Bélgica-2009: Fisichella dá primeiro pódio à Force India

Giancarlo Fisichella teve um fim de semana irrepreensível em Spa:  italiano deu 1ª pole e 1º pódio ao time de Vijay Mallya

Fisico teve um fim de semana irrepreensível em Spa: italiano deu 1ª pole e 1º pódio ao time de Vijay Mallya

Giancarlo Fisichella já era um veterano quando topou o desafio de defender a Force India en 2008. Nascido em 14 de janeiro de 1973, o italiano, então com 35 anos, desembarcou na escuderia de Vijay Mallya depois de três anos na Renault. Entre 2005 e 2007, ajudou Fernando Alonso e a escuderia francesa a conquistarem o bicampeonato de 2005 e 2006. Após um 2007 apagado, Fisico se transferiu para a nova equipe. Nova, ao menos no nome. Para Giancarlo, a Force India não era uma novidade, uma vez que conhecia muitos dos mecânicos que lá estavam. Explica-se: Mallya comprou o espólio da Spyker, ex-Midland e ex-Jordan – esta última, a equipe onde Fisichella correu em 1997 e entre 2002 e 2003, obtendo nela sua primeira vitória, no GP do Brasil de 2003, em Interlagos.

Familiarizado com grande parte dos integrantes da Force India, Giancarlo iniciava um novo projeto. Logo, teria muito trabalho pela frente. Em 2008, o time indiano não anotou nenhum ponto. O máximo que obteve foi um 10º lugar, no GP da Espanha, com Fisichella – naquele ano, somente os oito primeiros pontuavam. Nem o italiano, tampouco o estreante Adrian Sutil, chegaram perto do top 8. Apenas a Force India e a Super Aguri não fizeram pontos naquele ano.

A potência do motor Mercedes foi fundamental para a Force India ter sucesso em Spa-Francorchamps

A potência do motor Mercedes foi fundamental para a Force India ter sucesso em Spa-Francorchamps

Para 2009, uma mudança importante na equipe de Vijay Mallya. O time passou a utilizar motores Mercedes, que substituíram os Ferrari utilizados no ano anterior. Naquele ano, os propulsores alemães eram os mais eficientes da categoria, e empurravam os carros da McLaren e da Brawn. Isso influenciaria o desempenho da Force India, mas, ainda assim, a equipe teria dificuldades em pontuar. Nas 11 primeiras etapas do ano, a escuderia conquistou quatro top 10 – dois com Fisichella (9º em Mônaco e 10º na Inglaterra), e dois com Sutil (9º na Austrália e 10º em Valência) -, mas nenhum pontinho.

Quando o ‘circo’ da Fórmula 1 se instalou em Spa-Francorchamps, palco do GP da Bélgica, a aposta da Force India se concentrava na potência do motor Mercedes, que seria preponderante nas longas retas do tradicional circuito. Como o arrasto aerodinâmico não era o forte do modelo VJM02, havia uma expectativa positiva para os desempenhos de Giancarlo e Adrian. E isso ficou constatado com as marcas obtidas pela dupla na sexta-feira: o italiano anotou o sexto melhor tempo, com 1m47s506 – a 0s305 de Lewis Hamilton, o mais veloz do dia com 1m47s201 -, enquanto o alemão fez o 13º tempo, com 1m47s790.

Fisichella em êxtase, após anotar a pole position para o GP da Bélgica: o veterano superou Brawn, Red Bull e cia

Fisichella em êxtase, após anotar a pole no GP da Bélgica: o veterano superou Brawn, Red Bull e cia.

A boa performance de sexta-feira deixou otimista a Force India. Porém, a escuderia jamais imaginaria o que aconteceria na sessão que definiria o grid em Spa. As equipes favoritas ficaram para trás. Jenson Button (Brawn) e Lewis Hamilton (McLaren) pararam no Q2, enquanto Rubens Barrichello (Brawn), Sebastian Vettel (Red Bull) e Mark Webber (Red Bull) alcançaram o Q3, mas não empolgaram. Fisichella, por sua vez, se sentia em casa no circuito belga. Logo no Q1, Giancarlo mostrou força ao fazer o melhor tempo. No Q2, o italiano ficou com a quarta melhor marca. Mas seria no Q3 que Fisico faria história: com o tempo de 1m46s308, anotou a pole position para o GP da Bélgica.

Foi a quarta pole da carreira de Fisichella, a primeira da Force India. Os mecânicos da escuderia indiana receberam o italiano com muita festa. Visivelmente emocionado, Giancarlo celebrou o impressionante feito. E brincou: “De manhã atropelei um coelho e meus mecânicos, ingleses, disseram que era sinal de sorte. Estavam certos”, disse o romano. Com o VJM02 em plena harmonia com Spa, vislumbrar os primeiros pontos da história do time era algo mais do que palpável. Pódio? Só em caso de sonho. E sonhar foi preciso para transformar a ilusão em realidade…

Giancarlo largou bem e manteve a ponta, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari). Contudo, uma bandeira amarela atrapalhou os planos de vitória do piloto da Force India

Giancarlo largou bem e manteve a ponta, seguido por Raikkonen: safety car atrapalhou os planos de vitória

A corrida

Spa-Francorchamps, 30 de agosto de 2009. O GP da Bélgica já seria histórico antes mesmo da largada. Afinal, ali na primeira posição, estava Giancarlo Fisichella. Não importava o que acontecesse na La Source, a primeira curva do circuito belga. Mesmo se Fisico perdesse a posição de honra, ele já tinha escrito seu nome na história da Force India. Mas quando as luzes vermelhas se apagaram, o italiano saltou com decisão, e contornou a Curva 1 com pleno domínio da liderança.

Fisichella se desgarrou dos adversários e subiu a Eau Rouge na frente, seguido por Kimi Raikkonen (Ferrari). O finlandês, que largou em sexto, teve um sensacional início de prova: desviou de Barrichello, que ficou parado no quarto lugar do grid, fez a La Source por fora e figurou em terceiro. Após a Eau Rouge, superou Robert Kubica (BMW) e contornou a Les Combes na vice-liderança. Aliás, seria nesse ponto que um acidente envolvendo Button, Hamilton e Romain Grosjean (Renault) provocaria a entrada do safety car.

Raikkonen se aproveitou do Kers para superar Fisichella na Reta Kemmel

Kimi se aproveitou do Kers para superar Fisichella: dispositivo assegurou o triunfo do finlandês

A bandeira amarela acabou prejudicando Giancarlo. Isso porque não haveria mais diferença entre o italiano da Force India e Raikkonen. Kimi, aliás, tinha um trunfo em mãos: o Kers. Naquela temporada, apenas a Ferrari e a McLaren tinham o equipamento de armazenamento de energia cinética, que proporcionava mais cavalos de potência ao motor. E foi essa a arma que o finlandês usou para superar Fisico após a relargada, na volta 5, na Reta Kemmel, antes da freada da Les Combes.

Apesar de Raikkonen estar na liderança, ele não conseguia se impor diante de Fisichella. A Force India estava com um equilíbrio notável. Giancarlo manteve Kimi em sua alça de mira até a volta 14, quando os dois fizeram seus primeiros pit stops. No retorno à pista, o finlandês era terceiro, e o italiano, o quarto. A liderança passou para as mãos de Vettel, com Nico Rosberg (Williams) em segundo. Com a parada dos dois alemães na volta 17, Raikkonen e Fisichella retomaram as duas primeiras posições em Spa.

Apesar de pressionar Raikkonen por toda a corrida, Fisichella não teve oportunidade de ultrapassar o ferrarista

Apesar de pressionar Raikkonen por toda a corrida, Fisico não teve oportunidade de ultrapassar o ferrarista

Após a troca, Giancarlo continuou a pressionar Kimi. Porém, o Kers da Ferrari minimizava qualquer ameaça do piloto da Force India. Fisichella bem que tentou surpreender Raikkonen na estratégia de boxes, ao parar na volta 31, mas Raikkonen fez o mesmo, aniquilando a tática do time indiano. Com a parada dos ponteiros, Vettel reassumiu provisoriamente a liderança. Porém, o alemão da Red Bull realizou sua segunda parada na volta 35, e Kimi retornou à ponta, com Giancarlo em seus calcanhares.

Mesmo mostrando ter um equipamento mais equilibrado que a Ferrari de Raikkonen, Fisichella não conseguiu a oportunidade para superar o campeão de 2007. Após 44 voltas, Kimi conquistaria sua quarta vitória em Spa, seguido por Giancarlo, a 0s939 do finlandês, e por Sebastian, a 3s875 do Iceman. O triunfo não veio para a Force India, mas os festejos foram impressionantes: a equipe não marcou apenas seus primeiros pontos na Fórmula 1; o time obteve, também, seu primeiro pódio na categoria.

Fisichella formou o pódio com Raikkonen e Vettel: feito histórico para a Force India

Fisichella formou o pódio de Spa-Francorchamps com Raikkonen e Vettel: feito histórico para a Force India

“Foi um dia espetacular e um resultado surpreendente”, disse Fisichella após o pódio. “Se tivessem perguntado a qualquer pessoa da equipe, antes de virmos para Spa, se ficaríamos contentes com um oitavo lugar, teríamos dito que seria um resultado fantástico. Acabar em segundo lugar é um sonho”, afirmou o italiano. Entretanto, ele tinha uma leve decepção. “Podia ter ganho a corrida.  Tive azar com a entrada do safety car, que permitiu que Kimi utilizasse o Kers para me ultrapassar. Eu estava mais rápido do que ele, mas, com o Kers, era impossível ser mais rápido do que ele na reta”, relatou o piloto da Force India.

Fisico teve todos os méritos no feito. Porém, aquele seria seu último bom momento na Fórmula 1. Após o segundo lugar no GP da Bélgica, Giancarlo foi contratado pela Ferrari, onde substituiria seu compatriota Luca Badoer, que não convenceu no lugar de Felipe Massa – o brasileiro havia sofrido grave acidente nos treinos para o GP da Hungria daquele ano e ficou de fora do restante da temporada. Fisichella, contudo, não anotou pontos pela Scuderia, e ao fim de 2009, se retirou da categoria máxima do automobilismo.

O pódio de Spa-2009 foi a última grande façanha de Fisichella. Depois do GP da Bélgica, italiano foi para a Ferrari

O pódio de Spa foi o último feito de Fisichella. Depois, foi para a Ferrari (onde não pontuou) e deu adeus à F1

Ainda assim, a façanha de Spa-2009 marcou para sempre a vida de Giancarlo. Afinal, o primeiro pódio da Force India foi obtido pelo italiano já em seu ocaso na carreira – tinha 36 anos na época. Em suma: um desfecho reluzente para um piloto cuja trajetória foi repleta de altos e baixos.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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