Áustria-1999: Diniz conquista seu último ponto em Spielberg

Pedro Paulo Diniz lutou muito para obter o 6º lugar: derradeiro ponto da carreira

Pedro Paulo Diniz lutou muito para obter o 6º lugar: foi o 10º e último ponto obtido pelo brasileiro na F1

Em 1999, a Sauber queria manter o nível de desempenho demonstrado no ano anterior, quando a equipe suíça foi sexta colocada no Mundial de Construtores, com 10 pontos. Essa campanha foi construída sobretudo pelas mãos de Jean Alesi, que obteve nove pontos em 1998. Ofuscado pelo francês, o inglês Johnny Herbert – que conquistou apenas um ponto naquele ano -, deixou a escuderia de Peter Sauber e partiu para a Stewart. Para a vaga de Herbert, o time de Hinwil contratou o brasileiro Pedro Paulo Diniz. Entretanto, o modelo C18 não era tão eficiente, e Alesi e Diniz raramente figuravam na zona de pontuação. Na primeira metade de 1999, foram apenas três pontos – frutos dos sextos lugares de Jean, no GP de San Marino, em Imola; e de Pedro Paulo, nos GPs do Canadá, em Montreal, e da Inglaterra, em Silverstone.

Ao desembarcar em Spielberg, local do GP da Áustria de 1999, Diniz e Alesi queriam tirar a Sauber da modesta sétima posição do Mundial. A tarefa não seria das mais fáceis. Porém, isso não intimidou Pedro Paulo, que partiu para o ataque naquele domingo, 25 de julho. Com arrojo, foi superior ao experiente colega de equipe e conquistou o sexto lugar na corrida. Para muitos, Diniz teve ali sua melhor apresentação em sua carreira na Fórmula 1. O resultado positivo fez com que o brasileiro terminasse o ano à frente de Alesi no campeonato. Todavia, aquele foi o 10º e último ponto obtido em sua trajetória na categoria máxima do automobilismo.

Diniz substituiu Johnny Herbert na Sauber: dupla com Alesi enfrentou problemas com o C18 em 1999

Na Sauber, Diniz correu ao lado do experiente Jean Alesi em 1999: dupla enfrentou problemas com o C18

Tanto Pedro Paulo quanto Jean mostravam confiança no potencial do C18 no veloz circuito austríaco. Impulsionados pelos motores Petronas (nome dado ao propulsor Ferrari adquirido junto ao time italiano), Alesi e Diniz tiveram uma sexta-feira positiva em Spielberg. O francês anotou o quinto melhor tempo do dia, com 1m13s696, enquanto o brasileiro foi somente 0s044 mais lento – fez a sétima marca, com 1m13s740. “Pela manhã, testamos novos amortecedores, o que fez eu sentir melhor o carro. Porém, ainda havia um certo desequilíbrio na parte sinuosa do circuito. Mudamos um pouco o set-up para os treinos da tarde, e as coisas melhoraram ainda mais”, afirmou Diniz, em material divulgado pela Sauber após os treinos de sexta.

A perspectiva era boa para os treinos de sábado. “Estou muito feliz com a maneira como o carro se comportou. Esta é uma pista que combina com o C18, e isso me deixa otimista. Podemos nos qualificar bem amanhã (sábado)”, vislumbrou o brasileiro. Todavia, quando os carros foram para a pista no treino oficial, a Sauber parecia perdida em Spielberg. A escuderia suíça só era superior a Arrows e Minardi – as piores do ‘circo’. No fim, Diniz ficou em 16º, com 1m13s223, apenas 0s004 à frente de Alesi, o 17º com 1m13s227. Para se ter uma ideia do quanto os carros azuis estavam aquém das expectativas, Mika Hakkinen (McLaren), o pole na prova austríaca, fez 1m10s954 – um tempo 2s269 mais veloz que o de Pedro Paulo.

Depois dos problemas no sábado, a Sauber acertou o C18 durante o warm up de domingo: Diniz foi o 4º na sessão

Depois dos problemas no sábado, a Sauber acertou o C18 durante o warm up: Diniz foi o 4º no domingo

A baixa performance destruiu o ânimo do brasileiro da Sauber. “Nós lutamos o dia inteiro para equilibrar o carro, sem sucesso. Na minha última tentativa, colocamos pneus dianteiros usados​​ – pois o C18 não pareceu se adaptar aos compostos novos aqui -, mas isso não ajudou. Isso só deixou o carro inguiável, tornando-o difícil nas freadas”, relatou Pedro Paulo. Diante do fracasso nos treinos oficiais, todas as atenções da equipe ficaram voltadas para o warm up no domingo, dia da corrida. No treino que antecedeu o GP, os mecânicos do time suíço encontraram um bom acerto para o carro. Com menor arrasto aerodinâmico, Diniz anotou o quarto melhor tempo do warm up, com 1m13s796, a 0s532 de Hakkinen, o mais rápido da sessão.

Após a largada, Hakkinen pulou bem na Curva 1, mas logo depois seria abalroado por Coulthard: acidente beneficiou Diniz

Hakkinen largou bem, mas logo depois seria abalroado por Coulthard: acidente beneficiou Diniz

A corrida

A quarta melhor marca no warm up devolveu o otimismo para Diniz. A Sauber, por sua vez, vivia um dilema: apesar do set up encontrado no treino de domingo, como fazer para que o desempenho se tornasse resultado? A solução encontrada foi adotar a tática de duas paradas para o brasileiro, contra somente uma dos demais adversários. Dessa forma, Pedro Paulo, com pouco combustível, poderia realizar ultrapassagens no início da prova e recuperar terreno na classificação. Com essa estratégia, Diniz partiu para a largada. Quando as luzes vermelhas se apagaram em Spielberg, o brasileiro ascendeu na classificação. Em cerca de 80 segundos, Pedro Paulo superou sete rivais, completando a volta 1 em nono. “Foi uma das minhas melhores largadas. Deu para ultrapassar muita gente”, sintetizou Diniz, para a Folha de S. Paulo, na edição de 26 de julho de 1999.

Em 4.319 metros, deixou para trás: Ricardo Zonta (BAR), Alessandro Zanardi (Williams), Jarno Trulli (Prost), Damon Hill (Jordan), Alexander Wurz (Benetton), Johnny Herbert (Stewart) e Mika Hakkinen (McLaren). Além de arrojo, as posições foram conquistadas na base da sorte. Depois da largada, Hakkinen levou a pior num toque com David Coulthard (McLaren) na disputa pela ponta. Depois do choque, veio um efeito dominó. Herbert acabou se chocando em Mika Salo (Ferrari) – era a primeira corrida do finlandês na Scuderia, em substituição a Michael Schumacher, que havia se acidentado em Silverstone-1999. Quem vinha atrás deles teve que desviar da confusão. Pedro Paulo se aproveitou do imbróglio para saltar na corrida, determinando seu destino na prova.

Pedro Paulo, entre Ralf Schumacher (à esq.) e Villeneuve (à dir.): disputa acirrada em Spielberg

Pedro Paulo, entre Ralf Schumacher (à esq.) e Villeneuve (à dir.): disputa acirrada em Spielberg

Mais leve, Diniz foi para cima de Giancarlo Fisichella (Benetton), ultrapassando o italiano na volta 2. Duas voltas depois, a Ferrari chamou Salo para os boxes, a fim de reparar o carro depois do choque com Herbert. Com o pit stop do finlandês, o brasileiro da Sauber assumiu o sétimo lugar. A partir daí, Pedro Paulo colou em Jacques Villeneuve (BAR) e Ralf Schumacher (Williams), entrando na luta pelo quinto lugar. Na volta 9, Diniz tomou o sexto lugar do alemão da Williams. Na tentativa de dar o troco em Pedro Paulo, Ralf perdeu o controle de seu bólido, escapando da pista.

Sobre a disputa com o irmão mais novo de Michael Schumacher, Pedro Paulo declarou que o germânico chegou a colocá-lo na grama. “Foi quente a coisa com ele (Ralf). Eu estava mais rápido, tentei passar duas vezes, mas ele me fechou”, explicou o piloto. “Acabei ultrapassando, mas ele tentou dar o troco, freou tarde e rodou. Foi interessante. Eu me diverti”, disse à Folha. Duas voltas depois de superar Ralf, fez a ultrapassagem sobre Villeneuve, assumindo o quinto lugar. Diniz permaneceu no top 5 até a volta 24, quando fez seu primeiro pit stop. Quando retornou à pista, se viu em um modesto 13º lugar. Logo, teria de remar tudo de novo.

A tática de duas paradas fez com que Diniz sempre andasse no limite durante o GP da Áustria

A tática de duas paradas fez com que Diniz sempre andasse no limite durante o GP da Áustria

Com a mesma tática do companheiro, Alesi parou nos boxes na volta seguinte. No retorno, o francês se viu em 12º, imediatamente à frente do brasileiro. A dupla da Sauber só ganharia posição na volta 34, quando Villeneuve, com problemas de transmissão, deixou a prova. Com a parada de Zonta nos boxes, na volta 40, Jean assumiu o 10º lugar, seguido por Pedro Paulo. Depois, foi a vez do segundo pit stop definitivo para Fisichella, na volta 44, Wurz, na 45, e Trulli e Hill, na 46. Dessa forma, Alesi passou a ocupar a sexta colocação, e Diniz, a sétima. Porém, aquela situação seria provisória, uma vez que a dupla precisaria parar nos boxes pela segunda vez. Na volta 49, um erro de cálculo da Sauber fez com que Jean tivesse pane seca e deixasse a corrida.

Sem o francês, Pedro Paulo recuperou um lugar na zona de pontos. Contudo, ainda faltava o pit stop para troca de pneus e reabastecimento. Apesar do temor de que acontecesse o mesmo problema que tirou Alesi da etapa austríaca, o brasileiro confiou em sua equipe e foi aos boxes na volta 53. Quando voltou à pista, estava em oitavo, próximo de Fisichella. Aproveitando-se dos novos pneus, Diniz pressionou o italiano da Benetton, ganhando a sétima colocação na volta 56. Na mesma passagem, Rubens Barrichello (Stewart), com problemas de motor, abandonou em Spielberg. Graças à quebra do compatriota, Pedro Paulo assumiu o sexto lugar.

Abandono de Barrichello reconduziu Diniz ao top 6: ponto  foi bastante celebrado pelo piloto

Abandono de Barrichello reconduziu Diniz ao top 6: ponto foi bastante celebrado pelo piloto

Depois, Diniz tentou alcançar o quinto posto, mas Wurz já estava consolidado na posição. A vitória no GP da Áustria ficou com Eddie Irvine (Ferrari), seguido por Coulthard e Hakkinen. Ao brasileiro, restou celebrar uma bela performance, onde andou no limite em todos os momentos. “A nossa estratégia de duas paradas estava certa, dadas as nossas posições no grid. Tive uma boa corrida e senti o carro muito forte. Estou muito feliz por marcar mais um ponto”, observou Pedro Paulo. Com o sexto lugar, ele igualava sua melhor temporada – em 1998, também obteve três pontos. Todavia, depois de Spielberg-1999, o brasileiro nunca mais terminaria na zona de pontuação de uma etapa na Fórmula 1.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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