China-2013: Ricciardo assombra rivais com sétimo lugar

O sétimo lugar em Xangai é o auge da carreira de Daniel até o momento

Os seis pontos em Xangai representaram o melhor momento da carreira de Daniel até o momento

O último fim de semana foi o mais especial da carreira do australiano Daniel Ricciardo (Toro Rosso) até o momento. Desde os treinos oficiais até a bandeira quadriculada no GP da China, disputado no último dia 14 de abril, em Xangai, o piloto de 23 anos se destacou diante dos principais nomes da Fórmula 1 atual. Apesar de ter um equipamento que não lhe permite lutar pelas primeiras posições, Ricciardo desafiou McLaren e Lotus. No final, levou a melhor numa disputa particular com Nico Hulkenberg (Sauber) para ficar com o sétimo lugar e pressionou Felipe Massa (Ferrari). O resultado na etapa chinesa foi o melhor obtido pelo australiano desde o início de sua trajetória na categoria máxima do automobilismo.

Esse é o terceiro ano em que Daniel corre na Fórmula 1. Ele ingressou na categoria em 2011, quando defendeu a Hispania no lugar do indiano Narain Karthikeyan por 10 GPs – no GP da Índia, Karthikeyan correu em casa e Ricciardo ocupou o cockpit do italiano Vitantonio Liuzzi. Na fraquíssima escuderia espanhola, o melhor que o australiano obteve foi o 16º lugar no GP da Itália. Em 2012, se transferiu para a Toro Rosso. No ano passado, Ricciardo obteve 10 pontos. O máximo que conseguiu foram quatro nonos lugares (Austrália, Bélgica, Cingapura e Coreia do Sul), enquanto seu companheiro, o francês Jean-Eric Vergne, conquistou quatro oitavos lugares e anotou 16 pontos.

Conheça mais sobre a carreira de Daniel Ricciardo no Contos da Fórmula 1

Ricciardo vive um ano de definição na Fórmula 1: ele precisa demonstrar sua capacidade ao 'circo'

Ricciardo vive um ano de definição na Fórmula 1: ele precisa demonstrar sua capacidade ao ‘circo’

Ser superado pelo parceiro de escuderia foi difícil de assimilar para Daniel. Tanto que sua posição dentro da Toro Rosso chegou a ser contestada. Permanecer no ‘circo’ foi o melhor presente de Natal para o australiano – a direção do time manteve a dupla Ricciardo-Vergne para 2013. O piloto de Perth colocou na cabeça: chegou a hora de superar Jean-Eric e traçar um destino definitivo para sua carreira na Fórmula 1. As duas primeiras etapas não foram positivas: em casa, na Austrália, abandonou quando era o 11º; e na Malásia, quando estava à frente de Vergne, também deixou a prova – o francês foi 10º. Logo, o GP da China era palco ideal para uma redenção de Daniel.

Em Xangai, um Ricciardo determinado assombrou o paddock. Apresentando um ritmo consistente, o australiano se mostrou bem adaptado ao traçado chinês. O auge veio no treino de classificação. Daniel surpreendeu e levou a Toro Rosso ao Q3. Uma façanha impressionante. A ponto de Jenson Button (McLaren) soltar um “uau” logo após o fim do Q2 e ser informado do avanço de Ricciardo. Mal sabia o campeão de 2009 que viria mais – o aussie obteve o sétimo lugar no grid, à frente do próprio Button, de Sebastian Vettel (Red Bull) e Hulkenberg. Vergne, seu grande parâmetro, foi apenas o 15º.

“A última vez que eu tinha me qualificado bem no grid foi no GP do Bahrein do ano passado, quando fui sexto, mas não consegui marcar pontos. Hoje eu realmente queria mostrar às pessoas o que eu posso fazer”, disse Daniel, após a etapa de Xangai. Na largada, no domingo, Ricciardo se manteve na sétima posição. Ficou encaixotado entre Romain Grosjean (Lotus) e Button. Nas primeiras voltas, segurou o inglês da McLaren e pressionava o francês da Lotus. Porém, na volta 4, um choque avariou a asa dianteira de seu Toro Rosso.

Após a largada, Daniel continuou à frente de Button, Vettel e Hulkenberg

Após a largada, Daniel continuou à frente de Button, Vettel e Hulkenberg

“O pit stop no início, para substituir o bico do carro, acabou mudando os nossos planos”, comentou. Com a parada, o australiano caiu para a última colocação. Parecia o fim do sonho de Ricciardo. Mas não foi. Numa prova de recuperação e com as paradas dos principais adversários, Daniel voltou a perseguir Grosjean. O australiano da Toro Rosso fez seu segundo pit stop na volta 22. Na ocasião, já estava na sétima colocação. No retorno à pista, se encontrava na 11ª posição. Na saída dos boxes, chegou a travar um bom duelo com Vergne pela posição, mas acabou levando a melhor.

Na volta 31, veio o grande momento de Daniel: ele superou Grosjean. Mesmo o francês tendo o bom Lotus em mãos, não foi capaz de segurar o ímpeto de Ricciardo. O australiano esticou seu período na pista o quanto pôde. Apenas na volta 38, quando já ocupava o sexto lugar, fez sua terceira e definitiva parada. No retorno, estava na 10ª posição. Na volta 41, superou Sergio Pérez (McLaren) com autoridade. Na 46, não tomou conhecimento de Hulkenberg, assumindo o oitavo lugar.

Ricciardo esticou seu período na pista o quanto pôde, fazendo sua terceira parada na volta 38

Ricciardo esticou seu período na pista o quanto pôde, fazendo sua terceira parada na volta 38

A partir daí, passou a ser mais veloz que Felipe Massa, aproximando-se cada vez mais do brasileiro com o passar do tempo. Na volta 53, Paul di Resta (Force India) foi aos boxes, elevando Ricciardo para a sétima posição. No final, o australiano da Toro Rosso completou o GP a apenas 1s8 de Massa. “A Ferrari estava ficando cada vez maior na minha frente. Então, sim, talvez eu pudesse ter feito mais, porém estou satisfeito com este sétimo lugar”, destacou Daniel. Fernando Alonso (Ferrari) venceu na China, seguido por Kimi Raikkonen (Lotus), Lewis Hamilton (Mercedes), Vettel, Button e Massa. Ou seja: só pilotos de equipes grandes superaram o australiano.

Nos boxes da Toro Rosso, a festa foi intensa para Ricciardo que, com justiça, celebrou o feito. “São os meus primeiros pontos da temporada e, para confirmar o desempenho de qualificação de sábado, me mantive calmo, sabendo que o verdadeiro trabalho começava hoje (domingo).  É ótimo para mim ter tido uma grande corrida, mas é especialmente bom para a equipe. Tivemos muitas mudanças em termos de pessoal e leva um tempo para que tudo esteja no lugar”.

Festa na Toro Rosso para Ricciardo: o melhor resultado da equipe desde o sexto lugar de Jaime Alguersuari em Monza-2011

Festa na Toro Rosso: o melhor resultado da equipe desde o 6ºlugar de Jaime Alguersuari em Yeongam-2011

Advertisements

Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em China, Daniel Ricciardo, Jean-Eric Vergne, Nico Hulkenberg, Sauber, Toro Rosso, Xangai. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s