Suécia-1978: Patrese voa com Arrows e obtém primeiro pódio

Patrese segura Peterson para assegurar segundo lugar: primeiro pódio do italiano e da Arrows na Fórmula 1

Patrese segurou Peterson para garantir segundo lugar: primeiro pódio do italiano e da Arrows na Fórmula 1

A temporada de 1978 estava sendo amplamente dominada pela Lotus. Capitaneada por Colin Chapman, a escuderia via a hegemonia de Mario Andretti e Ronnie Peterson nas pistas mundo afora. O que o time aurinegro não esperava era uma reação da concorrência em Anderstorp, palco do GP da Suécia de 1978. Liderada por Bernie Ecclestone e Gordon Murray, a Brabham inovou ao colocar um grande exaustor na traseira dos bólidos de Niki Lauda e John Watson. Com o apêndice, o BT46B igualou o efeito-solo do Lotus 79, e desafiou Andretti e Peterson na prova sueca. Em meio à briga tecnológica travada por Lotus e Brabham, porém, surgiu um intruso. A bordo de um dourado Arrows, Riccardo Patrese brilhou ao carregar seu FA1 a um impressionante segundo lugar no circuito escandinavo, à frente de Ronnie, o dono da casa.

Foi um resultado inesperado para o italiano. Ao mesmo tempo, foi a constatação de que era um talento em ascensão na categoria máxima do automobilismo. Nascido em 17 de abril de 1954, em Padova, na Itália, Patrese ingressou no kart em 1970. Na categoria, obteve o auge em 1974, ao conquistar o título mundial. Em 1975, migrou para os monopostos, sendo vice-campeão da Fórmula Itália. No ano seguinte, partiu para a Fórmula 3 Italiana, categoria na qual conquistou o título.

Patrese estreou na Fórmula 1 em 1977, conquistando um ponto no ano de estreia

Patrese estreou na F1 em 1977, conquistando 1 ponto em Fuji

Em 1977, subiu mais um degrau, ingressando na Fórmula 2. Porém, ainda naquele ano, viu a porta da Fórmula 1 se abrir na Shadow. A escuderia, que havia perdido Tom Pryce – morto em Kyalami, durante o GP da África do Sul -, não confiava no italiano Renzo Zorzi. Com isso, entrou na equipe no lugar do compatriota para disputar o GP de Mônaco. Paralelamente à Fórmula 2, fez 9 GPs na F1, com destaque para o sexto lugar obtido no GP do Japão, em Fuji.

Para 1978, seguiu os principais técnicos da Shadow, que fundaram a Arrows, passando a se dedicar exclusivamente à categoria máxima do automobilismo. Nas sete primeiras corridas defendendo a nova equipe, obteve dois sextos lugares. Ambos em circuitos de rua – nos GPs do Estados Unidos-Oeste, em Mônaco, e no GP de Mônaco. Na oitava prova do Mundial, Riccardo queria lutar pelos pontos em um circuito que hospedava um aeroporto. Só não esperava que seu FA1 faria frente à Lotus e Brabham.

Nos treinos, Patrese só foi superado pelas duplas da Lotus e da Brabham: desempenho impressionou a F1

Nos treinos, Patrese só foi superado pelas duplas da Lotus e da Brabham: desempenho impressionou a F1

Nos treinos para Anderstorp, o italiano surpreendeu, classificando seu Arrows na quinta posição. Em sua 16ª corrida na Fórmula 1, era primeira vez que alinhava num top 5 do grid. Com 1m23s369, Patrese só foi superado por Andretti, o pole com 1m22s058, Watson, segundo com 1m22s737, Lauda, terceiro com 1m22s783, e Peterson, quarto com 1m23s120. Apesar de estar a 1s311 do tempo de Mario, Riccardo assombrou o circo ao colocar 4s443 sobre seu companheiro de equipe, Rolf Stommelen, que colocou seu FA1 na 24ª e última posição.

Na largada, Patrese saltou bem e assumiu o quarto lugar

Na largada em Anderstorp, Patrese saltou bem, superou Peterson e assumiu o quarto lugar

A corrida

Diante do bom desempenho nos treinos, o otimismo cresceu em torno de Patrese. O sol brilhava naquele domingo, 17 de junho de 1978, quando a luz verde foi acionada na largada. Assim que acelerou seu Arrows, Riccardo iniciou um show à parte. Na volta 1, já estava em quarto lugar, após superar Peterson. Na passagem seguinte, se aproveitou de um vacilo de Watson para assumir o terceiro posto. A partir dali, não tinha mais o que fazer: Andretti, o líder, e Lauda, o segundo, sumiram à frente do italiano. Logo, sua missão passou a ser segurar Ronnie e John.

Na volta 10, Patrese não resistiu ao ataque de Peterson e perdeu o terceiro lugar. Todavia, duas voltas depois, um pneu da Lotus do sueco furou, obrigando o escandinavo a parar nos boxes. Com o azar de Ronnie, Riccardo reassumiu o terceiro lugar. Entretanto, era pressionado por Watson. Insistente, o britânico da Brabham tentou de tudo para ultrapassar o italiano da Arrows. Porém, a impaciência custou caro para John: na volta 19, escapou da pista, sendo obrigado a recolher seu carro em razão de um problema no acelerador de seu BT46B.

O furo no pneu da Lotus de Peterson e a quebra da Brabham de Watson consolidaram Riccardo no top 3

O furo no pneu da Lotus de Peterson e a quebra da Brabham de Watson consolidaram Riccardo no top 3

Sem a presença de Peterson, que despencou na classificação, e com o abandono de Watson, a corrida passou a ficar mais tranquila para Patrese. Consolidado na terceira colocação, não era ameaçado por Alan Jones (Williams) e Carlos Reutemann (Ferrari). Por outro lado, estava mais de 40s distante de Mario e Niki. Na volta 38, Lauda assumiu a liderança após se aproveitar de um erro de Andretti, e partiu para a vitória. O norte-americano da Lotus, por sua vez, parecia se contentar com o segundo lugar quando, na volta 46, o motor Ford do bólido negro explodiu.

Com o abandono de Mario, Riccardo se viu na segunda posição. Mas a colocação já estava garantida? De forma alguma. Em uma fantástica prova de recuperação, Peterson levou a torcida de Anderstorp ao delírio ao ultrapassar um a um, e, na volta 47, assumiu o terceiro lugar. A partir daí, o que se viu foi o italiano da Arrows segurando a todo custo o sueco da Lotus. Apesar da intensa pressão de Ronnie, Patrese resistiu bravamente. Lauda triunfou com 34s6 de vantagem sobre Riccardo, que recebeu a bandeira quadriculada com Peterson pendurado em sua caixa de câmbio. Patrick Tambay (McLaren), Clay Regazzoni (Shadow) e Emerson Fittipaldi (Copersucar Fittipaldi) completaram os seis primeiros.

Disparado na ponta, Lauda, com o Brabham com 'turbina', administrou a vantagem sobre Patrese

Disparado na ponta, Lauda, com o Brabham e seu ‘ventilador’, administrou a vantagem sobre Patrese

Frustrado por não ter superado o italiano, Peterson acusou Patrese de guiar “como se estivesse numa prova de Fórmula 3”. Riccardo pouco se importou, até porque vivenciava, em Anderstorp, seu primeiro pódio na carreira. Não só isso: o segundo lugar na etapa sueca significou o primeiro top 3 da Arrows. Um feito enorme, que poderia ser muito maior: após o GP da Suécia, o BT46B, da Brabham, foi banido da Fórmula 1 por ‘questões de segurança’. Apesar disso, a vitória de Lauda foi ratificada pela FIA, impedindo que Riccardo celebrasse seu primeiro triunfo – algo que só conquistaria em 1982, no GP de Mônaco, justamente a bordo de uma Brabham.

Aliás, caso a vitória em Anderstorp-1978 fosse herdada por Patrese, a Arrows celebraria um inédito triunfo. Curiosamente, o time encerrou suas atividades em 2002, sem nunca ter vencido na Fórmula 1.

Pódio do GP da Suécia de 1978: segundo lugar poderia ter se tornado vitória

Pódio do GP da Suécia de 1978: segundo lugar de Patrese (à dir.) poderia ter se tornado vitória

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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