Itália-2014: Sergio Pérez derrota ‘algoz’ McLaren em Monza

Pérez segurou Jenson Button com maestria e contou com a punição dada a Kevin Magnussen para superar a McLaren e ficar em 7º

Pérez segurou Button com maestria e contou com a punição dada a Magnussen para ficar em 7º

Sergio Pérez é um fã incondicional de Monza. Foi no tradicional circuito da Lombardia onde obteve um impressionante segundo lugar no GP da Itália de 2012, a bordo de um Sauber. Aquele pódio ajudou a convencer a McLaren a contratá-lo para a temporada 2013. Todavia, o MP4-28 não cumpriu com as expectativas do time de Woking, e Checo foi desligado da escuderia inglesa no fim daquele ano. Desde o início de 2014, quando se transferiu para a Force India, Pérez e McLaren passaram a caminhar em lados opostos. Entretanto, justamente no palco onde deixou boquiaberta a equipe de Ron Dennis, Sergio voltou a mostrar boa forma. No último domingo, o latino bateu Jenson Button e Kevin Magnussen para ficar com o sétimo lugar do GP da Itália. Além disso, o resultado ajudou a Force India a ficar a um ponto da McLaren na luta pelo quinto lugar no Mundial de Construtores – os ingleses têm 110, contra 109 dos indianos.

Ao desembarcar em solo italiano, Pérez trazia na bagagem a oitava colocação conquistada no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Além dos quatro pontos da etapa belga, o mexicano trazia uma certeza: que os motores Mercedes, que impulsionavam a Force India, seriam peças fundamentais para um bom desempenho em Monza. Isso ficou constatado quando o VJM07 entrou na pista, na sexta-feira. Nas longas retas do circuito, o carro indiano era um dos mais velozes. Todavia, a falta de downforce era um desafio para os mecânicos. Nos dois treinos livres do dia, a luta de Sergio e de seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg, se voltou para o encontro do equilíbrio do bólido.

Sergio (de boné) dá volta a pé pelo circuito de Monza: longas retas beneficiaram motores Mercedes

Sergio (de boné) dá volta a pé pelo circuito de Monza: longas retas beneficiaram motores Mercedes

“Hoje (sexta-feira) foi um início promissor para o nosso fim de semana. Nós conseguimos fazer tudo que tínhamos planejado. Temos um bom ritmo, especialmente durante os trechos longos, onde parecemos competitivos. Agora é só uma questão de acertar tudo e ter uma boa posição na classificação de amanhã (sábado) para tirar o máximo das nossas forças”, afirmou Checo, após conquistar o 11º tempo do dia, com 1m27s079. A marca de Pérez foi 0s148 mais rápida que a obtida por Hulkenberg, 12º com 1m27s227.

Diante do quadro promissor, o objetivo de Sergio e de Nico era de alcançar o Q3, a sessão decisiva que definiria os 10 primeiros colocados para a etapa italiana. Entretanto, no treino oficial de sábado, Hulk acabou caindo no Q2. Checo, por sua vez, superou novamente o alemão, e avançou para a fase final. No fim, anotou 1m25s944, ficando com o 10º lugar no grid. A pole ficou com Lewis Hamilton (Mercedes), que marcou 1m24s109 – 1s835 mais veloz que Pérez. Apesar da grande diferença para o inglês, o mexicano ficou satisfeito por ter conseguido cumprir com seu objetivo no treino.

O 10º lugar no grid deixou Pérez otimista para a corrida: Force India estava preparada para correr em Monza

O 10º lugar no grid deixou Pérez otimista: Force India estava preparada para correr em Monza

“Estamos felizes com este resultado. O nono lugar era possível, talvez (Ricciardo, o nono no grid, ficou 0s154 à frente de Sergio), mas sinto que demos todo o nosso potencial e isso é tudo o que poderíamos fazer nesta sessão”, disse Pérez, que traçou uma perspectiva otimista para a prova italiana. “Olhando para o nosso desempenho de ontem (sexta), nosso ritmo de corrida deve ser forte, mas não há muitas opções em termos de estratégia. Sinto que estamos em uma boa posição para ter uma corrida forte amanhã. Tudo pode acontecer nesta pista e estou confiante de que podemos conseguir bons pontos”.

Na largada, Sergio superou Bottas e Ricciardo, assumindo o oitavo lugar

Na largada do GP da Itália, Sergio superou Bottas e Ricciardo, assumindo o oitavo lugar

A corrida

O sol raiou forte no domingo, 7 de setembro de 2014, em Monza. O cenário era ideal para uma corrida de Fórmula 1. E quando partiram após o apagar das luzes vermelhas, os 22 carros se espremiam na primeira curva – uma chicane estreita, feita à direita. Pérez se aproveitou das péssimas largadas de Valtteri Bottas (Williams) e de Daniel Ricciardo (Red Bull) para assumir o oitavo lugar. Após a volta 1, Sergio passou a pressionar Fernando Alonso (Ferrari), o sétimo. Contudo, não conseguiu superar o espanhol. Aos poucos, perdeu contato com Alonso, e começou a liderar um pelotão que era formado por Nico Hulkenberg (Force India), Kimi Raikkonen (Ferrari) e Bottas. Na volta 5, Raikkonen superou Hulkenberg. Na 6, foi a vez de Valtteri ultrapassar Nico.

Com melhor conjunto, Bottas partiu para cima de Raikkonen. No duelo entre finlandeses, o da Williams levou a melhor sobre o da Ferrari, ganhando a nona posição na volta 9. A partir daí, Valtteri iniciou perseguição a Checo. O mexicano da Force India compensava o desequilíbrio do carro com a potência do motor Mercedes. Entretanto, o finlandês da Williams estava irresistível, e superou o latino na volta 14. Depois de cair para o nono lugar, Pérez estava sozinho na pista – Raikkonen, o 10º, não o ameaçava.

Após a largada, Pérez liderou pelotão com Hulkenberg, Raikkonen, Bottas e Ricciardo

Após a largada, Pérez liderou pelotão que contava com Hulkenberg, Raikkonen, Bottas e Ricciardo

A partir daquele momento, foi aberta a janela para parada nos boxes. A estratégia seria de apenas um pit stop para os pilotos. Com a parada de Sebastian Vettel (Red Bull), na volta 18, Sergio recuperou o oitavo lugar. Todavia, na passagem seguinte, a Force India chamou o mexicano para ir aos boxes, sacando os usados pneus médios para colocar os novos compostos duros da Pirelli. No retorno à pista, Checo se viu em 14º. Com a parada de Raikkonen, na volta 21, assumiu o 13º lugar. Na passagem seguinte, com os pit stops de Pastor Maldonado (Lotus) e de Alonso, o mexicano foi para 11º. Depois de Jenson Button (McLaren) ir aos boxes, na 23, Sergio retornou ao top 10. Na volta 25, com as paradas de Jean-Eric Vergne (Toro Rosso) e de Bottas, Pérez recuperou a oitava posição.

Com pneus novos, Valtteri saiu colado em Sergio, superando o mexicano na volta 26. Na passagem seguinte, Ricciardo foi aos boxes, e Checo retomou a oitava colocação. Com a parada de Daniil Kvyat (Toro Rosso), na volta 30, o mexicano da Force India subiu para o sétimo lugar. A partir dali, as posições passariam a ser definidas na pista. Pérez tinha Button em sua cola. Por outro lado, o latino perdia contato em relação a Bottas. O finlandês partiu para cima de Kevin Magnussen (McLaren) na luta pelo quinto lugar. Na volta 34, o dinamarquês foi acusado de ‘jogar’ Valtteri para fora da pista, e acabou sendo punido pelo incidente com um ‘stop and go’ de 5 segundos.

Depois de parar nos boxes e colocar pneus duros, Sergio saiu à frente de Button: batalha intensa

Depois de parar nos boxes, Sergio saiu à frente de Button: batalha intensa entre ex-companheiros

Na volta 37, Bottas ultrapassou Magnussen. Com isso, Pérez passou a reduzir a diferença com relação ao dinamarquês da McLaren. Contudo, o mexicano trazia Button e Ricciardo. O australiano, o último a realizar seu pit stop, voava em seu stint final. Na volta 40, Daniel não tomou conhecimento de Jenson, conquistando o oitavo lugar. Na passagem seguinte, Sergio não resistiu e também foi superado por Ricciardo. Enquanto o piloto da Red Bull se desgarrava, Pérez teve que lidar com a intensa pressão de Button, relembrando os duelos travados entre os dois na temporada passada. Na volta 43, o inglês campeão de 2009 chegou a ultrapassar o mexicano. Todavia, o latino da Force India manteve-se ao lado do britânico, dando o troco na mesma moeda.

Enquanto brigava com Button, Pérez se aproximava de Magnussen. Como Kevin não atendia ao ‘stop and go’, a FIA teria que acrescer 5s ao tempo dele na prova. Ao andar próximo do escandinavo, Sergio não precisava se preocupar, pois herdaria a posição dele. A vitória no GP da Itália ficou com Lewis Hamilton (Mercedes). Nico Rosberg (Mercedes), o segundo, e Felipe Massa (Williams), o terceiro, completaram o pódio. Bottas assegurou o quarto lugar, seguido por Ricciardo e Vettel. Magnussen recebeu a bandeirada em sétimo, porém, com a punição, despencou para 10º. Dessa forma, Checo conquistou o sétimo lugar, sendo superado apenas pelas duplas de Mercedes, Williams e Red Bull.

Segurar Jenson Button foi a missão mais marcante para o mexicano em Monza: duelo vencido com sabor de vingança

Segurar Button foi a missão mais marcante para o latino em Monza: duelo vencido com sabor de vingança

Os seis pontos obtidos em Monza deixaram Pérez satisfeito. “Foi ótimo, é bom marcar pontos importantes para o campeonato. A corrida foi muito divertida. Estávamos sempre brigando com alguém e sempre acelerando”, contou o mexicano, que não escondeu o prazer que teve ao vencer o duelo com Button. “A parte mais marcante da corrida foi a disputa que tive com Jenson. Foi muito bom, fazendo-me lembrar dos velhos tempos. Sei que ele (Button) é um piloto muito duro, mas sempre limpo. No final da corrida, sabia que Kevin tinha uma penalidade, e não houve necessidade de atacá-lo. Isso significava que eu poderia me concentrar em manter Jenson atrás de mim, o que não foi fácil”.

Com a punição dada a Magnussen, Pérez deixou de se preocupar com o dinamarquês: apenas Mercedes, Williams e Red Bull superaram Checo

Com a punição dada a Magnussen, Pérez assegurou o 7º lugar, deixando-o em 11º no Mundial, com 39 pontos

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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