Brasil-1999: Barrichello leva Stewart à ponta em Interlagos

Rubens surpreendeu ao levar a Stewart à ponta no GP do Brasil de 1999

Rubens surpreendeu ao levar a Stewart à ponta no GP do Brasil de 1999

11 de abril é um dia marcante para Rubens Barrichello. Naquele dia, em 1993, o brasileiro, então na Jordan, deu um show à parte em Donington e quase subiu ao pódio no GP da Europa. Seis anos depois, ele também fez bonito: diante de seus compatriotas, Barrichello fez a Stewart liderar uma prova pela primeira vez na história. Porém, também ficou no quase: quando estava em terceiro, o motor Ford quebrou e foi obrigado a deixar o GP do Brasil. Interlagos se frustrou, mas, mais uma vez, viu um piloto da casa emocionar o público presente no Autódromo José Carlos Pace.

Entre Donington-1993 e Interlagos-1999, muito mudou na vida de Barrichello na Fórmula 1. Da carreira promissora na Jordan, passando pela responsabilidade que chamou para si após a morte de Ayrton Senna no GP de San Marino de 1994, Rubens tomou uma decisão arrojada depois de quatro anos na escuderia de Eddie Jordan: no fim de 1996, acertou com a Stewart, uma equipe novata capitaneada pelo tricampeão Jackie Stewart. O brasileiro acreditou no projeto e abraçou a causa.

A temporada de 1999 foi um divisor de águas na carreira de Rubens Barrichello. Ou ele brilhava, ou sua carreira se estagnaria

A temporada de 1999 foi um divisor de águas para Rubens. Ou ele brilhava, ou sua carreira se estagnaria

Foi um verdadeiro tiro no escuro. Em 1997 e 1998, Barrichello passou por tempos difíceis. Somou apenas 10 pontos em duas temporadas. Ele sabia: 1999 seria um ano definitivo para sua carreira na Fórmula 1. A Stewart teria de mostrar serviço. Enfim, o time britânico acertou. Com um bom conjunto motor-chassi, o SF3 teve um desempenho acima das expectativas nos testes pré-temporada.

A estreia, no GP da Austrália, em Melbourne, comprovou o potencial do carro. Rubens se classificou na quarta posição do grid, atrás apenas de Mika Hakkinen (McLaren), David Coulthard (McLaren) e Michael Schumacher (Ferrari). Porém, uma falha antes da largada fez o brasileiro sair por último. Ainda assim, a prova de recuperação foi bem-sucedida – Barrichello terminou em quinto. Mas todos no grid sabiam: a Stewart tinha total condição de terminar no pódio em Albert Park.

Barrichello sabia que o carro de Jackie Stewart tinha potencial para a temporada de 1999

Barrichello sabia que o carro de Jackie Stewart tinha potencial para a temporada de 1999

Foi com esse espírito que Barrichello desembarcou em São Paulo. Em Interlagos, ele tinha consciência de que poderia brigar pela primeira vez para chegar entre os três primeiros. E isso pôde ser notado nos treinos. Correndo em seu quintal, Rubens deu um espetáculo no classificatório. Com 1m17s305, foi 1s1 mais veloz que seu companheiro de equipe, Johnny Herbert, que se posicionou em 10° no grid. Melhor: ficou 0s737 atrás apenas de Hakkinen, o pole. Além do finlandês, foi superado por Coulthard, o segundo. E só.

No sábado, Barrichello ficou à frente de ninguém menos que Schumacher. O público no autódromo paulistano foi ao delírio. O brasileiro da Stewart também. A festa foi intensa nos boxes do time de Jackie Stewart. As expectativas para Rubens eram as mais positivas possíveis. O pódio era algo tão concreto para Rubens que ele carregava consigo uma bandeira do Brasil no carro. Isso ficou ainda mais próximo após o apagar das luzes vermelhas na tarde de domingo, 11 de abril de 1999: Coulthard ficou parado no grid. Barrichello assumiu o segundo lugar, atrás apenas de Hakkinen.

Barrichello levou a torcida brasileira ao delírio ao alinhar em terceiro lugar no grid em Interlagos

Barrichello levou a torcida brasileira ao delírio ao alinhar em terceiro lugar no grid em Interlagos

Mas o improvável aconteceria na volta 4. Na ponta, o finlandês da McLaren se viu com problemas em seu câmbio. As marchas não engatavam. Hakkinen ameaça encostar seu carro na Reta Oposta. Rubens, logo atrás, fez menção a ir por dentro. Mika se encaminhou para lá. Em uma fração de segundo, o brasileiro colocou o carro por fora e assumiu a ponta. Celebração intensa no Setor G das arquibancadas de Interlagos. Após cinco anos, um piloto do Brasil liderava em São Paulo – o último havia sido Ayrton Senna, com Williams, em 1994.

Para Jackie Stewart, uma festa a mais: pela primeira vez em pouco mais de dois anos, um carro da Stewart ponteava uma prova da Fórmula 1. Além de Barrichello, Schumacher passou Hakkinen, que conseguiu fazer o câmbio da McLaren funcionar e seguiu em terceiro. Na liderança, Rubens se impôs diante Schumacher. O brasileiro controlou o alemão da Ferrari com maestria. Em nenhum momento, foi incomodado pelo ferrarista.

Na ponta, Barrichello não foi ameaçado por Michael Schumacher

Na ponta, Barrichello não foi ameaçado por Michael Schumacher

Por 23 voltas, Barrichello liderou o GP do Brasil. Na volta 27, foi aos boxes. No retorno à pista, estava em quarto, atrás de Schumacher, Hakkinen e Eddie Irvine (Ferrari). Na volta 36, retomou o terceiro lugar após superar Irvine na freada do S do Senna. Na volta 38, Schumacher foi aos boxes e perdeu a ponta para Hakkinen. Barrichello, em terceiro, se via próximo dos dois campeões. O terceiro lugar estava assegurado, mas Rubens queria mais. O ritmo da Stewart era bom, mas… Chegou a volta 43. O motor Ford do Stewart do brasileiro quebrou na subida da Junção. Era o fim do sonho.

Sem Barrichello, o grande protagonista de Interlagos-1999, a prova se tornou um marasmo. Hakkinen confirmou sua décima vitória na carreira, seguido por Schumacher e Heinz-Harald Frentzen (Jordan). Todavia, por bons momentos, Rubens fez renascer um sentimento que há muito tempo a torcida brasileira não tinha: o de ver um piloto do país liderar um GP.

Motor Ford da Stewart deixou Barrichello na mão: frustração para piloto e torcida

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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