Canadá-1971: calouro, Donohue estreia no pódio

A bordo de um McLaren, Mark Donohue foi terceiro no Canadá em 1971

A bordo de um McLaren, Mark Donohue foi terceiro no Canadá em 1971

Imagine estrear na categoria máxima do automobilismo. Agora pense em correr e partir com um carro mediano para o pódio logo em sua primeira corrida na carreira. Poucos tiveram esse gostinho. Um deles foi o norte-americano Mark Donohue, um piloto experimentado e com talento ratificado em seu país, mas que nunca havia desfilado na Fórmula 1. Sua primeira experiência aconteceu em 19 de setembro de 1971, no GP do Canadá, em Mosport. E não poderia ter sido melhor: Donohue levou seu McLaren ao terceiro lugar, sendo superado apenas pelos célebres Jackie Stewart (Tyrrell) e Ronnie Peterson (March).

Mark ingressou na Fórmula 1 graças a um grande parceiro: Roger Penske. Ao lado de Penske, Donohue construiu uma carreira no automobilismo norte-americano, atuando em provas de endurance e Fórmula Indy. Em 1971, o construtor adquiriu um McLaren para correr nas etapas canadense e norte-americana – as últimas daquele ano. Para essa missão, convidou seu homem de confiança. O norte-americano não pensou duas vezes e encarou o novo desafio.

Nos boxes em Mosport: foi a primeira vez de Donohue na Fórmula 1

Nos boxes em Mosport: foi a primeira vez de Donohue na Fórmula 1

Correr num Fórmula 1 era uma tarefa nova. Experiente, Donohue, de 34 anos, não se intimidou. Entrou no cockpit da McLaren e pisou fundo. Mostrou suas credenciais logo no treino em Mosport, traçado conhecido por ele. Seu tempo foi surpreendente: 1m16s3, que o colocou na incrível oitava posição no grid. A título de comparação, Mark ficou a 1s da pole, anotada por Stewart, que corria na pista canadense já como campeão de 1971. Seu companheiro da McLaren, o campeão de 1967, Denny Hulme, fez 1m16s4, largando em 10º.

A classificação do norte-americano chocou o circo no Canadá. Mas o melhor estava por vir no domingo. Para a prova, uma chuva incessante poderia complicar as pretensões de Donohue. Destemido, parecia um veterano diante das feras do grid. Na largada, saltou bem. Superou o sueco Reine Wisell (Lotus), o francês François Cevert (Tyrrell), o belga Jacky Ickx (Ferrari) e o brasileiro Emerson Fittipaldi (Lotus). De oitavo, completou a volta 1 em quarto, atrás somente de Stewart, Peterson e o francês Jean-Pierre Beltoise (Matra).

Mark é entrevistado por Stewart: escocês foi ao pódio com Donohue em Mosport

Mark é entrevistado por Stewart: escocês foi ao pódio com Donohue em Mosport

A volta inicial foi chave nas pretensões de Mark no GP canadense. O norte-americano segurou-se na quarta posição, sem ser incomodado por Fittipaldi e Ickx. Na volta 15, Beltoise sofreria um acidente. O acidente com o francês da Matra levou Donohue para o terceiro lugar. Era melhor do que o piloto da McLaren e Roger Penske poderiam imaginar. Nas primeiras 15 voltas da vida de um piloto na Fórmula 1, ele estava no top 3.

Dava para melhorar? Na teoria não, mas o acaso quase ajudou Mark. Stewart e Peterson travavam um duelo à parte na pista molhada de Mosport. O escocês e o sueco se revezavam na primeira posição. Quando o britânico da Tyrrell assumiu definitivamente a ponta, na volta 31, o sueco da March tentou de todas as formas dar o troco. Porém, a reação imediata foi em vão: Ronnie trombou com um retardatário, o canadense George Eaton (BRM), e rodou, perdendo o contato com Jackie.

O GP do Canadá foi paralisado na volta 64 por conta da forte chuva em Mosport

O GP do Canadá foi paralisado na volta 64 por conta da forte chuva em Mosport

Àquela altura, o arrojado Peterson resolveu ser mais cauteloso no traçado molhado e traiçoeiro de Mosport para assegurar o segundo lugar. Isso determinou o fim da ascensão de Donohue no GP do Canadá. De toda forma, o desafio prosseguia no mesmo ritmo da intensidade da chuva. A atenção ficou redobrada, uma vez que qualquer erro poderia acabar com o sonho do pódio. Mas uma tempestade passou a cair sobre o circuito canadense, e a direção de prova achou por bem encerrar a corrida na volta 64 – estavam previstas 74.

Donohue passou pelo batismo de fogo. Superou grandes, foi regular em condições adversas e triunfou.  Bateu Hulme, quarto em Mosport. Foi o único pódio da McLaren na temporada. Um assombro.

Mesmo com o significativo resultado, Mark não teve grandes oportunidades na Fórmula 1. Em 1972, a bordo de um McLaren, venceu as 500 Milhas de Indianapolis, seu maior feito na carreira. Entre 1974 e 1975, correu na Penske. Idealizada por Roger Penske, a equipe girava em torno de Mark. Todavia, uma tragédia no warm up do GP da Áustria de 1975 custou a vida de Donohue, e acabou sendo o principal motivo para o fim da empreitada de Roger na Fórmula 1, no ano seguinte à morte de Mark (1976).

Donohue foi escolhido em 2012 como o 16º maior piloto da história da McLaren

Donohue foi escolhido em 2012 como o 16º maior piloto da história da McLaren

Apesar de ter morrido com apenas 38 anos, Donohue deixou sua marca na Fórmula 1 mesmo tendo disputado apenas 14 provas. Tanto que, em 2012, foi eleito o 16º maior piloto de todos os tempos da McLaren, à frente de gente como Juan Pablo Montoya e Jody Scheckter e na cola de Kimi Raikkonen. Prova de que, como diria o ditado, “a primeira impressão é a que fica”.

Melhores momentos do GP do Canadá de 1971

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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2 respostas a Canadá-1971: calouro, Donohue estreia no pódio

  1. Junior diz:

    A Penske correu na F1 até 1977 e teve uma vitoria em 1976

    • contosdaf1 diz:

      Realmente, o texto dava a entender que o fim do time de Roger Penske tinha sido imediato, mas não. Roger tinha em Donohue seu homem de confiança. Sem Mark, morto em 1975, o projeto da Fórmula 1 deixou de fazer sentido para Penske. Ainda assim, continuou em 1976, venceu 1 GP, mas em 1977 a equipe não mais existia – o chassis PC4 foi usado pela ATS. Obrigado pelo toque, já foi alterado o texto lá! 🙂

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