Las Vegas-1981: Giacomelli bate campeão Piquet e fica em 3º

Giacomelli (1º à dir.) dividiu o pódio com Alan Jones (Williams), o vencedor, e Alain Prost (Renault), o segundo

Giacomelli (1º à dir.) dividiu o pódio com Alan Jones (ao centro), o vencedor, e Alain Prost (à esq.), o 2º

17 de outubro de 1981 é uma data especial para o esporte brasileiro. Naquele sábado, Nelson Piquet (Brabham) se consagrou campeão da Fórmula 1 pela primeira vez. Para levantar a taça, bastou para Nelson assegurar o quinto lugar no GP de Las Vegas, disputado no improvisado circuito do Caesars Palace. Enquanto Piquet escrevia seu nome na história, um outro piloto se colocava pela primeira vez num pódio. A bordo de um Alfa Romeo, Bruno Giacomelli obteve a terceira colocação na etapa norte-americana. Para alcançar o inédito feito, o italiano superou ninguém menos do que o brasileiro da Brabham. Tudo bem, Piquet estava administrando o resultado para conquistar o cetro da categoria máxima do automobilismo. Porém, para Giacomelli, a façanha de Las Vegas também teve um sabor de título mundial – afinal, foi a única vez que figurou num top 3.

O ápice de Las Vegas-1981 coroou uma carreira marcada por vitórias. Bruno nasceu em 10 de setembro de 1952, em Poncarale, um lugarejo na província italiana de Brescia. Iniciou sua carreira aos 16 anos. Todavia, ingressou no mundo da velocidade sobre duas rodas – em 1968, andava de motocross. Em 1971, abriu mão das motos e partiu para o automobilismo. Naquele ano, fez um curso de pilotagem. Empolgado, se inscreveu no primeiro campeonato oficial em 1972, quando disputou a Fórmula Ford Italiana. Porém, os resultados não vieram. Em 1973, o jovem piloto interrompeu sua trajetória para cumprir o serviço militar obrigatório. Seria o fim? Ledo engano. Em 1974, Giacomelli retomou a carreira. A partir dali, o sucesso bateu em sua porta. Primeiramente, guiou na Fórmula Itália, categoria na qual conquistaria o título em 1975.

Giacomelli foi campeão da F3 em 1976 e da F2 em 1978

Giacomelli foi campeão da F3 Britânica em 1976 e da F2 em 1978

Credenciado nacionalmente, Giacomelli deu um passo decisivo  em 1976, quando partiu para a Inglaterra, onde se arriscou na Fórmula 3 Britânica. A bordo de um March, obteve o título da Shell Sport e vice do Troféu BP – à época, a categoria era composta de dois torneios na temporada. De forma instantânea, Bruno foi alçado à Fórmula 2. Em 1977, conquistou três vitórias e o quinto lugar no campeonato, suficientes para o italiano abrir os olhos da Fórmula 1. No GP da Itália, em Monza, Giacomelli estreou na categoria máxima do automobilismo a bordo do terceiro carro da McLaren. Em seu debut, largou em 15º, mas abandonou após uma quebra do motor de seu bólido.

Em 1978, Bruno se dedicou entre a Fórmula 2 e a Fórmula 1. Na categoria de acesso, o italiano brilhou, vencendo oito das 12 corridas da temporada, o que lhe rendeu o título. Já na F1, Giacomelli defendeu a McLaren por cinco corridas, com destaque para o sétimo lugar no GP da Inglaterra, em Brands Hatch. Em 1979, Bruno receberia a oportunidade de correr na Alfa Romeo. Eternizada por dar os títulos mundiais de Giuseppe Farina, em 1950, e de Juan Manuel Fangio, em 1951, a escuderia retornava à F1 depois de 28 anos com o objetivo de conquistar mais vitórias. Num primeiro momento, Giacomelli participou de provas esporádicas. Em quatro etapas disputadas – duas com o modelo 177 e duas com o 179 -, completou apenas uma: no GP da França, em Dijon, recebeu a bandeirada em 17º, cinco voltas atrás do vencedor, Jean-Pierre Jabouille (Renault).

Em 1981, Bruno esperava uma Alfa Romeo competitiva: temporada foi frustrante até Montreal

Em 1981, Bruno esperava uma Alfa Romeo competitiva: temporada foi frustrante até Montreal

Depois de um ano de experiências, a Alfa Romeo faria toda a temporada de 1980. E, pela primeira vez em sua carreira, Bruno correria um ano completo na F1. Logo de cara, vieram os dois primeiros pontos de sua trajetória, obtidos no GP da Argentina, em Buenos Aires. Depois desse resultado, o italiano conquistaria um novo quinto lugar no GP da Alemanha, em Hockenheim, e encerraria a temporada com uma pole position no GP dos Estados Unidos-Leste. Em Watkins Glen, Bruno abandonou após liderar por 31 voltas. Giacomelli terminou o campeonato em 18º, com quatro pontos. Para 1981, o objetivo de Alfa Romeo e de Bruno era o de elevar o nível de confiabilidade do carro. Porém, as 13 primeiras provas do Mundial foram um total fiasco. Apenas no GP do Canadá, em Montreal, Giacomelli conquistou um quarto lugar.

Confiante após obter seus três primeiros pontos da temporada na etapa canadense, o italiano desembarcou em Las Vegas determinado a fazer uma boa figuração na prova estadunidense, que seria realizada num improvisado circuito montado no estacionamento do hotel Caesars Palace. Porém, havia muito mais interesse envolvido na corrida de Nevada. Nelson Piquet (Brabham), Carlos Reutemann (Williams) e Jacques Lafitte (Ligier) chegaram à última etapa do Mundial com possibilidades de levantar o título de 1981. Alheios à disputa do campeonato, Giacomelli e seu companheiro na Alfa Romeo, Mario Andretti, partiram para o reconhecimento do traçado, na quinta-feira. Mario foi superior a Bruno, ficando com o oitavo melhor tempo do dia. Na sexta, o italiano reagiu, ficando com a oitava posição do grid após anotar 1m18s792, contra 1m19s068 do norte-americano, o 10º. A pole ficou com Reutemann, com 1m17s821, 0s971 mais veloz que Giacomelli.

Giacomelli (carro 23) saltou bem em Las Vegas e ganhou quatro posições, completando a volta 1 em 4º

Giacomelli (carro 23) saltou bem em Las Vegas e ganhou quatro posições, completando a volta 1 em 4º

A corrida

Na tarde daquele sábado, 24 carros partiram para a disputa do esperado GP de Las Vegas de 1981. Sob intenso sol, os pilotos aceleravam sem saber em quais condições físicas completariam a prova. Para Bruno, valia apenas correr intensamente, e depois ver o que poderia sobrar. Após largar bem, o italiano da Alfa superou Reutemann, Piquet, John Watson (McLaren) e Patrick Tambay (Ligier), completando a volta 1 numa excelente quarta posição. À sua frente, apenas Alan Jones (Williams), Gilles Villeneuve (Ferrari) e Alain Prost (Renault). Com um equipamento superior, Prost ultrapassou Villeneuve e assumiu a segunda posição na volta 3. Gilles carregava seu Ferrari nas costas, e passou a ser pressionado por Bruno, que, por sua vez, trazia Lafitte em seus calcanhares.

O canadense liderou o pelotão até a volta 22, quando foi desclassificado por alinhar em posição errada no grid. Com a retirada de Villeneuve, Giacomelli assumiria o terceiro lugar. Porém, Laffite se aproveitou da saída de Gilles para tomar o lugar de Bruno, na volta 23. A partir daí, o italiano passou a sofrer com os ataques do companheiro Andretti. Na volta 27, Bruno se atrapalhou e rodou, cedendo não só o quarto lugar para Mario, como também despencando para o 10º lugar. Na volta 30, Andretti abandonou, para frustração do público em Las Vegas. Na mesma passagem, Watson foi aos boxes, e Giacomelli superou Ricardo Patrese (Arrows) para assumir a sétima posição.

Mais lento, Villeneuve segurou Bruno até ser desclassificado, na volta 23

Mais lento, Gilles Villeneuve (Ferrari) segurou Bruno até ser desclassificado, na volta 23

A reação do italiano da Alfa Romeo não parou por aí. Aos poucos, Bruno alcançou um apático Reutemann. Apesar de chegar à última prova do Mundial na liderança, o argentino deixava o título escapar pelas mãos. Giacomelli não tinha nada a ver com isso, e, na volta 46, ultrapassou Lole para retornar à zona de pontuação. Seis voltas depois, Lafitte, com problemas de pneus, perdeu rendimento, e foi superado pelo italiano. Com os problemas de seus principais adversários na luta pelo título, Piquet preferiu administrar o resultado. Na volta 54, o brasileiro da Brabham quase pôs tudo a perder, mas cedeu sua quarta posição para Bruno. Sem Nelson à frente, o italiano partiu para cima de Nigel Mansell (Lotus). Na volta 58, Giacomelli não tomou conhecimento do inglês, assumindo o terceiro lugar.

No fim da etapa de Las Vegas, Bruno ainda tentou tirar o s2º lugar de Prost, mas não obteve êxito

No fim da etapa de Las Vegas, Bruno ainda tentou tirar o 2º lugar de Alain Prost, mas não obteve êxito

Apesar do pódio assegurado, Bruno não se dava por satisfeito. O piloto da Alfa Romeo tirava a diferença com relação a Prost na disputa pelo segundo lugar. Mais veloz, o italiano colou no francês da Renault. Contudo, não foi capaz de ultrapassar o rival. A vitória do GP de Las Vegas de 1981 ficou com Jones. Prost cruzou a linha de chegada em segundo, com 0s380 de vantagem sobre Giacomelli, que conquistava seu primeiro pódio na carreira com uma apresentação sólida e valente. Foi um final de temporada para encher Bruno de satisfação. Entretanto, mal sabia ele que o resultado obtido no circuito norte-americano significaria o auge de sua carreira na Fórmula 1.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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