Brasil-2014: Hulk volta a liderar em Interlagos e leva 8º lugar

Hulkenberg contorna o S do Senna na liderança, à frente de Rosberg: piloto da Force India ponteou por 5 voltas

Hulkenberg contorna o S do Senna à frente de Rosberg: piloto da Force India liderou por 5 voltas

No dia 9 de novembro, Interlagos viu o desfile absoluto da Mercedes no GP do Brasil de 2014. Nico Rosberg triunfou categoricamente no célebre circuito paulistano, seguido de perto por um combativo Lewis Hamilton. Foi a 11ª dobradinha da dupla do time alemão na temporada, quebrando o recorde histórico da McLaren de 1988 – naquele ano, Ayrton Senna e Alain Prost formaram 1-2 no pódio em 10 oportunidades. A hegemonia de Rosberg e Hamilton durante a etapa brasileira só foi deixada de lado por 5 das 71 voltas da corrida. Em razão da estratégia utilizada pela Force India, Nico Hulkenberg comandou as ações por cerca de 21 km, andando à frente dos pilotos da Mercedes. No fim, com pneus macios, Hulk chegou a ameaçar os ferraristas Fernando Alonso e Kimi Raikkonen na luta pelo sexto lugar, mas teve que se contentar com a oitava posição.

A liderança em Interlagos, apesar de efêmera, foi significativa. Afinal, comprovou o quanto Hulkenberg gosta da pista brasileira. Em 2010, com um Williams, Nico obteve sua primeira pole position da carreira. Em 2012, a bordo de um Force India, o germânico ponteou o GP do Brasil por 30 voltas, e só não conquistou seu primeiro pódio por bater em Hamilton (que, à época, defendia a McLaren). No ano seguinte, o alemão passou a defender a Sauber, e assegurou o top 10 na classificação do Mundial após terminar em oitavo. Por conta das boas performances, o Brasil se tornou especial para Nico, a ponto de se sentir à vontade quando está no país. Antes do início dos treinos no circuito paulistano, o tedesco foi recepcionado por Rubens Barrichello, seu ex-companheiro da época de Williams, para uma disputa de kart na Granja Viana.

Nico se encontrou com Rubens Barrichello antes de acelerar em Interlagos: amigos desde os tempos de Williams

Nico se encontrou com Rubens Barrichello antes do GP do Brasil: amigos desde os tempos de Williams

O encontro com Barrichello foi o único momento de tranquilidade de Hulk em São Paulo. Quando levou seu VJM07 à Interlagos, diversos problemas começaram a aparecer. Com a variação climática no autódromo, equipes e pilotos demoraram para encontrar o acerto dos conjuntos com os pneus trazidos pela Pirelli para o GP do Brasil – a fabricante italiana enviou compostos macios e médios para o fim de semana. Não bastasse isso, a Force India precisou concentrar todos os ajustes para o carro de Nico, uma vez que o espanhol Daniel Juncadella, piloto de testes da escuderia, treinou na primeira sessão livre de sexta-feira e acabou destruindo o carro de Sergio Pérez no Bico de Pato. Dessa forma, o mexicano não participou da segunda sessão livre. No fim do dia, Hulkenberg ficou com o 13º melhor tempo, com 1m13s882, a 1s759 de Nico Rosberg (Mercedes), o mais veloz, com 1m12s123.

“A maioria das previsões disse que seria nublado e úmido, mas foi o oposto. Estava muito quente e ensolarado. Nós até vimos a temperatura da pista em 58ºC, o que se tornou um desafio para gerenciar ambos os compostos de pneus nesta tarde. Poderia ser mais frio no fim de semana, por isso precisamos ter cuidado com as conclusões que iremos tirar hoje (sexta) à noite e na abordagem que tomaremos para amanhã (sábado). No mais, foi um dia bastante simples no meu lado da garagem, e só precisamos fazer os ajustes de desempenho habituais durante esta noite”, avaliou Nico após os treinos de sexta, demonstrando confiança no trabalho dos mecânicos da Force India para a sessão classificatória de sábado.

Durante o fim de semana, o maior desafio de Hulk foi encontrar um acerto para os pneus disponibilizados pela Pirelli

Durante o fim de semana, o maior desafio de Hulk foi encontrar um acerto ideal para Interlagos

Nos treinos que definiriam o grid, ficou perceptível que a Force India não encontrou o acerto ideal para Interlagos. No Q1, Nico precisou baixar da casa de 1m12 para avançar à fase seguinte. Sofrendo com o desequilíbrio do carro após o acidente de Juncadella, Pérez caiu logo na primeira qualificação – com 1m12s076, ficou na 17ª posição. Pior: como foi punido pelo acidente com Adrian Sutil (Sauber) no GP dos Estados Unidos, em Austin, teria de largar em último. Com todas as atenções da Force India, Hulkenberg tratou de acelerar no Q2. Entretanto, apenas um milagre o faria alcançar o treino decisivo – com o passar das provas, o VJM07 se tornou o sexto carro de 2014, atrás de Mercedes, Red Bull, Williams, Ferrari e McLaren. Nico anotou o 12º tempo, com 1m11s976. A pole em Interlagos ficou com o xará Rosberg, que marcou 1m10s023 – 1s953 mais veloz que Hulk.

“Foi um dia bastante tranquilo, na verdade todo o fim de semana tem sido calmo para mim. O problema é que não temos sido tão competitivos quando gostaríamos, e por várias razões, o carro não esteve em harmonia completa com esta pista. Tem sido bem difícil encontrar um ritmo e ser consistente – portanto, dessa perspectiva, o 12º lugar provavelmente era o máximo possível hoje (sábado)”, observou Nico, sabedor do limite de seu carro. Para a corrida, a expectativa era conquistar um top 10. “Amanhã (domingo), acho que podemos lutar por pontos. Quem sabe o tempo provoque uma confusão na corrida?”, vislumbrou.

Em 12º no grid, Hulkenberg manteve a posição após o S do Senna: alemão foi o único dos 12 primeiros a largar com pneus médios

Hulkenberg manteve a 12ª posição na volta 1: com pneus médios, alemão ascendeu na classificação

A corrida

Apesar da torcida de Hulkenberg por chuva, o clima era quente e seco em 9 de novembro de 2014. Neste domingo, 18 carros partiram para a largada do GP do Brasil, em Interlagos. Ao apagar das luzes vermelhas, os pilotos se espremeram para contornar o S do Senna e a Curva do Sol, numa descida em sequência. Apenas na Reta Oposta, foi possível constatar qual a situação de prova dos competidores. Calçando pneus médios, Nico se manteve em 12º. Entretanto, por ser o primeiro do pelotão com esse tipo de composto – os 11 primeiros estavam com macios -, seria natural que o alemão ganhasse posições. Com a alta temperatura da pista, logo os primeiros pilotos pararam nos boxes. Na volta 6, Felipe Massa (Williams) e Sebastian Vettel (Red Bull) fizeram seus pit stops. Dessa forma, Hulk ingressou na zona de pontuação, na 10ª colocação.

Após as paradas de Valtteri Bottas (Williams), Jenson Button (McLaren), Fernando Alonso (Ferrari) e Daniel Ricciardo (Red Bull), todas na volta 7, Nico ascendeu para a sexta posição. Na passagem seguinte, foi a vez de Nico Rosberg (Mercedes), Kevin Magnussen (McLaren), Esteban Gutiérrez (Sauber) e Kimi Raikkonen (Ferrari) pararem nos boxes, fazendo com que Hulkenberg assumisse o segundo lugar. Quando Lewis Hamilton realizou seu pit stop, na volta 9, o alemão da Force India assumiu a liderança em Interlagos. Pela primeira vez desde o GP da China de 2013, em Xangai, Nico sentia o sabor da primeira posição em uma corrida. Como em 2012, Hulk acelerava um Force India na ponta. Porém, diferentemente do que havia ocorrido dois anos antes, a situação seria temporária. Consciente disso, o germânico tratou de aproveitar os momentos como líder.

Hulk, à frente de Hamilton, na batalha pelo segundo lugar:  estratégia colocou Nico entre os primeiros

Hulk, à frente de Hamilton, na batalha pelo segundo lugar: estratégia colocou Nico entre os primeiros

Na volta 10, Hulkenberg tinha confortável diferença para Daniil Kvyat (Toro Rosso). Assim como o alemão da Force India, o jovem estreante havia optado por largar com pneus médios. Entretanto, Kvyat já sofria pressão de Rosberg, que por sua vez era perseguido por Hamilton. Na passagem seguinte, o alemão da Mercedes superou o russo da Toro Rosso e partiu para cima do líder. Na 12, Daniil não resistiu a Lewis e caiu para o quarto lugar. Dessa forma, Rosberg e Hamilton se aproximaram de Hulkenberg. Ficar na ponta era impossível. Na volta 14, no duelo entre os alemães Nicos, Rosberg usou o melhor equilíbrio de seu bólido e ultrapassou Hulkenberg na freada do S do Senna. Os compostos médios do alemão da Force India começavam a entrar em colapso. Ao perder o segundo lugar para Lewis, na volta 16, Hulk partiu para os boxes. No retorno, se viu em 15º.

A partir de então, a estratégia de corrida de Nico estava bem definida. Com stints longos, o germânico ocuparia com frequência a zona de pontuação da etapa de Interlagos. Após as paradas de Kvyat e de Adrian Sutil (Sauber), na volta 19, Hulkenberg assumiu o 13º lugar. Ali permaneceu até a volta 25, quando Vettel e Romain Grosjean (Lotus) foram para os boxes. Com isso, Nico avançou para 11º. Na passagem seguinte, Massa realizou seu segundo pit stop, o que reconduziu Hulk ao top 10. Na 27, foi a vez de Bottas, Magnussen e Gutiérrez se encaminharem aos pits. Desse modo, o alemão da Force India passou a figurar em sétimo. Button e Ricciardo foram aos boxes na volta 28, fazendo com que Nico ingressasse no top 5. À sua frente, apenas as duplas de Mercedes e Ferrari.

Depois das paradas dos pilotos da Ferrari, Nico retomou o terceiro lugar. Entretanto, sofreu com o melhor equilíbrio do Williams de Massa

Depois das paradas dos pilotos dos ferraristas, Nico retomou o 3º lugar. Porém, sofreu com Felipe Massa

Com a parada de Alonso, na 29, Hulkenberg assumiu a quarta posição. Porém, passou a ter seu ritmo atrapalhado por Raikkonen, o terceiro. Barrado por Kimi, Nico viu a aproximação de Massa. Quando o finlandês da Ferrari foi aos boxes, na volta 34, Hulk retornou ao terceiro lugar. Entretanto, na passagem seguinte, acabou sendo superado pelo brasileiro da Williams, para delírio da torcida de Interlagos – e lamentação do alemão. Na volta 36, o piloto da Force India parou pela segunda vez. Novamente, a equipe optou pelos pneus médios, o que determinava que Hulkenberg teria de ir aos boxes pela terceira vez, a fim de colocar os compostos macios. No retorno à pista, Nico se viu em 11º, justamente à frente de Raikkonen.

Na volta 39, Ricciardo, com problemas na suspensão de seu Red Bull, abandonou a corrida. Além disso, Kvyat foi para os boxes. Sem o australiano e o russo, Hulk recuperou o nono lugar. Com a parada de Bottas, na volta 42, o alemão da Force India assumiu o oitavo posto. Cinco voltas depois, o germânico ascendeu para sétimo, graças ao pit stop de Magnussen. Na volta 49, Vettel realizou sua terceira troca, e Nico ganhou a sexta posição. Com os pit stops de Massa e Button, na volta 51, Hulkenberg passou para a quarta posição. Duas voltas depois, Alonso seguiu para os boxes, e o tedesco se viu em terceiro. Entretanto, era mais uma vez perseguido por Massa. Com pneus mais novos e carro equilibrado, o brasileiro não tomou conhecimento do adversário, ultrapassando Hulk na volta 54. A partir daí, Nico perdeu contato com Felipe, mas seguiu à frente de Raikkonen.

Hulkenberg precisou ir aos boxes a 10 voltas do fim para colocar os pneus macios: após o pit stop, alemão voou em Interlagos

Hulk foi aos boxes a 10 voltas do fim para colocar os pneus macios: após o pit stop, alemão voou em Interlagos

Hulkenberg estava consolidado em quarto. Todavia, era obrigado a fazer mais um pit stop. Na volta 61, foi para os boxes para, enfim, utilizar os pneus macios. Quando saiu do pit, o alemão da Force India ocupava o nono lugar. A 10 voltas do fim, teria de acelerar muito para alcançar mais pontos. E foi o que fez. Num forte ritmo, o germânico alcançou Magnussen e tomou o oitavo lugar do dinamarquês da McLaren na volta 67. Naquele instante, Raikkonen e Alonso travavam uma feroz disputa pela sexta posição. Nico se aproveitou do duelo ferrarista para colar em Kimi e Fernando. Na volta 70, a duas do fim, Hulkenberg fez a terceira melhor volta da corrida, com 1m13s728, atrás somente de – adivinhe – Hamilton (1m13s555) e Rosberg (1m13s619). Apesar de acelerar tudo, Nico não conseguiu ultrapassar o finlandês, recebendo a bandeirada em oitavo.

A vitória no GP do Brasil ficou com Rosberg, seguido por Hamilton e Massa. Contudo, Hulkenberg deixou Interlagos mais uma vez satisfeito. Afinal, das 43 voltas lideradas em sua trajetória até aqui, 35 foram no circuito paulistano – 5 na corrida de 2014 e 30 na de 2012, além de 8 voltas no GP da China de 2013, em Xangai. “Foi uma corrida divertida. Com três paradas, você força o tempo todo. Também tive algumas boas batalhas. O carro estava melhor hoje (domingo) do que no início do fim de semana, então me senti mais confortável. A equipe tomou as decisões corretas em termos de estratégia, e maximizamos a performance dos pneus na alta temperatura. Terminei logo atrás das duas Ferraris, e com mais uma ou duas voltas, talvez poderia ter chegado em sexto ao invés de oitavo, mas assim são as corridas”, resumiu o alemão da Force India.

Apesar de andar no limite, Hulkenberg não conseguiu superar Raikkonen e Alonso

Apesar de andar no limite, Hulkenberg não conseguiu superar Raikkonen e Alonso

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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