Bélgica-2001: Alesi segura Ralf e leva último ponto da carreira

Jean Alesi precisou ir além do limite para alcançar o sexto lugar em Spa-2001: 241º e último ponto da carreira

Jean Alesi precisou ir além do limite para alcançar o 6º lugar em Spa: 241º e último ponto da carreira

Jean Alesi (Jordan) precisou ir ao limite para obter seu derradeiro ponto na Fórmula 1. Após resistir a um intenso ataque de Ralf Schumacher (Williams), o francês conquistou o sexto lugar no GP da Bélgica de 2001, em Spa-Francorchamps. Era a 70ª vez que Jean figurava o top 6. Para alguém acostumado a frequentar a zona de pontuação, aquele seria mais um pontinho para a coleção. Porém, ele já sentia o peso da idade. Aos 37 anos, Alesi vivia o ocaso em sua extensa carreira na categoria máxima do automobilismo. Diante disso, o 241º ponto de sua trajetória acabou sendo o último. Apesar disso, a melancolia passou longe do cockpit da Jordan do veterano em Spa. Para assegurar a sexta posição, Jean segurou Ralf com maestria. Apesar do melhor equipamento do alemão, o francês se sobressaiu, superando o rival da Williams por míseros 302 milésimos.

A prova belga foi apenas a segunda de Alesi na Jordan. Em 2001, o veterano iniciou sua segunda temporada pela Prost. Todavia, desde seu ingresso no time de Alain Prost, em 2000, Jean foi testemunha da séria crise financeira pela qual passava a equipe. Para aquele ano, o time deixou de ser impulsionado pela Peugeot e passou a ter o motor Acer (leia-se Ferrari). Também trocou de fornecedor de pneus – deixou a Bridgestone e calçou Michelin. Sem patrocinadores, Alain negociou 40% do espólio da escuderia com Pedro Paulo Diniz. Além disso, vendeu um dos cockpits para o inexpressivo argentino Gastón Mazzacane, que substituiu o veloz Nick Heidfeld, que partiu para a Sauber. Diante desse cenário, qualquer resultado seria celebrado. O problema era conquistar resultado…

Depois de iniciar a temporada na Prost, Alesi substituiu Frentzen e se tornou companheiro de Trulli na Jordan

Depois de iniciar o ano na Prost, Alesi substituiu Frentzen e se tornou companheiro de Trulli na Jordan

Nas quatro primeiras provas, Alesi levou o Prost AP04 até o fim, com destaque para o oitavo lugar no GP do Brasil, em Interlagos. Além disso, o veterano era muito superior a Mazzacane. Sem demostrar competitividade, Alain Prost decidiu trocar Gastón por um outro sul-americano: o brasileiro Luciano Burti. Com o novo piloto, a Prost passou a viver melhores momentos. No GP de Mônaco, Jean deu à Prost seu primeiro ponto desde o GP da Europa de 1999, em Nurburgring – quando Jarno Trulli foi segundo colocado. Depois da sexta posição no Principado, o francês garantiu o quinto lugar no GP do Canadá, em Montreal.

Apesar dos três pontos conquistados, o ambiente não estava nada agradável no time francês. Após o baixo rendimento do AP04 no GP da Inglaterra, em Silverstone, Alesi criticou publicamente a equipe. Na sequência, Alain Prost enviou uma carta para Jean. O texto foi a gota d’água para o veterano. Logo depois de obter mais um sexto lugar, no GP da Alemanha, em Hockenheim, Alesi acertou sua ida para a Jordan, para o lugar de Heinz-Harald Frentzen. O alemão, por sua vez, iria para o lugar do francês na Prost. A estreia de ambos em seus novos cockpits aconteceu no GP da Hungria, em Hungaroring. Na prova húngara, Jean obteve um discreto 10º lugar.

Na sessão classificatória, Jean obteve o 13º lugar no grid: pneus intermediários custaram um melhor lugar no grid

Na sessão classificatória, Jean obteve o 13º lugar: pneus intermediários custaram um melhor lugar no grid

Para o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, havia uma melhor expectativa para a Jordan. Diferentemente do travado circuito de Hungaroring, a pista das Ardenhas era de alta velocidade. Além disso, o fator climático poderia pesar no resultado. Como um dos mais experientes do ‘circo’, Alesi tinha total consciência do que iria encarar quando foi para a pista. Na sessão oficial, no sábado, a chuva deu o ar da graça e dificultou a performance no desafiador traçado. Com a pista úmida, os pilotos calçaram pneus intermediários e partiram para a volta lançada. No fim, Jean insistiu com esses compostos e ficou com o 13º lugar no grid, com 1m59s128. O francês se colocou à frente de Jarno Trulli, seu companheiro de Jordan, que marcou 1m59s647 – um tempo 0s519 inferior ao anotado pelo francês.

Entretanto, quem calçou pneus para pista seca no fim do treino acabou sendo bem-sucedido. Melhor para Juan Pablo Montoya (Williams), pole em Spa-Francorchamps com 1m52s072 – 7s056 à frente de Alesi. Apesar do erro de leitura no fim do treino, Jean tinha conseguido uma posição melhor que a do veloz Trulli, que desembarcou em Spa com 9 pontos na temporada. Logo, a expectativa era boa para a etapa belga. Contudo, o experiente francês não poderia imaginar que o GP da Bélgica de 2001 seria mais conturbado do que havia sido a sessão classificatória…

Na primeira largada, Alesi andou à frente de Raikkonen e Button: acidente com Burti suspendeu a prova

Na primeira largada, Alesi andou à frente de Heidfeld e Button: acidente com Burti paralisou a prova

A corrida

Com um clima nebuloso, 22 pilotos alinharam no grid em 2 de setembro de 2001, em Spa-Francorchamps, para a disputa do GP da Bélgica. Antes da volta de apresentação, Heinz-Harald Frentzen (Prost), quarto no sábado, agitou as mãos com problemas em seu carro. Com isso, a largada foi abortada. No novo procedimento, Juan Pablo Montoya (Williams), que estava na pole, viu seu bólido ficar empacado. Novamente, o início da prova foi adiado. Tanto o alemão quanto o colombiano tiveram que se colocar no fim do grid. Apenas na terceira tentativa, a largada foi dada. Porém, na volta 5, um grave acidente com Luciano Burti (Prost) suspendeu a corrida. Na disputa pela 15ª posição, o brasileiro tentou superar Eddie Irvine (Jaguar) na Curva Blanchimont, mas, ao tocar no rival, saiu direto na proteção de pneus.

Por 40 minutos, a corrida ficou paralisada. A bandeira vermelha fez com que as cinco voltas disputadas fossem anuladas, e o GP da Bélgica passou a ter 36 voltas. Depois do atendimento a Burti, o procedimento de largada foi reiniciado. Desta vez, Ralf Schumacher (Williams) viu seu bólido sobre um cavalete, e acabou obrigado a sair no fim do pelotão. Após diversas dificuldades, e sem Burti, Irvine, Fernando Alonso (Minardi) e Kimi Raikkonen (Sauber), a prova foi iniciada. Diante dos problemas encarados com os adversários, Alesi completou a volta 1 em oitavo. Todavia, havia sido ultrapassado por Trulli, o sétimo. Na volta 4, Jarno e Jean superaram Jenson Button (Benetton), colocando a Jordan no top 6. Duas voltas depois, Trulli realizou seu primeiro pit stop, e Alesi foi para sexto. Contudo, na volta 7, Jean trocou pneus e realizou reabastecimento.

Jean, atrás de Trulli e Button, e à frente de Villeneuve: problemas dos rivais colocaram francês no top 6

Jean, atrás de Trulli e Button, e à frente de Villeneuve: problemas dos rivais colocaram francês no top 6

No retorno à pista, o experiente francês estava em 11º. Porém, ainda aguardava as paradas dos adversários para ver qual era sua real situação na prova. Com o pit stop de Jos Verstappen (Arrows), na volta 9, Alesi subiu para 10º. Na passagem seguinte, com as paradas de Jacques Villeneuve (BAR) e Ralf Schumacher, Jean ascendeu para o oitavo lugar. Após o pit stop de Button, na volta 11, o veterano recuperou a sétima posição. A partir dali, não tinha muito a fazer, afinal, já estava distante de Trulli, o sexto. A corrida de Alesi só se alterou na volta 18: Rubens Barrichello (Ferrari) perdeu o spoiler dianteiro na Bus Stop, e despencou na classificação. O brasileiro precisou parar nos boxes, fazendo com que Jean assumisse o sexto lugar.

Na volta 20, o francês da Jordan realizou sua segunda e definitiva parada. Ao retornar à pista, Alesi estava em oitavo, à frente de Barrichello e atrás de Trulli. Na passagem seguinte, com o pit stop de Villeneuve, Jean retomou o sétimo lugar. Ali permaneceu até a segunda parada de Ralf Schumacher, o que aconteceu na volta 26. Sem o alemão da Williams, o veterano se viu na sexta posição, mas era perseguido por Rubens e Ralf. Na volta 32, Barrichello partiu decidido e ultrapassou Alesi. Na mesma passagem, o motor Honda do EJ11 de Trulli explodiu, forçando o italiano a abandonar a etapa. Dessa forma Jean, ainda estava em sexto. Porém, com Ralf em seus calcanhares.

Mesmo pressionado por Ralf Schumacher, Alesi levou seu Jordan com destreza ao 6º lugar: derradeiro ponto

Mesmo pressionado por Ralf Schumacher, Alesi levou seu Jordan com destreza ao 6º lugar: derradeiro ponto

Por cinco longas e difíceis voltas, o francês domou o ímpeto do alemão. Apesar do melhor equipamento de Ralf Schumacher, Alesi conseguiu segurar o adversário. A vitória ficou com Michael Schumacher (Ferrari), a 52ª da carreira do alemão, quebrando o recorde de 51 triunfos de Alain Prost. David Coulhard (McLaren), em segundo, e Giancarlo Fisichella (Benetton), em terceiro, completaram o pódio. Mika Hakkinen (McLaren) foi o quarto, seguido por Barrichello e Jean. O ponto serviu de consolo para a Jordan, depois da quebra de Trulli, mas não chegou a ser celebrado, em razão do acidente de Burti. Três provas depois, o francês encerrou uma longa carreira na Fórmula 1. Se soubesse que aquele seria seu derradeiro ponto, certamente Alesi celebraria o seu último feito na categoria.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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