San Marino-1991: o dia de glória de Lehto em Imola

Gerhard Berger, Ayrton Senna e JJ Lehto: o pódio da vida do finlandês

Gerhard Berger, Ayrton Senna e JJ Lehto: o pódio da vida do finlandês

Jyrki Juhani Järvilehto. Com esse nome, esse finlandês seria lembrado apenas por seus familiares. Uma conversa com um tal Keijo Rosberg, mundialmente conhecido como Keke, simplificou essa sopa de letrinhas. Rosberg conhecia os caminhos das pedras e decretou: serás JJ Lehto e nada mais. Keke empresariou Lehto na Fórmula 1. Foi pelas mãos do campeão mundial de 1982 que ele entrou na categoria, em 1989, pela equipe Onyx. Era o primeiro finlandês a alinhar no grid desde a aposentadoria de Rosberg, em 1986. Contar com o apoio do ex-piloto abriu as portas para JJ.

Porém, a Onyx era sofrível. Lehto só fez sete corridas pelo time entre 1989 e 1990. A escuderia faliu no meio de 1990, e o finlandês ficou a pé. Em 1991, uma nova chance: na Dallara-Judd. Um melhor carro, um pacote mais confiável. Dois abandonos nas duas primeiras etapas não deixaram Lehto mostrar todo o potencial de seu equipamento. Em San Marino, terceira corrida do ano, era o momento certo de mudança. Apesar dos esforços de JJ, a Dallara não se adaptou ao circuito de Imola. Tanto que seu companheiro de time, Emanuelle Pirro, sequer se classificou para a prova. Lehto alinhou seu carro na modesta 16ª posição.

A chuva deu o ar de sua graça momentos antes da largada do GP de San Marino. E foi ela que acabou com a corrida dos campeões Alain Prost (Ferrari) e Nigel Mansell (Williams) antes do fim da primeira volta. Para o francês, o vexame foi maior: ele rodou e abandonou na volta de apresentação. Lehto foi conservador na volta 1, e assumiu o 14º lugar. A pista molhada, contudo, foi a grande aliada do finlandês. Ele superou Eric van de Poele (Lambo) e Gianni Morbidelli (Minardi). Além disso, contou com o abandono de diversos pilotos que estavam à sua frente, como Nelson Piquet (Benetton) e Jean Alesi (Ferrari). Em 10 voltas, Lehto saltou de 16º para 8º.

Atuação impecável de Lehto em Imola: de 16º, chegou em 3º

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A pista começou a secar. As paradas nos boxes tiveram início a partir da volta 11. O finlandês da Dallara foi aos boxes na volta 13. Caiu para o 13º lugar. Mas a luta continuou. Lehto esperou o pit stop dos rivais e se viu novamente na oitava posição. A partir daí, mostrou serviço: na volta 18, passou Julian Bailey (Lotus); três voltas depois, superou Thierry Boutsen (Ligier). Em 22 voltas, o finlandês de 25 anos estava na zona de pontuação pela primeira vez na carreira.

Era demais para Lehto? Nada. A sorte continuou sorrindo para ele. Na volta 24, Ivan Capelli (Leyton House) abandonou. O finlandês se consolidava na quinta posição. Top 5 já bastava? Negativo. Na 41ª volta, Stefano Modena (Tyrrell) deixou a prova. JJ estava em quarto. Querer o pódio era pedir demais? Não. Roberto Moreno (Benetton) enfrentou problemas com seu motor Ford. A diferença entre o brasileiro e o finlandês foi reduzida drasticamente. Na volta 52, Lehto supera Moreno na curva Tamburello.

Lehto voa (literalmente) no GP de San Marino: resultado histórico

Lehto voa (literalmente) no GP de San Marino: resultado histórico

Sorte demais? Talvez. Só faltou o acaso derrubar a dupla vencedora da McLaren – Ayrton Senna foi o primeiro, seguido por Gerhard Berger. Mas não foi preciso. O terceiro lugar entrou para a história. O único pódio da carreira de Lehto, que se retirou da Fórmula 1 em 1994. Por conta deste feito, JJ se lembrará para sempre desse 28 de abril de 1991: o dia mais glorioso de sua história esportiva.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
Esta entrada foi publicada em Dallara, Emanuelle Pirro, Eric van de Poele, Gianni Morbidelli, Imola, Ivan Capelli, JJ Lehto, Julian Bailey, Lambo, Leyton House, Ligier, Lotus, Minardi, Roberto Moreno, San Marino, Stefano Modena, Thierry Boutsen, Tyrrell. ligação permanente.

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