Rússia-2014: Pérez vence duelo contra Massa e garante top 10

Sergio Pérez (Force India) segurou Felipe Massa (Williams) por 33 voltas e assegurou um ponto em Sochi

Sergio Pérez (Force India) segurou Felipe Massa (Williams) por 33 voltas e assegurou um ponto em Sochi

Em 12 de outubro de 2014, a Fórmula 1 promoveu sua primeira prova em solo russo. Foi no belíssimo Autódromo de Sochi onde aconteceu a edição inaugural do GP da Rússia. Apesar de suntuoso, o circuito se revelou monótono para quem acompanhou a corrida, proporcionando um sonolento espetáculo. Sergio Pérez (Force India) foi um dos que se aproveitaram da ausência de pontos de ultrapassagem na pista para garantir o 10º lugar. O mexicano usou a potência do motor Mercedes para segurar Felipe Massa (Williams) por impressionantes 33 voltas, apesar do maior equilíbrio do carro do brasileiro. No fim, Checo levou para casa um suado – e merecido – pontinho, sendo o único a se infiltrar no meio das cinco grandes equipes de 2014 – Mercedes, Williams, Red Bull, Ferrari e McLaren. De quebra, superou seu companheiro, Nico Hulkenberg, na corrida.

Quando desembarcou em Sochi, a categoria máxima do automobilismo ainda estava em choque com o grave acidente sofrido por Jules Bianchi (Marussia), no dia 5 de outubro, no GP do Japão, em Suzuka. Todos os pilotos colocaram um adesivo no capacete em referência ao francês, com a hashtag #JB17, distribuído pelo compatriota de Bianchi, Jean-Eric Vergne (Toro Rosso). Com a menção e o pensamento voltados a Jules, o ‘circo’ ingressou na pista russa pela primeira vez na sexta-feira, quando foram realizados dois treinos livres. Em sua primeira experiência com o circuito, Pérez ficou apenas com o 14º tempo do dia, com 1m42s090. O mexicano ficou 0s413 atrás de Hulkenberg, 12º com 1m41s677, e 3s460 de Lewis Hamilton (Mercedes), que anotou a melhor marca com 1m39s630.

No capacete de Pérez, acima da viseira, um adesivo com a hashtag #JB17, em menção a Jules Bianchi

No capacete de Pérez, acima da viseira, um adesivo com a hashtag #JB17, em menção a Jules Bianchi

Para Checo, retornar ao cockpit foi o melhor remédio para aliviar a tensão causada pelo acidente de Bianchi. “Foi bom para ir para a pista e tirar a nossa mente da semana muito difícil que passamos”, afirmou. Segundo o asteca, apesar do desempenho satisfatório no primeiro dia em Sochi, a Force India obteve dados importantes para encontrar o equilíbrio ideal para o VJM07. “Diria que hoje (sexta-feira) foi um bom começo para o nosso fim de semana. Conseguimos completar quase todo o nosso programa. A pista tem um layout muito bom e os pneus opcionais em particular funcionam muito bem aqui. O circuito parece ser muito exigente em termos de combustível, o que terá implicações para a estratégia”.

No sábado, Sergio tinha como objetivo avançar para o Q3. Para isso, tinha como obrigação superar Hulk, que havia trocado a caixa de câmbios e perderia cinco posições no grid. A dupla alcançou o Q2, mas ali ficou: o alemão anotou o 12º tempo, com 1m40s058, e o mexicano, o 13º, com 1m40s163. A marca deixou Pérez bastante decepcionado. “Foi triste perder um lugar no Q3, porque as diferenças foram muito pequenas. Minha primeira volta na Q2 foi boa, mas cometi alguns erros na segunda tentativa que me custaram dois décimos e um lugar entre os dez primeiros. Creio que vamos largar basicamente onde esperávamos, então a meta será progredir e alcançar uma posição melhor na prova de amanhã (domingo). Em termos de estratégia, não esperamos grandes surpresas. Ultrapassar não vai ser fácil, portanto a largada e as primeiras voltas podem ter uma grande influência no resultado final”, analisou o asteca.

Na largada, Nico Rosberg (Mercedes) travou tudo e detonou seus pneus: assim, Pérez foi para 11º

Na largada, Nico Rosberg (Mercedes) travou tudo e detonou seus pneus: assim, Pérez foi para 11º

A corrida

Sem Bianchi, 21 carros foram para a largada do primeiro GP da Rússia da história. Pela Marussia, apenas o inglês Max Chilton alinhou no grid de Sochi. Antes da corrida, os pilotos se reuniram em oração pela saúde de Jules. Num emocionante momento, eles se abraçaram à frente da linha quadriculada. Após o ato, retornaram para seus respectivos cockpits. Pérez estava em 12º lugar no grid, uma vez que herdou a posição de seu companheiro Hulkenberg, que sairia em 17º. Quando, enfim, partiram após o apagar das luzes vermelhas, Sergio manteve sua posição. Na volta 2, Nico Rosberg (Mercedes) foi aos boxes após detonar seus pneus na freada da curva 1 após a largada, em tentativa frustrada de ultrapassar o líder Lewis Hamilton (Mercedes). Com a parada do alemão, Pérez ascendeu para a 11ª posição.

Como ultrapassar em Sochi era uma missão praticamente impossível, as posições permaneceram inalteradas até o início da janela de parada nos boxes – a maioria das equipes optou por somente uma troca. Checo ingressou no top 10 na volta 11, com o pit stop de Daniel Ricciardo (Red Bull). Na volta 20, o latino da Force India acabou sendo superado por Rosberg – que vinha em prova de recuperação -, mas prosseguiu em 10º devido à parada de Daniil Kvyat (Toro Rosso). A partir dali, Sergio passou a ser perseguido por Felipe Massa (Williams), que ganhava posições após ter largado em 18º. Apesar do melhor equilíbrio do FW36 do brasileiro, o mexicano mantinha a posição na base da potência do motor Mercedes.

Na primeira parte da corrida, Pérez andou à frente de Gutiérrez e Hulkenberg

Na primeira parte do GP, Pérez andou à frente de Gutiérrez e Hulkenberg. Depois, veio a pressão de Massa

Com a parada de Jean-Eric Vergne (Toro Rosso), na volta 24, Pérez subiu para nono. Contudo, o time indiano o chamou para o box na passagem seguinte. Seus pneus médios estavam em frangalhos. Após o seu pit stop, o mexicano retornou em 14º. Porém, na volta 28, foi a vez de Massa realizar sua troca. Quando o brasileiro voltou à pista, se viu novamente atrás de Sergio, que assumiu o 13º lugar. Apesar da pressão, Checo resistiu bravamente às investidas de Felipe. Com o piloto da Williams em seus calcanhares, Pérez ganhou posições com a parada de pilotos que não suportaram manter a estratégia de apenas um pit stop. Na volta 35, Kvyat foi aos boxes. Sem o russo da Toro Rosso, o latino assumiu o 12º posto. Três voltas depois, Vergne realizou seu segundo pit stop, o que colocou o piloto da Force India em 11º.

Para retornar ao top 10 de Sochi, Pérez contou com o azar de um compatriota. Esteban Gutiérrez (Sauber) tentava levar sua equipe pela primeira vez à zona de pontos em 2014. Porém, na volta 39, acabou sendo obrigado a fazer mais uma parada. Assim, Checo assumiu a 10ª posição. A partir dali, Sergio iniciou uma dura batalha para alcançar um ponto. Nitidamente com um equipamento inferior, segurou Massa e Hulkenberg para ficar na zona de pontuação. A vitória no GP da Rússia ficou com Hamilton, seguido por Rosberg e Valtteri Bottas (Williams). Entretanto, o pontinho de Sochi foi exaltado por Pérez.

Apesar de toda a pressão de Massa, Sergio conseguiu neutralizar o brasileiro: ponto suado em Sochi

Apesar de toda a pressão de Massa, Sergio conseguiu neutralizar o brasileiro: ponto suado em Sochi

“Foi uma corrida bastante difícil e um ponto duramente conquistado. Tentamos o nosso melhor para forçar ao longo da prova, mas obviamente a estratégia de combustível foi apertada – principalmente porque comecei a corrida com o pneu médio e tive de forçar para acompanhar o grupo com os macios. Quando coloquei os macios, foi duro poupar combustível porque tive de me defender de Felipe (Massa), que estava atrás de mim durante todo o segundo trecho. Portanto, foi uma tarde difícil, mas espero que possamos estar em melhor forma nas próximas etapas”, concluiu o mexicano, que deixou Sochi em 11º no Mundial de Pilotos, com 47 pontos – mesma pontuação de Kimi Raikkonen (Ferrari).

O 10º lugar em Sochi deixou Pérez empatado com Raikkonen no Mundial de Pilotos

O 10º lugar em Sochi deixou Pérez empatado com Raikkonen no Mundial de Pilotos: ambos com 47 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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