaco. Até porque teria que contar com a confiabilidade do SF1 em uma pista que exige demais do equipamento.

Na largada do GP de Mônaco de 1997, a chuva reduziu a diferença entre as forças: Barrichello se aproveitou e teve um início impressionante

Na largada do chuvoso GP de Mônaco de 1997, Barrichello se aproveitou das condições e deu um show à parte

A corrida

Domingo, 11 de maio de 1997. O dia amanheceu cinzento no Principado. Durante o warm up, a chuva deu o ar de sua graça. Entretanto, no período entre a sessão e a largada do GP de Mônaco, a impressão que se tinha era a que a corrida começaria com pista seca. Entretanto, quando os pilotos se encaminharam para o grid, o suspense entrou em ação: a chuva caía sobre a pista monegasca. Não era forte, mas se fazia presente. Coube às equipes tomarem a decisão: largar com pneus para seco ou para molhado. A Williams, do pole Heinz-Harald Frentzen e do terceiro colocado no grid, Jacques Villeneuve, preferiu largar com compostos lisos. Michael Schumacher optou pelos intermediários. E Barrichello? O brasileiro seguiu o alemão, na esperança de que o mundo desabasse sobre Mônaco.

Por que Rubens queria chuva forte? Tanto o piloto quanto a Stewart tinham consciência da melhor aderência dos pneus Bridgestone sob essas condições, diante da Goodyear. Com os compostos para molhado, a tendência era que o SF1 se impusesse diante dos adversários. Entretanto, o brasileiro não esperava que a tempestade tivesse início na volta de apresentação. Quando a largada foi dada, Frentzen e Villeneuve patinavam na pista e despencavam na classificação. Na volta 1, Barrichello superou, além do canadense, Mika Hakkinen (McLaren), Jean Alesi (Benetton), David Coulthard (McLaren) e Johnny Herbert (Sauber), assumindo o quinto lugar.

Com atitude, Barrichello deixou as Jordan de Fisichella e Ralf Schumacher para trás, assumindo o segundo lugar para não mais perdê-lo

Barrichello deixou Ralf Schumacher e Fisichella para trás, assumindo o 2º lugar para não mais perdê-lo

A ascensão de Rubens prosseguiu na volta 2, quando deixou Frentzen para trás. Na quarta posição, o brasileiro só estava atrás de Michael Schumacher, Giancarlo Fisichella (Jordan) e Ralf Schumacher (Jordan). A perseguição de Barrichello aos pilotos da Jordan foi implacável – na volta 5, o piloto da Stewart ultrapassou Ralf. Na passagem seguinte, deixou Fisichella para trás. Em seis voltas, Rubens já era segundo, impressionando a todos no Principado. Será que era possível encarar Michael de igual para igual? Ou seria beneficiado por estar usando Bridgestone?

Nada disso. Na volta 6, a vantagem de Schumacher sobre Barrichello era de absurdos 22 segundos. Por mais que Rubens tentasse, seria impossível alcançar Michael. A partir dali, o brasileiro passou a aumentar a diferença sobre Fisichella, consolidando-se na segunda posição. Nem mesmo a parada para troca de pneus e reabastecimento fez com que Barrichello deixasse a vice-liderança. E, por um momento, a Stewart quase viu um inacreditável triunfo cair em seu colo – na volta 53, Schumacher passou reto na Saint Devote, mas conseguiu retornar à pista.

Rubens acelera no molhado circuito monegasco: pneus Bridgestone foram fundamentais para o pódio

Rubens acelera no molhado circuito monegasco: pneus Bridgestone foram fundamentais para o pódio

Em virtude da chuva, a corrida terminou no limite de 2 horas. Schumacher recebeu a bandeirada como vitorioso do GP de Mônaco na volta 62, seguido por Barrichello, Eddie Irvine (Ferrari), o vencedor de 1996, Olivier Panis (Prost), Mika Salo (Tyrrell) – que não parou nos boxes durante toda a etapa – e Fisichella. Quando Rubens cruzou a linha de chegada, a emoção nos boxes da Stewart foi geral. Pela primeira vez, o SF1 completava uma corrida, e logo de cara, subiria ao pódio. “Naquele momento, Paul e eu caímos na maior choradeira. Estou feliz, aliviado, satisfeito e agradecido”, afirmou Jackie Stewart na edição de 12 de maio de 1997, da Folha de S. Paulo.

Barrichello estava em êxtase. Afinal, igualava seu melhor resultado na Fórmula 1 – com Jordan, ele foi segundo no GP do Canadá de 1995, em Montreal. “(O GP de Mônaco) foi uma corrida muito difícil. Se pela manhã, alguém tivesse dito que eu seria o segundo, eu não acreditaria”, contou Rubens à Folha. O brasileiro disse ter ficado surpreso quando observou equipes com pneus lisos na largada. “Era mais fácil levar umas cinco voltas com pneus de chuva”, avaliou. As primeiras voltas, segundo o piloto da Stewart, foram complicadas, mas seu carro estava equilibrado para as condições adversas. “Só voltou a ficar difícil pouco antes do pit stop, pois os pneus para chuva já estavam um pouco gastos”.

Rubens é cumprimentado por Michael Schumacher, vencedor do GP de Mônaco de 1997: erro do alemão quase deu a vitória ao brasileiro

Rubens é cumprimentado por Schumacher, o vencedor: erro do alemão quase deu a vitória ao brasileiro

No mais, foi administrar o ritmo para assegurar a segunda posição. Aquele top 3 em Mônaco deixou Barrichello entusiasmado. “A Stewart vai me dar mais pódios”, vislumbrou o brasileiro. Todavia, não naquele ano. Rubens conquistaria outros três pódios na Stewart, em 1999 (foi terceiro nos GPs de San Marino, em Imola, da França, em Magny-Cours, e da Europa, em Nurburgring), e deixaria o time ao fim daquele ano. Assim, o ápice de Barrichello na Stewart foi obtido naquele chuvoso domingo de maio de 1997, em Mônaco.

Barrichello, Schumacher e Eddie Irvine no pódio:

Barrichello, Schumacher, Jean Todt e Irvine no pódio: 2º lugar foi o melhor resultado de Rubens na Stewart

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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2 respostas a Mônaco-1997: Barrichello conduz Stewart ao primeiro pódio

  1. E detalhe hein…o Shumacher escapou da pista no unico ponto em que “podia” voltar, se fosse em qualquer outro ponto da pista, ficava pelo caminho e a vitória seria do Rubinho!
    Bacana o blog, parabéns!
    Se puder, dá uma passada lá no meu blog: fanaticosporf1.wordpress.com e dá uma moral lá, por favor…rs…
    Um abraço!

  2. Alex Neres diz:

    Outra curiosidade dessa prova: foi a última vez que um carro foi até o fim da prova sem ir aos boxes (Mika Salo, P5 – inclusive sendo os últimos pontos da história da Tyrrell)

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