Espanha-1970: fogueira no primeiro pódio de Mario Andretti

Jarama, 1970. Choque de Ickx e Oliver provoca incêndio

Jarama, 1970. Choque de Ickx e Oliver provoca incêndio

Sabe aquela corrida em que o imponderável está presente desde o início? O circuito espanhol de Jarama vivenciou isso em 19 de abril de 1970. Confusão na largada, dois carros envoltos ao fogo, pista incendiada… e essa foi só a primeira volta! Eram outros tempos na Fórmula 1. Na era romântica e de garagistas, não havia frescuras. Fracos não tinham vez na categoria. Ao entrar no cockpit, os pilotos não sabiam se deixariam o habitáculo vivos ou mortos. E lá foram 17 heróis desafiar o destino na segunda etapa do Mundial de 1970.

No grid, campeões como Graham Hill, Denny Hulme, Jackie Stewart, Jack Brabham, John Surtees. Feras como Chris Amon e Jacky Ickx. E novatos. Dentre eles, destacava-se um piloto com estilo de galã de Hollywood. Estiloso e com grife: o ítalo-americano Mario Andretti. Aos 30 anos, Mario já era tricampeão da atual Fórmula Indy (1965, 1966 e 1969). Em 1968, fez sua primeira corrida na Fórmula 1. No GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, anotou a pole position a bordo de uma Lotus.

Apesar de se adaptar facilmente, Andretti fez aparições esporádicas na Fórmula 1. O GP da Espanha de 1970 era apenas sua sexta corrida na categoria. Nas cinco anteriores (EUA-1968; África do Sul, Alemanha e EUA-1969 (as quatro pela Lotus); e África do Sul-1970 (na March)), Mario não completou. Em Jarama, o norte-americano apanhou do novíssimo chassi March e classificou seu bólido na 16ª e penúltima posição. Mas o calor espanhol esquentou as possibilidades do piloto na corrida.

Andretti passa pelo ponto do incêndio: do fogo ao pódio

Andretti passa pelo ponto do incêndio: do fogo ao pódio

Logo na largada, uma confusão generalizada. Na frente, Jackie Stewart (Tyrrell) assumiu a ponta para não mais perdê-la. Logo na sequência, dois xarás do escocês campeão de 1969, Oliver (BRM) e Ickx (Ferrari), se chocam. O pior acontece. Os carros, com os tanques cheios de combustível, se tornam verdadeiras bombas-relógio. O impacto provocou a explosão e o incêndio dos carros. Felizmente, os pilotos nada sofreram. E a corrida? Seguiu normalmente.

Andretti se aproveitou do choque e saltou para o 10º lugar ao final da volta 1. O norte-americano travou um bom duelo com Hill (Lotus) a partir da volta 8. O bicampeão mundial (1962-1968) superaria Mario na volta 17. Enquanto o britânico abriu distância e superou Bruce McLaren (McLaren) para assumir o sexto lugar, o norte-americano caiu de produção. Tanto que chegou a ser superado por Rolf Stommelen na volta 28. Naquele momento, Andretti era o nono.

A partir daquele momento, Mario foi cerebral. Correu com paciência e contou com a quebra dos rivais – entre eles, aquele que seria o campeão de 1970, Jochen Rindt (Lotus). Na volta 53, o grande momento: Andretti superou Hill e assumiu o quarto lugar. Naquele instante, o piloto da March estava atrás somente de Stewart, Jack Brabham (Brabham) e McLaren. Precisava da quebra de um deles para subir ao pódio. Na volta 61, o motor Ford deixou o tricampeão Brabham (1959,60 e 66) pelo caminho. Mario estava em terceiro. Pela primeira vez na Fórmula 1.

Além do primeiro pódio de Mario, Jarama foi palco da primeira vitória do chassi March na categoria (a Tyrrell, de Stewart, comprou chassi da marca). Por outro lado, marcou o último pódio de McLaren (que morreria naquele ano) e os últimos pontos obtidos pelo francês Johnny Servoz-Gavin (Tyrrell), quinto na Espanha. Uma prova histórica. Para fortes.

Nem o fogo parou Sir Jackie Stewart: única vitória em 1970

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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