Bahrein-2014: com Pérez, Force India obtém segundo pódio

Membros da Force India celebram com Sergio Pérez a conquista do terceiro lugar no GP do Bahrein de 2014

Membros da Force India celebram com Sergio Pérez a conquista do terceiro lugar no GP do Bahrein de 2014

Depois de quase cinco anos, a Force India voltou ao pódio da Fórmula 1. Coube ao mexicano Sergio Pérez encerrar o longo jejum da escuderia de Vijay Mallya na categoria máxima do automobilismo. Com o terceiro lugar obtido pelo latino no GP do Bahrein, em Sakhir, o time indiano conquistou o segundo top 3 de sua história. Entre 2008, ano em que ingressou no ‘circo’, até o último domingo, a equipe só havia alcançado uma posição entre os três primeiros colocados no GP da Bélgica de 2009 – na oportunidade, o italiano Giancarlo Fisichella foi segundo em Spa-Francorchamps.

A façanha de Checo não foi a única da Force India em Sakhir. Além do pódio do piloto asteca, o time multicolorido festejou o quinto lugar de Nico Hulkenberg. Com o top 5, o alemão assumiu o terceiro lugar na classificação do Mundial de Pilotos, com 28 pontos, sendo superado somente pela dupla da Mercedes – Nico Rosberg (61 pontos) e Lewis Hamilton (50). Graças aos 25 pontos obtidos por Checo e Hulk na etapa barenita, a equipe deixou o Oriente Médio na segunda posição do Mundial de Construtores, com 44 pontos, atrás apenas da hegemônica escuderia alemã (111 pontos).

O time indiano celebrou a conquista de 25 pontos em Sakhir: equipe deixou o Oriente Médio na vice-liderança dos Construtores

Com a conquista dos 25 pontos em Sakhir, time indiano deixou Sakhir na vice-liderança dos Construtores

O resultado da Force India no GP do Bahrein não foi por acaso. Nas duas edições anteriores da prova em Sakhir, o time colocou um carro no top 6. Em 2012, Paul di Resta obteve o sexto lugar na etapa barenita. No ano seguinte, o escocês foi quarto – o melhor resultado dele na carreira. Além disso, tanto Pérez como Hulkenberg conquistaram boas marcas nos treinos realizados no circuito durante a pré-temporada de 2014.

Diante do retrospecto positivo da equipe no Bahrein, Sergio se deparou com uma grande oportunidade para seu ressurgimento na Fórmula 1. Checo se juntou à Force India após ser dispensado pela McLaren. Para alguns, o mexicano foi eleito ‘bode expiatório’ na equipe de Ron Dennis, que viveu em 2012 sua pior temporada desde sua criação – para se ter uma ideia, o melhor resultado de Pérez no ano foi um quinto lugar no GP da Índia. Sem maiores explicações, o time de Woking optou pela contratação do calouro dinamarquês Kevin Magnussen para ser companheiro de Jenson Button em 2014.

Pérez foi dispensado da McLaren em 2013, e viu na Force India a possibilidade de ressurgimento na carreira

Pérez foi dispensado da McLaren em 2013, e viu na Force India a possibilidade de ressurgimento na carreira

Ao latino, restou uma vaga no time de Vijay Mallya. Sergio ingressou na escuderia indiana com o intuito de repetir as boas performances de 2012, temporada em que obteve três pódios – foi segundo nos GPs da Malásia, em Sepang, e da Itália, em Monza, e terceiro no GP do Canadá, em Montreal. Nas duas primeiras etapas de 2014, porém, Pérez foi superado por Hulkenberg. No GP da Austrália, em Melbourne, Sergio ficou com o 10º lugar, enquanto Nico foi o sexto. Já no GP da Malásia, em Sepang, Hulk obteve a quinta posição. enquanto Checo sequer partiu para largada.

Para impedir a ascensão de Hulk na Force India, um resultado positivo no Bahrein era fundamental para Pérez. Por isso, tratou de pisar fundo. No final do primeiro dia de testes, na sexta-feira, o mexicano ficou com o 10º melhor tempo, com 1m35s802, 0s196 mais veloz que o alemão, que obteve a 13ª marca (1m35s998). “Hoje (sexta) completamos o que estava programado, apesar da mudança da temperatura, que alterou a condição da pista. Estamos satisfeitos com a quantidade e qualidade do nosso trabalho”, afirmou Sergio, após o treino noturno – seria a primeira etapa em Sakhir com luzes artificiais.

Durante o fim de semana, Sergio travou um duelo à parte com o companheiro Nico Hulkenberg

Durante o fim de semana, Sergio (foto) travou um duelo à parte com o companheiro Nico Hulkenberg

No sábado, a dupla da Force India se mostrou à vontade no traçado de Sakhir. Na primeira sessão classificatória, o Q1, Hulk anotou o melhor tempo, enquanto Checo ficou em terceiro. Na fase seguinte, o Q2, o alemão vacilou e não avançou para a fase decisiva, tendo que se contentar com a 11ª posição no grid. O mexicano, por sua vez, voltou a conduzir seu bólido com maestria, levando-o ao Q3. Na sessão definitiva, Sergio anotou um incrível 1m34s346, o que assegurou a ele o quarto lugar no grid após a punição dada a Daniel Ricciardo (Red Bull). O tempo do latino foi 1s161 mais lento que o do pole, Nico Rosberg (Mercedes).

“Definitivamente foi uma grande sessão. O time está de parabéns, fez um excelente trabalho e me deu um carro competitivo. Acho que dava para ficar ainda mais perto dos líderes, mas não consegui aquecer os freios antes da minha última volta no Q3. Ainda assim, estamos em uma ótima posição para brigar amanhã (domingo)”, celebrou Pérez. Com Hulkenberg numa posição intermediária, o mexicano sabia que teria atenção redobrado de sua equipe. Por conta disso, tinha consciência de que era hora de mostrar serviço para a nova chefia.

Na largada, Pérez travou os pneus para não se chocar com Felipe Massa (Williams)

Na largada, Pérez travou os pneus para não se chocar com Felipe Massa (Williams)

A corrida

Domingo, 6 de abril de 2014. Quando as luzes vermelhas se apagaram para 0 900º GP da história da Fórmula 1, Pérez partiu para ser protagonista. Na largada, o mexicano foi superado por Felipe Massa (Williams) e teve que travar seus pneus macios para não atingir o brasileiro. Ainda assim, Sergio manteve a quarta posição, uma vez que ultrapassou Valtteri Bottas (Williams) na primeira curva. A partir daí, o latino da Force India iniciou perseguição a Massa. Com o passar das voltas, os pneus macios de Felipe se desgastaram com mais rapidez que os de Checo. Na volta 12, o mexicano superou o brasileiro e assumiu o terceiro lugar.

Pérez se manteve em terceiro até a volta 16, quando realizou seu primeiro pit stop. Porém, por ter ficado mais tempo que os adversários na pista, acabou sendo superado por Bottas, Massa e Hulkenberg. Novamente com pneus macios, o latino retornou justamente atrás de seu companheiro na Force India. A partir daí, iniciou perseguição a Hulk. Porém, a dupla do time indiano estava num ritmo mais forte que os pilotos da Williams, e logo um pelotão foi formado com Bottas, Massa, Hulkenberg e Pérez. Com a parada de Valtteri, na volta 24, a disputa pelo terceiro lugar se restringiu a Felipe, Nico e Sergio.

Checo, à frente de Hulk: na primeira parte da corrida, alemão superou mexicano na base da estratégia

Checo, à frente de Hulk: na primeira parte da corrida, alemão superou mexicano na base da estratégia

Na volta 25, Hulk partiu para cima de Massa. Todavia, o brasileiro da Williams fechou o germânico da Force India. Checo se aproveitou disso e ultrapassou o alemão. Três voltas depois, Pérez, com atitude, superou Felipe e reassumiu a terceira colocação. Sergio prosseguiu no top 3 até a volta 34, quando retornou aos boxes para realizar seu segundo pit stop. Desta vez, o mexicano parou antes que Hulkenberg. Ao voltar à pista com pneus médios, o latino da Force India se viu momentaneamente em nono. Logo, superou Fernando Alonso (Ferrari) e assumiu o oitavo lugar. Com as paradas de Daniel Ricciardo (Red Bull), Jenson Button (McLaren) e Hulk, na volta 36, recuperou a quinta posição.

Mais uma vez, Pérez estava atrás da dupla da Williams. Contudo, com as paradas de Massa, na volta 39, e de Bottas, na 41, se viu novamente em terceiro. No mesmo instante em que o finlandês fazia seu pit stop, um acidente envolvendo Esteban Gutiérrez (Sauber) e Pastor Maldonado (Lotus) forçou a entrada do safety car. No toque de Maldonado em Gutiérrez, o Sauber do mexicano capotou, e a bandeira amarela acabou sendo inevitável. Com isso, Sergio viu reduzir sua vantagem para Hulkenberg, o quarto, e se aproximou de Hamilton, o líder, e Rosberg, o segundo.

Após a relargada, Pérez segurou Hulkenberg com maestria, e assegurou o lugar no pódio

Após a relargada, Pérez segurou Hulkenberg com maestria, e assegurou o lugar no pódio

Na relargada, dada na volta 47, a dupla da Mercedes sumiu na frente. Pérez, por sua vez, passou a duelar com Hulkenberg pelo lugar no pódio. Ainda atrás de seu primeiro top 3 na carreira, Nico fez de tudo, mas não conseguiu ultrapassar Sergio. Na volta 53, a cinco do final, Hulk não resistiu ao ataque de Ricciardo. Após superar o alemão, o australiano da Red Bull reduziu a diferença para Checo. Entretanto, Daniel não conseguiu dar o bote que lhe renderia o pódio. Pérez ficou a 24s067 de Hamilton, o vencedor, e a 22s982 de Rosberg, o segundo, e bateu Ricciardo por míseros 0s422 para assegurar o terceiro lugar.

Foi o quarto pódio da carreira de Pérez - os outros três foram conquistados em 2012, na Sauber

Foi o quarto pódio da carreira de Pérez – os outros três foram conquistados em 2012, na Sauber

A celebração da Force India foi intensa. Sergio não escondeu a emoção ao receber seu troféu. “Chegar ao pódio na terceira corrida pelo time é bem incrível. Eu passei uma fase muito complicada na McLaren, tive muitas dificuldades e não conseguia brigar por pódios. Lá, acabei tendo muitos problemas, mais do que imaginam”, desabafou Pérez, nono no Mundial, com 16 pontos.

Já o chefe da equipe, Vijay Mallya, revelou que aquele era um dos principais momentos da história do time indiano. “Desde a criação da escuderia, trabalhamos para torná-la de ponta. Subimos passo a passo essa escalada. Hoje, estamos em uma nova fase”, destacou o dirigente, lembrando que depois do feito de Sakhir, a Force India será mais respeitada pelos adversários.

Para Vijay Mallya, a Force India vivenciou um momento especial em Sakhir

Para Vijay Mallya, a Force India será mais respeitada após seus dois carros chegarem no top 5 em Sakhir

Advertisements

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Bahrein, Esteban Gutiérrez, Force India, Nico Hulkenberg, Sakhir, Sauber, Sergio Pérez, Uncategorized, Vijay Mallya. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s