Argentina-1977: Emerson resiste ao calor e fatura quarto lugar

Em sua segunda temporada pela Copersucar Fittipaldi, Emerson obteve um bom quarto lugar em Buenos Aires

Logo na estreia em sua 2ª temporada pela Copersucar Fittipaldi, Emerson obteve o 4º lugar em Buenos Aires

Na Fórmula 1, sempre há aquela expectativa de “ano novo, vida nova” nas equipes que tiveram resultados aquém do esperado na temporada anterior. Foi assim com a Copersucar Fittipaldi no início do campeonato de 1977. Quando passou a contar com Emerson Fittipaldi em seu cockpit, em 1976, a escuderia brasileira anotou apenas três pontos – o bicampeão foi sexto lugar nos GPs dos EUA-Oeste, em Long Beach, de Mônaco e da Inglaterra. Para 1977, o time tupiniquim tratou de desenvolver o modelo FD04, de 1976. Inicialmente, a decisão se mostrou acertada. Logo na primeira etapa do Mundial, no GP da Argentina, em Buenos Aires, o bólido resistiu ao forte calor portenho, e levou Emerson ao quarto lugar.

Logo na primeira corrida do ano, Fittipaldi dava à escuderia o mesmo número de pontos obtidos em 1976. Melhor início, impossível? Nem tanto. Por pouco, muito pouco (três voltas, mais exatamente), o bicampeão não levou o time brasileiro ao primeiro pódio de sua história. O top 3 não veio – o feito só seria alcançado com o segundo lugar de Emerson no GP do Brasil de 1978, em Jacarepaguá -, mas a apresentação na Argentina havia sido a melhor da equipe desde sua criação, em 1975. Um feito que encheu de confiança a escuderia para o restante da temporada.

O forte calor na etapa portenha foi o maior aliado de Fittipaldi no GP da Argentina

O forte calor na etapa portenha foi o maior aliado de Fittipaldi no GP da Argentina

Em Buenos Aires, o Copersucar Fittipaldi mais sobreviveu ao verão argentino do que propriamente mostrou velocidade. Com a constância que sempre lhe foi peculiar, Rato carregou seu FD04 nas costas. Contudo, o carro ainda mostrava deficiências. Tanto que, na classificação para o GP da Argentina, Emerson foi apenas o 16º colocado, com 1m51s53. O companheiro do bicampeão, Ingo Hoffmann, alinhou na 19ª posição do grid, com 1m53s28. A título de curiosidade, a pole ficou com James Hunt (McLaren), com 1m48s68 – o tempo do inglês campeão de 1976 foi 1s85 mais rápido que o de Fittipaldi.

Diante disso, como ter expectativas para a etapa portenha? A Copersucar Fittipaldi não imaginava, mas o clima seco e o calor insuportável foram seus maiores aliados. Essa combinação degradava os carros e fulminava os pilotos. Seria um verdadeiro teste de fogo para todos que largaram após o sinal verde em 9 de janeiro de 1977. Emerson completou a volta 1 em 13º, depois de superar Jacques Lafitte (Ligier) e Ronnie Peterson (Tyrrell) – o brasileiro herdaria a posição de Gunnar Nilsson (Lotus), que não largou por ceder seu carro ao companheiro de equipe, Mario Andretti.

Emerson Fittipaldi, durante jantar com Niki Lauda na Argentina: o brasileiro pontuou, enquanto o austríaco não completou o GP

Fittipaldi, durante jantar com Lauda na Argentina: o brasileiro pontuou, enquanto o austríaco abandonou

O bicampeão permaneceu em 13º até a volta 10, quando superou Patrick Depailler (Tyrrell) – o francês encarou problemas em seu bólido e caiu de produção. Porém, Emerson levaria o troco de Patrick na volta 14. Duas voltas depois, foi a vez do companheiro de Depailler, Peterson, ultrapassar Fittipaldi. Era mais uma corrida complicada para o brasileiro, 14º naquele momento. Contudo, a partir da volta 20, a sorte começou a sorrir para o Rato. Graças, sobretudo, ao tórrido calor argentino.

Na volta 21, Niki Lauda (Ferrari) abandonou a etapa com problemas no motor de seu carro. Na mesma passagem, Fittipaldi superou Vittorio Brambilla (Surtees), retornando, assim, ao 12º lugar. Na volta 24, figurou pela primeira vez no top 10, graças aos problemas encarados por Tom Pryce (Shadow) e Carlos Reutemann (Ferrari). A ascensão de Emerson seguiu na volta 28, por conta dos abandonos de Peterson e Jochen Mass (McLaren). Com os problemas de Depailler, na 30, e o abandono de Hunt, então líder da prova, o brasileiro ingressou na zona de pontuação.

Com a desistência dos rivais, Emerson ganhou diversas posições e alcançou a zona de pontuação

Com a desistência dos rivais, Emerson ganhou diversas posições e alcançou a zona de pontuação

De 14º na volta 20 a 6º na volta 32. Em 12 voltas, a corrida de Fittipaldi deu uma guinada. A partir dali, passou a administrar ainda mais seu equipamento. Enquanto isso, seus adversários, um a um, continuavam sofrendo com a alta temperatura – tanto do ambiente quanto da pista. Na volta 40, Clay Regazzoni (Ensign) teve problemas com seu carro, cedendo o quinto lugar para Emerson. Duas voltas depois, John Watson (Brabham) abandonou com problemas no câmbio, colocando o brasileiro na quarta posição.

Na volta 42, a liderança era de outro brasileiro – José Carlos Pace (Brabham) ponteava a etapa argentina. Porém, Moco seria surpreendido por dois fatores: a falta de preparo físico e pela performance da Wolf, uma equipe canadense que estreava na Fórmula 1 justamente em Buenos Aires e que tinha o sul-africano Jody Scheckter em seu cockpit. Na volta 48, a seis do final, Scheckter superou Pace. Na volta 51, foi a vez de Andretti ultrapassar o brasileiro da Brabham. Porém, na passagem seguinte, o norte-americano da Lotus deixou a disputa por um problema nos pneus.

Façanha: Jody Scheckter superou José Carlos Pace e faturou a 1ª vitória da Wolf no 1º GP da escuderia

Façanha: Jody Scheckter superou José Carlos Pace e faturou a 1ª vitória da Wolf no 1º GP da escuderia

Sem Andretti, Fittipaldi seria terceiro. Seria, se não fosse um ídolo local. O bicampeão bem que se esforçou, mas não conseguiu conter o ímpeto de Reutemann, que, na volta 51, superou Emerson. Scheckter ficou com a histórica vitória na primeira prova da Wolf na Fórmula 1. Pace assegurou o segundo lugar – seria o último pódio da carreira do brasileiro da Brabham, que morreria num acidente aéreo em 18 de março daquele ano -, e foi seguido pelo argentino Lole.

Já Fittipaldi teve que se contentar com o quarto lugar. Apesar do pódio lhe escapar pelos dedos, Rato certamente celebrou aquele resultado. Afinal, o bicampeão demonstrava ter uma “vida nova” no “ano novo” da Copersucar Fittipaldi.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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