Holanda-1983: em Zandvoort, o quinto lugar sobrou no Baldi

Quinto lugar em Zandvoort veio graças ao acidente que envolveu Prost e Piquet e a problemas encarados por Patrese

Graças ao acidente que envolveu Prost e Piquet, e a problemas com Patrese, Mauro Baldi atingiu seu auge

Zandvoort, 28 de agosto de 1983. Naquele domingo, Mauro Baldi (Alfa Romeo) atingiu seu auge na Fórmula 1. O quinto lugar no GP da Holanda daquele ano foi o melhor resultado obtido pelo italiano em 36 GPs disputados na categoria máxima do automobilismo. Os dois pontos conquistados por Baldi na etapa holandesa vieram, sobretudo, devido a infortúnios que vitimaram seus adversários. Para alcançar seu único top 5 na carreira, Mauro contou com o acidente que tirou Nelson Piquet (Brabham) e Alain Prost (Renault) da corrida, e com os problemas enfrentados por Riccardo Patrese (Brabham) nas últimas voltas da prova. Depois daquele glorioso dia, Baldi nunca mais figurou na zona de pontos.

Nascido em 31 de janeiro de 1954, em Reggio-Emilia, Mauro Baldi ingressou no automobilismo pelo rali, quando tinha 18 anos. Em 1975, decidiu encarar a velocidade em circuitos permanentes, quando passou a disputar a Copa Renault 5 Italiana. Mas o passo definitivo na carreira do piloto se deu cinco anos depois, ao se transferir para os monopostos. Na Fórmula 3, Baldi brilhou ao vencer o tradicional GP de Mônaco da categoria, em 1980. No ano seguinte, assegurou o título europeu de F3, com oito vitórias. A consagração na categoria de base levou Mauro a mirar como meta a Fórmula 1 para 1982.

Depois de pilotar em provas de ralis, Baldi viu sua carreira ascender na Fórmula 3, em 1981

Depois de pilotar em provas de ralis, Baldi viu sua carreira ascender na Fórmula 3, em 1981

A Arrows precisava de um piloto para substituir Riccardo Patrese, que havia se transferido para a Brabham. Diante disso, nada melhor do que um compatriota de Patrese. Baldi estreou na categoria máxima do automobilismo no GP do Brasil, em Jacarepaguá, com um 10º lugar. Em sua temporada de estreia, anotou dois pontos, frutos dos sextos lugares nos GPs da Holanda, em Zandvoort, e da Áustria, em Osterreichring. Um desempenho nada mal para um calouro, ainda mais se for levado em consideração que seu companheiro de equipe, o suíço Marc Surer, marcou três pontos.

Em 1983, Mauro recebeu convite da Alfa Romeo para o lugar antes ocupado por um outro italiano: Bruno Giacomelli. Baldi correria ao lado do experiente compatriota Andrea de Cesaris. Seria a prova de fogo para o italiano em sua segunda temporada, afinal, De Cesaris era reconhecidamente um piloto veloz. Todavia, pesava contra Andrea o fato de ficar conhecido como um “destruidor de carros”. Dessa forma, Mauro precisava mesclar velocidade com regularidade. Constantemente, De Cesaris se classificou à frente nos grids, mas era Baldi quem carregava o 183T para a bandeirada. A constância acabou sendo premiada no GP de Mônaco, quando Mauro obteve um sexto lugar.

Depois de defender a Arrows em 1982, Mauro foi para a Alfa Romeo em 1983, onde dividiu o time com Andrea de Cesaris

Mauro foi para a Alfa Romeo em 1983, onde dividiu o time com Andrea de Cesaris: velocidade x constância

Ao desembarcar em Zandvoort, a Alfa Romeo estava com sete pontos no Mundial. Além do ponto obtido por Baldi no Principado, a escuderia italiana alcançou o pódio com De Cesaris, segundo no GP da Alemanha, em Hockenheim. Nos treinos para o GP da Holanda, na sexta-feira, Andrea superou Mauro por 0s654 na sessão oficial. De Cesaris ficou em sétimo, com 1m17s233, contra 1m17s887 de Baldi. No sábado, a dupla italiana da Alfa Romeo não melhorou seus tempos. Dessa forma, Andrea ficou com o oitavo lugar no grid, enquanto Mauro assegurou a 12ª posição para a largada. A pole ficou com Nelson Piquet (Brabham), com 1m15s630, um tempo 2s257 mais veloz que o anotado por Baldi.

Baldi se aproveitou da péssima largada de Tambay para assumir o 11º lugar na 1ª volta em Zandvoort

Baldi se aproveitou da péssima largada de Tambay para assumir o 11º lugar na 1ª volta em Zandvoort

A corrida

Nuvens carregadas cercavam Zandvoort no momento da largada para o GP da Holanda. Havia o temor de chuva para a corrida, mas ela nunca veio. Quando a luz verde se acendeu, 26 pilotos partiram para a disputa da 12ª etapa do Mundial de 1983. Baldi se aproveitou dos problemas encarados por Patrick Tambay (Ferrari), segundo no grid, para ganhar uma posição e completar a volta 1 em 11º. Na volta 5, foi superado por John Watson (McLaren). Todavia, na mesma passagem, De Cesaris, com problemas de motor, deixava a corrida. Dessa forma, permaneceu em 11º. Ali se manteve até a volta 13. Com o abandono de Elio de Angelis (Lotus), com problemas na injeção de combustível de seu bólido, Mauro ingressou no top 10 da prova holandesa.

Duas voltas depois, com o pit stop de Stefan Johansson (Spirit), Mauro assumiu o nono lugar. Na volta 26, uma rodada de Nigel Mansell (Lotus) tirou-o da corrida. Sem o inglês, Baldi se viu em oitavo. Entretanto, os pneus do Alfa Romeo de Baldi começavam a se desgastar. Sem ritmo, acabou sendo ultrapassado por Tambay na volta 30, caindo para a nona posição. Quatro voltas depois, Mauro realizou seu primeiro e único pit stop na etapa. No retorno à pista, o italiano estava em 12º. Com a segunda parada de Johansson, na volta 36, Baldi assumiu o 11º lugar. Quatro voltas depois, com o pit stop de Manfred Winkelhock (ATS) e o abandono de Eddie Cheever (Renault), Mauro recuperou a nona colocação.

Mauro ingressou na zona de pontos depois da ida aos boxes de Michele Alboreto (Tyrrell)

Mauro ingressou na zona de pontos na volta 44, depois da ida aos boxes de Michele Alboreto (Tyrrell)

Na volta 42, um episódio mudou o destino da prova em Zandvoort. Na ânsia de superar Nelson Piquet (Brabham), o líder do GP da Holanda, Alain Prost (Renault) acabou tocando no brasileiro. Piquet bateu e abandonou imediatamente, enquanto Prost teve sua suspensão danificada e deixou a prova logo depois. Sem Nelson e Alain, Baldi alcançou a sétima posição. Duas voltas depois, com o pit stop de Michele Alboreto (Tyrrell), Mauro entrou pela primeira vez na zona de pontuação da corrida.

Com Alboreto distante, a sexta posição parecia assegurada para Baldi. Porém, a seis voltas do fim, um problema no motor BMW de seu bólido levou Riccardo Patrese (Brabham), então segundo colocado, aos boxes. O defeito derrubou Patrese na classificação. Dessa forma, Mauro herdava o quinto lugar. A vitória no GP da Holanda ficou com René Arnoux (Ferrari), seguido por Tambay e Watson. Derek Warwick (Toleman) anotou os primeiros pontos dele e da escuderia na Fórmula 1 ao assegurar um bom quarto lugar. Porém, nada derrubava a festa de Baldi nos boxes da Alfa Romeo em Zandvoort.

Depois de Zandvoort-1983, Baldi não pontuou mais na F1: culpa da Benetton

Depois de Zandvoort-1983, Baldi não pontuou mais na F1: culpa da Benetton

A carreira de Mauro parecia decolar. Todavia, com o ingresso da Benetton como patrocinadora da Alfa Romeo, na temporada de 1984, o italiano perdeu seu cockpit no time. Isso acabou sendo determinante para o desfecho da carreira de Baldi na Fórmula 1. Sem a vaga, o piloto acabou sentando na cadeira elétrica chamada Spirit, equipe que defendeu até 1985. Na escuderia, nunca chegou perto da zona de pontos. Curiosamente, o melhor desempenho do time na categoria foi justamente em Zandvoort-1983, quando Johansson obteve o sétimo lugar. Depois do auge na etapa holandesa, tanto Baldi quanto a Spirit tiveram destinos semelhantes: sem pontos e sem futuro na F1.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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