Espanha-2015: nono, Sainz Jr. conquista torcida em Montmeló

Carlos Sainz Jr. lutou muito para obter o nono lugar em Montmeló, para satisfação da torcida espanhola

Carlos Sainz Jr. lutou muito para obter o nono lugar em Montmeló, para satisfação da torcida espanhola

Na Fórmula 1, Fernando Alonso é sinônimo de Espanha. Graças ao asturiano, o país ibérico viu sua bandeira no topo da categoria máxima do automobilismo. Em 2015, entretanto, Alonso vem vivendo um conturbado momento em sua carreira. A McLaren não tem oferecido um carro à altura do habilidoso piloto. Assim, quando o ‘circo’ desembarcou em Montmeló para a disputa do GP da Espanha, as expectativas sobre Fernando eram modestas. Mas a torcida espanhola não ficou órfã. Coube a um novato dar orgulho aos espectadores. A bordo de um Toro Rosso, Carlos Sainz Jr. não só viveu um conto de fadas nos treinos oficiais, ao levar seu bólido a um impressionante quinto lugar no grid, como também levantou as arquibancadas do circuito catalão ao alcançar a nona posição na base da vibração, uma característica decantada por seu povo.

Os dois pontos em Montmeló bastaram para o jovem de 20 anos alcançar o status de maior promessa espanhola desde Alonso. Nascido em 1º de setembro de 1994, em Madri, Carlos Sainz Vásquez de Castro é filho de uma lenda do esporte a motor: Carlos Sainz, bicampeão do WRC – World Rally Championship, a categoria máxima do offroad do planeta, e vencedor do Rally Dakar de 2010. Como ‘filho de peixe, peixinho é’, Sainz Jr. logo se interessou por velocidade. Entretanto, diferentemente do pai, preferiu os circuitos fechados. No kart, Carlos foi bem-sucedido. Em 2008, sagrou-se campeão da versão Ásia Pacífico da KF3. No ano seguinte, venceu a Monaco Kart Cup Junior e foi vice-campeão europeu de KF3. O bom desempenho no kart o fez ingressar no Programa de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull. Assim, iniciava sua carreira nos monopostos.

Após sair do kart, Carlos ingressou no Programa de Desenvolvimento de Jovens Pilotos da Red Bull, que impulsionou sua carreira

Após correr no kart, Carlos ingressou no Programa de Desenvolvimento de Pilotos da Red Bull em 2009

Em 2010, Sainz Jr. disputou a Fórmula BMW Europeia. No fim daquele ano, venceu a etapa de Macau da Fórmula BMW Ásia-Pacífico. Na temporada seguinte, migrou para a Fórmula Renault 2.0 Europeia, na qual obteve o vice-campeonato. Em 2012, subiu mais um degrau. Na Fórmula 3 Britânica, foi sexto no campeonato, obtendo quatro vitórias. No ano seguinte, uma temporada atribulada: Carlos disputou os campeonatos da GP3 e da Fórmula Renault 3.5., e participou do teste da Fórmula 1 para jovens pilotos – em Silverstone, Sainz Jr. teve sua primeira experiência com carros da Red Bull e da Toro Rosso. Em 2014, o espanhol se dedicou exclusivamente à F-Renault 3.5, e foi premiado com o título da temporada. Diante das boas apresentações, a Toro Rosso escolheu o jovem talento para ser companheiro de Max Verstappen para a temporada de 2015.

Antes da etapa de Montmeló, Sainz Jr. havia participado de quatro corridas na Fórmula 1. No GP da Austrália, em Melbourne, Carlos estreou na zona de pontuação – foi nono na prova inaugural do Mundial. Na corrida seguinte, no GP da Malásia, em Sepang, veio um oitavo lugar. Já nos GPs da China, em Xangai, e do Bahrein, em Sakhir, o piloto de 20 anos não pontuou. Voltar ao top 10 era a meta do espanhol da Toro Rosso. Estimulado por correr em casa, Sainz Jr. tratou de acelerar seu STR10 na sexta-feira, dia dos primeiros treinos para o GP da Espanha. Apesar de um bom desempenho nas duas sessões livres, Carlos acabou sendo superado por Verstappen no duelo interno da escuderia italiana: enquanto o espanhol terminou em nono, com 1m28s674, o holandês ficou em sexto, com 1m28s017. O melhor tempo do dia foi de Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m26s852 – 1s822 à frente do madrileno.

A Toro Rosso se adaptou bem ao circuito de Montmeló: Sainz Jr. sempre eandou entre os 10 primeiros nos treinos

A Toro Rosso se adaptou bem ao circuito de Montmeló: Sainz Jr. sempre andou entre os primeiros nos treinos

“Foi uma sexta positiva para nós. Imediatamente, vimos que o carro se adaptou bem à esta pista complicada, e isso me fez sentir confiança. O segundo treino foi um pouco mais difícil para mim, porque tive um pouco de dificuldade no acerto. Ainda precisamos ajustar algumas coisas, mas sabemos o que temos que fazer para estar prontos para amanhã (sábado)”, afirmou Sainz Jr., que se disse feliz por contar com o apoio da torcida espanhola em Montmeló. “É incrível sair para a pista e ver tantos fãs me aplaudindo aqui em Barcelona. É ótimo estar correndo em casa e estou ansioso pelo resto do fim de semana”, vislumbrou, sem imaginar que o melhor estava por vir no sábado…

Nas sessões que definiriam o grid para a prova espanhola, a Toro Rosso mostrou incrível forma. Tanto Sainz Jr. quanto Verstappen surpreenderam o ‘circo’ com desempenhos constantes e velozes. Carlos e Max avançaram para o Q3, deixando equipes tradicionais, como Lotus e McLaren, para trás. Na definição dos 10 primeiros, veio o choque: o espanhol conquistou um impressionante quinto tempo, com 1m26s136, seguido pelo holandês, sexto com 1m26s249. A marca de Sainz Jr. foi 1s455 mais lenta que a de Nico Rosberg (Mercedes), pole com 1m24s681. Porém, tanto ele quanto Verstappen ficaram à frente de Red Bull, Kimi Raikkonen (Ferrari) e Felipe Massa (Williams). Após a classificação, Carlos se mostrou emocionado com o feito.

Com sede de um bom resultado em casa, Sainz Jr. surpreendeu ao ficar com o quinto lugar no grid para o GP da Espanha

Com sede de um bom resultado em casa, Sainz Jr. surpreendeu ao ficar em 5º no grid para o GP da Espanha

“Que resultado! Isso é algo bastante especial e estou muito feliz! Quinto e sexto é um feito incrível para toda a equipe. Eu não estava totalmente confortável no carro até a classificação, mas na primeira tentativa do Q1, ele estava exatamente como eu queria. Com isso, ganhei confiança e acabei conseguindo um resultado excelente. Posso creditar isso a muito trabalho duro e análise, e tenho de agradecer a equipe. Não será fácil terminar a corrida entre os cinco primeiros, mas faremos o nosso melhor para chegar na melhor colocação possível. Também estou feliz por largar em quinto aqui em casa, diante do meu público. Pude ver todos os fãs celebrando, foi uma ótima sensação e gostaria de agradecer a todos por seu apoio. Vamos buscar um bom resultado amanhã (domingo)”, disse Sainz Jr..

Na largada em Montmeló, Carlos perdeu posições para Max Verstappen (Toro Rosso) e Kimi Raikkonen (Ferrari)

Na largada, Carlos perdeu posições para Max Verstappen (Toro Rosso) e Kimi Raikkonen (Ferrari)

A corrida

Após a euforia de sábado, Sainz Jr. e a Toro Rosso estavam conscientes de que, em ritmo de prova, obter um top 5 no domingo, 10 de maio de 2015, era uma missão impossível. Havia carros mais equilibrados que o STR10 saindo atrás no grid. Além disso, a falta de potência do motor Renault seria um verdadeiro empecilho na longa Reta dos Boxes. Quando as luzes vermelhas se apagaram em Montmeló, Carlos bem que tentou se segurar em quinto. Mas o esforço foi em vão: logo na largada, o espanhol foi superado por Kimi Raikkonen (Ferrari) e Max Verstappen (Toro Rosso), caindo para sétimo. Na volta 3, acabou sendo ultrapassado por Felipe Massa (Williams), ficando em oitavo. Na 5, caiu para nono, após ser ignorado por Pastor Maldonado (Lotus). Na passagem seguinte, foi a vez de Daniel Ricciardo (Red Bull) executar a manobra e deixar Sainz Jr. em 10º.

Na volta 7, Romain Grosjean (Lotus) ultrapassou Carlos, tirando o ibérico da Toro Rosso da zona de pontos. O cenário otimista de sábado se esvaía em sete voltas. A partir daí, Sainz Jr. passou a segurar seu ídolo Fernando Alonso (McLaren), permanecendo em 11º até a volta 15, quando fez seu primeiro pit stop. Na troca, tirou os pneus médios e colocou duros. No retorno à pista, estava em 14º. Na passagem seguinte, Maldonado fez uma parada mais longa para arrancar parte do suporte da asa traseira que havia se desprendido da carenagem. Com a demora do venezuelano, Carlos assumiu o 13º lugar. Contudo, na volta 18, o espanhol foi superado por Daniil Kvyat (Red Bull), retornando à 14ª posição.

 Carlos, à frente de Pastor Maldonado (Lotus): início de corrida difícil para o espanhol da Toro Rosso


Carlos, à frente de Pastor Maldonado (Lotus): início de corrida difícil para o espanhol da Toro Rosso

Com a parada de Marcus Ericsson (Sauber), na volta 19, Sainz Jr. retomou a 13ª posição. Na passagem seguinte, o pit stop de Sergio Pérez (Force India) conduziu o espanhol à 12ª colocação. Na volta 22, Alonso foi aos boxes, e Carlos recuperou o 11º lugar. Com o fim da primeira sessão de paradas, o jovem ibérico se viu sem contato com Verstappen, o 10º, mas confortável à frente de Felipe Nasr (Sauber), o 12º. A situação de Sainz Jr. na corrida só seria alterada com o início da segunda sessão de pit stops. Na volta 37, Max foi aos boxes, e Carlos reingressou no top 10. Na volta 39, Kvyat realizou seu segundo pit, e o madrileno assumiu a nona posição. Com a parada de Grosjean, na 41, Sainz Jr. assumiu a oitava colocação.

Entretanto, o espanhol da Toro Rosso precisava fazer sua segunda e definitiva parada. E ela ocorreu na volta 42. Na troca, a escuderia italiana sacou os pneus duros e voltou a colocar compostos médios. Com menos combustível, a tendência era de que Sainz Jr. tivesse melhor desempenho no fim da prova, a fim de conquistar um lugar na zona de pontos. Após o pit stop, Carlos voltou à pista numa tímida 13ª posição. Na volta 46, ultrapassou Nico Hulkenberg (Force India). Na mesma passagem, Ericsson foi aos boxes, fazendo com que o espanhol assumisse a 11ª posição. A partir daí, Sainz Jr. iniciou perseguição a Verstappen. Por ter optado por pneus médios, e por ver o holandês com compostos duros, Carlos passou a tirar diferença com relação a Max. Ao mesmo tempo, reduzia a vantagem para Kvyat, o nono colocado.

Depois de despencar na classificação da corrida, Sainz Jr. mudou a estratégia de paradas e ressurgiu na corrida

Depois de despencar na classificação, Sainz Jr. mudou a estratégia de paradas e ressurgiu na corrida

A tática de colocar pneus duros no segundo stint e de finalizar a corrida com compostos médios seria recompensada no fim do GP. Na volta 62, Sainz Jr. ultrapassou Verstappen, alcançando um lugar na zona de pontos. Mais veloz que Kvyat, o espanhol se aproximou rapidamente do russo. Na 66ª e última volta, Carlos tentou superar Daniil, que moveu seu Red Bull para proteger sua posição na Reta dos Boxes. Sem se deixar intimidar, Sainz Jr. ficou do lado de fora da traçado, e acabou levando a posição de Kvyat após não contornar a Curva 1. O espanhol terminou em nono, para celebração do público de Montmeló, mas a confirmação do resultado só veio após a corrida – a manobra de Carlos sobre Daniil foi investigada pela direção da prova, mas ninguém foi punido.

A vitória do GP da Espanha foi de Nico Rosberg (Mercedes), seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari). Todavia, Sainz Jr. tinha motivos para comemorar. Os pontos conquistados nos momentos finais da corrida foram obtidos graças a seu esforço e a uma tática que se mostrou a mais eficiente. “É bom marcar mais dois pontos, justamente em minha casa. Tive um começo de corrida complicado. Fiquei um pouco desapontado quando vi que minha quinta posição não duraria muito. Porém, me mantive focado, comecei a poupar meus pneus nas primeiras voltas – pois sei que nosso carro se comporta melhor com menos combustível -, e consegui estender um pouco meu trecho com pneus duros. Isso me permitiu forçar durante as últimas cinco voltas e buscar os dois pontos. Sobre o duelo com Daniil, foi um momento difícil: eu tinha o DRS, ultrapassei antes da Curva 1 e consegui cruzar a linha em nono”, explicou Carlos.

Na última volta, Sainz Jr. superou Kvyat em manobra polêmica e cruzou a linha de chegada em nono

Na última volta, Sainz Jr. superou Kvyat em manobra polêmica e cruzou a linha de chegada em nono

Advertisements

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Carlos Sainz Jr., Espanha, Felipe Nasr, Force India, Marcus Ericsson, Max Verstappen, Montmeló, Nico Hulkenberg, Sauber, Sergio Pérez, Toro Rosso. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s