Áustria-2014: Pérez dá lição na pista e é sexto em Spielberg

Sergio Pérez liderou por 11 voltas o GP da Áustria e anotou a volta mais rápida da corrida

Sergio Pérez liderou por 11 voltas o GP da Áustria e anotou a volta mais rápida da corrida

Considerado culpado pelo acidente com Felipe Massa (Williams) na última volta do GP do Canadá, em Montreal, Sergio Pérez (Force India) foi punido com a perda de cinco posições para o grid do GP da Áustria, disputado em 22 de junho, em Spielberg. Apesar da pena – considerada pesada pelo piloto e por seus defensores -, Checo tratou de calar os críticos no remodelado circuito austríaco, que voltou a receber a prova do país depois de 11 anos. Graças à estratégia do time de Vijay Mallya, o mexicano saiu de 15º para alcançar a liderança da etapa. Por 11 voltas, ponteou em Spielberg. Não só isso: anotou a volta mais rápida da corrida. No fim, foi premiado com um convincente sexto lugar, colocando definitivamente um ponto final nas questões sobre seu caráter na pista.

Pérez deixou Montreal mergulhado em críticas. Não apenas em razão do acidente com Massa, mas também pela comparação com seu companheiro de Force India, o alemão Nico Hulkenberg. Ao desembarcar em Spielberg, Sergio tinha 20 pontos na classificação do Mundial, contra 57 de Hulk. Por tudo que cercava Checo, uma reação era necessária na prova austríaca. No circuito, o mexicano ainda tentou convencer a FIA de que não havia provocado o acidente no Circuito Gilles Villeneuve. Todavia, não obteve êxito.

Sergio considerou pesada a punição dada pelo acidente em Montreal: recuperação na pista

Sergio considerou pesada a punição dada pelo acidente em Montreal: recuperação na pista

Diante desse conturbado cenário, Pérez foi para a pista. Na sexta-feira, primeiro dia de atividades na pista, o latino venceu o duelo particular na Force India. Enquanto Sergio anotou o 13º tempo, com 1m11s206, Nico foi apenas o 17º, com 1m11s935. A marca de Checo foi 1s754 inferior à obtida por Lewis Hamilton (Mercedes), o mais veloz da sexta com 1m09s542. Ainda assim, o mexicano celebrou o proveitoso dia de testes. “Foi um bom dia. Conseguimos aprender muito sobre como os pneus se comportam em longas sequências de voltas. A pista é bem desafiadora e não oferece muitas oportunidades de ultrapassagem. Então, a posição de largada será crucial para um fim de semana bem sucedido”.

Como perderia cinco posições no grid, restava acelerar ao máximo no sábado para minimizar o prejuízo na corrida. No treino qualificatório, porém, Pérez não superou o Q3, e assistiu Hulkenberg avançar para a fase decisiva do treino. Enquanto o alemão assegurou o 10º lugar no grid, o mexicano ficou com o 11º tempo. Curiosamente, Felipe Massa (Williams), o piloto que exigiu que Sergio fosse punido, obteve a pole, com 1m08s759. “Tentamos fazer uma volta muito rápida na última saída do Q2, mas infelizmente não foi possível acertar. Além disso, tivemos dificuldade para fazer os pneus funcionarem bem. Não acho que será um problema amanhã (domingo)”.

Largada em Spielberg foi fundamental para a corrida de Checo: de 16º para 11º na volta 1

Largada em Spielberg foi fundamental para a corrida de Checo: de 16º para 11º na volta 1

A corrida

Para o GP da Áustria, Checo profetizou. “Será uma corrida desafiadora. Começar cinco posições atrás de onde classifiquei não vai ser fácil, mas precisamos olhar à frente e ver o que pode ser feito para melhorar. A primeira volta será crucial para conseguir um bom resultado, porque ultrapassar parece ser complicado por aqui. Temos muitos pneus disponíveis para a corrida, então, devemos tentar usar isso como vantagem”. Quando a largada foi dada, na ensolarada Spielberg, Pérez saltou de 15º para 11º, o que foi fundamental para seu resultado na corrida.

Além de largar bem, Sergio contava com uma estratégia diferente. Ao invés de começar a etapa com compostos supermacios, o mexicano da Force India saiu com pneus macios, mais duráveis. Com isso, permaneceria mais tempo na pista, e ascenderia na classificação assim que os adversários, com supermacios, parassem nos boxes. Com a parada de Hulkenberg, na volta 9, Pérez iniciou sua escalada. Sem o alemão, Checo assumiu o 10º lugar. Na passagem seguinte, com o pit stop de Daniil Kvyat (Toro Rosso) e de Daniel Ricciardo (Red Bull), alcançou o oitavo posto. Na 11, viu Kevin Magnussen (McLaren) ir aos boxes, fazendo o mexicano chegar à sétima colocação.

A tática de parar mais tarde colocou o mexicano da Force India na liderança

Tática de usar compostos macios possibilitou a Pérez parar mais tarde: na ponta por 11 voltas

A fase crescente de Checo seguiu na volta 12. Com a parada de Nico Rosberg (Mercedes), foi para sexto. Na 13, foi a vez de Lewis Hamilton (Mercedes) realizar seu pit stop, colocando o mexicano na quinta posição. Na passagem seguinte, Kimi Raikkonen (Ferrari) fez seu pit stop, e Sergio foi para quarto. Na 15, com as paradas de Massa e de Fernando Alonso (Ferrari), Pérez se viu em segundo. Quando Valtteri Bottas (Williams) parou nos boxes, na volta 16, o mexicano assumiu a liderança do GP da Áustria. Pela primeira vez desde o GP da Itália de 2012, em Monza, o latino ponteou uma etapa.

Foram 11 voltas em primeiro, o maior período liderado por Pérez em sua trajetória na categoria máxima do automobilismo até o momento. Sergio segurou com afinco o pelotão formado por Rosberg, Bottas, Hamilton e Massa. Porém, na volta 27, com os pneus macios já desgastados, não resistiu a Nico e Valtteri, caindo para a terceira posição. Na passagem seguinte, foi a vez de Lewis ultrapassá-lo. Na 29, novamente viu Felipe atrás dele. Todavia, desta vez, sem maiores incidentes – o mexicano se encaminhou para os boxes e colocou novamente pneus macios. Na saída, se viu na oitava posição, justamente atrás de Hulkenberg.

Impulsionado pelos pneus supermacios, Sergio marcou a melhor volta da corrida na volta 59

Sergio marcou a melhor volta na volta 59. Sete voltas depois, superou Magnussen para obter o 6º posto

Com compostos novos, Pérez partiu para o ataque, aproximando-se de Nico. A Force India interveio, e o alemão cedeu o sétimo lugar ao mexicano na volta 36. Quatro voltas depois, com a segunda parada de Magnussen, Sergio recuperou a sexta posição. Na volta 44, com o segundo pit stop de Massa, o latino assumiu o quinto posto. Quatro passagens depois, com a derradeira ida aos boxes de Alonso, alcançou a quarta colocação. Ali permaneceu até a volta 55, quando realizou seu definitivo pit stop.

No retorno à pista, com pneus supermacios, Pérez estava em oitavo. Porém, com o composto que permitia melhor desempenho, Sergio passou a voar em Spielberg. Na volta 58, com o pit stop de Jenson Button (McLaren), subiu para sétimo. Na passagem seguinte, anotou a volta mais rápida da etapa austríaca, com o tempo de 1m12s142, conquistando o feito pela terceira vez na carreira. Irresistível com a nova borracha, Checo alcançou Magnussen. Na volta 66, fez bela manobra sobre o dinamarquês, alcançando a sexta posição. No fim, não tinha como alcançar Alonso, o quinto colocado. A vitória na Áustria ficou com Rosberg, seguido por Hamilton, Bottas (em seu primeiro pódio na F1) e Massa.

Segundo Pérez, punição dada pelo acidente em Montreal tirou a chance de conquistar o pódio na Áustria

Segundo Pérez, punição dada pelo acidente em Montreal tirou a chance de conquistar o pódio na Áustria

À Pérez, restou celebrar o top 6, mesmo após uma punição considerada injusta pelo mexicano. “Hoje (domingo) conseguimos um resultado muito positivo para o time. Quando você larga em 15º, nunca é fácil conquistar tanto terreno. Larguei muito bem, ganhei algumas posições. Mais uma vez mostramos que temos ótimas possibilidades com os pneus. Tive também um ótimo ritmo de prova, como venho tendo durante todo ano. Foi legal liderar um pouco, mas claro que eu sabia que os pilotos que vinham atrás estavam em estratégias diferentes. A tristeza ficou pela punição, não fosse ela, eu poderia brigar por pódio”, observou o latino, que recebeu a bandeirada a 28s546 de Rosberg.

O desempenho de Pérez foi bastante elogiado pelo chefe da Force India, o indiano Vijay Mallya. “Sergio foi impressionante. Além de alcançar o sexto lugar, também fez a volta mais rápida. Acho que isso mostra que ele é um piloto muito talentoso e habilidoso”, destacou Mallya, revelando que Checo deu uma bela resposta aos críticos. “Acho que ele encarou muito bem a punição. Eu conversei com Sergio, disse que, na minha visão, ele tinha tido muito azar, já que não tinha uma óbvia culpa dele. Acho que estava bastante determinado a não deixar isso afetar sua corrida, mostrando isso na primeira volta: passou cinco carros e anulou a punição, o que eu acho que foi uma ação muito corajosa”, avaliou.

Checo foi bastante elogiado pelo chefe da Force India, Vijay Mallya

Checo (à frente de seu algoz, Felipe Massa) foi bastante elogiado pelo chefe da Force India, Vijay Mallya

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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