Pacífico-1994: estrelas de Rubens e Christian brilham em Aida

Enquanto Barrichello (ao centro) obteve o primeiro pódio da carreira, Fittipaldi conquistou o quarto lugar em Aida

Enquanto Barrichello (ao centro) obteve seu primeiro pódio, Fittipaldi conquistou o quarto lugar em Aida

Depois do fiasco na etapa inaugural da temporada de 1994, no GP do Brasil, em Interlagos, quando abandonou após uma rodada, Ayrton Senna (Williams) esperava se reabilitar no GP do Pacífico, disputado no Autódromo de Aida, no Japão. Contudo, Senna foi abalroado por Nicola Larini (Ferrari) logo nos metros iniciais da corrida, sendo obrigado a deixar a disputa. A frustração da legião de torcedores de Ayrton, porém, seria amenizada com o sucesso de dois jovens brasileiros. Rubens Barrichello (Jordan), 21 anos, obteve seu primeiro pódio na carreira após conquistar o terceiro lugar, enquanto Christian Fittipaldi (Footwork), 23, igualou seu melhor resultado na Fórmula 1 depois de garantir o quarto lugar.

O desempenho de Barrichello e Fittipaldi impressionou a categoria, deixando Senna – o mentor daqueles pupilos – extremamente satisfeito. “A única coisa que valeu hoje (17 de abril de 1994) foi isso. É bonito ver a molecada crescendo. Eu sei o quanto foi importante meu primeiro pódio (em Mônaco-1984, Ayrton foi segundo com Toleman). Por isso, o Rubinho ter subido lá foi uma maravilha”, afirmou o tricampeão, em entrevista publicada na edição de 18 de abril de 1994, na Folha de S. Paulo.

Acidente na largada tirou Senna do GP do Pacífico:  prova em Aida valeu pelos desempenhos de Barrichello e Fittipaldi

Acidente na largada tirou Senna da prova: corrida valeu pelos desempenhos de Barrichello e Fittipaldi

Rubens e Christian fizeram apresentações memoráveis em Aida, coroando um bom início de temporada para os dois brasileiros. Depois de estrear na categoria máxima do automobilismo em 1993, Barrichello seguiu na Jordan. Se no ano anterior, havia marcado apenas dois pontos – fruto do quinto lugar no GP do Japão de 1993, em Suzuka -, Rubinho tinha obtido um promissor quarto lugar em Interlagos. Fittipaldi, por sua vez, estreava na Footwork depois de passar duas temporadas na Minardi. Na etapa brasileira, abandonou com problemas de câmbio na volta 21, quando estava em oitavo lugar.

Ao desembarcar no Japão, Barrichello e Fittipaldi passaram a se dedicar à adaptação ao travado circuito de Aida – seria a primeira etapa da Fórmula 1 realizada na pista nipônica. O brasileiro da Jordan se sentiu à vontade no traçado, anotando um bom oitavo tempo na sessão oficial de sexta-feira. Com um carro equilibrado para as características de Aida, Rubens anotou 1m12s409, ficando a 2s191 de Senna, que fez o melhor tempo do dia (1m10s218). Seu compatriota da Footwork, porém, teve problemas na sexta. Christian marcou apenas o 15º tempo, com 1m13s111.

Christian Fittipaldi surpreendeu ao levar seu Footwork ao nono lugar no grid de Aida

Christian Fittipaldi surpreendeu ao levar seu Footwork ao nono lugar no grid de Aida

Para complicar ainda mais a vida de Christian, um forte calor assolou Aida no sábado. Isso fez com que poucos pilotos melhorassem seus tempos. Os oito primeiros colocados de sexta não superaram suas marcas no sábado. Dessa forma, Barrichello assegurou o oitavo lugar no grid. Fittipaldi não tinha alternativa a não ser pisar fundo. A tática surtiu efeito: o piloto da Footwork andou no mesmo décimo de Rubens, arrancando um surpreendente 1m12s444. Foi o terceiro melhor tempo do sábado – atrás apenas de Damon Hill (Williams) e Gerhard Berger (Ferrari) -, o que lhe garantiu a nona posição no grid.

Largada do GP do Pacífico de 1994: acidente de Senna e Larini determinou o resultado da prova

Largada do GP do Pacífico de 1994: acidente de Senna e Larini determinou o resultado da prova

A corrida

Diante da pista travada e do forte calor, esperava-se uma etapa desgastante no domingo. Os pilotos seriam apresentados a uma verdadeira maratona. Quem resistisse mais, seria recompensado. Porém, logo na largada, um acidente mudou os rumos da prova. Ayrton Senna (Williams), o pole, saltou mal e foi superado por Michael Schumacher (Benetton). Em segundo, o tricampeão contornava a Curva 1 quando foi tocado por Mika Hakkinen (McLaren). A Williams de Ayrton foi para a brita. Em seguida, Nicola Larini (Ferrari) se chocou com o carro de Senna, o que acabou com a prova dos dois.

Os abandonos de Senna e Larini foram fundamentais para os resultados de Barrichello e Fittipaldi, que herdaram duas posições logo no início da etapa. Rubens ainda se aproveitou para superar Martin Brundle (McLaren), completando a volta 1 em quinto. Já Christian se colocou em sétimo. Na volta 4, Damon Hill (Williams), na ânsia de superar Hakkinen na disputa pelo segundo lugar, escapou da pista e despencou na classificação. Dessa forma, o brasileiro da Jordan subiu para quarto, enquanto o da Footwork passou para sexto. O equipamento superior de Damon, contudo, permitiu a recuperação do inglês, que superou Fittipaldi na volta 9, e Barrichello, na 13.

Barrichello se adaptou bem ao circuito de Aida e foi coroado com o pódio

Barrichello se adaptou bem ao circuito de Aida e foi coroado com o pódio

Na volta 19, Hakkinen deixou a disputa após enfrentar problemas hidráulicos em seu McLaren. Na mesma passagem, Hill realizou sua primeira parada para troca de pneus e reabastecimento. Com isso, Rubens recuperou o quinto lugar, e Christian, o sétimo. Na volta 23, o brasileiro da Footwork foi para os boxes, retornando para a pista na oitava posição. Barrichello, por sua vez, seguiu na pista até a volta 30. Quando fez seu pit stop, estava em segundo, atrás apenas de Schumacher. No retorno, se viu em quarto, atrás de Hill e Berger, e à frente de Fittipaldi.

Os brasileiros seguiram no top 5 até a volta 38. Naquela passagem, Christian acabou sendo superado por Brundle, caindo para sexto. Com pneus desgastados, Fittipaldi realizou sua segunda parada na volta 45, e retornou à pista em nono. Na volta 49, Hill, com problemas de transmissão, abandonou a corrida quando estava em segundo. Dessa forma, Barrichello subiu para terceiro, e Christian, para oitavo. Com o pit stop de Berger, na volta 56, o brasileiro da Jordan reassumiu o segundo lugar. Naquele momento, seu compatriota da Footwork, aproveitando-se das paradas dos adversários, estava em quinto.

Abandono de Martin Brundle (McLaren) fez Barrichello herdar o pódio

Abandono de Martin Brundle (McLaren) fez Barrichello herdar o pódio

Rubens, porém, precisava realizar sua segunda parada. E o fez na volta 60. Ao retornar, estava em quarto, atrás de Schumacher, Berger e Brundle, e à frente de Fittipaldi. O pódio parecia perdido. Porém, o inglês da McLaren, com problemas de radiador, deixou a prova na volta 67. Barrichello retornou ao terceiro posto, e Christian assumiu o quarto lugar. A partir dali, os dois conduziram suavemente seus bólidos para conquistarem grandes feitos.

O terceiro lugar significou o primeiro pódio da carreira de Barrichello e o primeiro da Jordan na F1. Rubens estava incrédulo quando cruzou a linha de chegada. Ao dividir o pódio com Schumacher, o vencedor em Aida, e Berger, o segundo, fez, pela primeira vez, a “sambadinha”, festejo que marcava suas celebrações. “Eu não acredito que subi no pódio. Eu sempre pensei pequeno para colher grande”, disse Rubens à Folha de S. Paulo. “Só vi que o pódio era possível quando Brundle teve o carro recolhido aos boxes – vi no telão que fica nas arquibancadas”, relatou o brasileiro da Jordan, que saiu de Aida na vice-liderança do Mundial, com sete pontos – atrás apenas de Schumacher, com 20.

Berger, Schumacher e Barrichello celebram no pódio do GP do Pacífico de 1994

Berger, Schumacher e Barrichello celebram no pódio do GP do Pacífico de 1994

Christian igualava a façanha do GP da África do Sul de 1993, em Kyalami, quando foi quarto com a Minardi. Porém, reclamou de seu Footwork ao fim da corrida. “Com os pneus macios, o carro era muito bom umas três ou quatro voltas. Depois, ficava simplesmente inguiável. Nas últimas 20 voltas, eu estava mortinho. Quem chegasse, passava”, analisou Fittipaldi, que parabenizou Barrichello pelo top 3. “Estou muito contente pelo Rubinho. Ele fez uma ótima prova. Quando vi que estava em quarto e ele em terceiro, fiquei na torcida para quebrar alguém lá na frente. O pódio ia ser uma loucura e eu ia ter que pagar jantar para todo mundo”.

Rubens também cumprimentou Fittipaldi pelo resultado no GP do Pacífico. “A gente cresceu junto no kart e chegou até aqui (ele, em terceiro, e Christian em quarto). Ainda vamos estar juntos no pódio”, vislumbrou Barrichello, sem imaginar que isso nunca ocorreria. Tampouco, que aquela seria a última vez que Senna testemunharia os feitos daqueles compatriotas – na etapa seguinte, no GP de San Marino, Ayrton sofreria o acidente que lhe tirou a vida.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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