Cingapura-2014: ‘desempregado’, Vergne dá show e é sexto

Vergne foi espetacular nas últimas voltas da corrida: ultrapassagens e velocidade para minar uma punição de 5s

Nas últimas voltas em Marina Bay, Vergne fez três ultrapassagens e voou para minimizar punição de 5s

Em agosto de 2014, a Toro Rosso anunciou que Jean-Eric Vergne não faria mais parte da escuderia em 2015. Mantendo a filosofia de ‘berçário de pilotos’, o time satélite da Red Bull apresentou o holandês Max Verstappen, um novato de 16 anos, para compor a equipe na próxima temporada. Após ser dispensado, o francês não definiu seu destino. Enquanto não ocorre nenhum acerto, Vergne busca aproveitar cada instante no ‘circo’ para impressionar os dirigentes da Fórmula 1. No último domingo, Jean-Eric deu uma boa mostra de sua capacidade, predicado indispensável para conquistar um lugar no ‘circo’. Depois de superar duas punições, o gaulês foi irresistível nas voltas finais e assegurou um impressionante sexto lugar no GP de Cingapura, disputado no circuito de rua de Marina Bay.

Foi o melhor resultado da carreira de Vergne, igualando a sexta posição obtida no GP do Canadá de 2013, em Montreal. Não só isso: os oito pontos na prova noturna determinaram o melhor desempenho da Toro Rosso na temporada. Com o top 6, o time de Faenza passou a somar 27 pontos, consolidando-se na sétima colocação do Mundial de Construtores. Destes, 19 foram conquistados pelo francês, contra oito do russo Daniil Kvyat. Se a performance de Jean-Eric em Marina Bay vai abrir portas, só o tempo dirá. Entretanto, a exibição do francês impressionou a todos no ‘paddock’, sobretudo pela sequência de ultrapassagens nas últimas voltas da etapa de Cingapura.

O fim de semana não começou bem para Jean-Eric: problemas fizeram francês ser superado por Kvyat

O fim de semana não começou bem para Jean-Eric: problemas fizeram francês ser superado por Kvyat

Apesar do brilhante desfecho, o fim de semana não começou bem para Vergne em Marina Bay. Na sexta-feira, dia dos primeiros treinos livres, o francês enfrentou problemas com seu Toro Rosso STR9, forçando-o a praticamente abdicar da sessão da manhã. À tarde, Jean-Eric pôde dar mais voltas, anotando o 11º tempo, com 1m48s800. Porém, acabou sendo superado por Kvyat – o russo foi 10º, com 1m48s770, 0s030 mais veloz que o francês. No fim das atividades, Vergne demonstrou estar satisfeito com a performance de seu carro depois dos dois treinamentos do dia. “Estou feliz, apesar do problema no FP1, que não me permitiu andar muito. Mas o carro pareceu bom, e estou confiante de que seremos competitivos neste fim de semana”, salientou Jean-Eric, depois dos treinos.

No sábado, Vergne teria a oportunidade de se colocar à frente de Kvyat nas sessões classificatórias para o GP de Cingapura. Entretanto, o francês encarou novos problemas, que o deixaram fora da disputa do Q3. Enquanto Daniil avançou e assegurou o 10º lugar no grid, Jean-Eric parou no Q2. Ao francês, restou o 12º lugar, com o tempo de 1m46s989 – 1s389 atrás de Lewis Hamilton (Mercedes), pole com 1m45s681 -, e o sabor amargo de ter sido batido pelo russo. “Tive alguns problemas com a asa dianteira. Não consegui reduzir a temperatura do carro, e ele ficou complicado de ser guiado. Também cometi um erro e, assim, perdi mais de 0s3. O Q3 não ficou muito longe, então foi uma pena”, lamentou Vergne, sem deixar o otimismo de lado. “Amanhã (domingo) é o que conta. Nós temos um carro competitivo e capaz de ganhar posições para que a gente pontue”.

Sem Rosberg, Vergne ganhou uma posição antes da largada, e completou a volta 1 em 11º

Sem Rosberg, Vergne ganhou uma posição antes da largada, e completou a volta 1 em 11º

A corrida

Antes dos carros se posicionarem para a disputa do GP de Cingapura, no domingo, 21 de setembro de 2014, um problema eletrônico no bólido de Nico Rosberg (Mercedes), segundo no grid, fez com que o alemão largasse dos boxes. Desta forma, Vergne ganharia uma posição assim que as luzes vermelhas se apagassem. Quando foi dada a largada, Jean-Eric se espremeu entre os adversários na sequência de ‘esses’ após a Reta dos Boxes e asseguou o 11º posto. À frente dele, estava justamente Kvyat, que foi superado por Jenson Button (McLaren) e se manteve em 10º. A partir daí, o francês passou a pressionar o russo. Porém, logo o gaulês recebeu o ‘aviso’, via rádio, de que Daniil tentaria ultrapassar Kevin Magnussen (McLaren), o nono. Vergne fingiu não ter entendido a ‘mensagem’ e partiu para cima de Kvyat. Na volta 8, Jean-Eric superou o russo, ascendendo para o top 10.

Na volta 11, Vergne foi aos boxes para trocar pneus. No lugar dos compostos supermacios, novos supermacios. No retorno à pista, se viu em em 13º. Na passagem seguinte, superou o compatriota Jules Bianchi (Marussia), assumindo o 12º lugar. Na volta 14, com a parada de Magnussen, Jean-Eric se viu à frente do dinamarquês, retomando a 11ª posição. Com os pit stops dos mexicanos Sergio Pérez (Force India) e Esteban Gutiérrez (Sauber), na 15, o francês da Toro Rosso se estabeleceu em nono lugar, na cola de Button. Na ânsia de superar Jenson e de segurar Kevin, Vergne acabou escapando da pista. Isso fez com que a direção de prova punisse o francês por sair do traçado original.

Primeira punição foi paga no segundo pit stop, na volta 24: Jean-Eric andou sempre no limite em Cingapura

Primeira punição foi paga no segundo pit stop, na volta 24: Jean-Eric andou sempre no limite em Cingapura

A segunda sessão de parada nos boxes teve início na volta 23. Depois do pit stop de Felipe Massa (Williams), Jean-Eric passou a ocupar o oitavo lugar. Contudo, seus pneus já estavam em frangalhos. Na passagem seguinte, realizou sua parada. Antes, porém, teria de pagar a punição de 5s. Neste período, os mecânicos da Toro Rosso estavam proibidos de mexer no bólido de Vergne. Só depois disso, era liberada a troca de pneus. No retorno à pista, novamente com supermacios, o francês se viu em 10º. Na volta 26, com o pit stop de Magnussen, Jean-Eric retomou a nona posição. Cinco voltas depois, a bandeira amarela foi acionada pela direção de prova. Em uma disputa de pista, Pérez tocou Adrian Sutil (Sauber) e acabou levando a pior – o spoiler dianteiro se desfez em plena reta. A sujeira fez com que o safety car entrasse na pista, permanecendo à frente do pelotão por sete voltas.

Diferentemente dos times rivais, a Toro Rosso optou por não trazer seus pilotos para fazer um definitivo pit stop. Dessa forma, tanto Vergne quanto Kvyat teriam de realizar uma nova parada adiante. Com essa tática, a dupla teria um forte fim de corrida. Estratégias traçadas à parte, a relargada foi dada na volta 38, e Jean-Eric permaneceu em nono lugar até a volta 44, quando fez seu terceiro pit stop. No retorno à pista, com novos pneus macios da Pirelli, o francês estava num longínquo 14º lugar. Na passagem seguinte, superou Marcus Ericsson (Caterham) e assumiu o 13º posto. Na volta 47, ascendeu para a 12ª posição depois do terceiro pit stop de Magnussen. Depois da parada do dinamarquês, Vergne teria de ganhar posições na pista se quisesse angariar pontos em Marina Bay. E o gaulês da Toro Rosso tratou de acelerar.

A Toro Rosso decidiu não trazer seus pilotos para os boxes durante a bandeira amarela: tática surtiu efeito no fim do GP

A Toro Rosso decidiu não trazer Vergne para os boxes durante a bandeira amarela: tática surtiu efeito no fim

Após alcançar Romain Grosjean (Lotus), Vergne pressionava, mas não superava o compatriota. De tanto insistir, Jean-Eric ultrapassou Grosjean na volta 52, assumindo a 11ª colocação. Com o abandono de Button, por problemas eletrônicos em seu McLaren, na passagem seguinte, o francês recuperou um lugar no top 10. Não bastasse isso, ainda na 53, Vergne superou Pastor Maldonado (Lotus) e assumiu o nono lugar. Depois de ultrapassar o venezuelano, o francês da Toro Rosso logo encostou em Nico Hulkenberg (Force India). Com uma arrojada condução, Jean-Eric voltou a sair do traçado do circuito de Cingapura, e a direção da prova voltou a puni-lo com 5s. Como não faria nova parada, a punição seria acrescida a seu tempo final de prova.

A comunicação de uma nova sanção foi um combustível para Vergne partir para cima de seus adversários. Porém, o tempo estava contra ele. Com a longa permanência do safety car na pista, a corrida seria encerrada no limite das 2 horas. Ao invés de 61 voltas, a prova terminaria na 60. Quando foi comunicado de que receberia nova punição, na volta 57, Jean-Eric estava em nono. Todavia, com pneus em melhores condições que seus rivais, tratou de pisar fundo. Determinado, superou Hulkenberg na volta 58, assumindo o oitavo lugar. Na 59, não tomou conhecimento dos finlandeses Kimi Raikkonen (Ferrari) e Valtteri Bottas (Williams), que se engalfinhavam pelo sexto posto. Ao superar os escandinavos, Vergne era o sexto na pista – mas não de fato.

Com conservados pneus macios, Vergne teve um forte fim de corrida: em duas voltas, superou Hulkenberg, Raikkonen e Bottas

Jean-Eric teve um forte fim de corrida: em duas voltas, superou Hulkenberg, Raikkonen e Bottas

Enquanto Bottas, Raikkonen, Hulkenberg e Pérez disputavam a sétima colocação, Jean-Eric acelerou o quanto pôde. Com pista limpa, fez uma bela volta 60. Ao cruzar a linha de chegada, os mecânicos da Toro Rosso contaram quanto tempo levaria para aparecer o sétimo colocado. No fim, Pérez viu a bandeira quadriculada. Nos computadores, Sergio estava a incríveis 7s atrás de Vergne. O time foi ao delírio. Com justiça, Jean-Eric conquistava o segundo top 6 da carreira – o primeiro de 2014. “Foi uma corrida fantástica e estou extremamente feliz, especialmente considerando as duas punições de cinco segundos. Tive que forçar o máximo possível nas últimas voltas e abrir do resto, e foi isso que fiz”, afirmou Vergne depois da corrida, vencida por Lewis Hamilton (Mercedes), e que teve Sebastian Vettel (Red Bull) em segundo e Daniel Ricciardo (Red Bull) em terceiro.

Ao celebrar o sexto lugar, Jean-Eric fez questão de recordar do erro que cometeu durante o treino oficial de sábado, que o tirou do Q3. “Cometi um erro ontem, na classificação, e disse que eu faria de tudo hoje (domingo) para que eles (mecânicos) me perdoassem, e acho que consegui. Então estou muito feliz também pelos caras. Eles me deram um bom carro e o sexto lugar paga o grande esforço deles. Nós merecemos”, afirmou o francês que, apesar de ter tido um excelente desempenho, terminou a corrida sem ter um cockpit assegurado para correr em 2015.

Mecânicos deliram após Vergne confirmar 6º lugar, mesmo após punição: francês segue 'desempregado'

Mecânicos deliram após Vergne confirmar 6º lugar, mesmo após punição: francês segue ‘desempregado’

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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