Malásia-2012: Bruno, um coadjuvante em cena em Sepang

Bruno Senna celebra o sexto lugar no GP da Malásia

Bruno Senna celebra o sexto lugar no GP da Malásia

Há quem considere que o bicampeão Fernando Alonso fez sua melhor exibição na carreira ao vencer o GP da Malásia, segunda etapa do Mundial de 2012. Tem também quem assegure que Sergio Pérez (aquele mesmo que foi o personagem do GP da Austrália) realizou a corrida da vida ao ficar em segundo em Sepang. O fato é que tanto o espanhol da Ferrari quanto o mexicano da Sauber encheram os olhos dos amantes do automobilismo em plena madrugada-manhã de domingo. Todavia, lá na sexta posição, apareceu um brasileiro de sobrenome famoso, mas com resultados fracos até a prova malaia. Sim, caros: Bruno Senna também merece ser lembrado por sua surpreendente performance.

De longe, a Williams-Renault FW34 remete a Williams-Renault FW16 pilotada pelo tricampeão Ayrton Senna em 1994. Mas o modelo 2012 da escuderia de Grove não possui nem de perto o potencial do carro que foi guiado pelo tio em três GPs daquele ano – Interlagos, Aida e Imola. Todavia, em apenas duas corridas, Bruno fez o que Ayrton não conseguiu: pontuou pelo time inglês. E marcou pontos num cenário em que o vencedor do Mundial de 1988, 1990 e 1991 dava espetáculo: pista molhada.

Para Bruno, porém, o piso encharcado era mais um problema do que propriamente um desafio. Após um treino discreto, em que se posicionou na 13ª posição, o filho de Viviane Senna tinha que se virar no meio do pelotão. O objetivo inicial? Sair ileso de confusões na primeira volta. Contudo, um deja vu de Melbourne ocorreu em Sepang: o brasileiro de 28 anos tocou no companheiro de equipe, o venezuelano Pastor Maldonado, e foi obrigado a parar nos boxes para trocar o bico de seu carro.

“A lateral também foi atingida, mas felizmente o carro não perdeu rendimento”, disse o piloto após a corrida. Depois da parada nos boxes na volta 1, Bruno se viu na última posição. O que parecia ser um prenúncio de mais uma prova frustrante acabou se dissipando com a bandeira vermelha na volta 9. Sem tomar volta dos líderes, o brasileiro da Williams retomou o sonho de pontuar com a paralisação.

O brasileiro se destacou no molhado e na pista seca

O brasileiro se destacou no molhado e na pista seca

“Fizemos a relargada em 24º, mas arriscamos onde tínhamos que arriscar”, sintetizou o sobrinho de Ayrton. Impetuoso, Bruno foi passando um a um. Teve um belo duelo com o australiano Daniel Ricciardo e superou Jean-Eric Vergne, ambos da Toro Rosso; depois, batalhou contra os Force India de Nico Hulkenberg e de Paul di Resta; isso sem contar o passão em Michael Schumacher, da Mercedes, e a pressão em Felipe Massa, da Ferrari.

De 24º na volta 13 para nono na volta 28. Em 15 voltas, um salto de 15 posições. Enfim, Bruno estava na zona de pontos. Naquele momento, igualava seu melhor resultado na carreira – a nona posição no GP da Itália de 2011, a bordo da Lotus-Renault. A pista secou, e o brasileiro manteve sua tocada constante. Na volta 48, viu Sebastian Vettel ficar pelo caminho. Sem o bicampeão, Bruno herdou a sexta posição para não mais perdê-la.

“Foi uma corrida dificílima, mas estávamos com um desempenho muito bom. Tivemos que ultrapassar, fazer de tudo. Foi muito legal e estou muito contente de termos conseguido nos recuperar do começo ruim”, disse o piloto da Williams, que elogiou o desempenho do FW34. “Meu carro estava bom nas duas condições da pista, mas é claro que seria muito mais difícil avançar na corrida no seco. Estou muito contente porque nos recuperamos do início ruim na Austrália”.

Um resultado heroico para o brasileiro. A melhor prova da Williams desde o GP da Cingapura de 2010, quando Rubens Barrichello também foi sexto. Os oito pontos somados por Bruno fizeram a escuderia superar a soma obtida em 2011, quando anotou apenas cinco em toda a temporada.  É bem verdade que o sobrinho de Ayrton foi coadjuvante de Alonso e Pérez em Sepang, mas que a apresentação no circuito malaio vai ser recordada por um bom tempo pelo piloto e por seu time, não resta dúvida.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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