Argentina-1995: o Mika que impressionou Buenos Aires

Mika Salo voava baixo. Aqui, em ação em Monza-1995

Mika Salo voava baixo. Aqui, em ação em Monza-1995

Mika Juhani Salo sempre foi um piloto reconhecidamente veloz. Essa fama surgiu antes de ingressar na Fórmula 1. O finlandês travou diversos duelos com Mika Hakkinen, o xará famoso e bem-sucedido, na Fórmula 3 Britânica. Quando Hakkinen foi campeão da categoria em 1990, Salo foi vice. Mas seus destinos foram distintos após 1990. Enquanto Hakkinen ingressou na categoria máxima do automobilismo pela Lotus, Salo se viu obrigado a correr na Fórmula 3 Japonesa. Ele foi pego embriagado na Inglaterra. O sonho da superlicença foi adiado. Mika precisava refazer a carreira.

Salo brilhou no Japão. E justamente no país do sol nascente recebeu a oportunidade de entrar na Fórmula 1. Pela mesma Lotus que deu oportunidade a Hakkinen. Só que em 1994. Mika foi chamado para correr as duas corridas finais daquele ano – Japão e Austrália. Não só aceitou o convite como deixou boa impressão. Com o fim da Lotus, Salo foi contratado pela Tyrrell para correr sua primeira temporada completa em 1995.

O carro da Tyrrell não era dos melhores. O companheiro tampouco – Ukyo Katayama, já celebrado no Contos da Fórmula 1. Mesmo assim, Salo mostrou velocidade. Foi sétimo em Interlagos, na corrida que abriu a temporada de 1995. O início positivo fez Mika acreditar na possibilidade de pontuar na prova seguinte, em Buenos Aires. Era a volta do GP da Argentina ao calendário da categoria após 14 anos de ausência.

Numa pista desconhecida para todos, as diferenças técnicas iriam ser reduzidas. Mas ninguém contava também com a chuva no treino classificatório no Autódromo Oscar Galvez. O qualifying foi uma verdadeira loteria. Bom para Salo. Com a pista molhada, o finlandês alinhou seu Tyrrell na sétima posição do grid. Se antes pontuar era um sonho, passou a ser algo concreto.

A largada do GP da Argentina foi confusa. Na verdade, as duas. Na primeira, um choque envolveu Jean Alesi (Ferrari), Rubens Barrichello (Jordan), Olivier Panis (Ligier), Luca Badoer (Minardi), Karl Wendlinger (Sauber), Bertrand Gachot (Pacific) e Pedro Paulo Diniz (Forti Corse). A pista ficou suja, o que provocou a bandeira vermelha. Na segunda largada, Eddie Irvine (Jordan) tocou em Mika Hakkinen (McLaren), tirando o finlandês da corrida. Nas duas largadas, Salo passou ileso.

Salo em ação em Buenos Aires: à frente da Ferrari de Jean Alesi

Salo em ação em Buenos Aires: à frente da Ferrari de Jean Alesi

Após a primeira volta, a surpresa: de sétimo, Mika se via em quarto, atrás apenas dos Williams de David Coulthard e Damon Hill e do Benetton de Michael Schumacher. O finlandês estava à frente dos ferraristas Alesi e Gerhard Berger, de Johnny Herbert (Benetton) e de Mark Blundell (McLaren). Apesar do equipamento inferior, Salo não se via incomodado pelos rivais. Pontuar era possível. Pódio virou palpável após o abandono de Coulthard na volta 16. Todavia, Alesi, com uma tática de duas paradas de boxes, superaria o finlandês. Com o passar das voltas, Herbert, com a mesma estratégia, também passaria Mika.

De toda forma, o quinto lugar estava assegurado. Em sua quarta corrida na Fórmula 1. Estava atrás somente de Hill, Schumacher e Alesi. Entretanto, um acidente na volta 48 acabou com o sonho de Salo. O finlandês teve de esperar até o GP da Itália para pontuar. O quarto lugar nunca aconteceu para Mika enquanto guiou pela Tyrrell, entre 1995 e 1997. Contudo, apesar dos pesares, Salo mostrou do que era capaz em Buenos Aires. O conceito de veloz se consolidou em solo argentino.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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