Mônaco-1991: Emanuele Pirro carrega Dallara ao top 6

Pirro foi constante e acabou sendo premiado com um ponto no GP de Mônaco de 1991

Pirro foi constante e acabou sendo premiado com um ponto no GP de Mônaco de 1991

A temporada de 1991 começou bastante positiva para a Dallara. Depois de JJ Lehto obter o terceiro lugar no GP de San Marino, a escuderia italiana desembarcou confiante em Mônaco, cenário da quarta etapa do Mundial. Todos os olhos estavam voltados para o finlandês após seu pódio em Imola. Todavia, no Principado, quem brilhou foi justamente o companheiro de Lehto: Emanuele Pirro resistiu bravamente ao desgaste de seu equipamento e carregou seu bólido vermelho ao sexto lugar. Foi o primeiro ponto do italiano desde sua quinta posição no GP da Austrália de 1989, em Adelaide. Porém, seria a última vez que Pirro figuraria na zona de pontuação da categoria máxima do automobilismo.

Nascido em 12 de janeiro de 1962, em Roma, Emanuele ingressou no automobilismo aos 11 anos. Como todo garoto, Pirro começou no kart, sagrando-se bicampeão italiano (1976 e 1979), vice-campeão europeu (1978) e vice-campeão mundial (1977). Aos 18 anos, passou para os monopostos. Primeiramente, fez a temporada de 1980 da Fórmula Fiat Abarth, na Itália, na qual conquistou o título. Em 1981, foi para a Fórmula 3 Europeia. Disputou três temporadas entre 1981 e 1983, tendo como melhor resultado o vice-campeonato de 1982, quando ficou a 1 ponto do título, conquistado pelo argentino Oscar Larrauri.

Pirro obteve bons resultados nas categorias de acesso à Fórmula 1

Pirro obteve bons resultados nas categorias de acesso à Fórmula 1, durante a década de 1980

Em 1984, o italiano chegou à categoria de acesso à Fórmula 1. Na Fórmula 2 – que, no ano seguinte, se tornou Fórmula 3000 Europeia -, Emanuele competiu por três temporadas. Na estreia, foi sexto no campeonato. Em 1985, alcançou o terceiro lugar. Naquele mesmo ano, realizou seu primeiro teste na F1, com a Brabham. Porém, em 1986, seguiu na F3000, quando foi vice-campeão. Apesar dos bons resultados, Pirro não conseguiu uma vaga na categoria máxima do automobilismo em 1987. Diante do impasse na carreira, decidiu disputar a F3000 Japonesa. No fim daquele ano, tentou correr na Trussardi. Todavia, a escuderia, que usava um antigo chassi de 1986 da Benetton, foi impedida de competir.

Após a frustração com a Trussardi, Pirro recebeu um convite tentador da McLaren, onde seria piloto de testes da escuderia de Ron Dennis para 1988. Com a experiência obtida em circuitos japoneses, passou a desenvolver o motor Honda, tornando-se peça fundamental para a hegemonia da equipe de Ayrton Senna e Alain Prost naquela temporada. A presença no time campeão do mundo valorizou Emanuele. Em 1989, quando ainda testava para a McLaren, recebeu convite da Benetton para substituir o inglês Johnny Herbert no GP da França, em Paul Ricard. Era a estreia do italiano na Fórmula 1. Fez 10 corridas, tendo como ponto alto o quinto lugar em Adelaide.

Emanuele estreou na Fórmula 1 pela Benetton, no GP da França de 1989, em Paul Ricard

Emanuele em ação durante sua estreia na F1, pela Benetton, no GP da França de 1989, em Paul Ricard

Os dois pontos na prova australiana, porém, não convenceram a Benetton. Foi quando Pirro recebeu uma nova oferta. Desta vez da Dallara, para assinar pelas próximas duas temporadas – 1990 e 1991. O time italiano havia feito uma boa temporada no ano anterior, ao ser oitavo no Mundial de Construtores, com oito pontos. Todavia, nem Emanuele, tampouco a Dallara, esperavam que o desempenho da equipe fosse aquém das expectativas em 1990. No fim daquele ano, nenhum ponto foi obtido. O melhor resultado de Pirro foi um 10º lugar no GP da Hungria, em Hungaroring.

Para 1991, o italiano esperava por dias melhores na Dallara. O pódio de JJ Lehto em Imola trouxe êxtase para a equipe, que chegou empolgada para o GP de Mônaco, e pressionou Emanuele. No primeiro dia de treinos oficiais no Principado, na quinta-feira, Lehto voltou a mostrar boa forma ao ser sétimo, com 1m23s023. Pirro foi 0s288 mais lento que o companheiro, ficando em nono – 1m23s311. Contrariado, o italiano partiu para a sessão decisiva, no sábado, determinado a superar o escandinavo. E, com 1m23s022, o romano foi mais rápido que o parceiro de time por 0s001. Emanuele conquistou o 12º lugar no grid, enquanto Lehto, que não melhorou a marca de quinta, ficou com o 13º. A pole foi de Ayrton Senna (McLaren), com 1m20s344 – 2s678 mais veloz que Pirro.

Na largada, toque entre Nelson Piquet (Benetton) e Gerhard Berger (McLaren) atrapalhou Pirro

Na largada, toque entre Nelson Piquet (Benetton) e Gerhard Berger (McLaren) atrapalhou Pirro

A corrida

Para Pirro, superar Lehto nos treinos foi um prêmio. Era uma resposta para quem ainda duvidava de sua capacidade. Porém, o melhor viria no domingo, 12 de maio de 1991. Quando os 26 carros largaram para o GP de Mônaco, Emanuele não imaginava que sairia dali para a zona de pontuação. Ainda mais após o sinal verde, quando o italiano da Dallara acabou sendo prejudicado pelo incidente que envolveu Gerhard Berger (McLaren) e Nelson Piquet (Benetton) na freada da Saint Devote – o austríaco tocou seu spoiler na traseira do carro do brasileiro, que abandonou a prova. Pirro completou a volta 1 em 11º, mas acabou superado por Lehto, que se aproveitou do acidente para avançar para nono.

Emanuele permaneceu em 11º até a volta 20. Com o abandono de Andrea de Cesaris (Jordan), na 21, o italiano assumiu o 10º lugar. Ali seguiu até Satoru Nakajima (Tyrrell) deixar a prova monegasca, na volta 36, por conta de uma rodada. Em nono, Pirro já estava imediatamente atrás de Lehto, o oitavo, quando um incidente mudou o rumo da corrida da Dallara, na volta 43: Stefano Modena (Tyrrell), então segundo colocado, viu seu motor Honda explodir na saída do túnel. Riccardo Patrese (Williams), que pressionava Modena, escorregou no óleo derramado pela Tyrrell, e acabou sofrendo um acidente que o tirou da corrida. Sem os dois compatriotas, JJ assumiu o sexto lugar, e Emanuele, o sétimo.

Pirro travou um duelo à parte com Lehto: sexto lugar valeu a honra dentro da Dallara

Pirro travou um duelo à parte com Lehto: sexto lugar valeu a honra dentro da Dallara

O ponto era uma questão de honra para Pirro. Afinal, se Lehto figurasse pela segunda vez consecutiva no top 6, sua situação na Dallara se complicaria de vez. O finlandês, porém, tinha sua posição sob controle. Só um problema tiraria JJ da sexta posição. E o escandinavo passou a sofrer com a estabilidade de seu equipamento. Emanuele se aproveitou para superar Lehto na volta 67, e do sexto lugar não sairia mais. A vitória ficou com Senna, seguido por Nigel Mansell (Williams) e Jean Alesi (Ferrari). À Pirro, restou o sabor do último ponto na carreira – ao fim da temporada de 1991, deixou definitivamente a categoria máxima do automobilismo.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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