San Marino-1987: Martin Brundle e o auge da Zakspeed

A bordo de um fumejante Zakspeed, Martin Brundle deixa os boxes de Imola

A bordo de um fumejante Zakspeed, Martin Brundle deixa os boxes de Imola

Você já ouviu falar da Zakspeed? Se não for um amante da Fórmula 1, possivelmente ficará sem resposta para esta pergunta. A história foi a seguinte: em meados dos anos 1980, um empresário alemão metido a desbravador resolveu investir dinheiro numa escuderia de sangue germânico, algo que não ocorria de forma genuína desde a debandada da Mercedes, em 1955. Eis a semente da Zakspeed, uma iniciativa de Erich Zakowski (Zak, o pai da ideia, daria o nome da equipe). Ele comandava uma companhia que preparava carros de rua e de competição na Alemanha. O plano de um time 100% alemão tornou-se realidade em 1985. Chassis, motor, piloto. Tudo era da Germânia.

Apesar do sonho nacionalista, o resultado não foi o esperado. O propulsor sempre se mostrou potente, mas os modelos eram pesados demais. O time se embolou no meio do pelotão do grid em suas duas primeiras temporadas – 1985 e 1986. Em 1987, uma presença não-alemã na Zakspeed – no cockpit da escuderia, estaria o inglês Martin Brundle. O britânico proveniente da Tyrrell dividiria a equipe com o alemão Cristian Danner. As expectativas eram modestas para aquela temporada. No GP do Brasil, etapa de abertura do Mundial, Danner ficou em nono – um alento para Zakowski e cia.. Brundle, por sua vez, abandonou com problemas no motor.

Quinto lugar de Brundle foi o ápice da vida da Zakspeed, Na foto, em ação em Estoril-1987

Quinto lugar de Brundle foi o ápice da vida da Zakspeed, Na foto, em ação em Estoril-1987

Em San Marino, Danner e Brundle foram para os treinos em Imola colocando suas fichas na força do motor Zakspeed. Entretanto, o que se viu foi frustrante: o inglês alinhou em 15º lugar, enquanto o alemão ficou em 18º no grid. A dupla foi para os boxes sem muitas esperanças. A equipe estava fadada a repetir os pífios resultados das suas duas primeiras temporadas na Fórmula 1. Mas a escuderia alemã tinha um trunfo em mãos: a confiabilidade mostrada em Jacarepaguá não poderia ser desprezada no circuito italiano. E assim foram para o grid.

Era 3 de maio de 1987. Na largada, um susto logo de cara: o carro de Brundle não saiu do lugar. Além do inglês, Eddie Cheever (Arrows) e Thierry Boutsen (Benetton) ficaram parados no grid. A bandeira vermelha foi acionada, para a sorte do piloto da Zakspeed. Sorte, pois na segunda largada, Brundle saltou para a 12ª posição. Apesar do avanço, o britânico sofria com seu bólido. Para se ter uma ideia, a volta mais rápida em Imola, anotada por Teo Fabi (Benetton), era mais de cinco segundos mais veloz que a de Brundle (o italiano fez 1m29s246, enquanto o inglês marcou 1m34s573). Uma eternidade em se tratando de Fórmula 1.

Largada do GP de San Marino de 1987. Brundle saltou para 12º na primeira volta

Largada do GP de San Marino de 1987. Brundle saltou para 12º na primeira volta

A passo de tartaruga, Brundle passou a contar com o insucesso alheio. E a lenta Zakspeed ia firme e forte. Ficaram pelo caminho Alain Prost (McLaren), Gerhard Berger (Ferrari), Andrea de Cesaris (Brabham), Cheever, Boutsen e Fabi. Na volta 56, a três voltas do final, Derek Warwick (Arrows) e Riccardo Patrese (Brabham), sucumbiam com pane seca. Do nada, Martin viu cair em seu colo um incrível quinto lugar, atrás apenas de Nigel Mansell (Williams), Ayrton Senna (Lotus), Michele Alboreto (Ferrari) e Stefan Johansson (McLaren). Duas voltas atrás, mas isso pouco importava. A Zakspeed estava pontuando. Festa absurda no pit lane de Imola. Dois pontos para a história. Além de Brundle, Danner ficou em sétimo. Um resultado inesperado e inédito. Tão impressionante que nunca mais foi repetido pelos alemães, que deixariam o circo em 1989.

E por mais irônico que possa parecer, o ápice do time 100% germânico foi protagonizado por um inglês…

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Andrea de Cesaris, Arrows, Brabham, Christian Danner, Derek Warwick, Eddie Cheever, Imola, Lotus, Martin Brundle, McLaren, Michele Alboreto, Riccardo Patrese, San Marino, Teo Fabi, Thierry Boutsen, Tyrrell, Williams, Zakspeed. ligação permanente.

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