Bélgica-1982: Chico Serra obtém o último ponto da Fittipaldi

Chico Serra herdou o sexto lugar no GP da Bélgica de 1982: único ponto na carreira e último da Fittipaldi

Chico Serra herdou o sexto lugar no GP da Bélgica de 1982: único ponto na carreira e último da Fittipaldi

A Fórmula 1 estava de luto naquele 9 de maio de 1982. No dia anterior, a categoria máxima do automobilismo perdeu um dos seus filhos mais ilustres no treino classificatório para o GP da Bélgica, disputado no Autódromo de Zolder. Gilles Villeneuve (Ferrari) morreu após se chocar com Jochen Mass (March). O carro do canadense foi catapultado e se partiu em dois. O corpo do piloto, detentor de seis vitórias na carreira, foi atirado contra uma rede de proteção. A morte foi instantânea. A perda de Gilles fez com que seu companheiro de Scuderia, Didier Pironi, não participasse da etapa belga.

Mas a vida continuava, decretaram os pilotos. Pela honra de Villeneuve, os carros foram para a pista naquele domingo. Um deles, lá no fundo do pelotão, não tinha muita expectativa para o GP da Bélgica. A bordo de um fraco Fittipaldi-Ford, o brasileiro Chico Serra fez o 25º tempo dos treinos. Sem Gilles e Didier, largou na 23ª posição do grid. Dali, finalizou a prova na sétima posição. Após a bandeirada, viria uma notícia alentadora depois daquele trágico fim de semana: Niki Lauda (McLaren), terceiro na Bélgica, foi desclassificado pelo fato de seu carro estar abaixo do peso especificado. Com isso, Serra ficou com a sexta posição, levando um ponto para casa.

Desde a largada, Serra passou por desafios: prova de resistência na Bélgica

Desde a largada, Serra passou por desafios: prova de resistência na Bélgica

Para alcançar o final da prova, o brasileiro da Fittipaldi passou por um verdadeiro teste de sobrevivência. Desde a largada, Serra encarou desafios inusitados. A começar com o sinal verde: Nigel Mansell (Lotus), sétimo no grid, ficou parado. Os carros que vinham atrás tiveram que desviar do carro do inglês. Manfred Winkelhock (ATS) e Bruno Giacomelli (Alfa Romeo) acabaram se chocando. A confusão foi enorme, mas Chico conseguiu escapar ileso. Após o incidente, o brasileiro figurava na 18ª colocação. Na volta 5, superou Teo Fabi (Toleman). Com o problema no turbo do Renault de René Arnoux, Serra apareceu na 16ª posição.

Na volta 6, Chico era o 15º, depois de superar Marc Surer (Arrows). O piloto da Fittipaldi manteve-se ali até a volta 15, quando foi ultrapassado por Mass. Apesar disso, Serra continuou em seu ritmo regular e contou com o azar dos adversários para subir na classificação. Na volta 24, apareceu em 12º, depois dos problemas de Brian Henton (Tyrrell). Onze voltas depois, era o 11º, graças ao abandono de Andrea de Cesaris (Alfa Romeo) por problemas de transmissão.

Chico teve bons momentos em Zolder, como os duelos com Prost e Piquet

Chico teve bons momentos em Zolder, como os duelos com Prost e Piquet

A partir daí, começou o melhor momento da prova para Serra. O brasileiro da Fittipaldi passou a trocar posições com Alain Prost (Renault) e Nelson Piquet (Brabham). É bem verdade que ambos tinham problemas em seus bólidos. Chico, que não tinha nada a ver com isso, tomou a posição de Prost na volta 59. Na sequência, o francês abandonou após escapar da pista. Naquele instante, era o oitavo, à frente de Piquet. Na passagem seguinte, foi a vez de Mass abandonar com problemas de motor. Chico estava em sétimo.

Na volta 61, um acidente com Derek Daly (Williams) permitiu que Serra assumisse o sexto lugar. Contudo, isso durou apenas uma volta. Piquet ultrapassou Chico na volta 62 e não permitiu que o compatriota da Fittipaldi se aproximasse mais. E assim foi até a bandeira quadriculada.

O brasileiro foi beneficiado pela desclassificação de Lauda: único ponto na carreira e último da Fittipaldi

O brasileiro foi beneficiado pela desclassificação de Lauda: único ponto na carreira e último da Fittipaldi

A vitória ficou com John Watson (McLaren), seguido por Keke Rosberg (Williams). A desclassificação de Lauda acabou premiando também Eddie Cheever (Ligier), que herdou o terceiro lugar – transformando-se no primeiro pódio na carreira do norte-americano -, Elio de Angelis (Lotus), o quarto, e Piquet, o quinto. Sexto, Chico mal sabia que aquele ponto que caiu no colo dele seria o único obtido em sua carreira na Fórmula 1. Mais: seria o último ponto da Fittipaldi na categoria.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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