Japão-2002: Takuma Sato vive dia de super-herói em Suzuka

Sato foi elevado a herói japonês após levar a Jordan a um expressivo quinto lugar em Suzuka

Sato foi elevado a herói japonês após levar a Jordan a um expressivo quinto lugar em Suzuka

A temporada de 2002 foi uma das mais monótonas da história da Fórmula 1. Culpa da Ferrari, que monopolizou as provas daquele ano. Ao desembarcar no Japão, palco da última etapa do Mundial, Michael Schumacher e Rubens Barrichello haviam vencido 14 das 16 etapas disputadas. Diante tamanha supremacia, esperava-se um novo passeio ferrarista no Autódromo de Suzuka, palco da última corrida de 2002. Ele veio com dobradinha, levando a Scuderia a ganhar 15 das 17 provas do ano. Porém, o GP do Japão, disputado em 13 de outubro daquele ano, proporcionou um feito especial para os fãs nipônicos. A bordo de um Jordan, Takuma Sato surpreendeu o ‘circo’ ao conquistar o quinto lugar em casa. Isso bastou para elevá-lo à condição de super-herói nacional.

Sato trilhou um árduo e meteórico caminho para alcançar o feito daquele domingo. Seis anos antes do quinto lugar de Suzuka-2002, nunca havia pilotado. Começou no kart em 1996. Tinha 19 anos, uma idade avançada para quem quer seguir esta carreira. Em 1998, ingressou na escola de pilotos da Honda. O apoio da montadora nipônica foi fundamental para que sua vida no automobilismo fosse sedimentada na Europa, mais precisamente na Inglaterra.

Quinto lugar em Suzuka coroou uma carreira que havia começado seis anos antes, em 1996, no kart

Quinto lugar em Suzuka coroou uma carreira que havia começado seis anos antes, em 1996, no kart

Logo em 1999, estreou na classe B da Fórmula 3 Inglesa. Não disputou todas as etapas, mas obteve três vitórias, ficando em quarto na classificação. No ano seguinte, participou da divisão principal da F3 correndo pela Carlin. Conquistou quatro vitórias, o que lhe garantiu o terceiro lugar no campeonato. Com a experiência adquirida em 2000, Takuma realizou sua terceira temporada no certame britânico. Novamente pela Carlin, travou feroz duelo com seu companheiro Anthony Davidson. Com 12 vitórias, assegurou o título da F3 Inglesa. Foi o primeiro piloto japonês a ter um título de expressão internacional no automobilismo. Além disso, venceu os GP de Macau e o Masters de Zandvoort, duas das mais tradicionais provas de Fórmula 3 do mundo.

As conquistas de 2001 impulsionaram a carreira de Sato. A Jordan apareceu naturalmente no caminho do japonês, uma vez que a escuderia de Eddie Jordan era impulsionada pelos motores Honda. Daí, costurou-se o acordo: para agradar a montadora e abater os preços pagos pelos propulsores, o time concedeu um cockpit para Takuma, que correria em 2002 ao lado do experimentado italiano Giancarlo Fisichella. Contudo, a Jordan iniciava, naquela temporada, seu declínio na Fórmula 1. Logo, tanto Sato quanto Fisichella sofreram com os problemas crônicos do time.

A Jordan enfrentou muitos problemas durante o ano, e Sato sofreu com as críticas por conta de acidentes

A Jordan enfrentou muitos problemas durante o ano, e Sato sofreu com as críticas por conta de acidentes

O italiano viveu um breve período positivo, quando conseguiu três quintos lugares consecutivos – Áustria, Mônaco e Canadá. Depois, Fisico ainda conquistou um sexto lugar na Hungria. E só. Em contrapartida, Takuma não conseguia se firmar. Ficou estereotipado como causador de acidentes, como todos os japoneses que vieram antes dele na F1. Os números não mentem: em 2002, o nipônico abandonou quatro etapas por se envolver em colisões. Seu melhor resultado naquele ano havia sido um discreto oitavo lugar no GP da Alemanha, em Hockenheim.

Quando desembarcou em seu país para a última etapa da temporada, Sato recebeu um presente da Honda: a montadora prepararia um motor especial para a disputa de Suzuka. Queriam ajudar seus times – além da Jordan, a BAR era impulsionada pelo propulsor nipônico – a fazer bonito em casa. Alguns cavalos de potência a mais foram fundamentais para um feito inédito do time de Eddie Jordan: seus dois pilotos se classificaram entre os 10 primeiros pela primeira vez em 2002.

Takuma voou baixo nos treinos em Suzuka: sétimo lugar no grid para o GP do Japão

Takuma voou baixo nos treinos em Suzuka: sétimo lugar no grid para o GP do Japão

Takuma voou em Suzuka. Com o tempo de 1m33s090, colocou seu carro amarelo na sétima colocação do grid, contra 1m33s276 de Giancarlo, oitavo no treino. À frente da dupla da Jordan, somente as duplas da Ferrari (Michael Schumacher e Rubens Barrichello), da McLaren (David Coulthard e Kimi Raikkonen) e da Williams (Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya). Pontuar pela primeira vez no ano passou a ser algo concreto para Sato, desde que houvesse algum problema com os carros das três principais equipes.

Na largada, o japonês da Jordan se manteve em sétimo, enquanto Fisichella largou mal, caindo para 11º. Takuma seria incomodado por Jarno Trulli (Renault), mas não chegava a ter sua posição ameaçada pelo italiano. Na volta 7, Sato ingressou na zona de pontuação graças a Coulthard. O escocês, que pressionava Barrichello na luta pelo segundo lugar, abandonou por problemas no acelerador de seu McLaren.

Na largada do GP do Japão, Sato se manteve na sétima colocação

Na largada do GP do Japão, Sato se manteve na sétima colocação, enquanto Fisichella saltou mal

Takuma seguiu em sexto lugar até a volta 21, quando fez seu primeiro pit stop. No retorno à pista, entretanto, estava na oitava posição. Explica-se: a Renault antecipou as paradas de Trulli e Jenson Button, colocando a dupla à frente do nipônico da Jordan. Na volta 32, o time francês viu naufragar as possibilidades de pontuação de seus pilotos: Trulli abandonou com problemas mecânicos, enquanto Button teve um pit stop conturbado, e despencou na classificação. Com isso, Sato retomou o sexto lugar.

Depois de realizar seu segundo pit stop, na volta 36, e se ver com uma confortável vantagem sobre Button, o japonês pressentiu que pontuar estava próximo. Na volta 48, a sorte voltou a sorrir para Takuma: o motor BMW de Ralf Schumacher quebrou, e o alemão abandonou a prova. Sato estava na quinta posição. À frente dele, somente Michael Schumacher, Barrichello, Raikkonen e Montoya. A partir daí, foi levar seu Jordan até a bandeirada, e fazer os mais de 130 mil nipônicos presentes em Suzuka delirar com a façanha. “Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, definiu Sato, após a bandeirada.

Takuma Sato no céu: "esse é o dia mais feliz da minha vida", resumiu o japonês

Takuma Sato no céu: “hoje é o dia mais feliz da minha vida”, resumiu o japonês

Além de conquistar seus dois primeiros pontos na carreira, Takuma ajudou a Jordan a terminar a temporada em sexto lugar no Mundial de Construtores, com nove pontos, ultrapassando a Jaguar, que fez oito, e a BAR, que, mesmo com as especificações mais atualizadas do motor Honda, anotou sete. Apesar de fechar 2002 com chave de ouro, Sato não conseguiu um lugar como titular em 2003 – foi terceiro piloto da BAR naquele ano. Ainda assim, carregar a Jordan ao top 5 só fez o japonês ser mais adorado pela apaixonada torcida nipônica.

Eddie Jordan agradeceu Sato pelos dois pontos, que colocaram a equipe do irlandês em sexto no Mundial de 2002

Eddie Jordan agradeceu Sato pelos dois pontos, que colocaram a equipe do irlandês em sexto no Mundial

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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