Espanha-2012: Maldonado surpreende e vence em Montmeló

Para a história: primeira vitória da carreira de Maldonado

Para a história: primeira vitória da carreira de Maldonado

Nem o mais otimista dos torcedores da Williams, tampouco o mais confiante fã venezuelano, seria capaz de imaginar que Pastor Maldonado largaria na pole e venceria o GP da Espanha. O que o Autódromo de Montmeló testemunhou no último final de semana definitivamente foi incrível. Jamais na história da Fórmula 1 um piloto que publicamente comprou um cockpit venceu uma corrida. Nunca um corredor proveniente de um país com praticamente nenhuma tradição no automobilismo ganhou o topo. O caso de Maldonado é o avesso do avesso do avesso do que a categoria máxima do automobilismo apregoa. Sinais de novos tempos? Talvez.

Certo é que, independentemente da maneira, o que Pastor fez no circuito espanhol foi digno de se tirar o chapéu. A Williams é uma equipe promissora, mas até agora não tinha mostrado condição de sequer lutar pelo pódio. Levar a escuderia à pole em uma condição normal foi surreal. É bem verdade que contou com a (justa) desclassificação de Lewis Hamilton, da McLaren. Todavia, Maldonado fez por merecer. Foi o mais veloz nos treinos de sábado. A pole não foi por acaso.

Pastor vibra com a surpreendente vitória: primeiro triunfo da Venezuela

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“Na sexta-feira, nós achamos que terminar entre os dez primeiros era possível. E no sábado, eu fiquei surpreso com nosso desempenho, porque o carro estava bastante rápido com pouco combustível. Então, achamos que era possível”, declarou Pastor. Mas e na corrida? Maldonado se manteria na ponta? Essa era a maior dúvida em torno do venezuelano da Williams. “Evoluímos bastante para essa prova. O carro parece consistente, principalmente no ritmo de corrida, então é uma sensação muito boa estar aqui”.

Em primeiro no grid pela primeira vez na carreira, Pastor largou de forma burocrática. Não foi espetacular, mas também não foi pífio. O problema para o venezuelano é que Fernando Alonso, da Ferrari, saltou decidido a assumir a ponta antes da curva 1. Perante seus súditos, o Príncipe das Astúrias contornou a primeira curva na frente de Maldonado. O piloto da Williams, então, passou a se preocupar com os ataques de Kimi Raikkonen, da Lotus. Contudo, o segundo lugar foi mantido.

Consolidado na vice-liderança, Pastor passou a mirar o ritmo de Fernando. O bicampeão mundial não conseguiu se desgarrar na ponta. O espanhol foi aos boxes na volta 9, enquanto o venezuelano parou duas voltas depois. No retorno, o piloto da Williams seguia próximo do ferrarista. Aos poucos, o ritmo do carro azul e branco se mostrou eficiente, e a diferença entre Maldonado e Alonso caiu para cerca de 2s. Nesse momento, a estratégia da Williams entrou em ação, e Pastor foi para os boxes na volta 24.

Maldonado doma Alonso: duelo acirrado pela vitória em Montmeló

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A parada antecipada foi decisiva para a vitória de Maldonado. Com os pneus novos, pôde acelerar com liberdade. Alonso, por sua vez, se viu com compostos desgastados. Além disso, foi atrapalhado por Charles Pic, da Marussia Virgin. Quando o bicampeão fez o segundo pit stop, na volta 26, era tarde demais: o venezuelano retomava a ponta para não mais perdê-la. O piloto da Williams aproveitou a chance para disparar na liderança. Na volta 30, tinha 7s2 de vantagem sobre o espanhol. Porém, Pastor teve que administrar seu ritmo, e o ferrarista voltou a reduzir a diferença.

Com o desgaste dos pneus, Maldonado retornou aos boxes na volta 41. Na ponta, Alonso passou a acelerar, a fim de tentar retomar a primeira posição. Em vão. Depois da sua derradeira parada, na volta 44, Pastor ainda era o primeiro. Todavia, o espanhol estava bem próximo do venezuelano. A vitória seria decidida na pista. O bicampeão mundial foi com tudo para cima do jovem sul-americano. Mas o piloto da Williams mostrou frieza e maturidade ao domar o célebre ferrarista. Ninguém tiraria a ponta de Maldonado. Nem Alonso, tampouco Raikkonen, que com uma tática diferente, quase levou o segundo lugar de Fernando.

Alonso e Raikkonen erguem o vencedor Maldonado: triunfo inesperado

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Valeu o investimento da petrolífera PDVSA na Williams, por intermédio direto do presidente venezuelano Hugo Chávez; valeu a dedicação da escuderia de Frank Williams, que trouxe para 2012 um pacote mais confiável do que o de 2011; mas sobretudo valeu a perseverança de Pastor Maldonado, um piloto que, apesar de campeão da GP2 em 2010, ainda era visto com desconfiança pelo fato de ter comprado a vaga na Williams. Depois da vitória em Barcelona, o conceito de piloto pagador mudou. Muito graças ao comportamento desse sul-americano que colocou a bandeira da Venezuela no topo do pódio na Espanha.

“Agradeço especialmente o presidente Chávez junto com sua grande equipe de trabalho por transformar em realidade esta vitória histórica da Venezuela. Temos um grande apoio de nossa PDVSA, que é a gasolina da Williams e da maioria dos pilotos venezuelanos. Agora temos que continuar trabalhando para melhorar a cada dia e seguir enchendo de felicidade a nossa pátria”, disse Pastor, pelas redes sociais. Apesar da conotação política de suas afirmações, seu desempenho foi exaltado pelo dono de sua escuderia, Frank Williams, que sacramentou: “Maldonado tem fibra de campeão”. Política à parte, é isso que vale.

P.s.: Não bastasse o espetacular fim de semana, Maldonado ainda foi herói após a corrida. Durante o incêndio que vitimou mecânicos da Williams nos boxes de Montmeló, ocorrido em meio às celebrações de seu triunfo, Pastor salvou seu primo, que estava com a perna imobilizada, das chamas que destruíram os equipamentos da escuderia. Dos males, o menor: todos sãos e salvos. Um fim de semana histórico, para ninguém colocar defeito.

Pastor salva primo de 12 anos de incêndio nos boxes da Williams

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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