EUA-2014: Maldonado desencanta e pontua com a Lotus

Pela primeira vez, um número 13 pontuou na história da F1: justamente no fim de semana de Halloween nos EUA...

Pela primeira vez, um número 13 pontuou na história da F1: Pastor foi 9º no fim de semana de Halloween

Quando deixou a Williams para se transferir para a Lotus, Pastor Maldonado imaginou estar dando um passo adiante em sua carreira. Dono de uma vitória na Fórmula 1 – obtida com autoridade no GP da Espanha de 2012, em Montmeló -, o venezuelano queria esquecer a temporada de 2013, quando conquistou somente um ponto, após o 10º lugar no GP da Hungria, em Hungaroring. A falta de resultados na equipe de Frank Williams fez com que Pastor, com respaldo dos petrodólares da PDVSA (estatal petrolífera de seu país), rumasse em 2014 para Enstone, onde substituiu Kimi Raikkonen no cockpit do bólido preto e dourado. As expectativas de Maldonado eram as melhores possíveis, uma vez que sua nova escuderia havia conquistado 14 pódios em 2013, sendo oito com Raikkonen e seis com Romain Grosjean. Contudo, para o azar do venezuelano, a Lotus tem sido a maior decepção do ano. O modelo E22 foi um projeto malconcebido, e, somado à falta de potência dos motores Renault, tem se rastejado pelos circuitos mundo afora.

Ao chegar em Austin para a disputa do GP dos Estados Unidos, 17ª etapa do Mundial de 2014, a Lotus tinha somente oito pontos na classificação dos Construtores. Todos foram conquistados por Grosjean, que obteve dois oitavos lugares nos GPs da Espanha, em Montmeló, e de Mônaco, no circuito de rua do Principado. Por sua vez, Pastor havia disputado 16 provas, tendo como melhores resultados três 12º lugares. Decepcionado com a baixa competitividade do E22, Maldonado viu na etapa texana uma chance de pontuar. Graças às desistências de Marussia e Caterham, por problemas financeiros, a prova norte-americana teve apenas 18 carros. Além disso, Sebastian Vettel (Red Bull), Jenson Button (McLaren) e Daniil Kvyat (Toro Rosso) perderiam posições no grid, fazendo com que aumentassem suas chances de uma boa posição de largada. A junção desses fatores rendeu um proveitoso fim de semana: o venezuelano largou pela primeira vez no ano entre os 10 primeiros e marcou seus primeiros pontos no ano ao ficar em nono.

Maldonado pensava em dar um passo adiante ao acertar com a Lotus: ledo engano

Maldonado pensava em dar um passo adiante ao acertar com a Lotus: ledo engano

Os dois pontos de Pastor encerraram dois jejuns de pontos. Havia quase seis meses que a Lotus não alcançava a zona de pontuação, e mais de um ano que o sul-americano não figurava no top 10. O resultado foi alentador para Maldonado, que, antes da prova, dizia já pensar em 2015 – o venezuelano seguirá na equipe de Enstone na próxima temporada. “Ainda temos corridas em 2014, então é a prioridade, mas não é segredo que estamos vislumbrando 2015 com muita animação. Muitas mudanças serão feitas no carro, e o time está otimista sobre o potencial do chassi”, contou o venezuelano. Nos primeiros treinos em Austin, na sexta-feira, a escuderia de Enstone utilizou novas asas dianteiras, já tendo em vista o próximo campeonato. Apesar dos novos apêndices, Pastor ficou com o 15º tempo do dia, ao anotar 1m41s158. Grosjean esteve um pouco melhor, anotando 1m41s054 e ficando com o 12º lugar. A melhor marca do dia foi de Lewis Hamilton (Mercedes), com 1m39s085, 2s073 à frente de Maldonado.

No sábado, a situação melhorou para a Lotus. Com o E22 adaptado às curvas de alta velocidade, tanto Pastor como Romain tiveram bons momentos no treino livre. Na sessão classificatória, porém, o francês acabou fazendo o pior tempo do Q1, sendo eliminado logo no início. O venezuelano, por sua vez, conseguiu avançar para o Q2, e por muito pouco não alcançou o Q3 – fez o 11º tempo, com 1m38s467. Foi a melhor classificação de Maldonado em 2014, enchendo o sul-americano de confiança para a corrida norte-americana. “O carro parece mais sólido e equilibrado do que nas últimas corridas. Sabemos que somos melhores em pistas com curvas velozes – como Montmeló – e acho que ainda há mais velocidade no carro. Na minha volta no Q2, cometi um pequeno erro na penúltima curva, o que teria me dado outro décimo, e assim teríamos passado para a Q3. Estamos bem posicionados para amanhã (domingo). Creio que temos uma boa chance de pontuar, esse será o nosso principal foco”, afirmou após o treino oficial.

O venezuelano da Lotus saiu em 10º no grid após punição dada a Button

O venezuelano saiu em 10º após punição dada a Jenson Button: acidente na volta 1 fez entrar o safety car

A corrida

O sol brilhou forte em Austin no domingo, 2 de novembro de 2014. O belo cenário era propício para a disputa do GP dos Estados Unidos. Quando as luzes vermelhas se apagaram, 18 carros partiram para a primeira curva, feita no alto de um aclive, à esquerda. Devido à punição dada a Jenson Button (McLaren), Maldonado saiu em 10º no grid. No lado sujo da pista, Pastor caiu duas posições logo na Curva 1. No decorrer da volta inicial, um choque entre Sergio Pérez (Force India) e Adrian Sutil (Sauber) tirou os dois da corrida. Com os detritos deixados pela dupla, a direção da prova providenciou a entrada do safety car. Após a limpeza da pista, a relargada foi dada na volta 4. Com as paradas de Kevin Magnussen (McLaren) e de Nico Hulkenberg (Force India) durante a bandeira amarela, o venezuelano da Lotus se viu na oitava colocação.

Sem ritmo para poder acompanhar Kimi Raikkonen (Ferrari), Maldonado tratou de se segurar à frente de Jean-Eric Vergne (Toro Rosso). Pastor se manteve no top 8 até a volta 14, quando foi iniciada a primeira sessão de parada dos boxes. Com o pit stop de Felipe Massa (Williams) e de Daniel Ricciardo (Red Bull), na volta 15, o sul-americano passou a ocupar a sexta posição. Entretanto, na passagem seguinte, a Lotus chamou Maldonado para sua parada. Além de fazer a troca de pneus, Pastor foi obrigado a pagar punição de 5s por ‘excesso de velocidade atrás do carro de segurança’. Ou seja: uma ‘tola novidade’ da FIA. Como o venezuelano sempre se viu envolvido em confusões, acabou sendo punido pelo histórico. No retorno à pista, o sul-americano estava na 16ª e última posição da corrida.

Pastor fez duas paradas em Austin: na 1ª, pagou punição de 5s; na 2ª excedeu o limite de velocidade e foi punido

Pastor fez duas paradas em Austin: na 1ª, pagou punição de 5s; na 2ª excedeu o limite de velocidade

Com o abandono de Hulkenberg, na volta 17, Maldonado subiu para o 15º lugar. Na volta 20, o venezuelano ganhou mais uma posição após a parada de Esteban Gutiérrez (Sauber. Duas voltas depois, foi a vez de Kvyat ir aos boxes. Com o pit stop do russo, o piloto da Lotus ascendeu para o 13º posto. Na volta 27, Sebastian Vettel (Red Bull) e Raikkonen foram para os boxes, fazendo com que Pastor alcançasse o 11º lugar. Na passagem seguinte, Magnussen realizou novo pit stop, e Maldonado retornou ao top 10. Com as paradas de Button, na 29, e de Romain Grosjean (Lotus) e de Vergne, na 30, Pastor assumiu a sétima posição, à frente de Raikkonen. Todavia, os pneus começavam a se desgastar, e o ritmo do sul-americano caiu. Na volta 36, o venezuelano realizou seu segundo pit stop. Porém, novo problema: na ansiedade de retornar à pista, Maldonado excedeu o limite de velocidade no pit lane.

Ao voltar à pista, Pastor ocupava a 14ª posição. Quatro voltas depois, após analisar a irregularidade cometida pelo piloto da Lotus, a direção de prova puniu novamente o venezuelano em 5s. Desta vez, poderia acrescer esse tempo à classificação final da corrida. Nesse momento, pontuar parecia quase impossível. Mas Maldonado foi lá e pisou fundo. Com a parada de Kvyat, na volta 42, o sul-americano assumiu o 13º lugar. Na passagem seguinte, Raikkonen fez novo pit stop, e o venezuelano superou o finlandês para ficar em 12º. Após mais uma ida aos boxes de Vettel, na volta 49, Pastor se viu em 11º. Nesse momento, se via atrás de um pelotão formado por Magnussen, Button, Grosjean e Vergne. Logo, para pontuar, não precisava apenas ultrapassá-los na pista: abrir distância dos adversários era preciso.

Maldonado terminou o GP à frente de Vergne: punição ao francês rendeu nono lugar ao venezuelano

Maldonado terminou o GP à frente de Vergne: punição ao francês rendeu nono lugar ao venezuelano

Na volta 50, após uma ultrapassagem pra lá de forçada de Vergne sobre Grosjean, o francês acabou escapando da pista. Dessa forma, Maldonado retornou ao 10º posto. Três voltas depois, o venezuelano da Lotus alcançou Button, superando o inglês da McLaren para ocupar o nono lugar. Contudo, na volta 54, Pastor não resistiu a Vettel, que havia colocado pneus novos e voava sobre os rivais. Dessa forma, o sul-americano voltou à 10ª posição. Na passagem seguinte, Sebastian ultrapassou Vergne e Magnussen, e Maldonado tentou acompanhar o alemão da Red Bull. Na volta 56, em bela manobra, Pastor passou Jean-Eric e assumiu o nono lugar. Todavia, aquela era a última volta, e foi impossível tirar de Kevin o oitavo posto.

Como foi punido com o acréscimo de 5s ao seu tempo de corrida, o venezuelano perderia o nono lugar para Vergne. Todavia, o francês também foi punido em 5s por tirar o compatriota Grosjean da pista. Dessa forma, Maldonado ficava com o nono lugar. A vitória no GP dos Estados Unidos ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), seguido por Nico Rosberg (Mercedes) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Porém, quem também ficou com motivos para sorrir após a prova de Austin foi o venezuelano, que celebrou seu primeiro top 10 de 2014. “Pontuar foi como tirar um peso dos ombros. A estratégia foi ótima e a velocidade do carro estava surpreendentemente boa. Estávamos focados, mantendo o ritmo e gerenciando os pneus. Perdíamos terreno nas curvas de baixa, mas éramos competitivos nas de média e alta. Isso nos permitia recuperar o tempo perdido nas curvas lentas. Ultrapassar foi desafiador por causa da falta de velocidade nas retas, mas ainda lutamos por posições com pilotos da McLaren e da Toro Rosso, o que foi ótimo”, comemorou.

Pastor exaltou o ritmo da Lotus: à frente de Kimi Raikkonen (Ferrari), sul-americano travou bons duelos contra McLaren e Toro Rosso

Bom ritmo da Lotus: à frente de Raikkonen (foto), Pastor travou bons duelos contra McLaren e Toro Rosso

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Austin, Daniil Kvyat, Estados Unidos, Force India, Jean-Eric Vergne, Lotus, Nico Hulkenberg, Pastor Maldonado, Romain Grosjean, Sergio Pérez. ligação permanente.

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