EUA Oeste-1976: a primeira vitória de Emerson na Fittipaldi

Fittipaldi acelera o Fittipaldi pelas ruas de Long Beach

Fittipaldi acelera o Fittipaldi pelas ruas de Long Beach

Antes que você se pergunte: não, Emerson Fittipaldi não venceu uma corrida sequer a bordo do Copersucar Fittipaldi. Mas por que o título então, oras? Fácil responder. A carreira do brasileiro na Fórmula 1 pode ser dividida em duas fases: entre 1970 e 1975, o Rato viveu a era da realidade, das vitórias e das conquistas; de 1976 a 1980, Emmo partiu para a etapa dos sonhos e idealismo. Em ambas, resultados díspares: no primeiro momento, Emerson venceu 14 corridas, foi bicampeão mundial (1972 e 1974) e vice em duas oportunidades (1973 e 1975); no segundo, o máximo que obteve foi o segundo lugar no GP do Brasil de 1978, em Jacarepaguá.

Logo, a mudança de direção da carreira de Emerson foi eleita por muitos especialistas como a pior já feita por um piloto. Entretanto, como defende o blog Contos da Fórmula 1, o automobilismo não é feito apenas de resultados, mas sim de paixão. Ao ingressar em 1976 na Fittipaldi, capitaneada por Wilsinho Fittipaldi e Ricardo Divila, o bicampeão tinha total consciência do risco que corria. É óbvio que ele não conhecia o fim dessa árdua empreitada, mas mergulhou de corpo e alma no projeto.

Resultados? A curto prazo, eram inimagináveis. Na estreia da temporada de 1976, Emerson classificou o Copersucar Fittipaldi FD04 num incrível quinto lugar nos treinos de Interlagos. No GP do Brasil, porém, a realidade deu o ar de sua graça: 13º lugar. Em Kyalami, na África do Sul, uma quebra de motor a poucas voltas do final o deixou em 17º. Viria, então, a terceira prova. Ela aconteceria num circuito que estrearia na Fórmula 1 em 1976, assim como o GP, o segundo em terras norte-americanas naquele ano: o GP dos Estados Unidos-Oeste, em Long Beach, Califórnia.

O traçado de rua era desconhecido por todos no grid. Niki Lauda (Ferrari) reclamou das ondulações da pista; Jacques Laffite (Ligier) e Patrick Depailler (Tyrrell) teceram críticas a tudo; mas Emerson gostou de Long Beach. Apesar de aprovado pelo bicampeão, o carro do brasileiro não se adaptou ao circuito. O Copersucar Fittipaldi levou Emerson ao 17º lugar nos treinos. O companheiro dele, o também brasileiro Ingo Hoffmann, sequer se classificou para a corrida. Seria mais uma prova decepcionante? Ledo engano.

Uma disputa entre carros com 80 voltas requer paciência e durabilidade dos bólidos. Experiente, apesar dos 29 anos, Emerson utilizou o máximo de seu Copersucar Fittipaldi. Guiando no limite do carro, o brasileiro levou o equipamento nas costas. Adiante, o suíço Clay Reggazzoni disparava na liderança, seguido por Lauda, seu companheiro de Ferrari. Depailler era o terceiro. Mas quem dava um show à parte era Laffite. O francês superou Tom Pryce e Jean-Pierre Jarier, da Shadow, e Jochen Mass, da McLaren, para ratificar na zona de pontos. O quarto lugar de Jacques significou os primeiros pontos da Ligier na categoria.

Mas e Emerson? Enquanto os líderes se destacavam, o brasileiro, uma volta atrás, contava com as quebras dos rivais. Gigantes como Carlos Reutemann, James Hunt, Mario Andretti e Jody Scheckter ficaram pelo caminho. Na última volta, o bicampeão era o sétimo. Foi quando ele contou com a sorte. Jarier, o sexto, enfrentava problemas de câmbio. Tinha apenas a primeira e a quinta marchas. Emerson se aproveitou da dificuldade do francês e o superou. Era o primeiro ponto da Copersucar Fittipaldi, para delírio do box brasileiro em solo californiano.

Essa história ficou esquecida no passado. Mas o primeiro ponto vir na última volta, com um equipamento não tão confiável, é digno de ser guardado para sempre. Tal qual o topo do pódio conquistado por Regazzoni. Em Long Beach, o sexto teve sabor de primeiro lugar.

Emerson em ação em Long Beach: festa pelo 6º lugar

Emerson em ação em Long Beach: festa pelo 6º lugar

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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