Malásia-2015: aos 17 anos, Max Verstappen faz história na F1

Max Verstappen (Toro Rosso) à frente de Daniil Kvyat (Red Bull): holandês tirou recorde que pertencia ao russo

Max Verstappen (Toro Rosso) à frente de Daniil Kvyat (RBR): holandês tirou recorde que pertencia ao russo

Um moleque que sequer possui habilitação para dirigir nas ruas de seu país ingressou num rol histórico da Fórmula 1. Com 17 anos, 5 meses e 29 dias, o holandês Max Verstappen (Toro Rosso) conquistou o sétimo lugar no GP da Malásia, disputado em 29 de março, em Sepang. Demostrando combatividade e sem se intimidar com os experientes rivais, o filho de Jos Verstappen se tornou o mais jovem piloto a pontuar na categoria máxima do automobilismo. Max superou o recorde de precocidade de Daniil Kvyat – com 19 anos, 10 meses e 18 dias, o russo ficou em nono no GP da Austrália de 2014, em Melbourne. Curiosamente, Verstappen sucedeu Kvyat na Toro Rosso. E, coincidentemente, precisou derrotar o antigo detentor da marca. Mesmo com um Red Bull, Daniil não resistiu ao ímpeto de Max no circuito malaio.

Os seis pontos obtidos em Sepang ratificaram o que o ‘circo’ da Fórmula 1 já esperava: a meteórica trajetória de Verstappen seria rapidamente notada pela categoria. Nascido em 30 de setembro de 1997, em Hasselt, na Bélgica, Max se interessou naturalmente pelo automobilismo. Também pudera: o garoto se viu inserido em uma família cujo chefe era piloto. ‘Jos, the Boss’, guiava pela Tyrrell no ano em que Max nasceu. O tempo passou. Em 2003, o pai se retirou da categoria máxima do automobilismo. Seria o fim da linha para a família Verstappen nas pistas? Negativo. Jos passou a acompanhar o filho no kart, categoria na qual Max havia estreado em 2002, com pouco mais de 4 anos de idade. O garoto permaneceu nos carrinhos até 2013, obtendo diversas vitórias em competições na Bélgica, na Holanda e na Europa.

Filho de Jos Verstappen, Max corria de kart até o fim de 2013: menino-prodígio

Filho de Jos Verstappen, Max corria de kart até o fim de 2013: menino-prodígio se destacou na F3 Europeia

Em outubro de 2013, Max iniciou trajetória nos monopostos, ao treinar com carros da Fórmula Renault e da Fórmula 3. Em 2014, assinou contrato para participar do Campeonato Europeu de Fórmula 3. Em sua única temporada, venceu 10 corridas e assegurou o terceiro lugar na tábua de classificação. Além disso, triunfou no Masters F3 de Zandvoort, uma das mais tradicionais provas da categoria.  O promissor desempenho levou a Red Bull a assinar contrato com o holandês para seu programa de desenvolvimento. Surpreendentemente, em agosto de 2014, Max foi anunciado para defender a Toro Rosso como titular em 2015. Tinha apenas 16 anos quando seu nome figurou como substituto do russo Daniil Kvyat – que sucederia Sebastian Vettel na Red Bull. A falta de experiência do adolescente gerou desconfiança e curiosidade no mundo da Fórmula 1.

Os holofotes estavam voltados para Verstappen quando alinhou seu Toro Rosso no grid do GP da Austrália de 2015, em Melbourne. O holandês se tornava o mais jovem piloto a figurar numa etapa do Mundial, com 17 anos, 5 meses e 15 dias. Contudo, sua estreia durou 32 voltas – um problema no motor o fez abandonar. Em contrapartida, seu companheiro de equipe, o também calouro Carlos Sainz Jr., terminou a prova em nono. Para marcar terreno diante do espanhol, Max estava decidido a reagir dali a duas semanas. Justamente em uma pista desconhecida – pela primeira vez, Verstappen pisava em Sepang, palco do GP da Malásia. O novato ignorou o fato e tratou de acelerar na sexta, dia dos primeiros treinos para a etapa malaia. No fim das duas sessões livres, Max conquistou o oitavo tempo, com 1m41s220, a 1s430 de Lewis Hamilton (Mercedes), o mais rápido com 1m39s790.

Em Melbourne, Verstappen viu seu companheiro Carlos Sainz Jr. pontuar na estreia.: troco viria em Sepang

Em Melbourne, Verstappen viu seu companheiro Carlos Sainz Jr. pontuar na estreia: troco viria em Sepang

“Foi um bom começo para o fim de semana, já que usei o primeiro treino para conhecer a pista e fui com calma, pois esta é a minha primeira vez correndo neste circuito. Não é fácil administrar os pneus aqui, porque é bastante úmido, mas foi uma manhã sem problemas. Para a tarde, fizemos algumas alterações e fiquei satisfeito com o equilíbrio do carro. Há ainda algum espaço para melhorar, mas o dia em geral foi muito bom”, disse Verstappen, que superou Sainz Jr. em mais de 1s – o espanhol anotou 1m42s291, ficando em 14º na sexta.

No sábado, a meteorologia previa chuva durante a sessão oficial. Em pleno Q2, a água veio forte, tornando o treino numa loteria. Verstappen se beneficiou com a pista molhada, e assegurou um lugar no Q3 pela primeira vez na carreira. Na fase final da qualificação, Max se impôs com habilidade, levando a Toro Rosso ao sexto lugar no grid de Sepang, para delírio dos membros do time de Faenza. “Estou muito feliz, foi uma boa sessão, principalmente o Q3. No Q1 e o Q2, eu não estava totalmente confortável com o carro, mas tivemos um bom final de Q2. Eu sorri quando começou a chover, porque é o que eu gosto. Sou holandês, portanto estou acostumado a pilotar no molhado”, observou o adolescente, que anotou 1m51s981, a 2s147 de Hamilton, pole com 1m49s834.

O jovem holandês deu um show à parte na qualificação: sexto lugar no grid iguala melhor desempenho do pai

O jovem holandês deu um show à parte no sábado: sexto lugar no grid igualou melhor desempenho do pai

À Reuters, o garoto sentenciou que se lembrou dos tempos do kart para alcançar o top 6. “As linhas eram como no kart. Na hora de frear, você sai um pouco da linha, mas depois passa por dentro da curva. Eu fiz exatamente isso. Tinha apenas três voltas, então não tive muito tempo para ver por onde estava indo. Deu certo”, afirmou o calouro que, de quebra, igualou o melhor resultado da carreira de seu pai, que alcançou o auge num treino também numa sessão chuvosa, ao largar em sexto no GP da Bélgica de 1994, em Spa-Francorchamps, a bordo de um Benetton. “Estou muito orgulhoso disso. Ele tem tudo para fazer muito mais do que eu na carreira”, disse Jos à Reuters, após o feito de Max.

Para o GP da Malásia, a expectativa do holandês era de pontuar. Verstappen estava consciente de que estava a um dia de entrar para a história da Fórmula 1. “O sexto lugar é uma boa posição de largada. Estou ansioso pela corrida, e apesar de aparentemente estarmos enfrentando algumas dificuldades em trechos mais longos, não estou preocupado e espero que consigamos pontuar”.

Na largada, Max Verstappen foi cauteloso e perdeu três posições

Na largada do GP da Malásia, Max Verstappen foi cauteloso e perdeu posições para Massa, Hulk e Ericsson

A corrida

Quando as luzes vermelhas se apagaram no domingo, em Sepang, Max partiu de forma cautelosa. Com pneus médios, o holandês da Toro Rosso se viu superado por Felipe Massa (Williams), Nico Hulkenberg (Force India) e Marcus Ericsson (Sauber), caindo para o nono lugar na volta 1. Na passagem seguinte, Verstappen foi ultrapassado por Romain Grosjean (Lotus), ficando em 10º. Com dificuldades, o novato acabou perdendo lugar na zona de pontos justamente para Sainz Jr. na volta 4. Entretanto, na mesma passagem, Ericsson abandonou a prova após rodada. Ao deixar seu Sauber em posição perigosa, o sueco provocou a entrada do safety car na pista. A bandeira amarela foi um alento para Max, que foi para os boxes e ‘calçou’ pneus duros.

A mudança de estratégia foi fundamental para Verstappen. Quando a relargada foi dada, na volta 7, o holandês estava em 10º. Na passagem seguinte, superou Sergio Pérez (Force India) e assumiu o nono lugar. Ali permaneceu até a volta 10, quando passou a sofrer com a pressão de Valtteri Bottas (Williams). Max lutou com todas as armas possíveis, mas não resistiu ao finlandês e seu melhor equipamento, retornando para o 10º posto na volta 11. Com a parada de Sainz Jr. na volta 14, Verstappen recuperou a nona posição. Na passagem seguinte, Hulkenberg e Grosjean realizaram seus primeiros pit stops, o que alçou o calouro da Toro Rosso para a sétima colocação. Naquele instante, Max se viu próximo de Daniel Ricciardo (Red Bull). Na volta 17, o holandês não se intimidou e ultrapassou o australiano, assumindo o sexto lugar.

Após a bandeira amarela, desempenho de Verstappen melhorou: mudança de estratégia rendeu sétimo lugar

Após a bandeira amarela, desempenho de Verstappen melhorou: mudança de estratégia rendeu pontos

Na volta 21, Verstappen fez seu segundo pit stop. No retorno à pista, estava na longínqua 13ª posição. Com as paradas de Daniil Kvyat (Red Bull) e Jenson Button (McLaren) na passagem seguinte, Max subiu para 11º. Na 23, Max voltou a se deparar com Ricciardo. Novamente, o calouro superou o australiano, que enfrentava problemas nos freios de seu Red Bull. Na volta seguinte, foi a vez do holandês ultrapassar Hulkenberg, assumindo o nono lugar. Com o pit stop de Bottas, na 26, Verstappen ascendeu para o oitavo posto. Na volta seguinte, Grosjean retornou aos boxes, e o novato recuperou a sétima colocação. Após a nova parada de Sainz Jr., na 30, Max reassumiu o sexto lugar.

Apesar de estar no top 6, Verstappen se via novamente pressionado por Bottas. Novamente, o holandês fez de tudo para barrar o ímpeto do finlandês. Valtteri estava com pneus recém-colocados, enquanto Max tinha seus compostos já desgastados. Na volta 34, o piloto da Williams ultrapassou o calouro da Toro Rosso, que caiu para sétimo. Após lutar bravamente com Bottas, Verstappen realizou sua definitiva parada nos boxes na volta 41. Ao retornar à pista, o novato estava em oitavo, atrás de Sainz Jr.. Como Carlos realizou eu derradeiro pit stop na volta 48, Max reassumiu o sétimo lugar. À frente do holandês, apenas os pilotos das três melhores equipes da temporada – Ferrari, Mercedes e Williams.

Verstappen só foi superado pelas duplas de Ferrari, Mercedes e Williams

Em Sepang, Verstappen só foi superado pelas duplas de Ferrari, Mercedes e Williams

A vitória no GP da Malásia ficou com Sebastian Vettel (Ferrari), seguido por Lewis Hamilton (Mercedes) e Nico Rosberg (Mercedes). Na mesma volta de Vettel, veio Verstappen, em êxtase após obter seus primeiros pontos. “Estou muito feliz. Creio que fizemos um ótimo trabalho como equipe. As primeiras voltas foram um pouco complicadas, eu estava enfrentando dificuldades com os pneus médios, portanto paramos cedo para colocar os duros e isso funcionou perfeitamente, o carro estava ótimo. Tivemos algumas boas disputas com outros competidores, foi divertido. A estratégia foi correta e fizemos um ótimo trabalho no gerenciamento dos pneus”, analisou Max, que não só derrotou Sainz Jr., oitavo em Sepang, como inseriu seu nome na história da Fórmula 1.

Membros da Toro Rosso saudaram Verstappen: time de Faenza obteve 7º lugar com Max, e 8º com Sainz Jr.

Membros da Toro Rosso saudaram Verstappen: time de Faenza obteve 7º lugar com Max, e 8º com Sainz Jr.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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