Inglaterra-2003: Da Matta, o padre e a ponta em Silverstone

Cristiano da Matta contou com estratégia e invasão para liderar na Inglaterra

Cristiano da Matta contou com estratégia e invasão para liderar na Inglaterra

Para Cristiano da Matta obter algum resultado expressivo durante sua temporada de estreia na Fórmula 1, em 2003, só com muitas preces a Deus. A Toyota tinha um carro razoável, mas incapaz de lutar com frequência pelos pontos. Essa situação era desesperadora. Só com muita fé, e muita sorte, ele teria destaque na categoria máxima do automobilismo. E isso veio em 20 de julho, no GP da Inglaterra, em Silverstone.

Era a 11ª etapa do Mundial daquele ano. Da Matta chegou ao circuito britânico com três pontos na bagagem, obtidos com um sexto lugar no GP da Espanha. Muito pouco para um piloto acostumado a vencer – no ano anterior, o brasileiro havia se sagrado campeão da Fórmula Indy. Mas o piloto não se abalou com a fase. Entrou em Silverstone, pista que melhor conhecia no calendário, a fim de fazer história.

Silverstone testemunhou uma das melhores apresentações de Da Matta na F1

Silverstone testemunhou uma das melhores apresentações de Da Matta na F1

Nos treinos, Da Matta deu um show à parte. Nos treinos, anotou 1m22s081. Um tempo incrível. O brasileiro ficou a 0s872 da pole position, feita por Rubens Barrichello (Ferrari). Melhor: quase 1s de vantagem sobre seu companheiro de Toyota – o experiente francês Olivier Panis fez 1m23s042 para ficar com o 13º lugar. Cristiano largaria em sexto – sua melhor posição na Fórmula 1 até aquele momento.

O belo tempo no sábado não se traduziu numa boa largada no domingo. Da Matta acabou sendo superado por Juan Pablo Montoya (Williams) e Fernando Alonso (Renault), caindo para a oitava colocação. As coisas começavam a tomar seu rumo normal quando, na volta 6, a McLaren de David Coulthard deixou pedaços pela pista. Os destroços obrigaram a entrada do safety car. Na volta 7, Da Matta, Panis e Coulthard foram para os boxes.

Da Matta em 1º, Panis em 2º: momento histórico da Toyota na Inglaterra

Da Matta em 1º, Panis em 2º: momento histórico da Toyota

“Tivemos uma boa estratégia e bons pit stops, usando o período do primeiro safety car para colocar combustível”, observou Da Matta após a corrida. Foi o pulo do gato para o brasileiro da Toyota. Não pela estratégia, mas porque um dos episódios mais pitorescos da história da Fórmula 1 o tornaria protagonista em Silverstone.

Na volta 12, o padre irlandês Cornelius Horan invadiu a pista e corria em direção aos carros. Os fiscais agarraram Horan, e o retiraram do circuito. A invasão proporcionou um novo safety car. Os líderes foram para os boxes. Da Matta, 11º antes do padre, viu a liderança cair no colo, seguido por Panis.

Momento crucial em Silverstone-2003: a invasão do padre Cornelius Horan

Momento crucial em Silverstone-2003: a invasão do padre Cornelius Horan

Porém, a Fórmula 1 imaginava: após a relargada, Cristiano não duraria na ponta. O que se viu após a bandeira verde, na volta 16, foi uma mostra da capacidade do brasileiro. O piloto da Toyota resistiu à pressão de Kimi Raikkonen (McLaren). Foram 17 voltas na liderança.

“Eu estou muito acostumado a liderar corridas, mas esta foi a primeira vez na F1, que é um sentimento especial. Eu sabia que não iria durar muito, então eu aproveitei o quanto eu podia, e me esforcei para colocar o máximo de vantagem possível”,  contou o brasileiro, que só foi superado pelo finlandês da McLaren quando se dirigiu aos boxes pela segunda vez, na volta 30.

Cristiano acelera seu Toyota em Silverstone: no fim, um bom sétimo lugar

Cristiano acelera seu Toyota em Silverstone: no fim, um bom sétimo lugar

Terceiro por alguns momentos, o ritmo de Da Matta só era inferior ao de Barrichello, o líder e futuro vencedor daquele GP, e Raikkonen, o segundo. Todavia, para sustentar-se na disputa, degradou seus pneus. Uma nova parada foi necessária na volta 45. No retorno, se viu na sexta posição. Contudo, Coulthard se aproveitou do poderio de seu McLaren e passou o brasileiro na volta 51.

No final, um sétimo lugar com gosto de dever cumprido. “Eu apreciei muito a corrida e eu estava muito feliz pela forma como as coisas aconteceram”, disse Da Matta após a corrida. “O resultado foi uma bela recompensa pelo nosso desempenho neste fim de semana”, concluiu Da Matta. Foram as únicas 17 voltas lideradas por Cristiano na Fórmula 1. Um momento especial na carreira do piloto.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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