Hungria-2014: Vergne desafia os gigantes em Hungaroring

Vergne lidera Rosberg, Vettel, Hamilton e Ricciardo: um sonho que durou 10 voltas

Jean-Eric Vergne lidera Rosberg, Vettel, Hamilton e Ricciardo: um sonho que durou 10 voltas

Num retrovisor, aparecia a imagem do corrente líder do Mundial de 2014, Nico Rosberg (Mercedes). No outro, crescia o carro do tetracampeão Sebastian Vettel (Red Bull). Apesar da pressão dos alemães, Jean-Eric Vergne (Toro Rosso) não se intimidou. Pelo contrário. Por 10 voltas, o francês segurou com afinco o segundo lugar no GP da Hungria, disputado no último domingo, em Hungaroring. Foram momentos especiais para Vergne. Nunca ele havia figurado numa posição tão destacada em sua carreira na Fórmula 1. É bem verdade que as circunstâncias e uma tática eficiente permitiram que Jean-Eric vivesse aquele excitante momento. Parar os carros da Mercedes e da Red Bull, os únicos que venceram etapas neste ano, foi uma missão bem-sucedida para o francês. Porém, o sonho acabou quando teve que ir aos boxes, na volta 34. No fim, acabou se consolando com o nono lugar.

O resultado em Hungaroring ajudou Jean-Eric a fazer frente contra seu principal adversário nesta temporada: o companheiro de Toro Rosso, Daniil Kvyat. Os dois pontos levaram o francês a 11 pontos, contra 6 do novato russo. Bater Kvyat é fundamental para Vergne se manter na escuderia italiana em 2015. Entretanto, independentemente de pontuação, a performance do gaulês no circuito húngaro revelou um piloto combativo, que não se apavorou nos períodos de maior pressão. E isso, numa categoria tão exigente quando a Fórmula 1, conta mais do que pontos na tabela de classificação.

Na disputa interna da Toro Rosso, vantagem de Vergne (à dir.) sobre Kvyat (à esq.)

Na disputa interna da Toro Rosso, vantagem de Vergne (à dir.) sobre Kvyat (à esq.)

No primeiro dia de treinos, na sexta-feira, Daniil se comportou melhor que Jean-Eric em Hungaroring. O russo anotou o 11º tempo, com 1m26s689, apenas 0s014 mais rápido que o francês, 12º com 1m26s703. Apesar de ter sido superado por Kvyat, Vergne não demonstrou insatisfação após as duas sessões. “Têm coisas boas e ruins hoje (sexta). Esta manhã eu fiquei bem feliz com o comportamento do carro, mas o equilíbrio estava pior de tarde, fazendo com que fosse difícil guiar”, analisou. “Nós precisamos entender o motivo de termos perdido performance para tirar o melhor do carro amanhã (sábado), mas ainda acredito que temos o potencial para melhorar”.

De fato, o francês tinha conhecimento da capacidade do STR9. As sessões qualificatórias de sábado mostraram uma Toro Rosso em forma no travado circuito húngaro. No Q1, Jean-Eric acelerou. Com pneus macios, anotou o melhor tempo da sessão, com 1m24s941, enquanto Daniil foi o terceiro, com 1m25s361. No Q2, o gaulês foi o nono, com 1m24s637, avançando para a sessão decisiva. Já o russo caiu no segundo qualificatório, ao marcar 1m24s706, ficando em 11º. O Q3 era um prêmio para Vergne, que ainda garantiu o oitavo lugar no grid, com 1m24s720. A pole ficou com Nico Rosberg (Mercedes), com o tempo de 1m22s715.

Jean-Eric fez o melhor tempo do Q1, e assegurou o oitavo lugar no grid em Hungaroring

Jean-Eric fez o melhor tempo do Q1, e assegurou o oitavo lugar no grid em Hungaroring

Para o francês da Toro Rosso, a equipe evoluiu de um dia para o outro. “Foi uma boa sessão de qualificação. A equipe fez um grande trabalho durante a noite para me dar um carro hoje (sábado) muito melhor do que o de ontem (sexta). É uma posição interessante para amanhã (domingo), tenho apenas que ficar focado. Darei tudo de mim e meu objetivo é marcar alguns bons pontos”, vislumbrou Jean-Eric. Mal sabia ele que o domingo seria muito especial em Hungaroring. Sobretudo em razão da meteorologia – a previsão era de chuva para o GP da Hungria.

A largada do GP da Hungria aconteceu com pista molhada

A largada do GP da Hungria aconteceu com pista molhada: Vergne foi cauteloso e caiu para o nono lugar

A corrida

Pouco antes dos carros alinharem no grid, uma forte chuva caiu sobre o autódromo húngaro. Com a pista molhada, os pilotos e as equipes passaram a estudar qual seria a melhor opção para a largada: pneus para chuva ou compostos intermediários. A escolha recaiu sobre os intermediários. Quando a largada foi dada, o spray subiu, e Vergne caiu uma posição. Ao completar a volta 1, o francês estava em nono, depois de ter sido superado por Nico Hulkenberg (Force India). Jean-Eric permaneceu ali até a volta 8 – momento em que Marcus Ericsson (Caterham) bateu forte. O acidente do sueco fez com que o safety car fosse acionado.

Como a bandeira amarela foi acionada inesperadamente, Vergne se aproveitou para parar imediatamente. Sem a chuva, havia se formado um trilho em Hungaroring. O francês da Toro Rosso optou por colocar compostos macios. No retorno à pista, Jean-Eric ganhou as posições de Hulkenberg, Valtteri Bottas (Williams) e Sebastian Vettel (Red Bull), assumindo o sexto lugar. A relargada foi dada na volta 14. Vergne se aproveitou de um vacilo de Nico Rosberg (Mercedes) para ultrapassar o alemão. Porém, ainda no mesmo giro, acabou sendo superado por Fernando Alonso (Ferrari), retornando ao sexto posto.

Segunda relargada em Hungaroring, na volta 27: Vergne travou tudo para não bater no líder Alonso

Segunda relargada em Hungaroring, na volta 27: Vergne travou tudo para não bater no líder Alonso

Na passagem seguinte, Jenson Button e Kevin Magnussen, da McLaren, foram para os boxes. O time de Woking errou ao ser o único a colocar pneus intermediários durante a bandeira amarela, e acabou chamando seus pilotos para uma nova troca. Sem Button e Magnussen, Jean-Eric passou a ocupar o quarto lugar, atrás de Alonso, Felipe Massa (Williams) e Daniel Ricciardo (Red Bull). Ali o francês ficou até a volta 23, quando Sergio Pérez (Force India) escapou na entrada da Reta dos Boxes e arrebentou seu bólido na área interna da pista. O acidente com o mexicano provocou nova entrada do safety car.

A bandeira amarela levou Ricciardo e Massa para os boxes. Assim como Alonso, o novo líder, Vergne permaneceu na pista, assumindo a segunda posição. Quando a bandeira verde foi tremulada, na volta 27, Jean-Eric passou a liderar um pelotão formado por Rosberg, Vettel, Lewis Hamilton (Mercedes) – que havia largado dos boxes – e Ricciardo. O ritmo do francês era mais lento que o de Fernando, permitindo que o espanhol abrisse vantagem na ponta. Isso desesperou Nico e Sebastian, que anteciparam suas paradas para a volta 31, a fim de evitar a disparada de Alonso.

Vergne, à frente das duplas da Mercedes e da Red Bull: momento único para o francês

Vergne, à frente das duplas da Mercedes e da Red Bull: momento único para o francês

Sem Rosberg e Vettel, a pressão passou a ser feita por Hamilton. Contudo, Lewis também não conseguiu superar Vergne. Até a volta 34, o piloto da Toro Rosso andou em segundo. Porém, os pneus macios já estavam no limite, e Jean-Eric foi para os boxes. Na troca, optou por compostos médios, que o fariam não realizar uma terceira parada. No retorno à pista, estava em 12º, à frente de Vettel. Com o pit stop de Button, na volta 38, foi para 11º. Porém, o francês da Toro Rosso era muito ameaçado por Sebastian. Na volta 40, o alemão da Red Bull superou Vergne. Na mesma passagem, todavia, Jean-Eric contou com as paradas de Magnussen e de Adrian Sutil (Sauber) para assumir o 10º lugar.

Na volta 43, o pit stop de Pastor Maldonado (Lotus) determinou a nona posição para o francês. A partir dali, só subiria na classificação caso algum adversário abandonasse – o que não aconteceu até a bandeira quadriculada. A vitória do GP da Hungria ficou com o espetacular Ricciardo, seguido pelo genial Alonso e pelo impressionante Hamilton. À Vergne, restou mais um top 10 – o quarto em 2014 – e a sensação do dever cumprido.

Os dois pontos obtidos na etapa húngara consolidaram Vergne à frente de Kvyat

Dever cumprido: os dois pontos obtidos na etapa húngara consolidaram Vergne à frente de Kvyat

“Na corrida, o time fez um trabalho fantástico em me chamar direto para os boxes assim que o safety car entrou. Isso funcionou bem. A prova foi bem legal, me diverti muito estando em segundo por algum tempo. Eu sabia que não daria para manter o ritmo dos outros até o fim, mas foi um grande momento. Obviamente, eu gostaria de terminar numa posição melhor e conseguir mais pontos, mas ainda temos de melhorar nosso desempenho. Estou confiante que, passo a passo, isso vai acontecer. É o que me deixa otimista com relação à segunda metade da temporada”, concluiu.

Objetivo do francês é anotar mais pontos e continuar na Toro Rosso em 2015

Objetivo do francês é anotar mais pontos na segunda metade do Mundial e continuar na Toro Rosso em 2015

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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