Malásia-2002: Felipe Massa, um sexto lugar para a história

Sexto lugar em Sepang fez Felipe Massa ingressar num seleto rol de pilotos brasileiros

Sexto lugar em Sepang fez Massa se tornar o mais jovem brasileiro a pontuar: 20 anos, 10 meses e 20 dias

Em 17 de março de 2002, Felipe Massa entrou para a história do automobilismo brasileiro. Ao obter o sexto lugar no GP da Malásia, em Sepang, se tornou o mais jovem brasileiro a figurar no top 6 da Fórmula 1. Aos 20 anos, 10 meses e 20 dias, o piloto, então na Sauber, pontuou em sua segunda corrida na categoria máxima do automobilismo, igualando feitos de célebres compatriotas, como Emerson Fittipaldi (quarto no GP da Alemanha de 1970, com Lotus), José Carlos Pace (sexto no GP da Espanha de 1972, com March), Ayrton Senna (sexto no GP da África do Sul de 1984, com Toleman) e Roberto Pupo Moreno (sexto no GP da Austrália de 1987, com AGS).

O ponto obtido em Sepang foi a afirmação de uma carreira promissora. Desde as categorias de base, Massa obteve vitórias e títulos. O início aconteceu no kart, em 1990, categoria onde permaneceu até 1997. No ano seguinte, ingressou na Fórmula Chevrolet Brasileira, graças à ajuda de amigos de seu pai, Titônio, um ex-piloto que passou a paixão do esporte a motor ao filho. Na primeira temporada em monopostos, em 1998, Felipe ficou em quinto lugar na classificação final, um bom desempenho para um estreante.

Do kart à Fórmula 1, a trajetória de Massa foi repleta de vitórias e títulos

Do kart à Fórmula 1, a trajetória de Massa foi repleta de vitórias e títulos

A partir daí, sua estrela começou a brilhar: em 1999, foi campeão da Fórmula Chevrolet, título que o credenciou a imigrar para as disputas europeias. Em 2000, conquistou os Campeonatos Italiano e Europeu de Fórmula Renault, um feito enorme para um estreante. Foi tratado como fenômeno, assinando contrato com a Ferrari após esses títulos. E a sequência vencedora não parou aí: em 2001, veio o título da Fórmula 3000 Europeia, com seis vitórias em oito etapas.

Com Massa em evidência, o caminho natural acabou sendo mesmo a Fórmula 1. Auxiliado pela fábrica italiana, acertou testes com a Sauber, que recebia motores do time de Maranello. O brasileiro fez bons treinos com o carro suíço, o que bastou para convencer Peter Sauber a contratá-lo para sua equipe em 2002. Em um intervalo de quatro anos, Felipe deixava o kart e se credenciava a pilotar no grid mais seleto do automobilismo mundial. Uma trajetória meteórica e ao mesmo tempo vencedora, que culminou na concretização de um sonho.

Tanto Felipe quanto seu companheiro na Sauber, Nick Heidfeld (à esq.), abandonaram após acidente na largada do GP da Austrália, em Melbourne

Felipe abandonou na estreia, mas superou o parceiro na Sauber, Nick Heidfeld (à esq.), no grid de Melbourne

A bordo da Sauber, porém, não teve uma das estreias mais brilhantes. Não por sua culpa. No GP da Austrália de 2002, Massa se envolveu no múltiplo acidente protagonizado por Ralf Schumacher (Williams) e Rubens Barrichello (Ferrari). Sua primeira corrida terminou ainda na primeira curva de Melbourne. Mesmo assim, deixou uma boa impressão. Nos treinos de classificação, superou seu companheiro de time, o experiente alemão Nick Heidfeld. Felipe anotou 1m27s972 em Albert Park, o que lhe valeu o nono lugar no grid, contra 1m28s232 de Nick, o 10º.

Duas semanas depois, a Fórmula 1 desembarcou em Sepang, palco do GP da Malásia. Assim como o circuito de Melbourne, Massa desconhecia o traçado malaio. Diferentemente do que ocorreu na pista australiana, Felipe foi superado por Heidfeld. Nos treinos para definição do grid, o alemão anotou 1m37s199 e assegurou um ótimo sétimo lugar, atrás apenas dos pilotos da Ferrari – Michael Schumacher e Rubens Barrichello -, Williams – Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya – e McLaren – Kimi Raikkonen e David Coulthard. Sofrendo com o noviciado, Massa obteve apenas o 14º lugar, com 1m38s057 – 0s9 atrás de Nick e 2s791 atrás de Michael Schumacher, o pole.

Na largada do GP da Malásia, Massa escapou ileso do acidente que envolveu Montoya e Michael Schumacher

Na largada do GP da Malásia, Massa escapou ileso do acidente que envolveu Montoya e Michael Schumacher

A corrida

A Sauber, então, tinha duas perspectivas para a prova de Sepang: a de obter pontos para Heidfeld, e a de dar quilometragem para o novato Massa. Porém, quando a largada foi dada, Felipe parecia um veterano. O brasileiro escapou dos pedaços de carros deixados na pista por Michael Schumacher e Montoya, que se chocaram na volta 1, e conseguiu superar o alemão, que quebrou o spoiler dianteiro de seu Ferrari. Ao completar a primeira volta, Massa era o 13º. Na volta 2, subiu para 12º graças aos problemas de Giancarlo Fisichella (Jordan), que caiu para último. Nesta colocação, permaneceu até a volta 8, quando ultrapassou Jarno Trulli (Renault), que também encarava problemas em seu bólido.

Em 11º, o brasileiro da Sauber passou a pressionar o compatriota Enrique Bernoldi (Arrows), mas não conseguia superá-lo. Na volta 13, Massa sofreu pressão de Michael Schumacher. Na passagem seguinte, o alemão fez valer o melhor rendimento de seu Ferrari e ultrapassou Felipe, que retornou para o 12º lugar. Com o abandono de Coulthard, na volta 15, o piloto da Sauber recuperou o 11º posto, e ali permaneceu até a volta 20, quando começaram as trocas de pneus e reabastecimento.

Com estratégia de duas paradas, Felipe passou a ganhar posições em Sepang

Com estratégia de duas paradas, Felipe passou a ascender na classificação em Sepang

A estratégia do time suíço, que calçava pneus Bridgestone, era a de realizar dois pit stops. Quando Felipe fez sua primeira parada, na volta 23, ocupava o oitavo lugar – a ascensão se deveu aos pit stops dos adversários. No retorno à pista, se viu na 12ª posição. Na volta 25, o abandono de Raikkonen fez com que subisse para 11º. Duas voltas depois, retornou ao oitavo posto, por conta das paradas de Mika Salo (Toyota), Jacques Villeneuve (BAR) e Eddie Irvine (Jaguar). A partir dali, Massa iniciou perseguição a Allan McNish (Toyota). O escocês tinha tática parecida com a de Felipe – duas paradas nos boxes -, e a definição de quem levaria a melhor seria realizada na pista.

Na volta 37, Massa fez seu segundo pit stop, e voltou à pista ainda na oitava posição. A parada foi fundamental para Felipe. Ao antecipar a ida aos boxes do brasileiro, a Sauber permitiu que seu piloto realizasse voltas rápidas para superar McNish. Com o abandono de Barrichello, na volta 40, Allan passou para o sexto lugar, e Felipe, para o sétimo. Logo, a parada do escocês passou a valer um ponto na corrida. Quando McNish realizou seu derradeiro pit stop, na volta 41, era tarde demais: Massa já estava à sua frente.

Na base da estratégia, Massa superou McNish e garantiu seu primeiro ponto na carreira

Na base da estratégia, Massa superou McNish e garantiu seu primeiro ponto na carreira

A partir daí, Felipe passou a administrar a sexta colocação. Allan não o ameaçou até a bandeirada quadriculada. A vitória na Malásia ficou com Ralf Schumacher, seguido por Montoya, Michael Schumacher e Jenson Button (Renault). A Sauber, além do sexto lugar de Massa, celebrou o quinto posto de Heidfeld. Os três pontos obtidos na pista malaia contagiaram Peter Sauber, que recepcionou o brasileiro com muita alegria nos boxes de Sepang. “Super, super, super”, disse o dirigente, em alemão, segundo a edição de 18 de março de 2002 do jornal Folha de S. Paulo.

Peter Sauber estava eufórico com Massa, sexto em Sepang, e Heidfeld, quinto: três pontos muito celebrados

Peter Sauber estava eufórico com Massa, sexto em Sepang, e Heidfeld, quinto: três pontos muito celebrados

Massa também celebrou o feito. “É lógico que não esperava marcar pontos tão cedo. Na verdade, essa foi minha primeira corrida, já que na Austrália abandonei na largada”, fez questão de recordar o brasileiro à Folha. “Tive bastante cuidado a prova toda, e mais ainda nas últimas voltas. A equipe fez um ótimo trabalho, estou contente com meu trabalho também”, afirmou Felipe, sobre seu desempenho. Quando questionado pelo periódico paulistano sobre o fato de igualar as façanhas de Fittipaldi, Pace, Senna e Moreno, foi enfático. “Sem comparações. Estou contente com o meu resultado e quero comemorar”.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Allan McNish, Arrows, Eddie Irvine, Enrique Bernoldi, Felipe Massa, Giancarlo Fisichella, Jaguar, Jordan, Malásia, Mika Salo, Nick Heidfeld, Sauber, Sepang, Toyota. ligação permanente.

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