Bélgica-1958: Cliff Allison anota os primeiros pontos da Lotus

Cliff Allison anotou os primeiros pontos da então novata Lotus: 4º lugar em Spa-Francorchamps

Com o 4º lugar em Spa-Francorchamps, o britânico Cliff Allison entrou para a história da Lotus

A Lotus é uma das equipes mais bem-sucedidas da história da Fórmula 1. Detentora de vitórias e títulos na categoria máxima do automobilismo, a escuderia foi criada em 1958 pelo célebre Colin Chapman. E logo em sua temporada de estreia, o time anotou seus primeiros pontos. O autor do feito foi o britânico Cliff Allison, que levou seu bólido ao quarto lugar do GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Uma façanha pouco lembrada, mas que abriu portas tanto para a escuderia, quanto para o piloto.

O time de Chapman estreou na Fórmula 1 no GP de Mônaco de 1958. Para a corrida monegasca, Colin contava com os serviços de dois talentosos britânicos: Allison, nascido em 8 de fevereiro de 1923, e Graham Hill, nascido em 15 de fevereiro de 1929. Tanto Cliff quanto Graham também faziam suas estreias na categoria. Todavia, Chapman apostava na experiência de Allison para liderar sua escuderia. A opção fazia sentido, pois, a bordo de um Lotus, Cliff obteve bons desempenhos na Fórmula 3 e em campeonatos de protótipos.

Nas duas primeiras corridas da Lotus, dois sextos lugares - sempre com Allison

Nas duas primeiras corridas da Lotus, dois sextos lugares de Allison – início promissor de trajetória na F1

O apoio do chefe de equipe foi crucial para o bom início de carreira de Allison na Fórmula 1. Logo em sua primeira corrida, Cliff obteve o sexto lugar no Principado, mesmo após diversas paradas nos boxes. O inglês repetiu a sexta colocação na prova seguinte, no GP da Holanda, em Zandvoort. Porém, os dois resultados não valeram pontos para a Lotus. Afinal, em 1958, somente as cinco primeiras posições rendiam pontos.

Diante dos resultados em Mônaco e na Holanda, Cliff Allison desembarcou animado em Spa. Entretanto, o inglês da Lotus encararia ali um dos circuitos mais desafiadores do calendário. Isso não intimidou o britânico. Nos treinos, Cliff colocou seu Lotus modelo 12, impulsionado por motor Climax e calçado com pneus Dunlop, num modesto 12º lugar no grid. Ele percorreu os 14 km da pista belga em 4m07s7. A título de comparação, Hill ficou em 15º, com 4m17s8 – mais de 10s mais lento do que Allison.

Apesar de se impor diante de Graham, Cliff tinha consciência de que a Lotus ainda engatinhava diante das potências Ferrari, Cooper e Vanwall. Tanto que seu tempo foi 10s6 mais lento que o de Mike Hawthorn (Ferrari), pole position em Spa-Francorchamps. Desafiar os adversários parecia improvável. Dessa forma, Allison tratou de repetir a filosofia das duas primeiras provas: correr com regularidade e esperar o insucesso dos rivais eram os segredos para o inglês da Lotus vislumbrar algo na etapa belga.

Largada do GP da Bélgica de 1958: Cliff Allison ganhou três posições na volta 1

Largada do GP da Bélgica de 1958: Cliff Allison ganhou três posições na volta 1

A corrida

Spa tinha um cenário ideal para a disputa do GP da Bélgica. Em 15 de junho de 1958, o sol brilhava na região de Ardennes. Um clima inspirador para Allison que, na largada, tratou de agir com cautela. Paciente, viu Stirling Moss (Vanwall) e Master Gregory (Maserati) abandonarem o GP da Bélgica ainda no início. Além disso, contou com a péssima largada de Jack Brabham (Cooper) para completar a volta 1 na nona posição. Cliff ali permaneceu até a volta 4, quando superou Harry Schell (BRM) e viu Olivier Gendebien (Ferrari) despencar para o fim do pelotão, fazendo-o assumir o sétimo lugar.

A partir dali, só a sorte faria Allison subir na classificação. Na volta 6, ela veio multiplicada por três: o superaquecimento do bólido de Peter Collins (Ferrari), a quebra do motor do carro de Jean Behra (BRM) e o acidente que tirou Luigi Musso (Ferrari) da corrida colocaram Cliff na quarta posição. À sua frente, estavam apenas Tony Brooks (Vanwall), Mike Hawthorn (Ferrari) e Stuart Lewis-Evans (Vanwall).

A sorte sorriu para Allison: em apenas uma volta, ganhou três posições - todas por azares dos rivais

A sorte sorriu para Allison: em apenas uma volta, ganhou três posições – todas por azares dos rivais

Pela primeira vez, a Lotus estava na zona de pontos na Fórmula 1. Para assegurá-la, Allison tratou de conduzir seu bólido com regularidade. A cautela foi tamanha que, na volta 12, Roy Salvadori (Cooper) superou o britânico. Porém, na volta 15, o inglês da Cooper passou a enfrentar problemas e tirou o pé, fazendo com que Cliff reassumisse a quarta colocação. Depois disso, foi levar o carro de número 40 para a bandeirada. Foram os três primeiros pontos de Allison e da Lotus na categoria máxima do automobilismo.

A vitória foi de Brooks, que obteve, em Spa, sua segunda na carreira. O inglês da Vanwall foi seguido por Hawthorn, que se sagraria campeão ao fim da temporada, e por Lewis-Evans, que conquistou na etapa belga seu primeiro pódio na F1. Já Allison e a Lotus não pontuariam novamente em 1958.

No fim, um comemorado quarto lugar: atrás apenas de Brooks, Hawthorn e Lewis-Evans

No fim, Cliff celebrou o quarto lugar, ficando atrás apenas de Brooks, Hawthorn e Lewis-Evans

Os destinos de Allison e Lotus

Em 1959, Cliff foi para a Ferrari e anotou apenas dois pontos, enquanto a Lotus fez cinco pontos com Innes Ireland. No ano seguinte, Allison foi segundo na etapa de estreia – GP da Argentina de 1960. Todavia, foi sua única apresentação naquela temporada. Na etapa seguinte, em Mônaco, o inglês sofreu um grave acidente – seu corpo foi catapultado do carro, e Cliff teve múltiplas fraturas no rosto e na cabeça.

Allison retornou à Fórmula 1 em 1961. Novamente em Mônaco, e novamente no cockpit da Lotus. Naquele momento, o time já havia vencido duas provas na categoria – ambas com Moss, em 1960. A escuderia de Colin Chapman estava em plena ascensão, e Cliff queria mostrar seu valor. No Principado, terminou em oitavo, enquanto Stirling triunfava, para deleite de Chapman.

Dois acidentes determinaram o fim da carreira de Cliff Allison

Dois acidentes determinaram o fim da carreira de Cliff Allison

Contudo, na etapa seguinte, novo azar: nos treinos para o GP da Holanda, em Zandvoort, Allison sofreu outro grave acidente. Seu Lotus capotou, e o inglês fraturou pélvis e joelhos. Foi o fim da linha de Cliff, que assistiu de fora das pistas o início do apogeu da Lotus, que tinha entre seus pilotos um certo Jim Clark. Se não pôde triunfar na Fórmula 1 com Colin Chapman, Allison, falecido em 7 de abril de 2005, aos 73 anos, teve seu nome inscrito na história da Lotus. Afinal, foi dele os primeiros pontos da célebre escuderia.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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