China-2015: sorte e regularidade dão oitavo lugar a Felipe Nasr

Nasr, à frente de Maldonado, Ericsson e Verstappen: disputa dura contra Toro Rosso e Lotus

Nasr, à frente de Maldonado, Ericsson e Verstappen: disputa dura contra Toro Rosso e Lotus

Para ser bem-sucedido na Fórmula 1, somente determinação não produz resultados. Uma boa dose de sorte sempre ajuda àqueles que são dedicados. Felipe Nasr comprovou tal tese em Xangai, durante a disputa do GP da China, terceira etapa do Mundial de 2015. Conformado na nona posição, o piloto da Sauber viu Max Verstappen (Toro Rosso) abandonar a quatro voltas do fim da prova chinesa, com problemas de motor. Sem o holandês, o brasileiro acabou herdando a oitava colocação. Os quatro pontos conquistados no último domingo somaram-se aos 10 obtidos com o quinto lugar no GP da Austrália, em Melbourne, elevando Felipe à sétima colocação do campeonato com 14 pontos. À frente de Nasr, apenas os pilotos das três principais equipes deste ano – Mercedes, Ferrari e Williams. Um promissor início de trajetória na categoria máxima do automobilismo para o brasiliense, que terminou no top 10 em duas das três primeiras corridas de sua carreira.

O brasileiro desembarcou em Xangai ainda sob influência do mau resultado do GP da Malásia, em Sepang, onde terminou em 12º. Na largada da prova malaia, Nasr se envolveu em um incidente com Kimi Raikkonen (Ferrari), que colocou-o no fim do pelotão. “Aquele foi um fim de semana conturbado para mim desde o início. E foi uma grande lição para todos. Tanto do meu lado quanto do lado da equipe”, afirmou. “Mesmo com toda essa confusão e os numerosos problemas, se olharmos o resultado, o 12º lugar não foi tão ruim. É claro que não é isso que queremos, mas é também apenas a segunda corrida da temporada, temos muito de percorrer ainda”, declarou. Ao comparar o cenário malaio com o chinês, Felipe foi categórico. “As condições são distintas. Acho que o calor não nos ajudou na Malásia, mas aqui na China é outro clima, então acredito que será melhor”.

Durante todo o fim de semana, Felipe demonstrou bom desempenho e foi mais rápido que Marcus Ericsson

Durante todo o fim de semana, Felipe demonstrou bom desempenho e foi mais rápido que Marcus Ericsson

De fato, o brasiliense tinha razão. No primeiro dia de treinos, na sexta-feira, em Xangai, Nasr mostrou-se adaptado ao circuito chinês e obteve o oitavo melhor tempo, com 1m39s032 – a 1s813 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido das duas sessões livres com 1m37s219, e 0s719 à frente de Marcus Ericsson (Sauber), 13º com 1m39s751. “Foi um bom dia para a gente. Estou satisfeito, já que corrigimos os problemas que tivemos na Malásia. As atualizações que trouxemos parecem funcionar bem. Precisamos ter certeza de que faremos um bom trabalho na classificação (sábado) e encontrar um ajuste adequado para a corrida (domingo). Acho que temos uma boa chance de marcar pontos novamente”, afirmou o brasileiro.

No sábado, a Sauber repetiu a ótima forma do dia anterior e, pela primeira vez em 2015, colocou seus dois carros no Q3. Em sua primeira participação na sessão decisiva da qualificação, Nasr anotou 1m38s067 e assegurou o nono lugar no grid, 0s091 à frente de Ericsson, 10º com 1m38s158. A pole ficou com Hamilton, que marcou 1m35s782 – 2s285 mais rápido que o brasileiro. Após os treinos, Felipe revelou satisfação com a performance do modelo C34. “Foi ótimo para a equipe colocar os carros no Q3. Eles tiveram o ritmo que esperávamos aqui. Iso nos dá confiança para a prova de amanhã (domingo). Espero que possamos pontuar novamente, e farei o meu melhor para terminar a corrida entre os dez primeiros”.

Felipe se aproveitou dsa péssima largada de Daniel Ricciardo (Red Bull) e contornou a primeira curva em oitavo

Felipe se aproveitou da péssima largada de Daniel Ricciardo (Red Bull) e contornou a Curva 1 em oitavo

A corrida

Apesar do clima ameno, o sol brilhou em Xangai no domingo, 12 de abril de 2015, para a disputa do GP da China. Nono no grid, Nasr se aproveitou da péssima largada de Daniel Ricciardo (Red Bull) para contornar a curva 1 em oitavo lugar. Na volta 5, o brasileiro deixou de ser perseguido por Marcus Ericsson, que foi ultrapassado por Pastor Maldonado (Lotus). Com um carro que se adaptou bem ao circuito chinês, o venezuelano partiu para cima de Felipe. Mesmo combativo, o calouro não resistiu a Maldonado, sendo ultrapassado na volta 8. Com os pneus macios desgastados, o brasiliense foi o primeiro a fazer seu pit stop, na volta 10. Com os compostos médios, retornou à pista em 16º. A partir daí, precisou esperara parada dos adversários para retornar à zona de pontuação.

Com a ida aos boxes de Sergio Pérez (Force India), na volta 11, Nasr subiu para 15º. Com os pit stops de Max Verstappen (Toro Rosso) e de Fernando Alonso (McLaren), na 13, o brasileiro assumiu o 13º lugar. Na passagem seguinte, foi a vez de Jenson Button (McLaren) realizar sua parada, fazendo com que Felipe assumisse o 12º posto. Na volta 15, o novato da Sauber recuperou um lugar no top 10 depois de Ericsson e Ricciardo ingressarem nos boxes. Com o abandono de Daniil Kvyat (Red Bull), na 16, o brasiliense retomou a nona posição. Contudo, a partir dali, passava a sofrer com a pressão de Verstappen. Sem dificuldades, o holandês superou o brasileiro, que caiu para 10º.

Nasr tentou de todas as formas segurar Maldonado, mas a Lotus do venezuelano era superior em Xangai

Nasr tentou de todas as formas segurar Maldonado, mas a Lotus do venezuelano era superior em Xangai

Após ser ultrapassado por Max, Felipe viu o garoto de 17 anos sumir à sua frente. Em contrapartida, o brasileiro mantinha uma boa diferença para Pérez, o 11º. Nasr se manteve em 10º até a volta 32, quando realizou sua segunda e definitiva parada nos boxes. A Sauber optou por mantê-lo com pneus médios, a fim de que não parasse mais. Com compostos novos, o piloto da escuderia suíça retornou à pista em 12º. Na volta 33, Felipe se aproveitou da trapalhada de Maldonado – que escapou do asfalto quando se encaminhava para os boxes – para recuperar o 11º lugar. Com o pit stop de Ricciardo, na 37, o brasiliense se viu mais uma vez entre os 10 primeiros.

Na volta 40, Pérez perdeu rendimento e foi superado por Verstappen e Nasr. A partir de então, Felipe estava consolidado na nona posição. Se por um lado não tinha como atacar Max, por outro, não era incomodado por Ricciardo e Ericsson. A quatro voltas do fim, quando já administrava o resultado, o brasileiro da Sauber se deparou com o Toro Rosso do holandês parado na reta dos boxes de Xangai. Dessa forma, o brasiliense herdava a oitava posição. Na volta 54, o safety car entrou na pista para retirar o bólido de Verstappen. Com a demora do serviço dos fiscais, a bandeira amarela permaneceu até o fim da corrida, na volta 56. Hamilton ficou com a vitória, seguido por Nico Rosberg (Mercedes) e Sebastian Vettel (Ferrari).

Com a quebra de Verstappen, Nasr herdou o oitavo lugar: 14 pontos obtidos em três GPs na carreira

Com a quebra de Verstappen, Nasr herdou o oitavo lugar: 14 pontos obtidos em três GPs na carreira

Depois de cruzar a linha de chegada em oitavo, Nasr foi celebrado pela Sauber. Também pudera: além de passar a ocupar a sétima posição no Mundial de Pilotos, Felipe conduziu o time suíço à quarta colocação na tabela de Construtores, atrás somente de Mercedes, Ferrari e Williams. “Foi um ótimo dia para a equipe, já que ambos os carros pontuaram (Ericsson terminou em 10º em Xangai). Estou muito satisfeito por todos. Não foi uma corrida fácil para nós, lutamos contra Lotus e Toro Rosso, que pareciam ter um ritmo melhor do que o nosso. Quanto a mim, extraí tudo o que podia do carro e também da estratégia, então podemos ficar satisfeitos com este resultado”, concluiu o brasileiro.

Oitavo lugar de Nasr e décimo de Ericsson colocaram a Sauber em 4º nos Construtores, atrás de Mercedes, Ferrari e Williams

Resultado em Xangai colocou a Sauber em 4º nos Construtores, atrás de Mercedes, Ferrari e Williams

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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