Abu Dhabi-2012: Maldonado leva Williams sem Kers ao top 5

Quando se pensava no ocaso de Pastor, veio o quinto lugar em Yas Marina

Quando se pensava no ocaso de Pastor, veio o quinto lugar em Yas Marina

Ele viu os dois lados da moeda na temporada 2012. Com um carro promissor, surpreendeu a todos ao vencer o GP da Espanha. Todavia, após a impressionante vitória em Montmeló, Pastor Maldonado só decepcionou. Diversos acidentes ocasionados por decisões afoitas o colocaram numa encruzilhada na Fórmula 1. O venezuelano da Williams passou de revelação a vilão num único ano. Mas ele precisava provar a si mesmo de que o primeiro lugar em Barcelona não tinha sido em vão.

Demorou, mas a resposta chegou no último dia 4 de novembro. No GP dos Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, Maldonado voltou a impressionar. O sul-americano teve um fim de semana positivo ao alinhar a Williams na terceira posição do grid de largada. Na prova, um problema no Kers de seu bólido impediu que Pastor fosse ao pódio no moderníssimo – mas modorrento – circuito de Yas Marina.

Maldonado celebra o terceiro lugar no grid do GP dos Emirados Árabes

Maldonado celebra o terceiro lugar no grid do GP dos Emirados Árabes

Na pista planejada pelo projetista alemão Hermann Tilke, Maldonado construiu mais uma vez uma boa impressão. Em uma volta lançada, o venezuelano foi um espetáculo à parte. Arrojado e destemido quando desafia seus próprios limites, Pastor se mostrou capaz de deixar para trás pilotos da estirpe de Fernando Alonso (Ferrari), Kimi Raikkonen (Lotus) e Jenson Button (McLaren), três campeões do mundo. Um feito e tanto.

Classificou seu Williams com o quarto melhor tempo, atrás somente de Lewis Hamilton (McLaren), Mark Webber (Red Bull) e Sebastian Vettel (Red Bull). Porém, subiu uma posição após o fim do treino oficial, uma vez que o alemão, líder do Mundial, largou seu carro sem combustível na pista. Vettel foi obrigado a largar em último em Abu Dhabi, permitindo que Maldonado saísse na terceira colocação.

Surpreendido por Raikkonen na largada, Pastor superou Webber e manteve-se em 3º

Surpreendido por Raikkonen na largada, Pastor superou Webber e manteve-se em 3º

O pódio passou a ser uma meta real para Pastor. Assim como em Barcelona, estava em ritmo semelhante às McLaren e Red Bull, e era capaz de andar num nível superior que as Ferrari e Lotus. Contudo, a pressão sobre Maldonado deixava qualquer pretensão em dúvida. Sobretudo na largada. Comedido, o venezuelano foi superado por Raikkonen, mas se aproveitou da péssima saída de Webber para se manter no terceiro lugar.

Entretanto, Maldonado não conseguia perseguir os líderes Hamilton e Raikkonen. O venezuelano passou a segurar Alonso, Webber e Button. A situação seguiria inalterada até a volta 9, quando Nico Rosberg (Mercedes) encheu a traseira de Narain Karthikeyan. O espetacular acidente provocou a entrada do safety car.

Sem o Kers, Maldonado se tornou presa fácil para os adversários

Sem o Kers, Maldonado se tornou presa fácil para os adversários

Na relargada, dada na volta 15, Pastor percebeu que algo não estava bem com seu Williams. “Acabamos perdendo o Kers logo depois do primeiro safety car, então fui efetivamente prejudicado. É muito difícil guiar quando se tem um problema no carro, principalmente nesta pista”, lamentou o venezuelano.

Mesmo com o problema, Maldonado segurou-se o quanto pôde. Na volta 20, com a quebra de Hamilton, se viu em segundo lugar. Entretanto, na passagem seguinte, a falta do equipamento que gera potência no motor a partir da energia gerada nas freadas começou a prejudicar Pastor: o piloto da Williams foi ultrapassado por Alonso.

Maldonado lamentou a má sorte de Webber na tentativa de ultrapassagem

Maldonado lamentou a má sorte de Webber na tentativa de ultrapassagem

Na volta 23, Webber tentou repetir o feito do espanhol. Pastor defendeu a posição. O toque, de corrida, acabou vitimando o australiano, que rodou. “Eu acho que Mark teve muito azar porque ele tentou me ultrapassar pelo lado de fora, mas tocou no pneu dianteiro direito e rodou. Eu estou triste por ele, mas foi uma manobra de risco extremo”, disse Maldonado. Contudo, o venezuelano perderia a terceira posição para Button na passagem seguinte.

Na volta 29, Sergio Pérez (Sauber) ultrapassou Maldonado. No limite, o sul-americano da Williams foi aos boxes fazer seu único pit stop. No retorno à pista, se viu na 11ª posição. Definitivamente, o GP de Abu Dhabi não estava sendo de sonhos para Pastor. Todavia, a sorte sorriu para o venezuelano.

Confusão entre Pérez, Di Resta, Webber e Grosjean levou Pastor ao 5º lugar

Confusão entre Pérez, Di Resta, Webber e Grosjean levou Pastor ao 5º lugar

Na volta 37, ocupava o discreto nono lugar, quando um acidente envolvendo Paul di Resta (Force India), Romain Grosjean (Lotus), Pérez e Webber tirou os quatro da frente do piloto da Williams. O mexicano da Sauber tentou passar Grosjean e Di Resta de uma vez e acabou tocando no britânico da Force India. Sergio saiu da pista e, ao voltar ao traçado, bateu em Romain, que ainda tirou Mark da prova de Yas Marina.

A confusão que tirou Webber e Grosjean da corrida trouxe o safety car de volta à pista. A relargada aconteceu na volta 43. Maldonado relargou bem, se impôs e não foi incomodado por Kamui Kobayashi (Sauber), o sexto colocado. Apesar do resultado positivo, Maldonado lamentou. Ele tinha absoluta convicção que poderia figurar entre os três primeiros – em Abu Dhabi, o top 3 ficou com Raikkonen, Alonso e Vettel, respectivamente.

O 5º lugar foi o melhor resultado do venezuelano desde a vitória no GP da Espanha

O 5º lugar foi o melhor resultado do venezuelano desde a vitória no GP da Espanha

“Eu estou frustrado porque perdemos o pódio. O carro estava muito forte, assim como nosso ritmo de corrida. Sem o Kers, passei toda a corrida tentando me defender, para não ser ultrapassado pelos outros carros”, analisou Pastor, que assegurou o quinto lugar na base da perseverança, num desempenho com sabor triunfante para o venezuelano – foi o primeiro top 5 dele desde a vitória no GP da Espanha.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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