França-1992: Hakkinen ‘faz chover’ e é quarto em Magny Cours

O quarto lugar em Magny Cours significou o ápice da carreira de Mika na Lotus

O quarto lugar em Magny Cours significou o ápice da carreira de Mika Hakkinen na Lotus

Em 5 de julho de 1992, o Autódromo de Magny Cours foi palco de uma exibição de gala na Fórmula 1. E o show não ficou por conta da dominante Williams. É bem verdade que Nigel Mansell e Riccardo Patrese passearam no GP da França, mas foi um jovem e impetuoso finlandês que impressionou o ‘circo’ na etapa gaulesa. Ao conduzir a Lotus à quarta colocação, Mika Pauli Hakkinen conquistou o melhor resultado da tradicional escuderia desde o GP da Austrália de 1989 – quando o japonês Satoru Nakajima também foi quarto lugar em Adelaide. Foi a comprovação do talento do escandinavo, que ignorou a chuva e acabou sendo premiado com três preciosos pontos.

Mika sempre foi um piloto veloz, com carreira recheada de conquistas desde seu ingresso no automobilismo. Nascido em 28 de setembro de 1968, em Vantaa, começou no kart aos 5 anos. Até 1985, ganhou tudo na categoria básica de seu país, sagrando-se cinco vezes campeão nacional. No ano seguinte, seu compatriota e inspiração para a carreira, Keke Rosberg, levou-o para os monopostos. Entre 1986 e 1988, obteve três títulos escandinavos de Fórmula Ford, além do troféu de campeão europeu de Fórmula Opel (1988).

Por onde passou, Mika Hakkinen fez sucesso - até mesmo sobre uma roda...

Por onde passou, Mika Hakkinen fez sucesso – até mesmo sobre uma roda…

No ano seguinte, passou a disputar as competições de Fórmula 3. Após uma temporada de adaptação, Hakkinen obteve o título de campeão da F3 Inglesa em 1990. Aquele ano só não foi perfeito porque perdeu a tradicional etapa de Macau após se envolver em um acidente com um certo Michael Schumacher. Ainda assim, o finlandês chamou a atenção da Fórmula 1 graças ao desempenho impressionante na F3. Em 1991, foi contratado pela Lotus. Em seu ano de estreia, marcou dois pontos, fruto de um quinto lugar no GP de San Marino, em Imola. Todavia, seu feito acabou sendo deixado de lado graças ao terceiro lugar do compatriota JJ Lehto, com um Dallara.

Em 1992, Hakkinen continuou na Lotus. Seu objetivo era anotar o maior número de pontos possível, a fim de conquistar um lugar em um cockpit mais competitivo. Ao lado do jovem e competitivo Johnny Herbert, o finlandês queria mostrar serviço a bordo do modelo 102D. No GP da África do Sul de 1992, em Kyalami, o inglês obteve o sexto lugar. Na prova seguinte, no México, foi a vez de Mika dar o troco, conquistando um ponto no Autódromo Hermanos Rodriguez. Nas cinco provas seguintes, porém, a Lotus não pontuou. Nem mesmo o novo modelo da Lotus – o 107 -, que estreou no GP de Mônaco, foi capaz de reconduzir a escuderia ao top 6.

Na França, Hakkinen travou uma acirrada disputa com seu companheiro na Lotus, Johnny Herbert

Na França, Hakkinen travou uma acirrada disputa com seu companheiro na Lotus, Johnny Herbert

A preocupação foi a tônica no desembarque de Hakkinen e Herbert em Magny Cours. Entretanto, o fato de a pista francesa ser a primeira do Lotus 107 em um circuito permanente – além do Principado, houve a etapa canadense, no Circuito Gilles Villeneuve – trazia um alento para a dupla. Surpreendentemente, o carro se adaptou ao traçado francês, e Mika e Johnny passaram a andar entre os primeiros nos treinos para o GP da França. Na sessão oficial decisiva, Hakkinen obteve o 11º tempo, com 1m16s999. O escandinavo foi 0s258 mais veloz que o britânico, 12º com 1m17s257. A marca de Mika ficou a 3s135 da de Nigel Mansell (Williams), pole com 1m13s864.

Acidente entre Senna e Schumacher fez com que Hakkinen saltasse para sexto na volta 1

Acidente entre Senna e Schumacher fez com que Hakkinen saltasse para sexto na volta 1

A corrida

Sob um céu nublado, foi dada a largada para o GP da França. Hakkinen se manteve firme entre os primeiros quando, na Curva Adelaide, Ayrton Senna (McLaren) e Michael Schumacher (Benetton) se enroscaram. O brasileiro abandonou a prova, e o alemão caiu para o fim do pelotão. Sem os dois, Mika se aproveitou para avançar na classificação, completando a volta 1 numa incrível sexta posição. À sua frente, somente Riccardo Patrese (Williams), Nigel Mansell (Williams), Gerhard Berger (McLaren), Martin Brundle (Benetton) e Jean Alesi (Ferrari).

A sorte parecia estar ao lado do finlandês da Lotus. Na volta 11, Berger, com problemas de motor, deixou a corrida. O abandono do austríaco da McLaren colocou Hakkinen na quinta posição. Na volta 16, o escandinavo se aproveitou do vacilo de Alesi para ocupar a quarta posição. Duas voltas depois, porém, Jean deu o troco em Mika. Naquele momento, já chovia pelo circuito. Hakkinen permaneceu em quinto até a volta 20, quando uma tempestade caiu sobre Magny Cours. O dilúvio fez com que a corrida fosse interrompida. O número de voltas da etapa francesa seria reduzido em três voltas (de 72, para 69), enquanto a classificação seria definida pelo tempo agregado nas duas partes da prova.

Mika foi combativo e trocou pneus na hora certa: estratégia foi fundamental no resultado

Na chuva, Mika foi combativo e trocou pneus na hora certa: estratégia foi fundamental no resultado

Na relargada, Hakkinen permaneceu na quinta colocação. Contudo, era incapaz de ameaçar Alesi, quarto em Magny Cours. Porém, a chuva voltou a cair forte no circuito, embaralhando as estratégias das equipes. Brundle foi o primeiro a parar, na volta 50, colocando Hakkinen em quarto. Quatro voltas depois, a Lotus chamou Mika para colocar os pneus apropriados para o piso molhado. Após a parada, o finlandês se viu em sexto, imediatamente atrás de Eric Comas (Ligier) no tempo agregado.

Com o abandono de Alesi, Hakkinen ascendeu para o quinto posto. Como estava próximo de Comas, Mika acelerou fundo, conquistando a quarta posição a duas voltas do fim. Eric ficou em quinto, seguido por Herbert. No pódio, Mansell estava no lugar mais alto, sendo seguido por Patrese e Brundle. À Mika, restou celebrar o melhor resultado da carreira até ali. Mal sabia aquele jovem que o passo dado em Magny Cours seria o primeiro de muitos em uma vitoriosa trajetória na Fórmula 1…

Hakkinen celebrou seu melhor resultado na F1 até aquele momento: o que veio a partir dali virou história

Hakkinen celebrou melhor resultado da carreira até aquele momento: o que veio depois virou história

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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