África do Sul-1993: Christian Fittipaldi e o milagre de Kyalami

4º lugar a bordo de uma Minardi. Um milagre que completa 19 anos

Kyalami, África do Sul. No dia 14 de março de 1993, começava a temporada que marcava os derradeiros duelos entre Ayrton Senna e Alain Prost. O francês retornava ao cockpit da Williams após um ano sabático e carregava consigo o favoritismo ao título. Na McLaren, o brasileiro se esforçava para tentar impedir o tetracampeonato do rival. Esse era o cenário desenhado, cujo final é conhecido por todos apaixonados. Mas e o resto?

A diferença técnica entre Williams, McLaren e Benetton para os demais carros do grid de 1993 era gritante. Ferrari e Ligier vinham um passo atrás dos times liderados respectivamente por Prost, Senna e o então novato Michael Schumacher. Logo, pontuar (à época, figurar entre os seis primeiros) era um feito e tanto. Ainda mais na estreia de um Mundial recheado de expectativas.

Christian Fittipaldi iniciava seu segundo ano na Fórmula 1. Assim como em 1992, defenderia a Minardi. Na temporada de estreia, marcou um mísero ponto no Japão. Aliás, foi o único ponto da equipe de Faenza. Esse era o retrato exato do potencial da escuderia italiana. O time de Giancarlo Minardi lançou o M193 impulsionado com motor Ford com pretensões ao melhor estilo Tiririca (“pior que está, não fica”). E foi dessa forma, apostando no imponderável, que Christian e cia. embarcaram para a África do Sul.

No circuito sul-africano, um alento: o brasileiro tirou leite de pedra na classificação de sábado e surgiu na ótima 13ª posição. Pouco? Para Christian foi como uma pole position. A título de comparação, o brasileiro anotou em sua flying lap o tempo de 1m19s285, enquanto seu companheiro de equipe, o italiano Fabrizio Barbazza, fez 1m20s994.  Mais de 1s7 de vantagem, uma imensidão na Fórmula 1.

Na prova, Christian tomou um susto logo na largada. Ele se livrou do estreante Michael Andretti, da McLaren, que ficou parado no grid. Depois, desviou de Damon Hill, da Williams, que rodou e saiu da pista. Escapar ileso dos dois incidentes foi fundamental para o destino de Christian em Kyalami. O resto veio por acaso. A Minardi sobreviveu ao calor, à falta de confiabilidade e à chuva, enquanto os adversários caíam, um a um. Na última volta, Derek Warwick e Gerhard Berger abandonaram, para deleite do brasileiro.

Em êxtase, o brasileiro cruzou a linha de chegada logo atrás de Senna – uma volta atrás, é bem verdade – e celebrou o 4° lugar como se fosse um título mundial. Nos boxes da Minardi, uma festa apoteótica. Também pudera: Christian só foi superado por Prost, o vencedor, Senna, o 2º lugar, e Mark Blundell, da Ligier, o 3º. Foi o ponto alto da carreira do brasileiro na Minardi, o melhor resultado dele na Fórmula 1 (igualado em 1994 no GP do Pacífico, em Aida). Um feito. Um milagre.

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Sobre contosdaf1

Desde 1981, um amante de automobilismo. E veio desde o registro, quando no cartório seu pai foi questionado se queria colocar o nome "Willians" no garoto. "Esse é o nome de uma escuderia. Pode dar problema para ele no futuro", disse a escrivã. Hoje em dia, a equipe Williams voltou a se destacar, enquanto o menino segue o destino. Jornalista, nascido em Santos, cobriu os GPs do Brasil de 2005 a 2009 em Interlagos pelo jornal A Tribuna. Acompanha a Fórmula 1 religiosamente desde 1986. Pretende fazer isso até seus últimos dias. Afinal, o faz desde o primeiro.
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2 respostas a África do Sul-1993: Christian Fittipaldi e o milagre de Kyalami

  1. Milagre foi o sobrinho do Emmo não ter fraturado nada depois de levantar voo atrás do companheiro Pierluigi Martini na chegada em Monza, no mesmo ano, né não??

  2. Alberi diz:

    Fico triste que um piloto como o Cristian nunca tenha tido ao menos um carro razoável na F1. O Massa, o Rubinho pegaram carros com potencial de ganhar títulos. Até o Moreno pegou uma Benetton, por uns 6 meses, que tinha um bom potencial de até vencer provas. O Cristian não teve chance alguma, assim como Ingo Hoffman, Chico Serra, Raul Boesel ou Gugelmin. O Senna pegou 4 anos de equipes em crise como a Toleman e falida Lotus, mas dava para mostrar serviço em algumas pistas, principalmente com chuva. O Piquet, já pegou bem no início de sua carreira, na Brabham, um carro desenvolvido pelo Lauda, bastou trocar o motor Alfa pelo Ford para Piquet ser competitivo. Não adianta para ser campeão tem que ter sorte. Piquet teve, Cristian não teve.

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